{"id":48657,"date":"2010-11-30T10:56:47","date_gmt":"2010-11-30T10:56:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/30\/bento-xvi-e-a-moral-o-que-e-novo-nas-palavras-do-papa\/"},"modified":"2010-11-30T10:56:47","modified_gmt":"2010-11-30T10:56:47","slug":"bento-xvi-e-a-moral-o-que-e-novo-nas-palavras-do-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-e-a-moral-o-que-e-novo-nas-palavras-do-papa\/","title":{"rendered":"Bento XVI e a Moral. O que \u00e9 Novo nas Palavras do Papa?"},"content":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha <!--more--> <\/p>\n<p>Correram o mundo as declara&ccedil;&otilde;es de Bento XVI a respeito do uso l&iacute;cito do preservativo. Qual a raz&atilde;o porque tiveram tanto efeito? Tanto quanto sabemos, o que foi dito &eacute; que o uso de um preservativo profil&aacute;tico &ldquo;pode ser admitido em certos casos&rdquo;, uma vez que isso &ldquo;pode ser um primeiro passo na humaniza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da pessoa e da sua sexualidade. Parece pouco, mas esta afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; muito significativa. Vamos p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia o que nos parece mais importante.<\/p>\n<p>1. A Pessoa e os seus Actos<\/p>\n<p>O que, em primeiro lugar, reflectem as afirma&ccedil;&otilde;es do Papa &eacute; a necessidade de ter em conta a pessoa para avaliar os seus actos. Esta mat&eacute;ria tem sido objecto de um grande debate, no contexto da teologia moral do &uacute;ltimo meio s&eacute;culo. N&atilde;o vamos expor as coisas muito t&eacute;cnicas deste assunto, mas mostrar a sua relev&acirc;ncia para que o nosso pensamento moral seja mais adjacente &agrave; realidade do que vivemos como sujeitos respons&aacute;veis. Pode pensar-se a moral como um ju&iacute;zo sobre a bondade ou maldade dos actos humanos, tendo em conta a sua conformidade ou disformidade com a regra da raz&atilde;o humana e da lei de Deus. Colocar a quest&atilde;o desta maneira n&atilde;o &eacute; incorrecto. O seu problema &eacute; o simplismo. De facto, n&atilde;o se pode avaliar a qualidade moral dos actos de uma pessoa sem estarmos de posse de outros elementos do seu contexto de vida, das suas cren&ccedil;as, dos seus desejos, dos seus sofrimentos, da sua hist&oacute;ria. Por isso, a maioria dos te&oacute;logos morais de hoje pensa que &eacute; necess&aacute;rio, para julgar moralmente, ter em conta, al&eacute;m dos comportamentos, tamb&eacute;m a atitude da pessoa. Alguns ainda preferem chamar op&ccedil;&atilde;o fundamental a isto que chamo atitude. Claro que estas duas grandezas n&atilde;o s&atilde;o separadas na pessoa concreta. Trata-se uma distin&ccedil;&atilde;o destinada a compreender. A animosidade contra esta distin&ccedil;&atilde;o vem do eventual perigo de relativismo pois, alguns pensam que, com base na atitude boa, podem ser admitidos muitos comportamentos maus. Mais importante do que isso &eacute;, a nosso ver, a maior adjac&ecirc;ncia &agrave; realidade da pessoa e do seu viver concreto. Parece que Jesus nos ensinou uma moral que tem em conta este modo de pensar quando nos disse que o que est&aacute; &ldquo;no segredo&rdquo; e que somente Deus v&ecirc; &eacute; mais decisivo para a nossa bondade do que o que fazemos &ldquo;na pra&ccedil;a p&uacute;blica&rdquo;. Quando Bento XVI distingue entre &ldquo;a humaniza&ccedil;&atilde;o da pessoa&rdquo; e o &ldquo;uso casu&iacute;stico&rdquo; de um objecto est&aacute; a admitir esta distin&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>2. Moralidade da Atitude e do Comportamento<\/p>\n<p>A avalia&ccedil;&atilde;o moral da atitude e do comportamento necessita ser vista de forma diferenciada. Se olharmos bem, as atitudes s&atilde;o mais dif&iacute;ceis de apreender. No &iacute;ntimo apenas Deus v&ecirc;. De facto, podemos descrever, podemos aproximar-nos dos gestos de uma pessoa, mas chegar &agrave; verdade do cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Da atitude &eacute; que diz o Evangelho &ldquo;N&atilde;o julgueis, para n&atilde;o serdes julgados&hellip;&rdquo;. As atitudes mostram-se na imparcialidade da pessoa, no seu esfor&ccedil;o continuado por ser justo, ser casto, ser fiel, enfim, dos diversos &acirc;mbitos em que decorre a nossa vida. Os comportamentos, por outro lado, s&atilde;o mais acess&iacute;veis ao ju&iacute;zo, mas colocam em causa a necessidade de muitos mais utens&iacute;lios de conhecimento. Para ajuizar &acirc;mbitos como a bio&eacute;tica ou a sexualidade temos de ter ou buscar conhecimentos cient&iacute;ficos. &Eacute; que o ju&iacute;zo moral sobre os comportamentos implica a avalia&ccedil;&atilde;o de bens ou valores chamados &ldquo;n&atilde;o morais&rdquo;, como &eacute; o caso da vida f&iacute;sica, dos valores da economia, ou outros. Este ju&iacute;zo complexo pode ter de recorrer a uma avalia&ccedil;&atilde;o das consequ&ecirc;ncias previs&iacute;veis de decidir deste modo ou daquele e esta avalia&ccedil;&atilde;o tem tamb&eacute;m relevo moral. Neste &acirc;mbito, nem tudo &eacute; evidente independentemente da realidade emp&iacute;rica. Para chegar &agrave; conclus&atilde;o que chegou, foi precisamente um ju&iacute;zo deste g&eacute;nero o que fez Bento XVI. Quando ele fala de &ldquo;humaniza&ccedil;&atilde;o da pessoa&rdquo;, move-se no &acirc;mbito da atitude. Quando se trata de admitir &ldquo;em algumas circunst&acirc;ncias&rdquo; o uso do profil&aacute;tico, est&aacute; afazer um ju&iacute;zo sobre comportamentos vis&iacute;veis e concretos. E aqui est&aacute; vis&iacute;vel que os riscos, as consequ&ecirc;ncias para vida e sa&uacute;da das outros pessoas, que s&atilde;o valores n&atilde;o morais, t&ecirc;m relevo moral para ajuizar em favor da admiss&atilde;o da licitude moral.<\/p>\n<p>3. Um Gesto Corajoso<\/p>\n<p>Ao admitir o uso casu&iacute;stico do preservativo, Bento XVI d&aacute; um pequeno passo cheio de significado. N&atilde;o &eacute; de supor que o n&atilde;o tenha ponderado muito bem, que o n&atilde;o tenha sofrido, e que n&atilde;o queira fornecer uma orienta&ccedil;&atilde;o &agrave; teologia moral. Se &eacute; certo que a preocupa&ccedil;&atilde;o dos te&oacute;logos e das pessoas que desconfiam do recurso &agrave; atitude e ao ju&iacute;zo teleol&oacute;gico em mat&eacute;ria do sexto mandamento n&atilde;o deixa de ser uma preocupa&ccedil;&atilde;o de apreciar pelo seu zelo e rigor no cumprimentos a vontade divina, n&atilde;o deixa de ser verdade que Deus nosso Senhor quer salvar as pessoas pela convers&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o pela integridade da conforma&ccedil;&atilde;o com a lei. Parece n&atilde;o haver d&uacute;vida que este foi um combate de Jesus contra aquilo que os Evangelhos chamam &ldquo;farisa&iacute;smo&rdquo;. Por isso, a nosso ver, Bento XVI n&atilde;o faz um gesto a pender perigosamente para o lado dos direitos do sujeito, mas faz um gesto de pastor, como &eacute; esperado de um Papa, a consolar os errantes e a cham&aacute;-los ao bom caminho da convers&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jorge Teixeira da Cunha<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,191],"class_list":["post-48657","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48657\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}