{"id":48792,"date":"2010-12-07T12:22:57","date_gmt":"2010-12-07T12:22:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/07\/os-arquivos-da-igreja-preservacao-e-fruicao-memoria-e-identidade\/"},"modified":"2010-12-07T12:22:57","modified_gmt":"2010-12-07T12:22:57","slug":"os-arquivos-da-igreja-preservacao-e-fruicao-memoria-e-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-arquivos-da-igreja-preservacao-e-fruicao-memoria-e-identidade\/","title":{"rendered":"Os Arquivos da Igreja: Preserva\u00e7\u00e3o e Frui\u00e7\u00e3o &#8211; Mem\u00f3ria e Identidade"},"content":{"rendered":"<p>Ricardo Aniceto, Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa <!--more--> <\/p>\n<p>Cuidar os arquivos da Igreja pode parecer um contra-senso num tempo marcado pela afirma&ccedil;&atilde;o de um modo de estar em sociedade centrado no usufruto imediato de bens e numa l&oacute;gica do lucro, tendo por consequ&ecirc;ncia o actual quadro econ&oacute;mico e financeiro em que as pessoas t&ecirc;m de ser a prioridade por excel&ecirc;ncia, em que da Igreja Cat&oacute;lica se reclama grito solid&aacute;rio e gesto humanizante.<\/p>\n<p>Qual ser&aacute;, neste quadro, a import&acirc;ncia dos arquivos da Igreja? Em que aspectos, e sobre que fundamentos, se poder&aacute; dizer que urge preserv&aacute;-los e enquadr&aacute;-los numa pastoral da Cultura que cultive a mem&oacute;ria e a identidade?!<\/p>\n<p>A novidade do Cristianismo, Revela&ccedil;&atilde;o continuada na hist&oacute;ria da humanidade, faz-nos compreender que a F&eacute;, dimens&atilde;o plena de beleza e mist&eacute;rio, &eacute; perpassada pelo testemunho de homens e mulheres que, na sua ac&ccedil;&atilde;o e testemunho, foram Cristo para os outros (Tradi&ccedil;&atilde;o). A import&acirc;ncia pastoral dos arquivos radica no facto de serem o lugar de mem&oacute;ria das comunidades crist&atilde;s e de registarem o percurso feito pela Igreja ao longo de s&eacute;culos, em cada uma das realidades que a comp&otilde;em, cultivando a mem&oacute;ria da sua vida e dando eco da sua dimens&atilde;o evangelizadora.<\/p>\n<p>Na verdade, uma institui&ccedil;&atilde;o que esquece o pr&oacute;prio passado, dificilmente consegue configurar a sua fun&ccedil;&atilde;o entre os homens dum determinado contexto social, cultural e religioso. Nesse sentido, conservando os testemunhos das tradi&ccedil;&otilde;es religiosas e da praxis pastoral, os arquivos t&ecirc;m uma intr&iacute;nseca vitalidade e validade, contribuindo para fazer crescer o sentido da perten&ccedil;a eclesial de cada uma das gera&ccedil;&otilde;es. (Cf. IGREJA CAT&Oacute;LICA. Comiss&atilde;o Pontif&iacute;cia para os Bens Culturais da Igreja &ndash; <em>Os Bens Culturais da Igreja<\/em>. Lisboa: Paulinas, 2000, p.79.).<\/p>\n<p>N&atilde;o obstante a expuls&atilde;o das Ordens Religiosas em 1834 e as leis da I Rep&uacute;blica com impacto nesta &aacute;rea, a Igreja Cat&oacute;lica &eacute;, ainda hoje, deposit&aacute;ria de um extenso patrim&oacute;nio documental pass&iacute;vel de gerar perplexidades quando urge o seu tratamento. Em 2008 estimava-se em 500 km a documenta&ccedil;&atilde;o produzida e acumulada pela Igreja em  Portugal. Aliado este volume documental aos custos inerentes a um processo moroso e com exig&ecirc;ncias t&eacute;cnicas e humanas espec&iacute;ficas, acreditamos que os respons&aacute;veis pelas v&aacute;rias estruturas vacilem na hora de actuar.<\/p>\n<p>Sem pretendermos cair em apologias ut&oacute;picas em torno das pr&aacute;ticas para a salvaguarda e conserva&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio documental, n&atilde;o podemos deixar de nos sentir motivados para a necessidade e urg&ecirc;ncia que se coloca ao cabal tratamento dos nossos reposit&oacute;rios documentais. A inviabilidade econ&oacute;mica em dotar servi&ccedil;os da Igreja com um aparato t&eacute;cnico-cient&iacute;fico de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser factor para um descomprometimento com a mem&oacute;ria das comunidades crist&atilde;s.<\/p>\n<p>Em verdade, para uma digna conserva&ccedil;&atilde;o dos documentos bastam, muitas vezes, cuidados b&aacute;sicos de higiene e correcto acondicionamento; a valoriza&ccedil;&atilde;o e incremento do di&aacute;logo para co-responsabiliza&ccedil;&atilde;o das diferentes estruturas eclesiais; a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas b&aacute;sicas de arquivo no &acirc;mbito de uma pol&iacute;tica da mem&oacute;ria que seja o ponto de refer&ecirc;ncia do projecto a construir; a afecta&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos de arquivo ou respons&aacute;vel diocesano pela &aacute;rea; uma aposta decidida no diagn&oacute;stico dos arquivos da Igreja, j&aacute; em marcha; a procura de financiamentos para projectos-piloto de qualidade que qualifiquem o trabalho e, por si, captem novos financiamentos. Tudo isto numa l&oacute;gica de parcerias eclesiais, com a sociedade civil e, inclusive, com o Estado.<\/p>\n<p>Em suma, as condi&ccedil;&otilde;es para a implementa&ccedil;&atilde;o dos arquivos da Igreja passam pela tomada de consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia do patrim&oacute;nio documental existente e do que se cria diariamente, assumindo a responsabilidade pela sua gest&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o. Diagnosticar os problemas, eleger a meta, fixar um caminho com objectivos claros e tang&iacute;veis utilizando os meios poss&iacute;veis e trabalhar em rede s&atilde;o pressupostos fundamentais para elaborar um plano geral de actua&ccedil;&atilde;o sobre o nosso patrim&oacute;nio arquiv&iacute;stico, quer sejam projectos de grande envergadura ou pequenas interven&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Sejamos capazes e audazes de actuar junto do nosso patrim&oacute;nio documental para testemunharmos, com propriedade, esta dimens&atilde;o que perpassa a nossa hist&oacute;ria e identidade: a nossa voca&ccedil;&atilde;o de Filhos de Deus. Se &eacute; verdade que a express&atilde;o da f&eacute; atrav&eacute;s da cultura e de uma cultura que ilumina a f&eacute; &eacute; um campo que avan&ccedil;a lentamente, tamb&eacute;m &eacute; verdade o que nos disse Jo&atilde;o Paulo II ao referir que uma f&eacute; que n&atilde;o se transforma em cultura &eacute; uma f&eacute; mal assumida, mal compreendida e n&atilde;o completamente vivida.<\/p>\n<p>Coincidindo no reconhecimento da import&acirc;ncia do patrim&oacute;nio hist&oacute;rico-cultural da Igreja enquanto reposit&oacute;rio das fontes do desenvolvimento das comunidades crist&atilde;s e na import&acirc;ncia e necessidade da sua comunica&ccedil;&atilde;o enquanto mem&oacute;ria da evangeliza&ccedil;&atilde;o e instrumento de pastoral, ousemos descobrir-nos nesta radicalidade de procurarmos ser, de h&aacute; dois mil&eacute;nios para c&aacute;, rostos de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ricardo Aniceto, <\/em><em>Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Servi&ccedil;o de Arquivo Hist&oacute;rico e Biblioteca&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Aniceto, Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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