{"id":48828,"date":"2010-12-08T21:47:22","date_gmt":"2010-12-08T21:47:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/08\/homilia-do-bispo-do-porto-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/"},"modified":"2010-12-08T21:47:22","modified_gmt":"2010-12-08T21:47:22","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-solenidade-da-imaculada-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Santa Maria, alvorada de consagra&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o<\/strong><\/p>\n<p>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, reunidos para celebrar a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Santa Maria e a feliz Ordena&ccedil;&atilde;o de dezassete di&aacute;conos permanentes:<\/p>\n<p>N&atilde;o s&atilde;o motivos dissonantes os que nos trazem aqui. Distintos s&atilde;o, certamente; mas bem consonantes, naquilo mesmo a que poderemos chamar uma alvorada de consagra&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Nem podia ser doutra forma, porque a imaculada concei&ccedil;&atilde;o de Maria &eacute; o primeir&iacute;ssimo fulgor do inestim&aacute;vel &ldquo;servi&ccedil;o&rdquo; do pr&oacute;prio Deus &agrave; humanidade, que recriou em Cristo. Primeiro e pr&eacute;vio fruto da reden&ccedil;&atilde;o de Cristo, Maria foi a &ldquo;nova terra&rdquo; onde o Homem novo p&ocirc;de recome&ccedil;ar a aventura humana, sem repetir a falta que tanto nos lesou.<\/p>\n<p>Contava-nos a 1&ordf; Leitura que a desobedi&ecirc;ncia dos primeiros &ndash; do homem e da mulher dele formada (cf. Gn 2, 21 ss) &#8211; os escondeu de Deus, como lhes ensombrou a vida. Na nova cria&ccedil;&atilde;o &ndash; e por ordem diferente no que &agrave; humanidade respeita &ndash;, &eacute; o homem que nasce da mulher, porque esta mesma foi criada em fun&ccedil;&atilde;o da humanidade nova de Cristo, na inteira luz de que Maria foi a alvorada. Como S&atilde;o Paulo escreveu aos G&aacute;latas: &ldquo;Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, [&hellip;] a fim de recebermos a adop&ccedil;&atilde;o de filhos&rdquo; (Gl 4, 4-5). Por isso Jesus foi chamado &ldquo;o filho de Maria&rdquo; (cf. Mc 6, 3); por isso todos n&oacute;s, disc&iacute;pulos de Cristo, o somos tamb&eacute;m (cf. Jo 19, 26).<\/p>\n<p>Fomos criados por Deus e para Deus, retribuindo-Lhe a vida que nos ofereceu. Pecado &ndash; das origens desgra&ccedil;adamente continuadas &#8211; &eacute; reter o que deve perpassar-nos, para chegar a todos, e s&oacute; em Deus se pode escoar, como pequeno rio em imensa foz.<\/p>\n<p>Falar de &ldquo;consagra&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como se refere a Cristo e a Maria &ndash; a Maria em fun&ccedil;&atilde;o de Cristo &ndash; &eacute; dizer isso mesmo, que a vida recebida s&oacute; se consolida na raiz e realiza na oferta a Deus. Maria foi saudada pelo Arcanjo como &ldquo;cheia de gra&ccedil;a&rdquo; &ndash; modo positivo de referir a sua imaculada concei&ccedil;&atilde;o, pois nela tudo &eacute; dom recebido, consentido e oferecido, sem mancha de nega&ccedil;&atilde;o ou recusa -, para que a sua humanidade pudesse ser a de Jesus, traduzindo a absoluta obedi&ecirc;ncia ao Pai, que eternamente O gera e recebe.<\/p>\n<p>Por isso, consagra&ccedil;&atilde;o &eacute; entrega a Deus, novo sacrif&iacute;cio da Alian&ccedil;a nova, realizado por Cristo, na humanidade intacta que recebeu de Maria e divinamente culminou. N&atilde;o foi simples continua&ccedil;&atilde;o da humanidade antiga; foi e continua a ser a nova cria&ccedil;&atilde;o, onde finalmente nos realizamos como filhos de Deus e irm&atilde;os universais; em Cristo, Filho de Maria, por obra e gra&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>Esta novidade toca-nos desde o Baptismo e realiza-nos &ldquo;em Cristo&rdquo;, envolvidos pela maternal protec&ccedil;&atilde;o de Maria. Esta &eacute;, irm&atilde;os car&iacute;ssimos, a verdade e a gra&ccedil;a da vida crist&atilde;, nascida daquele &ldquo;sim&rdquo; que h&aacute; pouco escut&aacute;mos: &ldquo;Maria disse ent&atilde;o: &lsquo;Eis a escrava do Senhor; fa&ccedil;a-se em mim segundo a tua palavra&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p>Por isso vos dirijo tamb&eacute;m estas palavras, que posso intitular &ldquo;Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Santa Maria, Alvorada de Consagra&ccedil;&atilde;o e Servi&ccedil;o&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na 2&ordf; Leitura, incluiu S&atilde;o Paulo um magn&iacute;fico hino, com estas palavras come&ccedil;ado: &ldquo;Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos C&eacute;us nos aben&ccedil;oou com toda a esp&eacute;cie de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os espirituais em Cristo. N&rsquo;Ele nos escolheu, antes da cria&ccedil;&atilde;o do mundo, para sermos santos e irrepreens&iacute;veis, em caridade, na sua presen&ccedil;a&rdquo;. O mesmo &eacute; dizer que, em Cristo, Filho de Maria, somos recriados para a consagra&ccedil;&atilde;o e o servi&ccedil;o, em universal caridade.<\/p>\n<p>Esta &eacute; a nova condi&ccedil;&atilde;o que a humanidade ganha, porque a recebe de Deus e para Deus, todos para todos em Cristo. Maria assim foi, desde a imaculada concei&ccedil;&atilde;o que recebeu em fun&ccedil;&atilde;o de Cristo; Maria assim foi, no consentimento pleno que deu a tal gra&ccedil;a, em fiel seguimento do seu Filho, do Pres&eacute;pio ao G&oacute;lgota; e depois, da Ressurrei&ccedil;&atilde;o ao Pentecostes, quando o Esp&iacute;rito come&ccedil;ou a realizar na Santa Madre Igreja o que em Maria come&ccedil;ara na Anuncia&ccedil;&atilde;o, ou seja, a gera&ccedil;&atilde;o de Cristo no mundo e para a salva&ccedil;&atilde;o do mundo. Atestam-no multid&otilde;es sucessivas de baptizados, filhos de Maria e irm&atilde;os de Cristo, para gl&oacute;ria de Deus Pai. Isto somos, isto s&oacute; havemos de ser: um mist&eacute;rio vivo e prolongado de consagra&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>&Eacute; tamb&eacute;m este o servi&ccedil;o da Igreja ao mundo e para a consagra&ccedil;&atilde;o do mundo, atrav&eacute;s do cora&ccedil;&atilde;o e da obra dos filhos de Deus e de Maria, que somos em Cristo. O que Maria foi pela sua imaculada concei&ccedil;&atilde;o, inteiramente consagrada a Deus e ao seu servi&ccedil;o, incarnando e oferecendo Cristo, na for&ccedil;a do divino Amor, isto havemos de ser n&oacute;s pelo Baptismo, desdobrado em distintas participa&ccedil;&otilde;es sacramentais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje o celebramos, muito especial e felizmente, no diaconado destes irm&atilde;os, que para tal se prepararam e a tal se disp&otilde;em.<\/p>\n<p>Trata-se do sacramento da Ordem, que, nos v&aacute;rios graus, manifesta Cristo na comunidade crist&atilde;: ou como sacerdote &ndash; no episcopado e no presbiterado &ndash;, ou como servidor, no diaconado. Sempre em fun&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o de todos os crist&atilde;os, que, tamb&eacute;m pela ac&ccedil;&atilde;o dos ministros ordenados, h&atilde;o-de crescer em sacerd&oacute;cio comum e diaconia aplicada, assim activando a consagra&ccedil;&atilde;o do mundo e a caridade universal, inteiramente realizadas em Cristo e constantemente difundidas pelo Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p>No que aos di&aacute;conos respeita, &eacute; importante e urgente que em todos e cada um deles se realize sacramentalmente a auto-defini&ccedil;&atilde;o de Cristo, como a deu um dia e se repete agora: &ldquo;&hellip; o que for maior entre v&oacute;s seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. [&hellip;] Eu estou no meio de v&oacute;s como aquele que serve [= como um di&aacute;cono]&rdquo; (Lc 22, 26-27).<\/p>\n<p>Car&iacute;ssimos ordinandos de di&aacute;cono: Est&aacute; aqui a vossa identidade espec&iacute;fica, seja qual for a contribui&ccedil;&atilde;o concreta que a Igreja vos pe&ccedil;a, nas vossas comunidades e na Diocese. Seja ao servi&ccedil;o da Palavra divina, seja no &acirc;mbito sacramental, seja na ac&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-caritativa ou administrativa, em tudo isto tendes lugar pr&oacute;prio e atribui&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, variando certamente com as disponiblidades e urg&ecirc;ncias de cada tempo e lugar.<\/p>\n<p>Assim tamb&eacute;m no que diz respeito &agrave; vossa vida familiar e &agrave; vossa presen&ccedil;a no vasto mundo social e profissional, que n&atilde;o &eacute; secund&aacute;rio &agrave;s vossas atribui&ccedil;&otilde;es, muito pelo contr&aacute;rio. Mas em tudo isso, o mais importante e identificativo dum di&aacute;cono &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o sacramental daquela auto-defini&ccedil;&atilde;o de Cristo: &ldquo;Eu estou no meio de v&oacute;s como aquele que serve&rdquo;.<\/p>\n<p>Sabereis que sempre tenho insistido neste ponto, quer falando convosco, quer com os vossos p&aacute;rocos e outros respons&aacute;veis eclesiais, sobretudo quando se trata de escolher e propor candidatos ao diaconado: h&atilde;o-de ser, antes de mais e acima de tudo, aqueles que na comunidade crist&atilde; j&aacute; se distingam pelo esp&iacute;rito de servi&ccedil;o, os mais humildes, os mais prontos e dispon&iacute;veis, os mais capazes e propensos a responder &agrave; necessidade dos pobres de todas pobrezas e &agrave;s maiores urg&ecirc;ncias de dentro ou fora da Igreja. Isto sois, certamente, e isto sereis ainda mais, pela gra&ccedil;a do sacramento que agora recebeis. Esta a vossa gl&oacute;ria, que mais vos identificar&aacute; com Cristo, di&aacute;cono de n&oacute;s todos.<\/p>\n<p>E deixai-me dizer-vos que conto muito convosco, para que a nossa Igreja Portucalense possa crescer sempre mais nesta fundamental dimens&atilde;o da diaconia. Com o tempo e a vossa coopera&ccedil;&atilde;o, o minist&eacute;rio sacerdotal dos outros graus da Ordem ficar&aacute; mais definido tamb&eacute;m, pela aplica&ccedil;&atilde;o mais espec&iacute;fica dos respectivos ministros na Eucaristia e na Reconcilia&ccedil;&atilde;o, bem como no acompanhamento espiritual dos fi&eacute;is; com o tempo e a vossa indispens&aacute;vel coopera&ccedil;&atilde;o, car&iacute;ssimos di&aacute;conos de hoje e amanh&atilde;, ficar&aacute; mais evidente e pr&aacute;tico que consagra&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o s&atilde;o os dois movimentos constantes da vida eclesial, do mundo ao altar e do altar ao mundo, at&eacute; ao &ldquo;Domingo que n&atilde;o tem ocaso&rdquo;.<\/p>\n<p>Por isso &ndash; e mesmo liturgicamente &ndash; trareis como di&aacute;conos o mundo ao altar, onde sereis os imediatos ajudantes do sacerdote; e sereis depois os primeiros a levar a todos a oferta de Cristo, Luz e Vida do mundo. Convosco trareis os vossos irm&atilde;os leigos &ndash; em cuja condi&ccedil;&atilde;o familiar e profissional geralmente participais &ndash; e convosco, com o vosso exemplo e estilo, humilde e prest&aacute;vel, os estimulareis tamb&eacute;m, para serem cada vez mais assim, na caridade universal de Cristo.<\/p>\n<p>&#8211; Felic&iacute;ssima hora foi aquela, car&iacute;ssimos irm&atilde;os e irm&atilde;s, e magn&iacute;fica inspira&ccedil;&atilde;o do Alto, em que o Conc&iacute;lio Vaticano II decidiu restaurar o diaconado permanente! F&ecirc;-lo com as seguintes palavras, sempre de recordar, como recordadas foram pelo magist&eacute;rio subsequente: &ldquo;No grau inferior da hierarquia est&atilde;o os di&aacute;conos, que recebem a imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, &lsquo;n&atilde;o para o sacerd&oacute;cio mas para o minist&eacute;rio&rsquo;. [&hellip;] recordem os di&aacute;conos o conselho de S. Policarpo: &lsquo;Misericordiosos e diligentes, procedam em harmonia com a verdade do Senhor, que se fez servidor de todos&rsquo;. Tendo em conta que, segundo a disciplina actualmente em vigor na Igreja latina [1965], em v&aacute;rias regi&otilde;es s&oacute; dificilmente s&atilde;o desempenhadas estas fun&ccedil;&otilde;es [diaconais], t&atilde;o necess&aacute;rias para a vida da Igreja, daqui em diante poder&aacute; o diaconado ser restabelecido como grau pr&oacute;prio e permanente da hierarquia&rdquo; (Lumen Gentium, n&ordm; 29).<\/p>\n<p>Assim aconteceu na Diocese do Porto &#8211; ent&atilde;o pastoreada por D. J&uacute;lio Tavares Rebimbas, que Deus tenha em santa gl&oacute;ria -, com os primeiros di&aacute;conos permanentes; assim continua agora, por vontade geral do presbit&eacute;rio e grande urg&ecirc;ncia do tempo.<\/p>\n<p>Para responder, mais e melhor, &agrave;s necessidades da Igreja, onde um n&uacute;mero escasso de presb&iacute;teros se tem de concentrar cada vez mais no que lhe &eacute; espec&iacute;fico; para real&ccedil;ar a natureza da Igreja, que, em Cristo, est&aacute; no mundo &ldquo;como quem serve&rdquo;; e para que a &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, com o &ldquo;novo ardor&rdquo; do Esp&iacute;rito divino, encontre &ldquo;novos m&eacute;todos e novas express&otilde;es&rdquo; de caridade e servi&ccedil;o, para responder tamb&eacute;m &agrave;s imensas necessidades materiais e espirituais a que devemos absolutamente atender.<\/p>\n<p>&#8211; Quase a concluir a Miss&atilde;o 2010, v&oacute;s sois, car&iacute;ssimos ordinandos de di&aacute;cono, a mais promissora express&atilde;o sacramental de que a Igreja, em Cristo e com Maria Imaculada, &eacute; e ser&aacute; sempre uma comunidade de consagra&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o!<\/p>\n<p>S&eacute; do Porto, 8 de Dezembro de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Manuel Clemente<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Santa Maria, alvorada de consagra&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, reunidos para celebrar a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Santa Maria e a feliz Ordena&ccedil;&atilde;o de dezassete di&aacute;conos permanentes: N&atilde;o s&atilde;o motivos dissonantes os que nos trazem aqui. 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