{"id":49081,"date":"2010-12-21T12:35:27","date_gmt":"2010-12-21T12:35:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/21\/natal-em-terras-do-islao\/"},"modified":"2010-12-21T12:35:27","modified_gmt":"2010-12-21T12:35:27","slug":"natal-em-terras-do-islao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-em-terras-do-islao\/","title":{"rendered":"Natal em Terras do Isl\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Como &eacute; que se celebra o Natal em situa&ccedil;&atilde;o religiosa minorit&aacute;ria? Mais concretamente num pa&iacute;s mu&ccedil;ulmano?<\/p>\n<p>Esta pergunta que me fazem de vez em quando, por ser crist&atilde;o origin&aacute;rio do Egipto, merece de entrada um esclarecimento acerca do sentido de celebrar?<\/p>\n<p>Se &eacute; o frenesim comercial e decorativo que se conhece nos pa&iacute;ses ditos crist&atilde;os, ou ainda as encena&ccedil;&otilde;es dos Pais Natais, das &Aacute;rvores do Natal e da pan&oacute;plia de trocas de prendas ou de boas festas, etc.? Ou a celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica e interior, incluindo o tempo preparativo do Advento?<\/p>\n<p>&Eacute; que, em termos estritamente crist&atilde;os, parece-me existir uma grande analogia entre a Europa ou as Am&eacute;ricas &ldquo;pag&atilde;s&rdquo; e consumistas e &ndash; digamos &ndash; o M&eacute;dio Oriente maioritariamente mu&ccedil;ulmano. Em ambos os mundos se vive o verdadeiro cristianismo em contexto &ldquo;minorit&aacute;rio&rdquo;! Por c&aacute; e por l&aacute; o que se deve comemorar &eacute; o nascimento do Menino que veio mudar o mundo e acordar as consci&ecirc;ncias&#8230; A celebra&ccedil;&atilde;o religiosa deveria implicar, antes de tudo, a contempla&ccedil;&atilde;o colectiva e individual deste &ldquo;mist&eacute;rio-sacramento&rdquo; e a consequente mudan&ccedil;a dos par&acirc;me-tros da nossa vida&#8230;<\/p>\n<p>Para al&eacute;m das celebra&ccedil;&otilde;es enquanto tais, o povo crist&atilde;o deve saber viver os seus ritos e a sua f&eacute;, a sua vis&atilde;o do mundo, como testemunho duma realidade de facto plasmada nas entranhas da terra e funda no cora&ccedil;&atilde;o dos humanos, se bem que de modo n&atilde;o aparente. Como &eacute; ent&atilde;o que vejo e posso viver a mensagem natal&iacute;cia num meio mu&ccedil;ulmano, onde impera uma imagem de Deus essencialmente transcendente e omnipotente? Onde a cren&ccedil;a num Filho de Deus feito homem soa ao polite&iacute;smo e &agrave; blasf&eacute;mia, pass&iacute;vel de retalia&ccedil;&atilde;o violenta?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, h&aacute; que considerar que, no livro sagrado dos mu&ccedil;ulmanos, &ldquo;Jesus filho de Maria&rdquo; &eacute; tido como um profeta muito particular. Ele &eacute; &ldquo;Sua palavra&rdquo;, &ldquo;um esp&iacute;rito dEle&rdquo; que foi &ldquo;soprado&rdquo; no seio da virgem Maria, ela pr&oacute;pria descendente da fam&iacute;lia do profeta Omr&aacute;n. Isa &rsquo;bnu Maryam fez milagres inacredit&aacute;veis desde a tenra idade! Mas sobretudo, ele e a sua m&atilde;e foram as &uacute;nicas criaturas que foram geradas sem &ldquo;serem tocadas por Ibl&iacute;s (o Diabo)&rdquo;. H&aacute; que frisar, logo aqui, neste preciso dia da N.S. da Concei&ccedil;&atilde;o, como &eacute; que os mu&ccedil;ulmanos acreditam, desde os alvores do s&eacute;culo VII, na &ldquo;imaculada concep&ccedil;&atilde;o&rdquo; da Virgem Maria, isto &eacute;, mais que doze s&eacute;culos antes da proclama&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lico-romana do respectivo dogma (1854)!<\/p>\n<p>Ora bem, o Natal &eacute; simplesmente a comemora&ccedil;&atilde;o do nascimento desse profeta &ldquo;misterioso&rdquo;! Celebra-se tal como os mu&ccedil;ulmanos costumam celebrar o nascimento do profeta Muh&acirc;mad na festa do M&uacute;lid al-N&aacute;bi (pr&aacute;tica inaugurada apenas no s&eacute;culo IX, por inspira&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica crist&atilde; ent&atilde;o vigente). Contudo, para os crist&atilde;os, n&atilde;o se trata apenas de celebrar o anivers&aacute;rio do seu &ldquo;profeta&rdquo;. Celebra-se o mist&eacute;rio do Deus que se fez homem, assumindo ser pequeno, fraco, fr&aacute;gil e vulner&aacute;vel (perseguido por Herodes&#8230;), convidando &agrave; ternura materna e &agrave; compaix&atilde;o.<\/p>\n<p>Ora isto deveria tocar todo o mu&ccedil;ulmano, pois ele invoca continuamente Deus com &ldquo;o todo clemente e misericordioso&rdquo;: al-rahm&aacute;n al-rah&iacute;m &#8211; palavras que t&ecirc;m a sua origem no termo rahm, o &uacute;tero materno, a matriz!<\/p>\n<p>Afinal, com o Natal crist&atilde;o, convida-se a celebrar o mist&eacute;rio do amor que liga o Deus-Criador, transcendente e omnipotente, &agrave; sua humilde e &ldquo;infanta&rdquo; criatura. Convida-se a rejeitar toda a vangl&oacute;ria e o orgulho, a prepot&ecirc;ncia e a viol&ecirc;ncia. A desenvolver a bondade e a solidariedade, a confian&ccedil;a na miseric&oacute;rdia de Deus (outro sentido do tasl&iacute;m, &lsquo;submiss&atilde;o e entrega indefesa&rsquo;&#8230;) para ultrapassar as nossas fragilidades e limites, a n&oacute;s todos e todas.<\/p>\n<p>Adel Sidarus (&Eacute;vora),<br \/>professor de Estudos &Aacute;rabes e Isl&acirc;micos da Universidade de &Eacute;vora<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como &eacute; que se celebra o Natal em situa&ccedil;&atilde;o religiosa minorit&aacute;ria? Mais concretamente num pa&iacute;s mu&ccedil;ulmano? Esta pergunta que me fazem de vez em quando, por ser crist&atilde;o origin&aacute;rio do Egipto, merece de entrada um esclarecimento acerca do sentido de celebrar? 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