{"id":48928,"date":"2010-12-13T14:36:58","date_gmt":"2010-12-13T14:36:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/13\/homilia-de-d-carlos-azevedo-na-entrega-das-velas-da-paz-em-fatima\/"},"modified":"2010-12-13T14:36:58","modified_gmt":"2010-12-13T14:36:58","slug":"homilia-de-d-carlos-azevedo-na-entrega-das-velas-da-paz-em-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-carlos-azevedo-na-entrega-das-velas-da-paz-em-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Carlos Azevedo na entrega das \u00abVelas da Paz\u00bb, em F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>Jesus &eacute; luz para educar o nosso olhar e fazer-nos profetas da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&Eacute; impressionante a resposta de Jesus aos enviados de Jo&atilde;o Baptista. Jesus n&atilde;o responde quem &eacute;, porque &eacute; sempre mais forte algo que se descobre por si. Jesus pede que abram os olhos para repararem no que est&aacute; a acontecer.<\/p>\n<p>Os sinais dos tempos novos s&atilde;o: a possibilidade de ver, de ver sa&iacute;das, de descobrir por onde anda Deus; a possibilidade de caminhar, de dar passos urgentes; a possibilidade de ouvir, de escutar e dialogar. S&atilde;o os sinais de que est&aacute; presente o Reino de Deus, isto &eacute; os valores perenes em execu&ccedil;&atilde;o quotidiana.<\/p>\n<p>Tantas vezes, como na actual situa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se v&ecirc; logo, as coisas n&atilde;o andam, a vida n&atilde;o corre, ningu&eacute;m se ouve de modo a guardar no cora&ccedil;&atilde;o. Como ser aqui profeta da esperan&ccedil;a? Nesta hora europeia, onde se d&aacute; o ultimo suspiro de um mundo velho, pr&oacute;ximo de desaparecer!<\/p>\n<p>&nbsp;A esperan&ccedil;a n&atilde;o se fundamenta na abund&acirc;ncia de bens. O que endireitar&aacute; o caminho do futuro ser&aacute; o afastamento firme de mentiras tortuosas da contabilidade, de contracurvas financeiras, de para&iacute;sos que s&atilde;o inferno para a economia real, de descr&eacute;dito da poupan&ccedil;a, da perda dram&aacute;tica da confian&ccedil;a, de atentados &agrave; cria&ccedil;&atilde;o. O que nos permitir&aacute; n&atilde;o ser cana agitada por qualquer vento de crise ser&aacute; uma educa&ccedil;&atilde;o consistente, uma justi&ccedil;a eficaz e pronta, uma &eacute;tica rigorosa no controle do Estado. A situa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria haveremos de mud&aacute;-la em est&aacute;vel. Deus, por Jesus, acompanha-nos nas lutas e no empenhamento de liberta&ccedil;&atilde;o at&eacute; ao &uacute;ltimo dia.<\/p>\n<p>&nbsp;A esperan&ccedil;a que nos ilumina jorra de um Deus libertador da escravid&atilde;o dos poderosos, esquecidos de que ser&atilde;o eles as v&iacute;timas da pobreza em que nos deixam. &Eacute; muito curta a vis&atilde;o dos que se julgam acima dos desempregados porque ter&atilde;o de trabalhar para os sustentar. Caem na pr&oacute;pria rede os que n&atilde;o esclarecem a sua posi&ccedil;&atilde;o sobre a salvaguarda do ambiente e da cria&ccedil;&atilde;o. H&aacute;-de vir um momento e n&atilde;o tardar&aacute;, em que, como nos tempos antigos, se saldem todas as d&iacute;vidas e se recomece de novo, como em ano jubilar.<\/p>\n<p>Para j&aacute;, a esperan&ccedil;a empenha a nossa vontade em libertar de perigos a estrada futura, em exigir uma pol&iacute;tica que n&atilde;o profane a dignidade de nenhum cidad&atilde;o, que n&atilde;o crie desola&ccedil;&atilde;o em quem constr&oacute;i, na proximidade dos pobres, vias de promo&ccedil;&atilde;o humana: no ensino, na sa&uacute;de, no apoio &agrave;s crian&ccedil;as e aos mais idosos.<\/p>\n<p>Repartir o trabalho, regressar &agrave; agricultura, optar pela austeridade, no estilo de vida, ser&atilde;o hoje sinais claros da liberdade.<\/p>\n<p>S. Tiago exorta-nos &agrave; esperan&ccedil;a paciente do agricultor. Este tem a sabedoria de saber esperar, vigiando. Planta e n&atilde;o vai logo colher. Espera e cuida. Toma medidas adaptadas e por isso aguarda a boa colheita.<\/p>\n<p>A esperan&ccedil;a crist&atilde; &eacute; como a dos profetas, est&aacute; munida da paci&ecirc;ncia da dist&acirc;ncia, que v&ecirc; ao longe, sem miopia. O nosso olhar sobre os outros e sobre a nossa vida, sobre o futuro da humanidade, &eacute; tantas vezes curto e por isso agigant&aacute;mos, damos muita import&acirc;ncia a coisitas pequenas e n&atilde;o reparamos na grandeza dos pequenos gestos, dos pequenos passos, do poder da escuta dispon&iacute;vel dos outros.<\/p>\n<p>Jesus educa-nos o olhar para n&atilde;o nos queixarmos dos outros, mas para vermos as pr&oacute;prias responsabilidades. Educa-nos para n&atilde;o classificarmos logo os outros, sem reparar no bem que operam. Educa-nos para n&atilde;o desanimarmos &agrave; primeira dificuldade e resistirmos porque vemos mais adiante. Deus infunde coragem, liberta a mente de perspectivas erradas, sara a origem das decis&otilde;es, retira o medo.<\/p>\n<p>Jesus Cristo &eacute; luz a suscitar em n&oacute;s, seus seguidores, capacidade de sofrer, de passarmos por sacrif&iacute;cios em nome de um futuro melhor. Jesus &eacute; tamb&eacute;m caminho, rasga caminho com a sua luz. &Eacute; com alegria que percorremos este caminho novo, aberto por Jesus gra&ccedil;as ao seu dom, ao seu amor at&eacute; ao fim. Gente atada, sem p&eacute;s para ir ao encontro de situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis e sem liberdade para descobrir caminhos, n&atilde;o &eacute; acolhedora plena de Jesus.<\/p>\n<p>Se para alguns de n&oacute;s Cristo j&aacute; &eacute; luz, reparemos que &eacute; tamb&eacute;m caminho e lancemo-nos nas tarefas urgentes de renovar todas as coisas. O Messias, esperado e j&aacute; presente, depois de nos conceder o dom da cura da falta de vis&atilde;o, desata os nossos p&eacute;s e faz-nos ouvir a Palavra reconfortante, para n&atilde;o perdermos a luz e a energia do caminho. Este reconforto escuta-se, seja na Palavra de Deus, seja na voz do irm&atilde;o que encoraja ou na voz do irm&atilde;o que pede aux&iacute;lio. S&atilde;o os dons da vinda salvadora de Jesus.<\/p>\n<p>Quem dera possamos responder a quem hoje nos pergunta quem &eacute; Jesus, com a mesma clareza de Cristo. E temos tamb&eacute;m, na Igreja e fora da Igreja, muitos sinais para atestar que a Palavra se continua a fazer carne em tantos que entregam a vida pelos irm&atilde;os, na for&ccedil;a inspiradora do Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>Acolhamos o apelo da C&aacute;ritas Portuguesa e acendamos na nossa janela uma vela, na noite de Natal. Digamos uns aos outros, por esse gesto simb&oacute;lico o nosso compromisso em p&ocirc;r toda a criatividade e energia no atenuar o flagelo do desemprego, que mutila a qualidade humana de tantas pessoas.<\/p>\n<p>A salva&ccedil;&atilde;o anunciada passa pelos sentidos que habilitam para a vida social: capacidade de ver, ouvir, caminhar. Celebremos com alegria a presen&ccedil;a misteriosa, mas real, da salva&ccedil;&atilde;o. O Natal aproxima-se, o Senhor h&aacute;-de vir para que a vis&atilde;o seja luz, os passos sejam canto novo e a audi&ccedil;&atilde;o seja eternidade de louvor.<\/p>\n<p>&nbsp;Alegremo-nos porque a salva&ccedil;&atilde;o de Deus est&aacute; a chegar. Agrade&ccedil;amos o que j&aacute;, por gra&ccedil;a e dom, vemos, ouvimos e percorremos. Esperemos com determina&ccedil;&atilde;o construtiva e caridade paciente o que nos falta. Vem, Senhor Jesus.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Carlos A. Moreira Azevedo,<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Presidente da Comiss&atilde;o Episcopal de Pastoral Social<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus &eacute; luz para educar o nosso olhar e fazer-nos profetas da esperan&ccedil;a. &Eacute; impressionante a resposta de Jesus aos enviados de Jo&atilde;o Baptista. Jesus n&atilde;o responde quem &eacute;, porque &eacute; sempre mais forte algo que se descobre por si. Jesus pede que abram os olhos para repararem no que est&aacute; a acontecer. 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