{"id":4868,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-paixao-de-cristo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-paixao-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-paixao-de-cristo\/","title":{"rendered":"<i>A Paix\u00e3o de Cristo<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito que este filme anda a apaixonar a opini\u00e3o p\u00fablica.  <!--more--> H\u00e1 muito que este filme anda a apaixonar a opini\u00e3o p\u00fablica. As raz\u00f5es ser\u00e3o m\u00faltiplas e por vezes contradit\u00f3rias. Sabe-se, \u00e0 partida, que, rigorosamente, n\u00e3o acrescenta nenhum dado novo, hist\u00f3rico ou teol\u00f3gico, \u00e0 vida e morte de Jesus. E que n\u00e3o exprime qualquer facto fora das narrativas b\u00edblicas. Mas \u00e9 \u00f3bvio que, tratando-se de uma constru\u00e7\u00e3o f\u00edlmica, deixa de ser neutra. Esconde uma \u00f3ptica, traduz a mentalidade do autor, envolve-se na m\u00e1quina que produz cinema. Toda a narra\u00e7\u00e3o \u00e9 interpretativa. E obviamente que a linguagem cinematogr\u00e1fica \u00e9 diferente da linguagem teol\u00f3gica. Aqui se situa McLuhan ao afirmar que \u201co meio \u00e9 a mensagem\u201d. No caso, o cinema, com todo o seu aparato de produ\u00e7\u00e3o, a gram\u00e1tica descritiva que adopta, os espectadores que pretende captar, o jogo comercial e ideol\u00f3gico que o gerou. Mel Gibson tem direito ao cr\u00e9dito nas m\u00faltiplas declara\u00e7\u00f5es que tem proferido. Mas toda a sua l\u00f3gica \u00e9 urdida dentro do sistema Hollywoodesco que realiza grandes produ\u00e7\u00f5es com temas tanto sublimes como s\u00f3rdidos. Mas, como \u00e9 sabido, o filme A Paix\u00e3o de Cristo, ainda que em fasc\u00edculos, tem andado de Pilatos para Caif\u00e1s \u00e0 procura de suportes publicit\u00e1rios, tanto pela concord\u00e2ncia como pela condena\u00e7\u00e3o. Mesmo que n\u00e3o acrescente uma v\u00edrgula aos Evangelhos, pode acentuar interpreta\u00e7\u00f5es ou desenterrar velhos diferendos, nomeadamente entre cat\u00f3licos e judeus. Mas sem os condimentos da pol\u00e9mica (uma forma de publicita\u00e7\u00e3o) estaria condenado a passar desapercebido como tantos t\u00eam passado. O que inegavelmente traz \u00e9, por via do cinema, uma dramaticidade estarrecida que se mistura com a viol\u00eancia. Passada por Jesus, dir\u00e3o alguns, essa viol\u00eancia \u00e9 \u00ednfima, face \u00e0 densidade do mist\u00e9rio sofredor do Filho de Deus. Mas logo a seguir se acrescenta, como pergunta, se o filme, ao reduzir a reden\u00e7\u00e3o ao sofrimento n\u00e3o \u00e9 simplista, ou mesmo prisioneiro da corrente que coloca a paix\u00e3o de Cristo no eixo errado da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que este filme tem sido lan\u00e7ado com todos os dados cient\u00edficos do marketing. A locomotiva publicit\u00e1ria est\u00e1 a rodar com alt\u00edssima perfei\u00e7\u00e3o. A causa merece-o, dir\u00e3o alguns. E porque n\u00e3o, perguntam outros, utilizar todos os meios t\u00e9cnicos, est\u00e9ticos e financeiros para contar ao mundo, no nosso tempo, o pre\u00e7o inestim\u00e1vel com que fomos remidos? Mesmo que restem apenas perguntas, nem tudo se ter\u00e1 perdido. Deixando uma \u00faltima: e o custo dum produto deste g\u00e9nero n\u00e3o ajudaria a remir tantos da sua situa\u00e7\u00e3o de sub &#8211; humanidade? Mesmo vulgar, a quest\u00e3o tem direito a existir\u2026 Algumas objec\u00e7\u00f5es \u201cjudaicas\u201d em torno do filme podem esconder interesses que n\u00e3o se sabe bem onde come\u00e7am e onde terminam. O melhor \u00e9 tirar d\u00favidas, directamente, no Evangelho de S. Jo\u00e3o. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito que este filme anda a apaixonar a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-4868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4868\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}