{"id":49018,"date":"2010-12-17T11:21:27","date_gmt":"2010-12-17T11:21:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/17\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-da-paz-2011\/"},"modified":"2010-12-17T11:21:27","modified_gmt":"2010-12-17T11:21:27","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-da-paz-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-da-paz-2011\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2011"},"content":{"rendered":"<p><strong>Liberdade religiosa, caminho para a paz<\/strong><\/p>\n<p>1. No in&iacute;cio de um ano novo, desejo fazer chegar a todos e cada um os meus votos: votos de serenidade e prosperidade, mas sobretudo votos de paz. Infelizmente tamb&eacute;m o ano que encerra as portas esteve marcado pela persegui&ccedil;&atilde;o, pela discrimina&ccedil;&atilde;o, por terr&iacute;veis actos de viol&ecirc;ncia e de intoler&acirc;ncia religiosa.<\/p>\n<p>Penso, em particular, na amada terra do Iraque, que, no seu caminho para a desejada estabilidade e reconcilia&ccedil;&atilde;o, continua a ser cen&aacute;rio de viol&ecirc;ncias e atentados. Recordo as recentes tribula&ccedil;&otilde;es da comunidade crist&atilde;, e de modo especial o vil ataque contra a catedral siro-cat&oacute;lica de &laquo;Nossa Senhora do Perp&eacute;tuo Socorro&raquo; em Bagdad, onde, no passado dia 31 de Outubro, foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinquenta fi&eacute;is, quando se encontravam reunidos para a celebra&ccedil;&atilde;o da Santa Missa. A este ataque seguiram-se outros nos dias sucessivos, inclusive contra casas privadas, gerando medo na comunidade crist&atilde; e o desejo, por parte de muitos dos seus membros, de emigrar &agrave; procura de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida. Manifesto-lhes a minha solidariedade e a da Igreja inteira, sentimento que ainda recentemente teve uma concreta express&atilde;o na <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/synod\/index_po.htm#Assembleia_Especial_para_o_Oriente_M&Atilde;&copy;dio\" target=\"_blank\">Assembleia Especial para o M&eacute;dio Oriente do S&iacute;nodo dos Bispos<\/a>, a qual encorajou as comunidades cat&oacute;licas no Iraque e em todo o M&eacute;dio Oriente a viverem a comunh&atilde;o e continuarem a oferecer um decidido testemunho de f&eacute; naquelas terras.<\/p>\n<p>Agrade&ccedil;o vivamente aos governos que se esfor&ccedil;am por aliviar os sofrimentos destes irm&atilde;os em humanidade e convido os cat&oacute;licos a orarem pelos seus irm&atilde;os na f&eacute; que padecem viol&ecirc;ncias e intoler&acirc;ncias e a serem solid&aacute;rios com eles. Neste contexto, achei particularmente oportuno partilhar com todos v&oacute;s algumas reflex&otilde;es sobre a liberdade religiosa, caminho para a paz. De facto, &eacute; doloroso constatar que, em algumas regi&otilde;es do mundo, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel professar e exprimir livremente a pr&oacute;pria religi&atilde;o sem p&ocirc;r em risco a vida e a liberdade pessoal. Noutras regi&otilde;es, h&aacute; formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposi&ccedil;&atilde;o contra os crentes e os s&iacute;mbolos religiosos. Os crist&atilde;os s&atilde;o, actualmente, o grupo religioso que padece o maior n&uacute;mero de persegui&ccedil;&otilde;es devido &agrave; pr&oacute;pria f&eacute;. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem frequentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua f&eacute; em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa. N&atilde;o se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e &agrave; dignidade humana; al&eacute;m disso, &eacute; uma amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a e &agrave; paz e impede a realiza&ccedil;&atilde;o de um desenvolvimento humano aut&ecirc;ntico e integral.[1]<\/p>\n<p>De facto, na liberdade religiosa exprime-se a especificidade da pessoa humana, que, por ela, pode orientar a pr&oacute;pria vida pessoal e social para Deus, a cuja luz se compreendem plenamente a identidade, o sentido e o fim da pessoa. Negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade significa cultivar uma vis&atilde;o redutiva da pessoa humana; obscurecer a fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da religi&atilde;o significa gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada &agrave; verdadeira natureza da pessoa; isto <em>significa tornar imposs&iacute;vel a afirma&ccedil;&atilde;o de uma paz aut&ecirc;ntica e duradoura para toda a fam&iacute;lia humana<\/em>.<\/p>\n<p>Por isso, exorto os homens e mulheres de boa vontade a renovarem o seu compromisso pela constru&ccedil;&atilde;o de um mundo onde todos sejam livres para professar a sua pr&oacute;pria religi&atilde;o ou a sua f&eacute; e viver o seu amor a Deus com todo o cora&ccedil;&atilde;o, toda a alma e toda a mente (cf. <em>Mt<\/em> 22, 37). Este &eacute; o sentimento que inspira e guia a <em>Mensagem para o XLIV Dia Mundial da Paz<\/em>, dedicada ao tema: <em>Liberdade religiosa, caminho para a paz<\/em>.<\/p>\n<p><strong><em>Direito sagrado &agrave; vida e a uma vida espiritual<\/em><\/strong><\/p>\n<p>2. <em>O direito &agrave; liberdade religiosa est&aacute; radicado na pr&oacute;pria dignidade da pessoa humana<\/em>,[2] cuja natureza transcendente n&atilde;o deve ser ignorada ou negligenciada. Deus criou o homem e a mulher &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a (cf. <em>Gn<\/em> 1, 27). Por isso, toda a pessoa &eacute; titular do <em>direito sagrado<\/em> a uma vida &iacute;ntegra, mesmo do ponto de vista espiritual. Sem o reconhecimento do pr&oacute;prio ser espiritual, sem a abertura ao transcendente, a pessoa humana retrai-se sobre si mesma, n&atilde;o consegue encontrar resposta para as perguntas do seu cora&ccedil;&atilde;o sobre o sentido da vida e dotar-se de valores e princ&iacute;pios &eacute;ticos duradouros, nem consegue sequer experimentar uma liberdade aut&ecirc;ntica e desenvolver uma sociedade justa.[3]<\/p>\n<p>A Sagrada Escritura, em sintonia com a nossa pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia, revela o valor profundo da dignidade humana: &laquo;Quando contemplo os c&eacute;us, obra das vossas m&atilde;os, a lua e as estrelas que l&aacute; colocastes, que &eacute; o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes? Fizestes dele quase um ser divino, de honra e gl&oacute;ria o coroastes; destes-lhe poder sobre a obra das vossas m&atilde;os, tudo submetestes a seus p&eacute;s&raquo; (<em>Sl<\/em> 8, 4-7).<\/p>\n<p>Perante a sublime realidade da natureza humana, podemos experimentar a mesma admira&ccedil;&atilde;o expressa pelo salmista. Esta manifesta-se como abertura ao Mist&eacute;rio, como capacidade de interrogar-se profundamente sobre si mesmo e sobre a origem do universo, como &iacute;ntima resson&acirc;ncia do Amor supremo de Deus, princ&iacute;pio e fim de todas as coisas, de cada pessoa e dos povos.[4] A dignidade transcendente da pessoa &eacute; um valor essencial da sabedoria judaico-crist&atilde;, mas, gra&ccedil;as &agrave; raz&atilde;o, pode ser reconhecida por todos. Esta dignidade, entendida como capacidade de transcender a pr&oacute;pria materialidade e buscar a verdade, h&aacute;-de ser reconhecida como um <em>bem<\/em> universal, indispens&aacute;vel na constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade orientada para a realiza&ccedil;&atilde;o e a plenitude do homem. O respeito de elementos essenciais da dignidade do homem, tais como o direito &agrave; vida e o direito &agrave; liberdade religiosa, &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o da legitimidade moral de toda a norma social e jur&iacute;dica.<\/p>\n<p><strong><em>Liberdade religiosa e respeito rec&iacute;proco<\/em><\/strong><\/p>\n<p>3. <em>A<\/em><em> liberdade religiosa est&aacute; na origem da liberdade moral<\/em>. Com efeito, a abertura &agrave; verdade e ao bem, a abertura a Deus, radicada na natureza humana, confere plena dignidade a cada um dos seres humanos e &eacute; garante do respeito pleno e rec&iacute;proco entre as pessoas. Por conseguinte, a liberdade religiosa deve ser entendida n&atilde;o s&oacute; como imunidade da coac&ccedil;&atilde;o mas tamb&eacute;m, e antes ainda, como capacidade de organizar as pr&oacute;prias op&ccedil;&otilde;es segundo a verdade.<\/p>\n<p>Existe uma liga&ccedil;&atilde;o indivis&iacute;vel entre liberdade e respeito; de facto, &laquo;cada homem e cada grupo social est&atilde;o moralmente obrigados, no exerc&iacute;cio dos pr&oacute;prios direitos, a ter em conta os direitos alheios e os seus pr&oacute;prios deveres para com os outros e o bem comum&raquo;.[5]&nbsp;<\/p>\n<p>Uma <em>liberdade hostil<\/em> ou <em>indiferente<\/em> a Deus acaba por se negar a si mesma e n&atilde;o garante o pleno respeito do outro. Uma vontade, que se cr&ecirc; radicalmente incapaz de procurar a verdade e o bem, n&atilde;o tem outras raz&otilde;es objectivas nem outros motivos para agir sen&atilde;o os impostos pelos seus interesses moment&acirc;neos e contingentes, n&atilde;o tem uma &laquo;identidade&raquo; a preservar e construir atrav&eacute;s de op&ccedil;&otilde;es verdadeiramente livres e conscientes. Mas assim n&atilde;o pode reclamar o respeito por parte de outras &laquo;vontades&raquo;, tamb&eacute;m estas desligadas do pr&oacute;prio ser mais profundo e capazes, por conseguinte, de fazer valer outras &laquo;raz&otilde;es&raquo; ou mesmo nenhuma &laquo;raz&atilde;o&raquo;. A ilus&atilde;o de encontrar no relativismo moral a chave para uma pac&iacute;fica conviv&ecirc;ncia &eacute;, na realidade, a origem da divis&atilde;o e da nega&ccedil;&atilde;o da dignidade dos seres humanos. Por isso se compreende a necessidade de reconhecer uma dupla dimens&atilde;o na unidade da pessoa humana: a <em>religiosa<\/em> e a <em>social<\/em>. A este respeito, &eacute; inconceb&iacute;vel que os crentes &laquo;tenham de suprimir uma parte de si mesmos &ndash; a sua f&eacute; &ndash; para serem cidad&atilde;os activos; nunca deveria ser necess&aacute;rio renegar a Deus, para se poder gozar dos pr&oacute;prios direitos&raquo;.[6]<\/p>\n<p><strong><em>A fam&iacute;lia, escola de liberdade e de paz<\/em><\/strong><\/p>\n<p>4. Se a liberdade religiosa &eacute; caminho para a paz, a <em>educa&ccedil;&atilde;o religiosa<\/em> &eacute; estrada privilegiada para habilitar as novas gera&ccedil;&otilde;es a reconhecerem no outro o seu pr&oacute;prio irm&atilde;o e a sua pr&oacute;pria irm&atilde;, com quem caminhar juntos e colaborar para que todos se sintam membros vivos de uma mesma fam&iacute;lia humana, da qual ningu&eacute;m deve ser exclu&iacute;do.<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia fundada sobre o matrim&oacute;nio, express&atilde;o de uni&atilde;o &iacute;ntima e de complementaridade entre um homem e uma mulher, insere-se neste contexto como a primeira escola de forma&ccedil;&atilde;o e de crescimento social, cultural, moral e espiritual dos filhos, que deveriam encontrar sempre no pai e na m&atilde;e as primeiras testemunhas de uma vida orientada para a busca da verdade e para o amor de Deus. Os pr&oacute;prios pais deveriam ser sempre livres para transmitir, sem constri&ccedil;&otilde;es e responsavelmente, o pr&oacute;prio patrim&oacute;nio de f&eacute;, de valores e de cultura aos filhos. A fam&iacute;lia, primeira c&eacute;lula da sociedade humana, permanece o &acirc;mbito prim&aacute;rio de forma&ccedil;&atilde;o para rela&ccedil;&otilde;es harmoniosas a todos os n&iacute;veis de conviv&ecirc;ncia humana, nacional e internacional. Esta &eacute; a estrada que se h&aacute;-de sapientemente percorrer para a constru&ccedil;&atilde;o de um tecido social robusto e solid&aacute;rio, para preparar os jovens &agrave; assun&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias responsabilidades na vida, numa sociedade livre, num esp&iacute;rito de compreens&atilde;o e de paz.<\/p>\n<p><strong><em>Um patrim&oacute;nio comum<\/em><\/strong><\/p>\n<p>5. Poder-se-ia dizer que, <em>entre os direitos e as liberdades fundamentais radicados na dignidade da pessoa, a liberdade religiosa goza de um estatuto especial<\/em>. Quando se reconhece a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana &eacute; respeitada na sua raiz e refor&ccedil;a-se a &iacute;ndole e as institui&ccedil;&otilde;es dos povos. Pelo contr&aacute;rio, quando a liberdade religiosa &eacute; negada, quando se tenta impedir de professar a pr&oacute;pria religi&atilde;o ou a pr&oacute;pria f&eacute; e de viver de acordo com elas, ofende-se a dignidade humana e, simultaneamente, acabam amea&ccedil;adas a justi&ccedil;a e a paz, que se apoiam sobre a recta ordem social constru&iacute;da &agrave; luz da Suma Verdade e do Sumo Bem.<\/p>\n<p><em>Neste sentido, a liberdade religiosa &eacute; tamb&eacute;m uma aquisi&ccedil;&atilde;o de civiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e jur&iacute;dica<\/em>. Trata-se de um bem essencial: toda a pessoa deve poder exercer livremente o direito de professar e manifestar, individual ou comunitariamente, a pr&oacute;pria religi&atilde;o ou a pr&oacute;pria f&eacute;, tanto em p&uacute;blico como privadamente, no ensino, nos costumes, nas publica&ccedil;&otilde;es, no culto e na observ&acirc;ncia dos ritos. N&atilde;o deveria encontrar obst&aacute;culos, se quisesse eventualmente aderir a outra religi&atilde;o ou n&atilde;o professar religi&atilde;o alguma. Neste &acirc;mbito, revela-se emblem&aacute;tico e &eacute; uma refer&ecirc;ncia essencial para os Estados o ordenamento internacional, enquanto n&atilde;o consente alguma derroga&ccedil;&atilde;o da liberdade religiosa, salvo a leg&iacute;tima exig&ecirc;ncia da justa ordem p&uacute;blica.[7] Deste modo, o ordenamento internacional reconhece aos direitos de natureza religiosa o mesmo <em>status<\/em> do direito &agrave; vida e &agrave; liberdade pessoal, comprovando a sua perten&ccedil;a ao <em>n&uacute;cleo essencial<\/em> dos direitos do homem, &agrave;queles direitos universais e naturais que a lei humana n&atilde;o pode jamais negar.<\/p>\n<p><em>A liberdade religiosa n&atilde;o &eacute; patrim&oacute;nio exclusivo dos crentes, mas da fam&iacute;lia inteira dos povos da terra<\/em>. &Eacute; elemento imprescind&iacute;vel de um Estado de direito; n&atilde;o pode ser negada, sem ao mesmo tempo minar todos os direitos e as liberdades fundamentais, pois &eacute; a sua s&iacute;ntese e &aacute;pice. &Eacute; &laquo;o papel de tornassol para verificar o respeito de todos os outros direitos humanos&raquo;.[8] Ao mesmo tempo que favorece o exerc&iacute;cio das faculdades humanas mais espec&iacute;ficas, cria as premissas necess&aacute;rias para a realiza&ccedil;&atilde;o de um <em>desenvolvimento integral<\/em>, que diz respeito unitariamente &agrave; totalidade da pessoa em cada uma das suas dimens&otilde;es.[9]<\/p>\n<p><strong><em>A dimens&atilde;o p&uacute;blica da religi&atilde;o&nbsp; <\/em><\/strong><\/p>\n<p>6. <em>Embora movendo-se a partir da esfera pessoal, a liberdade religiosa &ndash; como qualquer outra liberdade &ndash; realiza-se na rela&ccedil;&atilde;o com os outros. Uma liberdade sem rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; liberdade perfeita<\/em>. Tamb&eacute;m a liberdade religiosa n&atilde;o se esgota na dimens&atilde;o individual, mas realiza-se na pr&oacute;pria comunidade e na sociedade, coerentemente com o ser relacional da pessoa e com a natureza p&uacute;blica da religi&atilde;o.<\/p>\n<p>O <em>relacionamento<\/em> &eacute; uma componente decisiva da liberdade religiosa, que impele as comunidades dos crentes a praticarem a solidariedade em prol do bem comum. Cada pessoa permanece &uacute;nica e irrepet&iacute;vel e, ao mesmo tempo, completa-se e realiza-se plenamente nesta dimens&atilde;o comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>Ineg&aacute;vel &eacute; a contribui&ccedil;&atilde;o que as religi&otilde;es prestam &agrave; sociedade. S&atilde;o numerosas as institui&ccedil;&otilde;es caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social. Ainda mais importante &eacute; a contribui&ccedil;&atilde;o &eacute;tica da religi&atilde;o no &acirc;mbito pol&iacute;tico. Tal contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deveria ser marginalizada ou proibida, mas vista como v&aacute;lida ajuda para a promo&ccedil;&atilde;o do bem comum. Nesta perspectiva, &eacute; preciso mencionar a dimens&atilde;o religiosa da cultura, tecida atrav&eacute;s dos s&eacute;culos gra&ccedil;as &agrave;s contribui&ccedil;&otilde;es sociais e sobretudo &eacute;ticas da religi&atilde;o. Tal dimens&atilde;o n&atilde;o constitui de modo algum uma discrimina&ccedil;&atilde;o daqueles que n&atilde;o partilham a sua cren&ccedil;a, mas antes refor&ccedil;a a coes&atilde;o social, a integra&ccedil;&atilde;o e a solidariedade.<\/p>\n<p><strong><em>Liberdade religiosa, for&ccedil;a de liberdade e de civiliza&ccedil;&atilde;o:<br \/> os perigos da sua instrumentaliza&ccedil;&atilde;o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>7. <em>A<\/em><em> instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da liberdade religiosa para mascarar interesses ocultos, como por exemplo a subvers&atilde;o da ordem constitu&iacute;da, a apropria&ccedil;&atilde;o de recursos ou a manuten&ccedil;&atilde;o do poder por parte de um grupo, pode provocar danos enormes &agrave;s sociedades<\/em>. O fanatismo, o fundamentalismo, as pr&aacute;ticas contr&aacute;rias &agrave; dignidade humana n&atilde;o se podem jamais justificar, e menos ainda o podem ser se realizadas em nome da religi&atilde;o. A profiss&atilde;o de uma religi&atilde;o n&atilde;o pode ser instrumentalizada, nem imposta pela for&ccedil;a. Por isso, &eacute; necess&aacute;rio que os Estados e as v&aacute;rias comunidades humanas nunca se esque&ccedil;am que <em>a liberdade religiosa &eacute; condi&ccedil;&atilde;o para a busca da verdade e que a verdade n&atilde;o se imp&otilde;e pela viol&ecirc;ncia mas pela <\/em>&laquo;<em>for&ccedil;a da pr&oacute;pria verdade<\/em>&raquo;.[10] Neste sentido, a religi&atilde;o &eacute; uma for&ccedil;a <em>positiva e propulsora<\/em> na constru&ccedil;&atilde;o da sociedade civil e pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Como se pode negar a contribui&ccedil;&atilde;o das grandes religi&otilde;es do mundo para o desenvolvimento da civiliza&ccedil;&atilde;o? A busca sincera de Deus levou a um respeito maior da dignidade do homem. As comunidades crist&atilde;s, com o seu patrim&oacute;nio de valores e princ&iacute;pios, contribu&iacute;ram imenso para a tomada de consci&ecirc;ncia das pessoas e dos povos a respeito da sua pr&oacute;pria identidade e dignidade, bem como para a conquista de institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e para a afirma&ccedil;&atilde;o dos direitos do homem e seus correlativos deveres.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m hoje, numa sociedade cada vez mais globalizada, os crist&atilde;os s&atilde;o chamados &ndash; n&atilde;o s&oacute; atrav&eacute;s de um respons&aacute;vel empenhamento civil, econ&oacute;mico e pol&iacute;tico, mas tamb&eacute;m com o testemunho da pr&oacute;pria caridade e f&eacute; &ndash; a oferecer a sua preciosa contribui&ccedil;&atilde;o para o &aacute;rduo e exaltante compromisso em prol da justi&ccedil;a, do desenvolvimento humano integral e do recto ordenamento das realidades humanas. A exclus&atilde;o da religi&atilde;o da vida p&uacute;blica subtrai a esta um espa&ccedil;o vital que abre para a transcend&ecirc;ncia. Sem esta experi&ecirc;ncia prim&aacute;ria, revela-se uma tarefa &aacute;rdua orientar as sociedades para princ&iacute;pios &eacute;ticos universais e torna-se dif&iacute;cil estabelecer ordenamentos nacionais e internacionais nos quais os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e realizados, como se prop&otilde;em os objectivos &ndash; infelizmente ainda menosprezados ou contestados &ndash; da <em>Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos direitos do homem<\/em> de 1948.<\/p>\n<p><strong><em>Uma quest&atilde;o de justi&ccedil;a e de civiliza&ccedil;&atilde;o:<br \/> o fundamentalismo e a hostilidade contra os crentes prejudicam<br \/> a laicidade positiva dos Estados<\/em><\/strong><\/p>\n<p>8. A mesma determina&ccedil;&atilde;o, com que s&atilde;o condenadas todas as formas de fanatismo e de fundamentalismo religioso, deve animar tamb&eacute;m a oposi&ccedil;&atilde;o a todas as formas de hostilidade contra a religi&atilde;o, que limitam o papel p&uacute;blico dos crentes na vida civil e pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>N&atilde;o se pode esquecer que <em>o fundamentalismo religioso e o laicismo s&atilde;o formas reverberadas e extremas de rejei&ccedil;&atilde;o do leg&iacute;timo pluralismo e do princ&iacute;pio de laicidade<\/em>. De facto, ambas absolutizam uma vis&atilde;o redutiva e parcial da pessoa humana, favorecendo formas, no primeiro caso, de integralismo religioso e, no segundo, de racionalismo. <em>A sociedade, que quer impor ou, ao contr&aacute;rio, negar a religi&atilde;o por meio da viol&ecirc;ncia, &eacute; injusta para com a pessoa e para com Deus, mas tamb&eacute;m para consigo mesma. Deus chama a Si a humanidade atrav&eacute;s de um des&iacute;gnio de amor, o qual, ao mesmo tempo que implica a pessoa inteira na sua dimens&atilde;o natural e espiritual, exige que lhe corresponda em termos de liberdade e de responsabilidade, com todo o cora&ccedil;&atilde;o e com todo o pr&oacute;prio ser, individual e comunit&aacute;rio<\/em>. Sendo assim, tamb&eacute;m a sociedade, enquanto express&atilde;o da pessoa e do conjunto das suas dimens&otilde;es constitutivas, deve viver e organizar-se de modo a favorecer a sua abertura &agrave; transcend&ecirc;ncia. Por isso mesmo, as leis e as institui&ccedil;&otilde;es duma sociedade n&atilde;o podem ser configuradas ignorando a dimens&atilde;o religiosa dos cidad&atilde;os ou de modo que prescindam completamente da mesma; mas devem ser comensuradas &ndash; atrav&eacute;s da obra democr&aacute;tica de cidad&atilde;os conscientes da sua alta voca&ccedil;&atilde;o &ndash; ao ser da pessoa, para o poderem favorecer na sua dimens&atilde;o religiosa. N&atilde;o sendo esta uma cria&ccedil;&atilde;o do Estado, n&atilde;o pode ser manipulada, antes deve contar com o seu reconhecimento e respeito.<\/p>\n<p>O ordenamento jur&iacute;dico a todos os n&iacute;veis, nacional e internacional, quando consente ou tolera o fanatismo religioso ou anti-religioso, falta &agrave; sua pr&oacute;pria miss&atilde;o, que consiste em tutelar e promover a justi&ccedil;a e o direito de cada um. Tais realidades n&atilde;o podem ser deixadas &agrave; merc&ecirc; do arb&iacute;trio do legislador ou da maioria, porque, como j&aacute; ensinava C&iacute;cero, a justi&ccedil;a consiste em algo mais do que um mero acto produtivo da lei e da sua aplica&ccedil;&atilde;o. A justi&ccedil;a implica <em>reconhecer a cada um a sua dignidade<\/em>,[11] a qual, sem liberdade religiosa garantida e vivida na sua ess&ecirc;ncia, fica mutilada e ofendida, exposta ao risco de cair sob o predom&iacute;nio dos &iacute;dolos, de bens relativos transformados em absolutos. Tudo isto exp&otilde;e a sociedade ao risco de totalitarismos pol&iacute;ticos e ideol&oacute;gicos, que enfatizam o poder p&uacute;blico, ao mesmo tempo que s&atilde;o mortificadas e coarctadas, como se lhe fizessem concorr&ecirc;ncia, as liberdades de consci&ecirc;ncia, de pensamento e de religi&atilde;o.<\/p>\n<p><strong><em>Di&aacute;logo entre institui&ccedil;&otilde;es civis e religiosas <\/em><\/strong><\/p>\n<p>9. O patrim&oacute;nio de princ&iacute;pios e valores expressos por uma religiosidade aut&ecirc;ntica &eacute; uma riqueza para os povos e respectivas &iacute;ndoles: fala directamente &agrave; consci&ecirc;ncia e &agrave; raz&atilde;o dos homens e mulheres, lembra o imperativo da convers&atilde;o moral, motiva para aperfei&ccedil;oar a pr&aacute;tica das virtudes e aproximar-se amistosamente um do outro sob o signo da fraternidade, como membros da grande fam&iacute;lia humana.[12]<\/p>\n<p>No respeito da laicidade positiva das institui&ccedil;&otilde;es estatais, a dimens&atilde;o p&uacute;blica da religi&atilde;o deve ser sempre reconhecida. Para isso, <em>um di&aacute;logo sadio entre as institui&ccedil;&otilde;es civis e as religiosas<\/em> &eacute; fundamental para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da harmonia da sociedade. &nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Viver no amor e na verdade<\/em><\/strong><\/p>\n<p>10. No mundo globalizado, caracterizado por sociedades sempre mais multi&eacute;tnicas e pluriconfessionais, as grandes religi&otilde;es podem constituir um factor importante de unidade e paz para a fam&iacute;lia humana. Com base nas suas pr&oacute;prias convic&ccedil;&otilde;es religiosas e na busca racional do bem comum, os seus membros s&atilde;o chamados a viver responsavelmente o pr&oacute;prio compromisso num contexto de liberdade religiosa. Nas variadas culturas religiosas, enquanto h&aacute; que rejeitar tudo aquilo que &eacute; contra a dignidade do homem e da mulher, &eacute; preciso, ao contr&aacute;rio, valer-se daquilo que resulta positivo para a conviv&ecirc;ncia civil.<\/p>\n<p>O espa&ccedil;o p&uacute;blico, que a comunidade internacional torna dispon&iacute;vel para as religi&otilde;es e para a sua proposta de &laquo;vida boa&raquo;, favorece o aparecimento de uma medida compartilh&aacute;vel de verdade e de bem e ainda de um consenso moral, que s&atilde;o fundamentais para uma conviv&ecirc;ncia justa e pac&iacute;fica. Os l&iacute;deres das grandes religi&otilde;es, pela sua fun&ccedil;&atilde;o, influ&ecirc;ncia e autoridade nas respectivas comunidades, s&atilde;o os primeiros a ser chamados ao respeito rec&iacute;proco e ao di&aacute;logo.<\/p>\n<p><em>Os crist&atilde;os, por sua vez, s&atilde;o solicitados pela sua pr&oacute;pria f&eacute; em Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, a viver como irm&atilde;os que se encontram na Igreja e colaboram para a edifica&ccedil;&atilde;o de um mundo<\/em>, onde as pessoas e os povos &laquo;n&atilde;o mais praticar&atilde;o o mal nem a destrui&ccedil;&atilde;o (&#8230;), porque o conhecimento do Senhor encher&aacute; a terra, como as &aacute;guas enchem o leito do mar&raquo; (<em>Is<\/em> 11, 9).&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Di&aacute;logo como busca em comum<\/em><\/strong><\/p>\n<p>11. Para a Igreja, o di&aacute;logo entre os membros de diversas religi&otilde;es constitui um instrumento importante para colaborar com todas as comunidades religiosas para o bem comum. A pr&oacute;pria Igreja nada rejeita do que nessas religi&otilde;es existe de verdadeiro e santo. &laquo;Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela pr&oacute;pria segue e prop&otilde;e, todavia reflectem n&atilde;o raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens&raquo;.[13]<\/p>\n<p><em>A estrada indicada n&atilde;o &eacute; a do relativismo nem do sincretismo religioso<\/em>. De facto, a Igreja &laquo;anuncia, e tem mesmo a obriga&ccedil;&atilde;o de anunciar incessantemente Cristo, &ldquo;caminho, verdade e vida&rdquo; (<em>Jo<\/em> 14, 6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas&raquo;.[14] Todavia isto n&atilde;o exclui o di&aacute;logo e a busca comum da verdade em diversos &acirc;mbitos vitais, porque, como diz uma express&atilde;o usada frequentemente por S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino, &laquo;toda a verdade, independentemente de quem a diga, prov&eacute;m do Esp&iacute;rito Santo&raquo;.[15]<\/p>\n<p>Em 2011, tem lugar o 25&ordm; anivers&aacute;rio da <em>Jornada Mundial de Ora&ccedil;&atilde;o pela Paz<\/em>, que o Vener&aacute;vel <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_paul_ii\/travels\/sub_index1986\/trav_perugia-assisi_po.htm\" target=\"_blank\">Papa Jo&atilde;o Paulo II convocou em Assis em 1986<\/a>. Naquela ocasi&atilde;o, os l&iacute;deres das grandes religi&otilde;es do mundo deram testemunho da religi&atilde;o como sendo um factor de uni&atilde;o e paz, e n&atilde;o de divis&atilde;o e conflito. A recorda&ccedil;&atilde;o daquela experi&ecirc;ncia &eacute; motivo de esperan&ccedil;a para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justi&ccedil;a e de paz.<\/p>\n<p><strong><em>Verdade moral na pol&iacute;tica e na diplomacia<\/em><\/strong><\/p>\n<p>12. A pol&iacute;tica e a diplomacia deveriam olhar para o patrim&oacute;nio moral e espiritual oferecido pelas grandes religi&otilde;es do mundo, para reconhecer e afirmar verdades, princ&iacute;pios e valores universais que n&atilde;o podem ser negados sem, com os mesmos, negar-se a dignidade da pessoa humana. Mas, em termos pr&aacute;ticos, que significa promover a verdade moral no mundo da pol&iacute;tica e da diplomacia? Quer dizer agir de maneira respons&aacute;vel com base no conhecimento objectivo e integral dos factos; quer dizer desmantelar ideologias pol&iacute;ticas que acabam por suplantar a verdade e a dignidade humana e pretendem promover pseudo-valores com o pretexto da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos; quer dizer favorecer um empenho constante de fundar a lei positiva sobre os princ&iacute;pios da lei natural.[16] Tudo isto &eacute; necess&aacute;rio e coerente com o respeito da dignidade e do valor da pessoa humana, sancionado pelos povos da terra na <em>Carta da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas<\/em> de 1945, que apresenta valores e princ&iacute;pios morais universais de refer&ecirc;ncia para as normas, as institui&ccedil;&otilde;es, os sistemas de conviv&ecirc;ncia a n&iacute;vel nacional e internacional.<\/p>\n<p><strong><em>Para al&eacute;m do &oacute;dio e do preconceito<\/em><\/strong><\/p>\n<p>13. N&atilde;o obstante os ensinamentos da hist&oacute;ria e o compromisso dos Estados, das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais a n&iacute;vel mundial e local, das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais e de todos os homens e mulheres de boa vontade que cada dia se empenham pela tutela dos direitos e das liberdades fundamentais, ainda hoje no mundo se registam persegui&ccedil;&otilde;es, descrimina&ccedil;&otilde;es, actos de viol&ecirc;ncia e de intoler&acirc;ncia baseados na religi&atilde;o. De modo particular na &Aacute;sia e na &Aacute;frica, as principais v&iacute;timas s&atilde;o os membros das minorias religiosas, a quem &eacute; impedido de professar livremente a pr&oacute;pria religi&atilde;o ou mudar para outra, atrav&eacute;s da intimida&ccedil;&atilde;o e da viola&ccedil;&atilde;o dos direitos, das liberdades fundamentais e dos bens essenciais, chegando at&eacute; &agrave; priva&ccedil;&atilde;o da liberdade pessoal ou da pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<p>Temos depois, como j&aacute; disse, formas mais sofisticadas de hostilidade contra a religi&atilde;o, que nos pa&iacute;ses ocidentais se exprimem por vezes com a renega&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria hist&oacute;ria e dos s&iacute;mbolos religiosos nos quais se reflectem a identidade e a cultura da maioria dos cidad&atilde;os. Frequentemente tais formas fomentam o &oacute;dio e o preconceito e n&atilde;o s&atilde;o coerentes com uma vis&atilde;o serena e equilibrada do pluralismo e da laicidade das institui&ccedil;&otilde;es, sem contar que as novas gera&ccedil;&otilde;es correm o risco de n&atilde;o entrar em contacto com o precioso patrim&oacute;nio espiritual dos seus pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>A defesa da religi&atilde;o passa pela defesa dos direitos e liberdades das comunidades religiosas. Assim, os l&iacute;deres das grandes religi&otilde;es do mundo e os respons&aacute;veis das na&ccedil;&otilde;es renovem o compromisso pela promo&ccedil;&atilde;o e a tutela da liberdade religiosa, em particular pela defesa das minorias religiosas; estas n&atilde;o constituem uma amea&ccedil;a contra a identidade da maioria, antes, pelo contr&aacute;rio, s&atilde;o uma oportunidade para o di&aacute;logo e o m&uacute;tuo enriquecimento cultural. A sua defesa representa a maneira ideal para consolidar o esp&iacute;rito de benevol&ecirc;ncia, abertura e reciprocidade com que se h&aacute;-de tutelar os direitos e as liberdades fundamentais em todas as &aacute;reas e regi&otilde;es do mundo.<\/p>\n<p><strong><em>Liberdade religiosa no mundo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>14. Dirijo-me, por fim, &agrave;s comunidades crist&atilde;s que sofrem persegui&ccedil;&otilde;es, discrimina&ccedil;&otilde;es, actos de viol&ecirc;ncia e intoler&acirc;ncia, particularmente na &Aacute;sia, na &Aacute;frica, no M&eacute;dio Oriente e de modo especial na Terra Santa, lugar escolhido e aben&ccedil;oado por Deus. Ao mesmo tempo que lhes renovo a express&atilde;o do meu afecto paterno e asseguro a minha ora&ccedil;&atilde;o, pe&ccedil;o a todos os respons&aacute;veis que intervenham prontamente para p&ocirc;r fim a toda a viol&ecirc;ncia contra os crist&atilde;os que habitam naquelas regi&otilde;es. Que os disc&iacute;pulos de Cristo n&atilde;o desanimem com as presentes adversidades, porque <em>o testemunho do Evangelho &eacute; e ser&aacute; sempre sinal de contradi&ccedil;&atilde;o<\/em>.<\/p>\n<p>Meditemos no nosso cora&ccedil;&atilde;o as palavras do Senhor Jesus: &laquo;Felizes os que choram, porque h&atilde;o-se ser consolados. (&#8230;) Felizes os que t&ecirc;m fome e sede de justi&ccedil;a, porque ser&atilde;o saciados. (&#8230;) Felizes sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentido, vos acusarem de toda a esp&eacute;cie de mal. Alegrai-vos e exultai, pois &eacute; grande nos C&eacute;us a vossa recompensa&raquo; (<em>Mt<\/em> 5, 4-12). Por isso, renovemos &laquo;o compromisso por n&oacute;s assumido no sentido da indulg&ecirc;ncia e do perd&atilde;o &ndash; que invocamos de Deus para n&oacute;s, no &ldquo;<em>Pai-nosso<\/em>&rdquo; &ndash; por havermos posto, n&oacute;s pr&oacute;prios, a condi&ccedil;&atilde;o e a medida da desejada miseric&oacute;rdia: &ldquo;perdoai-nos as nossas ofensas <em>assim como<\/em> n&oacute;s perdoamos a quem nos tem ofendido&rdquo;(<em>Mt<\/em> 6, 12)&raquo;.[17] A viol&ecirc;ncia n&atilde;o se vence com a viol&ecirc;ncia. O nosso grito de dor seja sempre acompanhado pela f&eacute;, pela esperan&ccedil;a e pelo testemunho do amor de Deus. Fa&ccedil;o votos tamb&eacute;m de que cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os crist&atilde;os pelo facto de estes pretenderem orientar a pr&oacute;pria vida de modo coerente com os valores e os princ&iacute;pios expressos no Evangelho. Mais ainda, que a Europa saiba reconciliar-se com as pr&oacute;prias ra&iacute;zes crist&atilde;s, que s&atilde;o fundamentais para compreender o papel que teve, tem e pretende ter na hist&oacute;ria; saber&aacute; assim experimentar justi&ccedil;a, conc&oacute;rdia e paz, cultivando um di&aacute;logo sincero com todos os povos.<\/p>\n<p><strong><em>Liberdade religiosa, caminho para a paz<\/em><\/strong><\/p>\n<p>15. O mundo tem necessidade de Deus; tem necessidade de valores &eacute;ticos e espirituais, universais e compartilhados, e a religi&atilde;o pode oferecer uma contribui&ccedil;&atilde;o preciosa na sua busca, para a constru&ccedil;&atilde;o de uma ordem social justa e pac&iacute;fica a n&iacute;vel nacional e internacional.<\/p>\n<p><em>A paz &eacute; um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projecto a realizar, nunca totalmente cumprido<\/em>. Uma sociedade reconciliada com Deus est&aacute; mais perto da paz, que n&atilde;o &eacute; simples aus&ecirc;ncia de guerra, nem mero fruto do predom&iacute;nio militar ou econ&oacute;mico, e menos ainda de ast&uacute;cias enganadoras ou de h&aacute;beis manipula&ccedil;&otilde;es. Pelo contr&aacute;rio, a paz &eacute; o resultado de um processo de purifica&ccedil;&atilde;o e eleva&ccedil;&atilde;o cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana &eacute; plenamente respeitada. Convido todos aqueles que desejam tornar-se obreiros de paz e sobretudo os jovens a prestarem ouvidos &agrave; pr&oacute;pria voz interior, para encontrar em Deus a refer&ecirc;ncia est&aacute;vel para a conquista de uma liberdade aut&ecirc;ntica, a for&ccedil;a inesgot&aacute;vel para orientar o mundo com um esp&iacute;rito novo, capaz de n&atilde;o repetir os erros do passado. Como ensina o Servo de Deus Papa Paulo VI, a cuja sabedoria e clarivid&ecirc;ncia se deve a institui&ccedil;&atilde;o do Dia Mundial da Paz, &laquo;&eacute; preciso, antes de mais nada, proporcionar &agrave; Paz outras armas, que n&atilde;o aquelas que se destinam a matar e a exterminar a humanidade. S&atilde;o necess&aacute;rias sobretudo as armas morais, que d&atilde;o for&ccedil;a e prest&iacute;gio ao direito internacional; aquela arma, em primeiro lugar, da observ&acirc;ncia dos pactos&raquo;.[18] A liberdade religiosa &eacute; uma aut&ecirc;ntica arma da paz, com uma <em>miss&atilde;o hist&oacute;rica e prof&eacute;tica<\/em>. De facto, ela valoriza e faz frutificar as qualidades e potencialidades mais profundas da pessoa humana, capazes de mudar e tornar melhor o mundo; consente alimentar a esperan&ccedil;a num futuro de justi&ccedil;a e de paz, mesmo diante das graves injusti&ccedil;as e das mis&eacute;rias materiais e morais. Que todos os homens e as sociedades aos diversos n&iacute;veis e nos v&aacute;rios &acirc;ngulos da terra possam brevemente experimentar a <em>liberdade religiosa, caminho para a paz<\/em>!<\/p>\n<p><em>Vaticano, 8 de Dezembro de 2010.<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><strong><em>BENEDICTUS PP XVI<\/em><\/strong><em><\/em><\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p>[1]&nbsp;Cf. BENTO XVI, Carta enc. <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\"><em>Caritas in veritate<\/em>,<\/a> 29.55-57.<\/p>\n<p>[2]&nbsp;Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_po.html\">Dignitatis humanae<\/a><\/em>, 2.<\/p>\n<p>[3]&nbsp;Cf. BENTO XVI, Carta enc. <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\"><em>Caritas in veritate<\/em>,<\/a>, 78.<\/p>\n<p>[4]&nbsp;Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre as rela&ccedil;&otilde;es da Igreja com as religi&otilde;es n&atilde;o-crist&atilde;s <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651028_nostra-aetate_po.html\">Nostra aetate<\/a><\/em>, 1.<\/p>\n<p>[5]&nbsp;CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_po.html\">Dignitatis humanae<\/a><\/em>, 7.<\/p>\n<p>[6]&nbsp;BENTO XVI, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/speeches\/2008\/april\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20080418_un-visit_po.html\"><em>Discurso &agrave; Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas<\/em> (18 de Abril de 2008)<\/a>: <em>AAS<\/em> 100 (2008), 337.<\/p>\n<p>[7]&nbsp;Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_po.html\">Dignitatis humanae<\/a><\/em>, 2.<\/p>\n<p>[8]&nbsp;JO&Atilde;O PAULO II, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_paul_ii\/speeches\/2003\/october\/documents\/hf_jp-ii_spe_20031010_osce_po.html\"><em>Discurso aos participantes na Assembleia Parlamentar da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Seguran&ccedil;a e a Coopera&ccedil;&atilde;o na Europa (OSCE)<\/em> (10 de Outubro de 2003)<\/a>, 1: <em>AAS<\/em> 96 (2004), 111.<\/p>\n<p>[9]&nbsp;Cf. BENTO XVI, Carta enc. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, 11.<\/p>\n<p>[10]&nbsp;Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_po.html\">Dignitatis humanae<\/a><\/em>, 1.<\/p>\n<p>[11]&nbsp;Cf. C&Iacute;CERO, <em>De inventione<\/em>, II, 160.<\/p>\n<p>[12]&nbsp;Cf. BENTO XVI, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/speeches\/2010\/september\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20100917_altre-religioni_po.html\"><em>Discurso aos Representantes de outras Religi&otilde;es do Reino Unido<\/em> (17 de Setembro de 2010)<\/a>: <em>L&rsquo;Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 25\/IX\/2010), 6-7.<\/p>\n<p>[13]&nbsp;CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre as rela&ccedil;&otilde;es da Igreja com as religi&otilde;es n&atilde;o-crist&atilde;s <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651028_nostra-aetate_po.html\">Nostra aetate<\/a><\/em>, 2.<\/p>\n<p>[14]&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651028_nostra-aetate_po.html\">Ibid<\/a><\/em><em>.<\/em>, 2.<\/p>\n<p>[15]&nbsp;<em>Super evangelium Joannis<\/em>, I, 3.<\/p>\n<p>[16]Cf. BENTO XVI, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/speeches\/2010\/june\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20100605_autorita-civili_po.html\"><em>Discurso &agrave;s Autoridades civis e ao Corpo Diplom&aacute;tico em Chipre<\/em> (5 de Junho de 2010)<\/a>: <em>L&rsquo;Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 12\/VI\/2010), 4; COMISS&Atilde;O TEOL&Oacute;GICA INTERNACIONAL, <em>&Agrave; procura de uma &eacute;tica universal: um olhar sobre a lei natural<\/em> (Cidade do Vaticano 2009).<\/p>\n<p>[17]&nbsp;PAULO VI, <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/messages\/peace\/documents\/hf_p-vi_mes_19751018_ix-world-day-for-peace_po.html\">Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1976<\/a><\/em>: <em>AAS<\/em> 67 (1975), 671.<\/p>\n<p>[18]&nbsp;<em>Ibid.<\/em>: <em>o.c.<\/em>, 668.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Liberdade religiosa, caminho para a paz 1. No in&iacute;cio de um ano novo, desejo fazer chegar a todos e cada um os meus votos: votos de serenidade e prosperidade, mas sobretudo votos de paz. Infelizmente tamb&eacute;m o ano que encerra as portas esteve marcado pela persegui&ccedil;&atilde;o, pela discrimina&ccedil;&atilde;o, por terr&iacute;veis actos de viol&ecirc;ncia e de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,295,165,189,203,314,317],"class_list":["post-49018","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-dia-mundial-da-paz","tag-direitos-humanos","tag-europa","tag-solidariedade","tag-terra-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49018\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}