{"id":48754,"date":"2010-12-06T11:29:28","date_gmt":"2010-12-06T11:29:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/06\/discurso-do-secretario-geral-da-apec-na-assembleia-de-pais-calvao\/"},"modified":"2010-12-06T11:29:28","modified_gmt":"2010-12-06T11:29:28","slug":"discurso-do-secretario-geral-da-apec-na-assembleia-de-pais-calvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-do-secretario-geral-da-apec-na-assembleia-de-pais-calvao\/","title":{"rendered":"Discurso do secret\u00e1rio-geral da APEC na assembleia de pais, Calv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Vou contar-vos 6 hist&oacute;rias verdadeiras:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H&aacute; muitos anos, ainda no s&eacute;culo passado, as pessoas gostavam de p&ocirc;r os filhos no liceu, mas s&oacute; havia liceus nas capitais de distrito. Valeu &agrave;s pessoas das vilas e aldeias o ensino particular, os col&eacute;gios e externatos espalhados um pouco por todo o pa&iacute;s, e tamb&eacute;m os semin&aacute;rios diocesanos e das congrega&ccedil;&otilde;es. Quantos n&atilde;o foram os jovens que gra&ccedil;as a estas escolas conseguiram tirar o 5&ordm; ou o 7&ordm; ano dos liceus, e alguns deles seguirem para a Universidade?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais ou menos h&aacute; 40 anos come&ccedil;a a 2&ordf; hist&oacute;ria. Com o ministro Veiga Sim&atilde;o, o Estado l&aacute; reconhece que era justo apoiar alguns col&eacute;gios, principalmente aqueles que estavam situados em zonas onde n&atilde;o existiam ciclos preparat&oacute;rios e liceus estatais. &Eacute; a primeira vez que se concedem estes subs&iacute;dios ao ensino particular. Mas por esta &eacute;poca encerram muitos col&eacute;gios, pois a concorr&ecirc;ncia das escolas do Estado asfixia-os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A 3&ordf; hist&oacute;ria come&ccedil;a h&aacute; 36 anos, com a Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril. No PREC, ataca-se a Igreja, e alguns revolucion&aacute;rios querem acabar com o ensino particular. Muitas escolas privadas n&atilde;o resistem e encerram. Valeu na altura um punhado de combatentes unidos na mesma causa e firmes nas suas convic&ccedil;&otilde;es. Eram eles directores de col&eacute;gios (a maioria dos quais, padres), pais, professores, deputados do CDS, do PPD e at&eacute; do PS. Era tamb&eacute;m a AEEP. Eram tamb&eacute;m os nossos bispos. Era tamb&eacute;m a Associa&ccedil;&atilde;o de Escolas Cat&oacute;licas. Todos juntos conseguiram fazer com que se constru&iacute;sse um conjunto de leis muito favor&aacute;veis ao ensino privado, leis essas que at&eacute; h&aacute; pouco estavam em vigor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o Estatuto do EPC come&ccedil;a a 4&ordf; hist&oacute;ria. Criam-se os Contratos de Associa&ccedil;&atilde;o, permitindo o ensino gratuito em muitos col&eacute;gios &ndash; na altura, uns 50, hoje mais de 90. A maioria destas escolas localizava-se em zonas rurais ou na periferia das cidades. Para as restantes escolas privadas criaram-se os contratos simples, t&atilde;o simples que apenas davam uns subs&iacute;dios insignificantes aos alunos com manifestas dificuldades financeiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por esta &eacute;poca &ndash; estamos na d&eacute;cada de 80 e in&iacute;cio da de 90 &#8211; como havia muitos alunos e as escolas estatais <em>n&atilde;o chegavam para as encomendas<\/em>, o Estado at&eacute; agradecia a cria&ccedil;&atilde;o de novos col&eacute;gios para suprir esta falta. E assim foram surgindo mais escolas privadas com Contratos de Associa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A 5&ordf; hist&oacute;ria j&aacute; come&ccedil;a a ser dram&aacute;tica. O Estado, mesmo sabendo que a taxa de natalidade est&aacute; a baixar, continua a construir escolas por todo o lado, sem necessidade, &agrave;s vezes junto de escolas privadas. Resultado: come&ccedil;a a dizer que j&aacute; n&atilde;o precisa tanto dos col&eacute;gios, e que tem de diminuir o n&uacute;mero de turmas em contrato. Aqui temos um Estado ingrato, come&ccedil;ando a desprezar as escolas que tanto jeito lhe deram em determinadas &eacute;pocas. Aqui temos um Estado invejoso, pois como sabe que os pais preferem em geral o ensino privado, obriga as crian&ccedil;as do 4&ordm; ano a inscreverem-se, &agrave; for&ccedil;a, nas suas escolas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A 6&ordf; hist&oacute;ria &eacute; catastr&oacute;fica se vier a ser verdadeira. O actual governo, a coberto da crise &ndash; que tudo parece justificar&hellip; -, lan&ccedil;ou o mais feroz ataque ao ensino n&atilde;o estatal dos &uacute;ltimos oitenta anos, atingindo, sobretudo, as escolas privadas com contratos de associa&ccedil;&atilde;o com o Estado, isto &eacute;, aquelas que oferecem ensino gratuito, como qualquer escola dita &ldquo;p&uacute;blica&rdquo;. Num &aacute;pice, o governo decide, sem di&aacute;logo, anular um conjunto de normativos que orientavam a ac&ccedil;&atilde;o das escolas e as suas rela&ccedil;&otilde;es com o Estado. E sem discuss&atilde;o. E para n&atilde;o parecer que quer extinguir boa parte do ensino privado &ndash; paradoxalmente aquele que tamb&eacute;m acolhe as pessoas desfavorecidas &ndash; diz que vai continuar a financiar muitas escolas, mas apresenta valores de financiamento que nem chegam para pagar aos professores! Ou seja, n&atilde;o mata, mas n&atilde;o oferece condi&ccedil;&otilde;es para viver&#8230;<\/p>\n<p>[Tudo isto executado com habilidade, no momento certo: h&aacute; a desculpa da crise; celebramos os 100 anos da Rep&uacute;blica (com tudo o que isto significa, designadamente a ma&ccedil;onaria); as 100 escolas secund&aacute;rias estatais recentemente inauguradas (e as mais 200 que est&atilde;o na fase final de requalifica&ccedil;&atilde;o) com muitas salas para receber alunos dos col&eacute;gios; a imagem que vai passando de que o Estado n&atilde;o tem de financiar escolas &ldquo;para meninos ricos&rdquo;; a opini&atilde;o p&uacute;blica que, n&atilde;o esclarecida, at&eacute; concorda com esta medida; os sindicatos mais radicais e barulhentos, que tamb&eacute;m aplaudem. N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida, a m&aacute;quina do governo funcionou na perfei&ccedil;&atilde;o.]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sempre o Estado exigiu aos privados aquilo que ele pr&oacute;prio n&atilde;o cumpria. J&aacute; est&aacute;vamos habituados. Mas agora o governo abusou: corta 11% no or&ccedil;amento das escolas estatais e para as escolas privadas contratualizadas amea&ccedil;a com cortes superiores a 30%!!! Como &eacute; poss&iacute;vel! Reparem, um aluno num col&eacute;gio com contrato de associa&ccedil;&atilde;o fica bem mais barato ao Estado do que se frequentasse uma escola estatal. Continhas feitas por mim mesmo, h&aacute; poucos anos, num trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o, ditaram o seguinte: em determinada zona, um aluno do 2&ordm;\/ 3&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico que frequentasse uma escola privada custava ao Estado metade (repito, &ldquo;metade&rdquo;) de um aluno que frequentasse a escola estatal mais barata dessa zona!!! Mas n&atilde;o me servi de dados da OCDE, nem do Minist&eacute;rio: fui &agrave;s escolas, com as devidas autoriza&ccedil;&otilde;es, e <em>vasculhei<\/em> todos os pap&eacute;is. E fiz as contas. E nem ministros, nem directores regionais, nem sindicatos as contestaram. Hoje, com menos &ldquo;redu&ccedil;&otilde;es&rdquo; nas escolas estatais, a diferen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; t&atilde;o abissal, mas continua a ser significativa. Dados quanto a mim muito <em>generosos<\/em> dizem que as escolas privadas com contrato de associa&ccedil;&atilde;o poupam anualmente ao Estado 51 milh&otilde;es de euros. Mas a totalidade do ensino privado poupa anualmente ao Estado, numa tarefa que ele tem a obriga&ccedil;&atilde;o de suportar, mais de 750 milh&otilde;es de euros!!!<\/p>\n<p>Mesmo com estas poupan&ccedil;as, h&aacute; quem ande por a&iacute; a dizer que o Estado n&atilde;o tem a obriga&ccedil;&atilde;o de financiar os col&eacute;gios, muito menos os de &ldquo;gente rica&rdquo;. Curioso, se esses meninos &ldquo;ricos&rdquo; forem para a escola estatal, quem &eacute; que paga os seus estudos? N&atilde;o ser&aacute; o mesmo Estado? E ningu&eacute;m protesta&hellip; Estranha hipocrisia! Essa gente dos gabinetes ministeriais n&atilde;o conhece os col&eacute;gios com contrato de associa&ccedil;&atilde;o, que como escola p&uacute;blica (t&atilde;o p&uacute;blica como a estatal), est&aacute; aberta a todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trinta e seis anos de democracia ainda n&atilde;o foram suficientes para se aprender que o Estado tem a obriga&ccedil;&atilde;o de garantir a educa&ccedil;&atilde;o para todos, mas n&atilde;o tem que ser somente ele (nem principalmente ele) a prestar esse servi&ccedil;o. Trinta e seis anos de um regime que tanto proclamou a liberdade ainda n&atilde;o foram suficientes para se concretizar as liberdades de aprender e de ensinar, isto &eacute;, o direito de se criarem escolas privadas com projectos educativos diferenciados, e o direito de os pais escolherem a melhor educa&ccedil;&atilde;o para os seus filhos, tal como consta do art. 26.&ordm; da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta 6&ordf; hist&oacute;ria exige muita luta. E os pais devem estar na linha da frente. N&atilde;o deixem que seja o Estado a decidir por v&oacute;s. Lutem pelos vossos direitos. N&atilde;o queremos um Estado ingrato, invejoso, desonesto, hip&oacute;crita. N&oacute;s merecemos um Estado colaborante, galvanizador da iniciativa privada e respeitador da vontade dos pais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Deixemo-nos agora de hist&oacute;rias&hellip;<\/p>\n<p>H&aacute; 6 anos, aqui em Calv&atilde;o, nasceu um movimento de pais que aglutinou professores, directores e outras boas vontades. Fomos a Lisboa. &Eacute;ramos 10 000. Meus amigos, se for necess&aacute;rio, teremos for&ccedil;a, coragem e f&eacute; e iremos novamente at&eacute; Lisboa, agora 100 000, mostrar aos governantes que &ldquo;pr&oacute; meu filho, pr&aacute; minha filha, quem decide sou eu!&rdquo;!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jorge Cotovio<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Secret&aacute;rio Geral da APEC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou contar-vos 6 hist&oacute;rias verdadeiras: &nbsp; H&aacute; muitos anos, ainda no s&eacute;culo passado, as pessoas gostavam de p&ocirc;r os filhos no liceu, mas s&oacute; havia liceus nas capitais de distrito. 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