{"id":49072,"date":"2010-12-21T11:25:48","date_gmt":"2010-12-21T11:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/21\/a-paz-na-promocao-e-defesa-da-liberdade-religiosa\/"},"modified":"2010-12-21T11:25:48","modified_gmt":"2010-12-21T11:25:48","slug":"a-paz-na-promocao-e-defesa-da-liberdade-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-paz-na-promocao-e-defesa-da-liberdade-religiosa\/","title":{"rendered":"A paz na promo\u00e7\u00e3o e defesa da liberdade religiosa"},"content":{"rendered":"<p>O direito a livremente professar ou n&atilde;o professar uma religi&atilde;o, bem como o de livremente a manifestar, &laquo;sozinho ou em comum, tanto em p&uacute;blico como em privado, pelo ensino, pela pr&aacute;tica, pelo culto e pelos ritos&raquo; (DUDH, Artigo 18.&ordm;), &eacute; um direito intr&iacute;nseco &agrave; dignidade da pessoa humana. &Eacute; um direito que, quando reconhecido, como sublinha Bento XVI na sua mensagem para a celebra&ccedil;&atilde;o do Dia Mundial da Paz de 2011, garante que &laquo;a dignidade da pessoa humana &eacute; respeitada na sua raiz e refor&ccedil;a-se a &iacute;ndole e as institui&ccedil;&otilde;es dos povos. Pelo contr&aacute;rio, quando a liberdade religiosa &eacute; negada, quando se tenta impedir de professar a pr&oacute;pria religi&atilde;o ou a pr&oacute;pria f&eacute; e de viver de acordo com elas, ofende-se a dignidade humana e, simult&acirc;neamente, acabam amea&ccedil;adas a justi&ccedil;a e a paz&raquo; (n. 5). Como tal, a liberdade religiosa &laquo;&eacute; elemento imprescind&iacute;vel de um Estado de direito; n&atilde;o pode ser negada, sem ao mesmo tempo minar todos os direitos e as liberdades fundamentais, pois &eacute; a sua s&iacute;ntese e &aacute;pice&raquo; (n. 5).<\/p>\n<p>Na realidade, por&eacute;m, este direito, apesar de consagrado pela DUDH e pertencer &laquo;ao n&uacute;cleo essencial dos direitos do homem, &agrave;queles direitos universais e naturais que a lei humana n&atilde;o pode jamais negar&raquo; (n. 5), tem sido menosprezado e espezinhado, um pouco por toda esta nossa aldeia global, como se pode constatar pelos Relat&oacute;rios Anuais sobre a Liberdade Religiosa elaborados tanto pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da Am&eacute;rica (http:\/\/www.state.gov\/g\/drl\/irf\/index.htm), como pela Funda&ccedil;&atilde;o Ajuda &agrave; Igreja que Sofre (http:\/\/www.fundacao-ais.pt\/media\/flash\/lrm\/index.html). De facto, assistimos ainda hoje em v&aacute;rios Estados &agrave; censura e a san&ccedil;&otilde;es judiciais por parte de regimes totalit&aacute;rios e autorit&aacute;rios que procuram controlar todo o pensamento e express&atilde;o religiosa; &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o das minorias religiosas, cujos membros s&atilde;o frequentemente for&ccedil;ados a abandonar o pa&iacute;s ou a renunciar &agrave; sua f&eacute;; ou a legisla&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas discriminat&oacute;rias que favorecem as religi&otilde;es maiorit&aacute;rias. &laquo;Negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade &#8211; como bem sublinha Bento XVI &#8211; significa cultivar uma vis&atilde;o redutiva da pessoa humana; obscurecer a fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da religi&atilde;o significa gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada &agrave; verdadeira natureza da pessoa; isto significa tornar imposs&iacute;vel a afirma&ccedil;&atilde;o de uma paz aut&ecirc;ntica e duradoura para toda a fam&iacute;lia humana&raquo; (n. 1).<\/p>\n<p>Persegui&ccedil;&otilde;es, discrimina&ccedil;&otilde;es, actos de viol&ecirc;ncia e de intoler&acirc;ncia baseados na religi&atilde;o, particularmente na &Aacute;sia, na &Aacute;frica e no M&eacute;dio Oriente, bem como formas mais sofisticadas de hostilidade contra a liberdade de religi&atilde;o nos pa&iacute;ses ocidentais, constituem s&eacute;rias amea&ccedil;as &agrave; paz e &agrave; seguran&ccedil;a globais. O tema da inter-rela&ccedil;&atilde;o entre religi&atilde;o e conflito violento tornou-se um debate predominante nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais e no mundo dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, nos quais a religi&atilde;o &eacute; frequentemente considerada mais como uma fonte de conflitos do que como &laquo;factor importante de unidade e paz para a fam&iacute;lia humana&raquo; (n. 10). A promo&ccedil;&atilde;o e a defesa da liberdade religiosa, &eacute;, pois, fulcral.<\/p>\n<p>E porque a paz verdadeira e duradoura s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel atrav&eacute;s da justi&ccedil;a, da reconcilia&ccedil;&atilde;o e do perd&atilde;o, e &eacute; a&iacute; que as religi&otilde;es t&ecirc;m, muitas vezes, algo especial para oferecer a partir do interior das suas pr&oacute;prias tradi&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m da necessidade do di&aacute;logo entre as diferentes religi&otilde;es, que &eacute; ferramenta para um melhor entendimento e conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica (cfr. n. 11), &eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;rio, como real&ccedil;a Bento XVI, fomentar a educa&ccedil;&atilde;o religiosa, a qual &eacute; &laquo;estrada privilegiada para habilitar as novas gera&ccedil;&otilde;es a reconhecerem no outro o seu pr&oacute;prio irm&atilde;o e a sua pr&oacute;pria irm&atilde;, com quem caminhar juntos e colaborar para que todos se sintam membros vivos de uma mesma fam&iacute;lia humana, da qual ningu&eacute;m deve ser exclu&iacute;do&raquo; (n. 4). Esta &eacute; uma mudan&ccedil;a radical de perspectiva em rela&ccedil;&atilde;o ao modo como, ainda hoje, muitos crentes s&atilde;o educados!<\/p>\n<p>A todos n&oacute;s, homens e mulheres, crentes e n&atilde;o crentes, que acreditamos que a paz &eacute; poss&iacute;vel e que os ciclos viciosos de viol&ecirc;ncia e de injusti&ccedil;a podem ser rompidos, incumbe o &laquo;compromisso pela constru&ccedil;&atilde;o de um mundo onde todos sejam livres para professar a sua pr&oacute;pria religi&atilde;o ou a sua f&eacute;&raquo; (n. 1), promovendo e defendendo a liberdade religiosa, pois ela &eacute; caminho para a paz.<\/p>\n<p>Maria Margarida Saco<br \/>(Vice-Presidente Pax Christi Portugal)<\/p>\n<p>Manuel Gomes Quint&atilde;os<br \/>(Secret&aacute;rio-geral Pax Christi Portugal)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O direito a livremente professar ou n&atilde;o professar uma religi&atilde;o, bem como o de livremente a manifestar, &laquo;sozinho ou em comum, tanto em p&uacute;blico como em privado, pelo ensino, pela pr&aacute;tica, pelo culto e pelos ritos&raquo; 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