{"id":48840,"date":"2010-12-09T11:12:59","date_gmt":"2010-12-09T11:12:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/09\/homilia-de-d-jorge-ortiga-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/"},"modified":"2010-12-09T11:12:59","modified_gmt":"2010-12-09T11:12:59","slug":"homilia-de-d-jorge-ortiga-na-solenidade-da-imaculada-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jorge-ortiga-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jorge Ortiga na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O Papa Pio IX, num contexto pr&oacute;prio da hist&oacute;ria, prop&ocirc;s a todo o mundo cat&oacute;lico o dogma da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o (Bula Ineffabilis Deus, em 8-12-1854). Maria concebeu sem pecado original. Em virtude do acolhimento do Filho de Deus, ela &eacute; a cheia de gra&ccedil;a a quem n&oacute;s saudamos amorosamente.<\/p>\n<p>J&aacute; antes desta declara&ccedil;&atilde;o doutrinal Maria, a M&atilde;e do Senhor, era acolhida por muitos crist&atilde;os e pregada por muitos evangelizadores como modelo a seguir. Muitos foram os pa&iacute;ses que se dedicaram a Maria. Portugal proclamou Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o como padroeira do Reino.<\/p>\n<p>O Evangelho coloca a Palavra de Deus no seio de Maria. A resposta &ldquo;fa&ccedil;a-se em mim segundo a tua palavra&rdquo; testemunha a sua liberdade interior e a alegria que sente em assumir a maternidade como um presente de Deus. Viver a e da Palavra nem sempre &eacute; confort&aacute;vel, ela &eacute; &ldquo;como uma espada de dois gumes&rdquo;, porque nos desinstala das comodidades e estatutos adquiridos para empreendermos rasgos prof&eacute;ticos que despertem sinais de esperan&ccedil;a na humanidade. Sozinhos nada somos nem podemos nada. Sem Deus vivemos ausentes da hist&oacute;ria e da vida verdadeira. Face &agrave;s nossas d&uacute;vidas e dores, tal como diante da perturba&ccedil;&atilde;o de Maria, acreditamos que &ldquo;a Deus nada &eacute; imposs&iacute;vel&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste tempo de Advento fazemos festa com Maria. Celebrar a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o &eacute; um apelo &agrave; nossa voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. S. Paulo, na segunda leitura, elenca um conjunto de dimens&otilde;es que dever&iacute;amos meditar permanentemente. Segundo o ap&oacute;stolo dos gentios, fomos escolhidos por Deus para &ldquo;ser santos e irrepreens&iacute;veis&rdquo;, para nos tornarmos verdadeiros filhos de Deus e proclamar aos irm&atilde;os a &ldquo;gra&ccedil;a&rdquo; que Deus derrama no cora&ccedil;&atilde;o do ser humano.<\/p>\n<p>A exig&ecirc;ncia e a beleza da vida crist&atilde; orienta-se para Deus-Pai que acompanha, sugere e ilumina o caminho do Homem. A Palavra de Deus &eacute; a b&uacute;ssola que orienta e d&aacute; coer&ecirc;ncia interior ao nosso modo de vida crist&atilde;. Em virtude da Palavra, Maria sentiu a responsabilidade do chamamento de Deus. N&atilde;o ficou imobilizada nos lamentos e nas perguntas. Ela quis partilhar a alegria da sauda&ccedil;&atilde;o de Deus e por isso &ldquo;correu apressadamente&rdquo; para visitar e auxiliar a sua prima Isabel. A energia gasta em reclama&ccedil;&otilde;es consome a energia para exigir com ousadia. O an&uacute;ncio de Deus implica servi&ccedil;o e miss&atilde;o junto dos que vivem &agrave; margem dos princ&iacute;pios b&aacute;sicos de cidadania. Pensar com o cora&ccedil;&atilde;o e sentir com a raz&atilde;o &eacute; o desafio que nos toca a todos.<\/p>\n<p>A Solenidade da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o convida-nos a tomar consci&ecirc;ncia da nossa hist&oacute;ria que a reconheceu como Padroeira de Portugal. Neste gesto de estima e gratid&atilde;o, queremos fazer mem&oacute;ria de todos portugueses, confiar-lhe o presente e o futuro da nossa P&aacute;tria. A situa&ccedil;&atilde;o actual n&atilde;o pode dispensar-nos desta prece comunit&aacute;ria como pedido de esperan&ccedil;a num tempo novo.<\/p>\n<p>Este Portugal novo que pedimos a Maria &eacute; miss&atilde;o de todos os portugueses. Uma responsabilidade comum que desafia a capacidade criativa de todos os cidad&atilde;os na edifica&ccedil;&atilde;o cultural, econ&oacute;mica, pol&iacute;tica e espiritual do pa&iacute;s. Todos estamos convocados para este empreendimento. &Eacute; maravilhoso verificar a onda de solidariedade que est&aacute; a surgir nas diversas localidades do nosso pa&iacute;s. Uma solidariedade que precisa da fraternidade e do amor para n&atilde;o esmorecer face ao crescimento di&aacute;rio da pobreza e da precariedade humanas. &Eacute; igualmente maravilhoso ver novos projectos de dinamiza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica que colocam a pessoa no centro das suas preocupa&ccedil;&otilde;es. Damos gra&ccedil;as a Deus pelo cora&ccedil;&atilde;o generoso de tanta gente disposta a partilhar os seus bens e por todos os que est&atilde;o a iniciar uma mudan&ccedil;a de paradigma ao n&iacute;vel dos centros de decis&atilde;o. Mudan&ccedil;a j&aacute; n&atilde;o segundo a l&oacute;gica do poder e da prepot&ecirc;ncia mas do m&eacute;rito e do servi&ccedil;o ao bem comum.<\/p>\n<p>Maria assumiu a sua voca&ccedil;&atilde;o de m&atilde;e juntamente com a paternidade adoptiva de S. Jos&eacute;, seu esposo. Jesus nasceu e cresceu como tantos outros meninos da sua &eacute;poca. Esta fam&iacute;lia de Nazar&eacute; sentiu dificuldades mas n&atilde;o se deixou vencer por elas. Nos momentos hist&oacute;ricos graves existe sempre a tenta&ccedil;&atilde;o dum certo des&acirc;nimo e desencanto que pode levar ao oportunismo ou &agrave; subsidiodepend&ecirc;ncia. N&atilde;o basta dar p&atilde;o &eacute; preciso lutar por ele com todas as nossas for&ccedil;as.<\/p>\n<p>Urge, por isso, criar um novo tecido produtivo que proporcione uma economia social, horizontal, de partilha de responsabilidades, sem os clich&eacute;s e as lutas habituais entre patronato e trabalhadores. Um modelo que sirva as pessoas e o desenvolvimento comunit&aacute;rio das nossas cidades, vilas e aldeias. Compete a quem de direito regular a economia segundo os princ&iacute;pios da justi&ccedil;a, da equidade e da responsabilidade comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>Que Maria fa&ccedil;a com que o p&atilde;o da vida chegue &agrave; boca e o cora&ccedil;&atilde;o de todos povos pois &ldquo;nem s&oacute; de p&atilde;o vive o homem mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus&rdquo; (Mt 4,4). N&atilde;o &eacute; tempo de l&aacute;grimas, alegremo-nos na feliz esperan&ccedil;a da vinda do Emanuel, o Deus-connosco que vem ao nosso encontro.<\/p>\n<p>Sameiro, Solenidade da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, 8 de Dezembro de 2010,<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&nbsp;&dagger; Jorge Ortiga, A.P.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Pio IX, num contexto pr&oacute;prio da hist&oacute;ria, prop&ocirc;s a todo o mundo cat&oacute;lico o dogma da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o (Bula Ineffabilis Deus, em 8-12-1854). Maria concebeu sem pecado original. 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