{"id":48829,"date":"2010-12-08T21:48:24","date_gmt":"2010-12-08T21:48:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/08\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/"},"modified":"2010-12-08T21:48:24","modified_gmt":"2010-12-08T21:48:24","slug":"homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-da-imaculada-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;Fortalecidos por Deus para a Miss&atilde;o&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Na Concei&ccedil;&atilde;o Imaculada de Maria, a for&ccedil;a criadora da ac&ccedil;&atilde;o de Deus na criatura, atinge a sua express&atilde;o m&aacute;xima e a sua plenitude. A natureza desta interven&ccedil;&atilde;o de Deus &eacute; a mesma da ac&ccedil;&atilde;o da gra&ccedil;a em todos os santos: libertar o cora&ccedil;&atilde;o humano da influ&ecirc;ncia negativa do pecado, tornando a criatura capaz da intimidade amorosa com Deus e de realizar a miss&atilde;o que Deus destina a cada um. Em Maria, concretizou-se, desde o primeiro momento da sua exist&ecirc;ncia, aquilo que o Anjo lhe anuncia: &ldquo;A Deus nada &eacute; imposs&iacute;vel&rdquo; (Lc. 1, 37). E esta ac&ccedil;&atilde;o de Deus nas criaturas tem um duplo sentido: tornar a criatura capaz da intimidade com Deus e de realizar a miss&atilde;o a que Deus a chama. Para o evangelista S&atilde;o Lucas &eacute; claro que esta radical ac&ccedil;&atilde;o de Deus em Maria a prepara para a miss&atilde;o de ser a M&atilde;e do Messias.<\/p>\n<p>Deus criou o homem &agrave; sua Imagem para que este possa, no dia do Senhor, participar da sua gl&oacute;ria e fruir da sua intimidade. Mas o homem tem de desejar e querer participar um dia dessa plenitude de amor. A hist&oacute;ria da humanidade torna-se, assim, numa longa busca da p&aacute;tria celeste. E Deus envia continuamente mensageiros, seus porta-vozes, a suscitar nos homens esse desejo, e a ajud&aacute;-los a viver a sua hist&oacute;ria presente, como uma busca cont&iacute;nua do Reino dos C&eacute;us. Escolheu um Povo da sua predilec&ccedil;&atilde;o, enviou-lhes profetas e sacerdotes, comunicou-lhes uma regra de vida. E na plenitude deste processo, o seu pr&oacute;prio Filho faz-se Homem, a ac&ccedil;&atilde;o mais radical de Deus para que a humanidade n&atilde;o deixe de desejar essa plenitude do amor divino. Cristo inaugurou um tempo novo. O povo dos que O seguem, pode experimentar j&aacute; neste mundo, a alegria da intimidade com Deus e, nesse saborear das prim&iacute;cias do Reino dos C&eacute;us, aprofunda-se o desejo da plenitude final. A Igreja &eacute; um povo que experimenta Deus e, por isso, deseja mais intensamente a plenitude dessa conviv&ecirc;ncia. &Eacute; para fortalecer essa experi&ecirc;ncia e aprofundar esse desejo, que Cristo lhe envia ap&oacute;stolos e testemunhas, e derrama sobre todos os seus membros o Esp&iacute;rito criador e transformador, chamando &agrave; miss&atilde;o todos aqueles que consagrou.<\/p>\n<p>A miss&atilde;o continua a ter import&acirc;ncia decisiva na condu&ccedil;&atilde;o deste Povo para a viv&ecirc;ncia do Reino dos C&eacute;us, j&aacute;, na humildade da f&eacute; e das lutas do tempo presente e no desejo da p&aacute;tria celeste. E a todos os que chama a uma miss&atilde;o, Deus fortalece-os com a sua gra&ccedil;a, pois a miss&atilde;o &eacute; mais testemunho do que tarefa. A Carta aos Ef&eacute;sios &eacute; testemunho da clareza com que a Igreja apost&oacute;lica via esta uni&atilde;o inquebr&aacute;vel entre miss&atilde;o e ac&ccedil;&atilde;o de Deus naqueles que envia: &ldquo;Em Cristo, fomos constitu&iacute;dos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os des&iacute;gnios d&rsquo;Aquele que tudo realiza conforme a decis&atilde;o da sua vontade, para sermos um hino de louvor da sua gl&oacute;ria&rdquo; (Efs. 1,11-12). Consagra&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o encontram-se no sentido novo que a vida humana adquire em Cristo. A consagra&ccedil;&atilde;o &eacute; a ac&ccedil;&atilde;o poderosa do Esp&iacute;rito de Deus no cora&ccedil;&atilde;o humano; a miss&atilde;o &eacute; o envio para anunciar e tornar j&aacute; presente o dinamismo do Reino de Deus. A consagra&ccedil;&atilde;o prepara para a miss&atilde;o. E todos os que s&atilde;o consagrados &ndash; o voc&aacute;bulo grego significa tamb&eacute;m <strong>santificados <\/strong>&ndash; s&atilde;o enviados. E sempre que assumimos conscientemente uma miss&atilde;o, temos a garantia da cont&iacute;nua e sol&iacute;cita ac&ccedil;&atilde;o de Deus, tornando-nos capazes, em cada momento e em cada circunst&acirc;ncia, de realizar a miss&atilde;o a que o Senhor nos chamou.<\/p>\n<p>Este &eacute; o segredo da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o: viver, com um ardor sempre novo, a consagra&ccedil;&atilde;o de Deus, aprofundando e radicalizando em cada express&atilde;o da vida, a natureza que nos foi dada e a radicalidade do amor de Cristo e exprimindo essa consagra&ccedil;&atilde;o na miss&atilde;o. A vida daqueles que Cristo consagrou &eacute;, toda ela, miss&atilde;o, desejando que o Senhor nos liberte do pecado e crie em n&oacute;s um cora&ccedil;&atilde;o puro, capaz de amar e servir o des&iacute;gnio de Deus. Toda a miss&atilde;o exige um cora&ccedil;&atilde;o imaculado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. A Concei&ccedil;&atilde;o Imaculada de Maria, aut&ecirc;ntica consagra&ccedil;&atilde;o obra do Esp&iacute;rito Santo, exprime-se na perfei&ccedil;&atilde;o da sua comunh&atilde;o com Deus e na total obedi&ecirc;ncia na aceita&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o. Do mesmo modo que, na narra&ccedil;&atilde;o do G&eacute;nesis, depois da cria&ccedil;&atilde;o do homem e da mulher, Deus se rev&ecirc; na Sua cria&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Deus viu tudo o que tinha feito e era tudo muito bom&rdquo;; na anuncia&ccedil;&atilde;o do Anjo, Deus rev&ecirc;-Se, com um encantamento especial, nessa sua criatura &uacute;nica, Maria. &ldquo;Encontraste gra&ccedil;a diante de Deus&rdquo; (Lc. 1, 30), ou seja, Deus est&aacute; encantado contigo. E &eacute; esta frui&ccedil;&atilde;o de Deus da beleza da sua criatura que anuncia a miss&atilde;o. &ldquo;Conceber&aacute;s e dar&aacute;s &agrave; luz um filho&rdquo;, isto &eacute;, ser&aacute;s M&atilde;e desse Filho prometido e esperado. &Eacute; misteriosa a miss&atilde;o como o fora a consagra&ccedil;&atilde;o, e desta brota a disponibilidade obediente: &ldquo;Eis a escrava do Senhor; cumpra-se em mim a tua Palavra&rdquo; (Lc. 1,38). Maria &eacute; consagrada para a miss&atilde;o, e Deus rever-se-&aacute; nela, tanto na total disponibilidade para a miss&atilde;o, como na beleza do seu Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado.<\/p>\n<p>A miss&atilde;o de Maria &eacute; ser M&atilde;e. J&aacute; tinha sido a de Eva: &ldquo;O homem deu a sua mulher o nome de Eva, porque ela foi a m&atilde;e de todos os viventes&rdquo; (Gen. 3,20). Maria &eacute; a nova Eva, porque a sua &eacute; a maternidade renovada. O seu Filho &eacute; o princ&iacute;pio de uma nova cria&ccedil;&atilde;o e Ele quis que ela fosse M&atilde;e de todos os que, fruto da sua P&aacute;scoa, revivem a dignidade de filhos de Deus. Na ordem da reden&ccedil;&atilde;o, Maria &eacute;, realmente, a M&atilde;e de todos os resgatados, os que s&atilde;o chamados a viver a vida nova.<\/p>\n<p>A &uacute;nica miss&atilde;o de Maria &eacute; ser M&atilde;e, miss&atilde;o grandiosa e misteriosa, que se confunde com o mist&eacute;rio de Cristo, o des&iacute;gnio escondido desde s&eacute;culos. Quando, no alto da Cruz, Jesus a d&aacute; como M&atilde;e aos disc&iacute;pulos, a maternidade de Maria ganha as fronteiras da reden&ccedil;&atilde;o de Cristo. Quanto mais imaculado &eacute; o seu Cora&ccedil;&atilde;o, mais profundo e universal &eacute; o seu amor maternal. S&oacute; no C&eacute;u poderemos perceber em que medida a vida de cada um de n&oacute;s, no nosso caminho de reden&ccedil;&atilde;o, &eacute; fruto desse amor maternal.<\/p>\n<p>No seu Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado, Maria venceu a maldi&ccedil;&atilde;o de Eva, a quem Deus tinha dito, na sequ&ecirc;ncia do pecado: &ldquo;multiplicarei os teus sofrimentos e as tuas gravidezes, dar&aacute;s &agrave; luz os teus filhos na dor&rdquo; (Gen. 3,16). Tal como a consagra&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m a realiza&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o ser&aacute; obra exclusiva de Deus. No seu parto virginal, Maria n&atilde;o dar&aacute; &agrave; luz o seu Filho na dor&rdquo;. Mas ser&aacute; M&atilde;e, na 4<\/p>\n<p>dor, ao dar &agrave; luz os novos filhos que o seu Filho redimiu na dor. A sua dor maternal &eacute; a dor do seu Filho na Cruz. Ela &eacute; co-redentora, neste gerar os novos filhos de Deus. Sime&atilde;o anunciou-lhe: &ldquo;Uma espada trespassar&aacute; a tua alma, para que se revelem os pensamentos de muitos cora&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Lc. 3,35). &ldquo;Aos p&eacute;s da Cruz de Jesus estavam sua M&atilde;e e a irm&atilde; de sua M&atilde;e, Maria de Cl&eacute;ofas e Maria Madalena&rdquo;. A espada anunciada acaba de lhe trespassar a alma, como a espada do soldado trespassou o cora&ccedil;&atilde;o do seu Filho morto. A &ldquo;piet&aacute;&rdquo;, eternizou na piedade crist&atilde; esta miss&atilde;o de Maria, como mulher, dando &agrave; luz os seus filhos na dor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Ainda hoje Deus consagra e envia em miss&atilde;o. S&oacute; a ac&ccedil;&atilde;o do seu Esp&iacute;rito em n&oacute;s nos prepara para a miss&atilde;o, para a aceitar e para a realizar. A ac&ccedil;&atilde;o da gra&ccedil;a de Deus em n&oacute;s &eacute; tornar imaculado o nosso cora&ccedil;&atilde;o ferido pelo pecado, porque o Reino de Deus exige cora&ccedil;&otilde;es puros. &ldquo;Bem-aventurados os que t&ecirc;m um cora&ccedil;&atilde;o puro, porque ver&atilde;o a Deus&rdquo; Mt. 5,8). A transforma&ccedil;&atilde;o do nosso cora&ccedil;&atilde;o pecador &eacute; tamb&eacute;m o fruto maravilhoso do amor maternal de Maria. Sermos amados por uma Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado, purifica o nosso cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 8 de Dezembro de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Fortalecidos por Deus para a Miss&atilde;o&rdquo; &nbsp; 1. Na Concei&ccedil;&atilde;o Imaculada de Maria, a for&ccedil;a criadora da ac&ccedil;&atilde;o de Deus na criatura, atinge a sua express&atilde;o m&aacute;xima e a sua plenitude. 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