{"id":49082,"date":"2010-12-21T12:35:40","date_gmt":"2010-12-21T12:35:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/21\/o-natal-cristao-escola-do-essencial\/"},"modified":"2010-12-21T12:35:40","modified_gmt":"2010-12-21T12:35:40","slug":"o-natal-cristao-escola-do-essencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-cristao-escola-do-essencial\/","title":{"rendered":"O Natal crist\u00e3o: escola do essencial"},"content":{"rendered":"<p>O Natal faz parte do patrim&oacute;nio da f&eacute; crist&atilde; a que a Igreja tem por miss&atilde;o dar visibilidade ao longo da hist&oacute;ria. Trata-se duma celebra&ccedil;&atilde;o que nasceu no contexto dessa f&eacute;. Logo, s&oacute; no interior desta poder&aacute; ser correctamente interpretada. A f&eacute; crist&atilde; &eacute; o universo de linguagem dentro do qual se capta o verdadeiro sentido do Natal. Este &lsquo;universo de linguagem&rsquo; n&atilde;o &eacute; apenas algo a que se adere mentalmente. &Eacute;, antes de mais, uma coisa que se vive. Por sua vez, o &lsquo;sentido do Natal&rsquo; n&atilde;o depende do que cada um pensa que ele deveria ser ou gostaria que ele fosse. O Natal &eacute; que nos diz o que ele pr&oacute;prio &eacute;. Celebra o nascimento de Jesus, que constitui a entrada definitiva de Deus na hist&oacute;ria humana, para apontar a todos o caminho da verdadeira felicidade.<\/p>\n<p>S&oacute; vivendo a f&eacute; crist&atilde; &eacute; que se percebe o significado do Natal. Mas a celebra&ccedil;&atilde;o deste tem que decorrer no seio da nossa sociedade plural. Ela fica, pois, exposta diante de quem n&atilde;o entende o seu significado objectivo, n&atilde;o lhe d&aacute; qualquer valor, ou rejeita pura e simplesmente. Acresce o facto de o Natal ser uma data que consta do calend&aacute;rio do conjunto da sociedade. Isto leva a que, a par do Natal crist&atilde;o, exista o Natal cultural. Este &uacute;ltimo n&atilde;o tem conte&uacute;do definido a priori. Mais parece o preenchimento dum espa&ccedil;o que a Igreja n&atilde;o pode controlar e com o qual a sociedade nem sempre sabe lidar. Faz-se do Natal uma grande sess&atilde;o de despesas. Constroem-se fantasias &agrave; sua volta. Multiplica-se o seu significado consoante o que cada um quer. Tudo isto faz parte da chamada &lsquo;magia do Natal&rsquo;. Alguns talvez desejem at&eacute; retirar-lhe o que tem de express&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Viver o Natal crist&atilde;o no seio desta sociedade plural requer aprendizagem. Levantam-se quest&otilde;es que se tornam frentes de trabalho. Existe, em primeiro lugar, a discuss&atilde;o do que deve ser o pluralismo na nossa sociedade. Reconhece-se &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; o direito de o integrar ou pretende-se dar lugar a tudo menos a ela? Aceita-se que esse pluralismo surge num espa&ccedil;o de passado marcadamente crist&atilde;o ou quer-se partir para o futuro fazendo t&aacute;bua rasa do que est&aacute; para tr&aacute;s? Este debate deve levar a perceber que, onde se risca a mem&oacute;ria, dificilmente se consegue identidade. Deve ajudar a ver que, apagando o passado donde se vem, fica-se vulner&aacute;vel &agrave; experimenta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, tendencialmente tir&acirc;nica, como &eacute; o caso do laicismo. A inclus&atilde;o do Natal no nosso calend&aacute;rio civil deve-se ao passado crist&atilde;o da sociedade a que pertencemos. Mas a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; tem mostrado at&eacute; que respeita os outros no seio do conv&iacute;vio democr&aacute;tico. O Natal crist&atilde;o n&atilde;o se imp&otilde;e; quer existir e fazer viver.<\/p>\n<p>Surge, em segundo lugar, a reflex&atilde;o sobre o conte&uacute;do do Natal cultural. Sabendo que ele n&atilde;o existiria sem o Natal crist&atilde;o, compreende-se que este lhe aponte o que &eacute; proveitoso, sem fazer viol&ecirc;ncia ao conjunto da sociedade. O Natal &eacute;, em virtude da sua origem, um elemento da simb&oacute;lica crist&atilde;. Contudo, pode extrair-se dele o &lsquo;humano fundamental&rsquo;, que, de si, deve interessar a todos. Da cena do pres&eacute;pio, colhem-se os valores da humildade, do desprendimento, da d&aacute;diva; aprende-se a atender ao essencial da vida. Quando Deus surge no meio de n&oacute;s da maneira que l&aacute; vemos, ele diz-nos o que &eacute; ser verdadeiramente humano. Est&aacute; aqui a riqueza que o Natal crist&atilde;o oferece &agrave; sociedade.<\/p>\n<p>Pede-se aos crist&atilde;os, em terceiro lugar, um refor&ccedil;o identit&aacute;rio colectivo. &Eacute; preciso cultivar o clima da f&eacute; crist&atilde;, para que ele robuste&ccedil;a as viv&ecirc;ncias individuais da mesma. Cada um deve foment&aacute;-lo juntamente com outros, para que todos possam beneficiar depois dele. A f&eacute; crist&atilde; ganha consist&ecirc;ncia colectiva atrav&eacute;s de acontecimentos que lhe d&atilde;o visibilidade e a fazem comunicar vida. &Eacute; o caso daqueles que d&atilde;o corpo ao Natal crist&atilde;o. Veja-se a exposi&ccedil;&atilde;o dos estandartes do Menino Jesus nas janelas e varandas de muitas casas. Tais acontecimentos contribuem para um clima de f&eacute; crist&atilde; mais robusto, capaz de alimentar os que a praticam e de ser sinal para o mundo. O refor&ccedil;o identit&aacute;rio colectivo, que de tudo isto resulta, n&atilde;o pretende fomentar esp&iacute;rito de gueto. Est&aacute; aberto &agrave;s interpela&ccedil;&otilde;es que lhe chegam do exterior, desi-gnadamente &agrave;s grandes necessidades humanas. Esse refor&ccedil;o identit&aacute;rio procura ser tamb&eacute;m evangelizador; fala para fora. &Eacute; bom que n&atilde;o enverede logo por um debate racional; talvez desgaste e n&atilde;o d&ecirc; frutos. Conv&eacute;m que toque aquela &aacute;rea das pessoas que precede os argumentos, pois &eacute; nela que a mensagem do Natal pode fazer algu&eacute;m nascer de novo.<\/p>\n<p>Domingos Terra,<br \/>Professor da Faculdade de Teologia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Natal faz parte do patrim&oacute;nio da f&eacute; crist&atilde; a que a Igreja tem por miss&atilde;o dar visibilidade ao longo da hist&oacute;ria. Trata-se duma celebra&ccedil;&atilde;o que nasceu no contexto dessa f&eacute;. Logo, s&oacute; no interior desta poder&aacute; ser correctamente interpretada. A f&eacute; crist&atilde; &eacute; o universo de linguagem dentro do qual se capta o verdadeiro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[267],"class_list":["post-49082","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49082"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49082\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}