{"id":49083,"date":"2010-12-21T12:35:44","date_gmt":"2010-12-21T12:35:44","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/21\/natal-e-secularismo\/"},"modified":"2010-12-21T12:35:44","modified_gmt":"2010-12-21T12:35:44","slug":"natal-e-secularismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-e-secularismo\/","title":{"rendered":"Natal e secularismo"},"content":{"rendered":"<p>Londres &eacute; considerada uma das cidades mais cosmopolitas da actualidade. Neste seu emaranhado de culturas, l&iacute;nguas, ra&ccedil;as e religi&otilde;es &eacute; poss&iacute;vel encontrar de tudo e para todos os gostos.<\/p>\n<p>Atrevo-me a dizer que qualquer religi&atilde;o, seita, filosofia de vida existentes &agrave; face da terra, ou mesmo falta de qualquer uma delas, tem uma &ldquo;sucursal&rdquo; nesta cidade. Foi este o universo que Bento XVI se prop&ocirc;s encontrar em Setembro passado. N&atilde;o direi tanto que veio como pastor ao encontro do seu rebanho, mas sim que veio como cordeiro ao encontro dos lobos. Ao longo dos 4 dias da sua visita a este pais foram muito poucas as palavras realmente catequ&eacute;ticas, pelo contr&aacute;rio, foram muitas as palavras que dirigiu a uma sociedade bastante generalizada. Os encontros com a sociedade civil t&atilde;o variada mostraram nele uma verdadeira figura de combate contra o que nas suas pr&oacute;prias palavras foi chamado de &ldquo;formas agressivas de secularismo&rdquo;.<\/p>\n<p>O debate entre o que &eacute; temporal e o que &eacute; espiritual, o di&aacute;logo entre a f&eacute; e a raz&atilde;o foram uma constante. &Eacute;, por isso, normal encontrar nos discursos de Bento XVI uma preocupa&ccedil;&atilde;o muito forte pela toler&acirc;ncia, mas ao mesmo tempo um alerta muito forte para que n&atilde;o se caia no extremo do vazio de Deus. Para muitos a toler&acirc;ncia &eacute; sin&oacute;nimo de aus&ecirc;ncia de religi&atilde;o, aus&ecirc;ncia da manifesta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do que &eacute; a f&eacute; de uns para n&atilde;o ferir ou interferir na vida de outros.<\/p>\n<p>A essa mesma problem&aacute;tica se referiu o Papa no discurso feito no Parlamento de Londres quando diz: &ldquo;Existem pessoas segundo as quais a voz da religi&atilde;o deveria ser silenciada ou, na melhor das hip&oacute;teses, relegada &agrave; esfera puramente particular. Outros ainda afirmam que a celebra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de festividades como o Natal deveria ser desencorajada, segundo a question&aacute;vel convic&ccedil;&atilde;o de que ela poderia de alguma maneira ofender aqueles que pertencem a outras ou a nenhuma religi&atilde;o&rdquo;. Alegar que a celebra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do Natal pode ser causa de ofensa para aqueles que pertencem a credos ou filosofias de vida diferentes do cristianismo nada mais &eacute; do que uma tentativa feroz deste secularismo agressivo que pretende banir Deus da hist&oacute;ria do mundo moderno. N&atilde;o direi que j&aacute; o conseguiram, mas creio que muitos passos s&atilde;o dados para um esvaziamento do Natal do seu sentido profundo de um Deus feito Homem por amor gratuito ao homem sua criatura por excel&ecirc;ncia. As ruas desta cidade encontram-se carregadas de luzes e com montras renovadas h&aacute; v&aacute;rias semanas. Deste panorama que se multiplica em tantas cidades por esse mundo surge uma inquieta&ccedil;&atilde;o: est&aacute; o Natal banido? A resposta seria um &ldquo;nim&rdquo;, pe&ccedil;o desculpa pelo termo. A verdade &eacute; que a resposta &eacute; &acirc;mb&iacute;gua. Se por um lado vemos que a &eacute;poca n&atilde;o &eacute; esquecida pelas suas luzes, cores, etc, vemos, contudo que os temas dominantes das luzes e montras s&atilde;o luzes em forma de chap&eacute;us, de presentes, de la&ccedil;os, de pai natal, de renas. Onde est&aacute; o natal nisto afinal? O que diferencia estas luzes daquelas que usamos nos arraiais dos bailaricos das nossas aldeias de prov&iacute;ncia? Estou convicto de que ainda n&atilde;o se baniu a manifesta&ccedil;&atilde;o &ldquo;outdoor&rdquo; do Natal, porque, a n&iacute;vel econ&oacute;mico, at&eacute; os que eventualmente seriam ofendidos pela manifesta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica deste mist&eacute;rio divino s&atilde;o os que mais lucram com ele. Quantas lojas de chineses, indianos, mu&ccedil;ulmanos n&atilde;o encontramos n&oacute;s a vender artigos de Natal?<\/p>\n<p>Termino esta reflex&atilde;o com outras palavras de Bento XVI na mesma ocasi&atilde;o: &ldquo;para os legisladores a religi&atilde;o n&atilde;o representa um problema a resolver, mas um factor que contribui de forma vital para o debate p&uacute;blico na na&ccedil;&atilde;o&rdquo;, para o bem da nossa sociedade.<\/p>\n<p>Pe. Pedro Rodrigues,<br \/>Miss&atilde;o Cat&oacute;lica Portuguesa, Londres<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres &eacute; considerada uma das cidades mais cosmopolitas da actualidade. Neste seu emaranhado de culturas, l&iacute;nguas, ra&ccedil;as e religi&otilde;es &eacute; poss&iacute;vel encontrar de tudo e para todos os gostos. 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