{"id":48948,"date":"2010-12-14T11:49:52","date_gmt":"2010-12-14T11:49:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/14\/homilia-de-d-antonio-couto-exequias-de-d-jose-dos-santos-garcia\/"},"modified":"2010-12-14T11:49:52","modified_gmt":"2010-12-14T11:49:52","slug":"homilia-de-d-antonio-couto-exequias-de-d-jose-dos-santos-garcia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-couto-exequias-de-d-jose-dos-santos-garcia\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Couto ex\u00e9quias de D. Jos\u00e9 dos Santos Garcia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Servo bom fiel, entra no gozo do teu Senhor<\/strong><\/p>\n<p>1. J&aacute; n&atilde;o sei, amigo, quando te conheci pela primeira vez. Mas sempre te conheci velhinho e s&aacute;bio. Como um menino. Velhinho n&atilde;o rima com ci&uacute;me ou azedume, mas com carinho. Sempre te conheci assim: pr&oacute;ximo, afectuoso, sempre a inventar maneiras de ajudar. S&aacute;bio foste, certamente temperado pelo amor da sabedoria, mas mais, muito mais, pela sabedoria do amor. Velhinho e s&aacute;bio como um menino, porque me parece que seguiste exactamente a traject&oacute;ria do Evangelho: &laquo;Se n&atilde;o vos tornardes como as crian&ccedil;as, n&atilde;o entrareis no Reino dos C&eacute;us&raquo;. &Eacute; assim que te vejo, amigo, velhinho como um menino, que ri, brinca, teima e sonha. Parece-me, por isso, que te sentir&aacute;s em casa no Reino de Deus, onde seguramente estar&aacute;s a contar hist&oacute;rias, a recitar ter&ccedil;os sem conta, a repassar as bem-aventuran&ccedil;as uma a uma e as muito mais do que catorze obras de miseric&oacute;rdia. Fica-me apenas uma d&uacute;vida: contigo a&iacute; no c&eacute;u do bom Deus a entreter os anjos, pode acontecer que fiquemos n&oacute;s aqui na terra mais desprotegidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. &laquo;FELIZ o homem (&hellip;) que a instru&ccedil;&atilde;o do Senhor recita dia e noite, com prazer&raquo; (Salmo 1,1-2). FELIZES, FELIZES, FELIZES, felicita&ccedil;&atilde;o nove vezes repetida (Mateus 5,3-10), como se uma vez n&atilde;o bastasse para dizer quanto Deus ama os pobres e os que t&ecirc;m um cora&ccedil;&atilde;o cheio de bondade e mansid&atilde;o! FELIZES os pobres de esp&iacute;rito, n&atilde;o de Esp&iacute;rito Santo ou de intelig&ecirc;ncia, mas os que n&atilde;o t&ecirc;m espa&ccedil;o nem alento pr&oacute;prio, e tudo t&ecirc;m de receber sempre de ti, bom Deus e Pai. FELIZES os que vivem ao ritmo do teu alento, do teu vento criador e embalador. FELIZES, FELIZES, FELIZES &ndash; <em>&rsquo;ashr&ecirc;<\/em>, <em>&rsquo;ashr&ecirc;<\/em>, <em>&rsquo;ashr&ecirc;<\/em> &ndash; na l&iacute;ngua hebraica. Mas <em>&rsquo;ashr&ecirc;<\/em> significa ainda, e talvez sobretudo, pioneiros, abridores de caminhos novos e belos e floridos, como aqueles que tu, bom Deus, abriste e continuas a abrir na aridez dos nossos desertos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. D. Jos&eacute;, velhinho Jos&eacute;, menino Jos&eacute;, tu foste um pioneiro, um abridor de caminhos no mundo da miss&atilde;o. Apareceste por gra&ccedil;a neste mundo em 16 de Abril de 1913, por gra&ccedil;a entraste no ent&atilde;o Col&eacute;gio das Miss&otilde;es de Tomar em 14 de Outubro de 1925, por gra&ccedil;a recebeste a ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal em 25 de Julho de 1938, por gra&ccedil;a embarcaste em 13 de Novembro de 1945 no porto de Leix&otilde;es rumo &agrave;s Miss&otilde;es de Mo&ccedil;ambique. Por gra&ccedil;a fizeste, ou algu&eacute;m fez por ti, florir a bela e querida Miss&atilde;o de Mutu&aacute;li, um brinde, um o&aacute;sis no deserto. Por gra&ccedil;a recebeste a ordena&ccedil;&atilde;o Episcopal em 16 de Junho de 1957, e por gra&ccedil;a foste o primeiro Bispo da rec&eacute;m-criada Diocese de Porto Am&eacute;lia, actual Pemba. Foste pioneiro. Como mission&aacute;rio, foste pioneiro. Semeaste e regaste o ch&atilde;o africano, ergueste um Semin&aacute;rio (o primeiro de Mo&ccedil;ambique), fundaste a primeira Congrega&ccedil;&atilde;o Religiosa de Mo&ccedil;ambique (as Filhas do Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de Maria), levantaste internatos, centros de sa&uacute;de e escolas de forma&ccedil;&atilde;o onde se prepararam muitos e bons catequistas. Semeaste, alimentaste e regaste o ch&atilde;o e a alma do bom povo mo&ccedil;ambicano que o bom Deus te confiou. Foste um pioneiro, amigo e irm&atilde;o, pobre e santo. Por paradoxal que pare&ccedil;a, sempre foram os Santos e os Pobres que abriram caminhos novos neste mundo desertificado, enlatado, dormente e anestesiado em que vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Nas circunst&acirc;ncias dif&iacute;ceis da guerra e da viol&ecirc;ncia, n&atilde;o ficaste deitado &agrave; beira da estrada, como os &laquo;c&atilde;es mudos&raquo; sonolentos e embriagados de Isa&iacute;as 56,10. N&atilde;o o podias fazer, tu, sensibil&iacute;ssimo amigo e pastor atento, quando os teus filhos sofriam. Intervieste, surpreendeste, teimaste, exigiste. A tanto te obrigava o teu cora&ccedil;&atilde;o de Pai e de menino irreverente, mas sempre sorridente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. N&atilde;o tenho d&uacute;vidas de que o bom Deus estava contigo e te amparava. Gostava de ti, estava contigo. Quando tu n&atilde;o querias participar nas sess&otilde;es do Conc&iacute;lio II do Vaticano, for&ccedil;ou-te a ir, para te salvar de outra maneira. Adoeceste gravemente, e passaste grande parte do Conc&iacute;lio no hospital. O bom Deus ainda te queria no meio de n&oacute;s por muito tempo. O teu sorriso e a tua ternura e premura eram ainda necess&aacute;rios para continuares a dizer e mostrar Deus na tua terra natal, Aldeia do Souto, na Diocese da Guarda, na Sociedade Mission&aacute;ria que sempre amaste dedicadamente. Por todos estes lugares onde passaste ap&oacute;s a tua resigna&ccedil;&atilde;o como Bispo de Porto Am&eacute;lia em 31 de Janeiro de 1975, continuaste a fazer desabrochar flores de paz em muitos cora&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Sa&uacute;do-te, fiel engenheiro de Deus, D. Jos&eacute;, velhinho Jos&eacute;, menino Jos&eacute;, intr&eacute;pido mission&aacute;rio a tempo inteiro. Como pertences totalmente ao Senhor, o Senhor &eacute; tamb&eacute;m a tua heran&ccedil;a. &Eacute;s pobre e FELIZ, &oacute; pioneiro, abridor de caminhos novos. Rezamos por ti, amigo. Intercede tu tamb&eacute;m por n&oacute;s junto do bom Deus e de Maria. Mas n&atilde;o a ocupes com muitos ter&ccedil;os nem retenhas contigo os anjos todos. Tu sabes que precisamos tanto de um olhar de m&atilde;e e de alguns anjos que nos assistam nos dif&iacute;ceis caminhos deste tempo.<\/p>\n<p>Cucuj&atilde;es, 13 de Dezembro de 2010, mem&oacute;ria de Santa Luzia<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Ant&oacute;nio Couto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Servo bom fiel, entra no gozo do teu Senhor 1. J&aacute; n&atilde;o sei, amigo, quando te conheci pela primeira vez. Mas sempre te conheci velhinho e s&aacute;bio. Como um menino. Velhinho n&atilde;o rima com ci&uacute;me ou azedume, mas com carinho. Sempre te conheci assim: pr&oacute;ximo, afectuoso, sempre a inventar maneiras de ajudar. 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