{"id":49093,"date":"2010-12-21T17:03:40","date_gmt":"2010-12-21T17:03:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/21\/nota-da-congregacao-para-a-doutrina-da-fe-sobre-a-banalizacao-da-sexualidade\/"},"modified":"2010-12-21T17:03:40","modified_gmt":"2010-12-21T17:03:40","slug":"nota-da-congregacao-para-a-doutrina-da-fe-sobre-a-banalizacao-da-sexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nota-da-congregacao-para-a-doutrina-da-fe-sobre-a-banalizacao-da-sexualidade\/","title":{"rendered":"Nota da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 sobre a banaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>Nota da Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute;<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Sobre a banaliza&ccedil;&atilde;o da sexualidade<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>A prop&oacute;sito de algumas leituras de &laquo;Luz do mundo&raquo;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por ocasi&atilde;o da publica&ccedil;&atilde;o do livro-entrevista de Bento XVI, &laquo;Luz do Mundo&raquo;, foram difundidas diversas interpreta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o correctas, que geraram confus&atilde;o sobre a posi&ccedil;&atilde;o da Igreja Cat&oacute;lica quanto a algumas quest&otilde;es de moral sexual. N&atilde;o raro, o pensamento do Papa foi instrumentalizado para fins e interesses alheios ao sentido das suas palavras, que aparece evidente se se lerem inteiramente os cap&iacute;tulos onde se alude &agrave; sexualidade humana. O interesse do Santo Padre &eacute; claro: reencontrar a grandeza do projecto de Deus sobre a sexualidade, evitando a banaliza&ccedil;&atilde;o hoje generalizada da mesma.<\/p>\n<p>Algumas interpreta&ccedil;&otilde;es apresentaram as palavras do Papa como afirma&ccedil;&otilde;es em contraste com a tradi&ccedil;&atilde;o moral da Igreja; hip&oacute;tese esta, que alguns saudaram como uma viragem positiva, e outros receberam com preocupa&ccedil;&atilde;o, como se se tratasse de uma ruptura com a doutrina sobre a contracep&ccedil;&atilde;o e com a atitude eclesial na luta contra o HIV-SIDA. Na realidade, as palavras do Papa, que aludem de modo particular a um comportamento gravemente desordenado como &eacute; a prostitui&ccedil;&atilde;o (cf. &laquo;Luce del mondo&raquo;, 1.&ordf; reimpress&atilde;o, Novembro de 2010, p. 170-171), n&atilde;o constituem uma altera&ccedil;&atilde;o da doutrina moral nem da praxis pastoral da Igreja.<\/p>\n<p>Como resulta da leitura da p&aacute;gina em quest&atilde;o, o Santo Padre n&atilde;o fala da moral conjugal, nem sequer da norma moral sobre a contracep&ccedil;&atilde;o. Esta norma, tradicional na Igreja, foi retomada em termos bem precisos por Paulo VI no n.&ordm; 14 da Enc&iacute;clica <em>Humanae vitae<\/em>, quando escreveu que &laquo;se exclui qualquer ac&ccedil;&atilde;o que, quer em previs&atilde;o do acto conjugal, quer durante a sua realiza&ccedil;&atilde;o, quer no desenrolar das suas consequ&ecirc;ncias naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar imposs&iacute;vel a procria&ccedil;&atilde;o&raquo;. A ideia de que se possa deduzir das palavras de Bento XVI que seja l&iacute;cito, em alguns casos, recorrer ao uso do preservativo para evitar uma gravidez n&atilde;o desejada &eacute; totalmente arbitr&aacute;ria e n&atilde;o corresponde &agrave;s suas palavras nem ao seu pensamento. Pelo contr&aacute;rio, a este respeito, o Papa prop&otilde;e caminhos que se podem, humana e eticamente, percorrer e em favor dos quais os pastores s&atilde;o chamados a fazer &laquo;mais e melhor&raquo; (&laquo;Luce del mondo&raquo;, p. 206), ou seja, aqueles que respeitam integralmente o nexo indivis&iacute;vel dos dois significados &ndash; uni&atilde;o e procria&ccedil;&atilde;o &ndash; inerentes a cada acto conjugal, por meio do eventual recurso aos m&eacute;todos de regula&ccedil;&atilde;o natural da fecundidade tendo em vista uma procria&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel.<\/p>\n<p>Passando &agrave; p&aacute;gina em quest&atilde;o, nela o Santo Padre refere-se ao caso completamente diverso da prostitui&ccedil;&atilde;o, comportamento que a moral crist&atilde; desde sempre considerou gravemente imoral (cf. Conc&iacute;lio Vaticano II, Constitui&ccedil;&atilde;o pastoral <em>Gaudium et spes<\/em>, n.&ordm; 27; <em>Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica<\/em>, n.&ordm; 2355). A recomenda&ccedil;&atilde;o de toda a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; &ndash; e n&atilde;o s&oacute; dela &ndash; relativamente &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o pode resumir-se nas palavras de S&atilde;o Paulo: &laquo;Fugi da imoralidade&raquo; (<em>1 Cor<\/em> 6, 18). Por isso a prostitui&ccedil;&atilde;o h&aacute;-de ser combatida, e os entes assistenciais da Igreja, da sociedade civil e do Estado devem trabalhar por libertar as pessoas envolvidas.<\/p>\n<p>A este respeito, &eacute; preciso assinalar que a situa&ccedil;&atilde;o que se criou por causa da actual difus&atilde;o do HIV-SIDA em muitas &aacute;reas do mundo tornou o problema da prostitui&ccedil;&atilde;o ainda mais dram&aacute;tico. Quem sabe que est&aacute; infectado pelo HIV e, por conseguinte, pode transmitir a infec&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m do pecado grave contra o sexto mandamento comete um tamb&eacute;m contra o quinto, porque conscientemente p&otilde;e em s&eacute;rio risco a vida de outra pessoa, com repercuss&otilde;es ainda na sa&uacute;de p&uacute;blica. A prop&oacute;sito, o Santo Padre afirma claramente que os preservativos n&atilde;o constituem &laquo;a solu&ccedil;&atilde;o aut&ecirc;ntica e moral&raquo; do problema do HIV-SIDA e afirma tamb&eacute;m que &laquo;concentrar-se s&oacute; no preservativo significa banalizar a sexualidade&raquo;, porque n&atilde;o se quer enfrentar o desregramento humano que est&aacute; na base da transmiss&atilde;o da pandemia. Al&eacute;m disso &eacute; ineg&aacute;vel que quem recorre ao preservativo para diminuir o risco na vida de outra pessoa pretende reduzir o mal inerente ao seu agir errado. Neste sentido, o Santo Padre assinala que o recurso ao preservativo, &laquo;com a inten&ccedil;&atilde;o de diminuir o perigo de cont&aacute;gio, pode entretanto representar um primeiro passo na estrada que leva a uma sexualidade vivida diversamente, uma sexualidade mais humana&raquo;. Trata-se de uma observa&ccedil;&atilde;o totalmente compat&iacute;vel com a outra afirma&ccedil;&atilde;o do Papa: &laquo;Este n&atilde;o &eacute; o modo verdadeiro e pr&oacute;prio de enfrentar o mal do HIV&raquo;.<\/p>\n<p>Alguns interpretaram as palavras de Bento XVI, recorrendo &agrave; teoria do chamado &laquo;mal menor&raquo;. Todavia esta teoria &eacute; suscept&iacute;vel de interpreta&ccedil;&otilde;es desorientadoras de matriz proporcionalista (cf. Jo&atilde;o Paulo II, Enc&iacute;clica <em>Veritatis splendor<\/em>, nn.<sup>os<\/sup> 75-77). Toda a ac&ccedil;&atilde;o que pelo seu objecto seja um mal, ainda que um mal menor, n&atilde;o pode ser licitamente querida. O Santo Padre n&atilde;o disse que a prostitui&ccedil;&atilde;o valendo-se do preservativo pode ser licitamente escolhida como mal menor, como algu&eacute;m sustentou. A Igreja ensina que a prostitui&ccedil;&atilde;o &eacute; imoral e deve ser combatida. Se algu&eacute;m, apesar disso, pratica a prostitui&ccedil;&atilde;o mas, porque se encontra tamb&eacute;m infectado pelo HIV, esfor&ccedil;a-se por diminuir o perigo de cont&aacute;gio inclusive mediante o recurso ao preservativo, isto pode constituir um primeiro passo no respeito pela vida dos outros, embora a mal&iacute;cia da prostitui&ccedil;&atilde;o permane&ccedil;a em toda a sua gravidade. Estas pondera&ccedil;&otilde;es est&atilde;o na linha de quanto a tradi&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gico-moral da Igreja defendeu mesmo no passado.<\/p>\n<p>Em conclus&atilde;o, na luta contra o HIV-SIDA, os membros e as institui&ccedil;&otilde;es da Igreja Cat&oacute;lica saibam que &eacute; preciso acompanhar as pessoas, curando os doentes e formando a todos para que possam viver a abstin&ecirc;ncia antes do matrim&oacute;nio e a fidelidade dentro do pacto conjugal. A este respeito, &eacute; preciso tamb&eacute;m denunciar os comportamentos que banalizam a sexualidade, porque &ndash; como diz o Papa &ndash; s&atilde;o eles precisamente que representam a perigosa raz&atilde;o pela qual muitas pessoas deixaram de ver na sexualidade a express&atilde;o do seu amor. &laquo;Por isso, tamb&eacute;m a luta contra a banaliza&ccedil;&atilde;o da sexualidade &eacute; parte do grande esfor&ccedil;o a fazer para que a sexualidade seja avaliada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade&raquo; (&laquo;Luce del mondo&raquo;, p. 170).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota da Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute; Sobre a banaliza&ccedil;&atilde;o da sexualidade A prop&oacute;sito de algumas leituras de &laquo;Luz do mundo&raquo; &nbsp; Por ocasi&atilde;o da publica&ccedil;&atilde;o do livro-entrevista de Bento XVI, &laquo;Luz do Mundo&raquo;, foram difundidas diversas 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