{"id":49084,"date":"2010-12-24T07:07:17","date_gmt":"2010-12-24T07:07:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/24\/natal-em-pokot-quenia-tao-diferente-e-tao-autentico\/"},"modified":"2010-12-24T07:07:17","modified_gmt":"2010-12-24T07:07:17","slug":"natal-em-pokot-quenia-tao-diferente-e-tao-autentico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-em-pokot-quenia-tao-diferente-e-tao-autentico\/","title":{"rendered":"Natal em P\u00f6kot &#8211; Qu\u00e9nia: t\u00e3o diferente e t\u00e3o aut\u00eantico"},"content":{"rendered":"<p>Padre Filipe Resende, mission\u00e1rio portugu\u00eas, relata experi\u00eancias na primeira pessoa <!--more--> <\/p>\n<p>Vivo com o povo P&ouml;kot desde 2008, pastores semin&oacute;madas no noroeste do Qu&eacute;nia, junto &agrave; fronteira com o Uganda. Aqui vivo o mesmo Natal mas com muit&iacute;ssimas express&otilde;es distintas. E nem por isso deixa de ser Natal&#8230;<\/p>\n<p><em>Natal-celebra&ccedil;&atilde;o &ldquo;estranha&rdquo; &agrave; cultura P&ouml;kot<\/em><\/p>\n<p>Na l&iacute;ngua P&ouml;kot n&atilde;o h&aacute; a palavra Natal. Simplesmente se adaptou a palavra em l&iacute;ngua swahili &ndash; Krismasi, que deriva do ingl&ecirc;s Christmas. Isto mostra bem como &eacute; &ldquo;estrangeiro&rdquo; o conceito de Natal entre o povo P&ouml;kot.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, por aqui, tamb&eacute;m o Natal &eacute; tempo de celebra&ccedil;&otilde;es. Certamente: sem bacalhau, doces, frio, &aacute;rvores de Natal, ou sem pres&eacute;pios para al&eacute;m daquele da igreja da miss&atilde;o. Tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; a tradi&ccedil;&atilde;o das luzinhas nas montras enfeitadas. N&atilde;o h&aacute; montras. N&atilde;o se v&ecirc; sacos carregados com prendas de Natal. N&atilde;o somos enchar-cados com publicidade natal&iacute;cia; a televis&atilde;o e a r&aacute;dio s&atilde;o comodidades acess&iacute;veis a muito poucos.<\/p>\n<p>Algu&eacute;m poder&aacute; perguntar: mas sem tudo isso &eacute; poss&iacute;vel haver Natal? Mas &eacute; obvio que sim&#8230;<\/p>\n<p><em>Natal que marca a passagem de Deus<\/em><\/p>\n<p>J&aacute; vivi v&aacute;rios anos o Natal no Qu&eacute;nia. De 1997 a 2002 estudei aqui Teologia. Por&eacute;m, desde o meu regresso em finais 2008, o Natal de 2009 foi para mim, como mission&aacute;rio, um Natal especial: baptizei pela primeira vez em &Aacute;frica crian&ccedil;as at&eacute; aos 5 anos. Esta experi&ecirc;ncia mostrou-me de um modo diferente o significado do Natal. E o que &eacute; que foi diferente? Provavelmente para muitos nada foi diferente. S&atilde;o baptismos todos eles afinal de contas&#8230;<\/p>\n<p>Mas se pensar que para as crian&ccedil;as que baptizei tenha sido a primeira vez que viram um sacerdote, talvez comecemos a ver algumas diferen&ccedil;as. Se pensar ainda que todos estes baptismos foram celebrados no meio de comunidades onde a maioria das pessoas n&atilde;o s&atilde;o sequer baptizados, estes momentos obt&eacute;m ainda mais significado. Pensando ainda que estas crian&ccedil;as pertencem somente &agrave; 2&ordf; ou 3&ordf; gera&ccedil;&atilde;o de crist&atilde;os em terras P&ouml;kot, a import&acirc;ncia ganha ainda mais sentido. Pensar, por fim, que algumas destas crian&ccedil;as talvez n&atilde;o cheguem &agrave; idade adulta devido &agrave; alta taxa de mortalidade infantil neste cantinho da &Aacute;frica, faz-me sentir um privilegiado poder ser um instrumento da gra&ccedil;a de Deus para estas crian&ccedil;as e suas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Para a maioria destas crian&ccedil;as, s&atilde;o as m&atilde;es as grandes interessadas em baptizar os filhos. Os pais, em raros casos bapti-zados eles pr&oacute;prios, geralmente deixam a educa&ccedil;&atilde;o dos filhos entregue &agrave;s m&atilde;es. H&aacute; excep&ccedil;&otilde;es. Com certeza que sim! E come&ccedil;am a ser cada vez mais, pouco a pouco.<\/p>\n<p><em>Natal: Jesus que nasce humilde e timidamente<\/em><\/p>\n<p>Viver o Natal assim ajuda-me a entender melhor o seu verdadeiro significado: Jesus, o pr&oacute;prio Filho de Deus, nasce em cada um de n&oacute;s de uma forma humilde, pobre e t&iacute;mida. Ao mesmo tempo nasce com uma potencialidade e grandiosidade de encher a Vida de uma forma tremenda e imensa.<\/p>\n<p>Humildes e pobres s&atilde;o as capelas onde celebramos os baptismos. Somos n&oacute;s a prover um pouco de luz com um sistema port&aacute;til de energia ad hoc a partir de uma bateria. A celebra&ccedil;&atilde;o da missa, sem os cerimoniais de incenso, n&atilde;o fica nada atr&aacute;s da explos&atilde;o de alegria dos c&acirc;nticos tradicionais em l&iacute;nguas locais, cantados por todos em v&aacute;rias vozes e sem horas e horas de ensaios&#8230; &eacute;-lhes natural e espont&acirc;neo! Celebra&ccedil;&otilde;es onde n&atilde;o h&aacute; rel&oacute;gios, pressas ou &ldquo;outros afazeres&rdquo; mais importantes do que este: deixar a alegria do nascimento de Jesus encher a vida t&atilde;o simples e pobre de todos.<\/p>\n<p>A alegria do rosto daqueles pais que veem o seu filhote ser baptizado &eacute; o melhor presente que jamais pude receber. &Eacute; reconhecer que Deus cresce e entra no meio deste povo, na sua cultura, na sua f&eacute;, no seu dia a dia, desta forma humilde, sem grandes ru&iacute;dos, na simplicidade, na pobreza aparente de uma crian&ccedil;a.<\/p>\n<p><em>Uma car&iacute;cia sacramental&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Um momento caricato e engra&ccedil;ado na celebra&ccedil;&atilde;o de Natal do ano passado foi o facto de duas das crian&ccedil;as que baptizei n&atilde;o pararem de chorar e berrar sempre que me aproximava para administrar os &oacute;leos santos e o sinal da cruz. At&eacute; que compreendi a raz&atilde;o. Os paramentos deste dia eram brancos da&iacute; que eu estava todo vestido de branco. Estas 2 crian&ccedil;as confundiram-me, nem mais nem menos, com o enfermeiro do dispens&aacute;rio local. E com raz&atilde;o choravam! &Eacute; que o que esse homem de branco lhes tinha feito tinha sido somente dar-lhes injec&ccedil;&otilde;es que fazem doer! E assim fui confundido com o enfermeiro&hellip; finalmente acabaram por j&aacute; n&atilde;o temer a minha proximidade depois de v&aacute;rias tentativas. Perip&eacute;cias da vida mission&aacute;ria!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Pe. Filipe Resende, MCCJ, Mission&aacute;rio Comboniano no Qu&eacute;nia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Filipe Resende, mission\u00e1rio portugu\u00eas, relata experi\u00eancias na primeira pessoa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[267],"class_list":["post-49084","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49084","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49084"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49084\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}