{"id":48621,"date":"2010-11-28T16:34:21","date_gmt":"2010-11-28T16:34:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/28\/homilia-no-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-1-o-domingo-do-advento\/"},"modified":"2010-11-28T16:34:21","modified_gmt":"2010-11-28T16:34:21","slug":"homilia-no-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-1-o-domingo-do-advento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-no-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-1-o-domingo-do-advento\/","title":{"rendered":"Homilia no Cardeal-Patriarca de Lisboa no 1.\u00ba Domingo do Advento"},"content":{"rendered":"<p>Ordena\u00e7\u00f5es de Di\u00e1conos no Mosteiro dos Jer\u00f3nimos <!--more--> <\/p>\n<p><strong>&ldquo;A urg&ecirc;ncia da Esperan&ccedil;a&rdquo; <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. O tempo lit&uacute;rgico que hoje iniciamos, prepara&ccedil;&atilde;o para a Festa do Natal do Senhor, prop&otilde;e-nos a viv&ecirc;ncia e o aprofundamento da virtude teologal da esperan&ccedil;a. E o momento presente da Igreja e da nossa sociedade sugerem-nos a urg&ecirc;ncia da esperan&ccedil;a. &Eacute; urgente viver da esperan&ccedil;a. A Igreja, nas luzes e sombras do seu presente, s&oacute; se pode lan&ccedil;ar na aventura de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o se esperar que o fogo do Esp&iacute;rito a transformar&aacute; e a identificar&aacute;, cada vez mais, com o pr&oacute;prio Cristo. A nossa sociedade vai entrar num per&iacute;odo dif&iacute;cil, que todos conhecemos, que s&oacute; n&atilde;o ser&aacute; destruidor se for vivido com a grandeza da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>A esperan&ccedil;a &eacute; uma virtude teologal, porque s&oacute; o amor de Deus a pode suscitar no nosso cora&ccedil;&atilde;o, dando dimens&atilde;o nova &agrave;s esperan&ccedil;as humanas, &agrave; espont&acirc;nea capacidade humana de confiar e esperar. A esperan&ccedil;a brota da f&eacute; e alimenta-se da caridade. Brota da f&eacute; enquanto ades&atilde;o confiante a Jesus Cristo. E quando se escolhe seguir Jesus Cristo, aprendemos a n&atilde;o fundamentar a nossa confian&ccedil;a e a nossa capacidade de lutar apenas nas for&ccedil;as humanas, mas no seu amor. S&atilde;o Paulo &eacute; claro, quase violento, na instru&ccedil;&atilde;o que d&aacute; aos crist&atilde;os de Roma: &ldquo;n&atilde;o vos preocupeis com a natureza carnal (&hellip;) mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo&rdquo; (Rom. 13,14). &Eacute; esta rela&ccedil;&atilde;o forte com Jesus Cristo, que transforma a nossa vida, que &eacute; o fundamento da nossa esperan&ccedil;a. &Eacute; por isso que ela se alimenta da caridade, esse ser tocado desde j&aacute; pela voragem do amor de Deus, sem poder ainda fruir da sua plenitude. &Eacute; a&iacute; que aprendemos verdadeiramente o que &eacute; o amor, de Deus e dos irm&atilde;os. Procurar ser fiel, na nossa vida, a essa rela&ccedil;&atilde;o de amor, &eacute; aproximarmo-nos sempre mais da plenitude do amor, &eacute; sentir que a nossa salva&ccedil;&atilde;o est&aacute; mais pr&oacute;xima. &Eacute; ainda Paulo quem o afirma: &ldquo;a salva&ccedil;&atilde;o est&aacute; agora mais perto de n&oacute;s do que quando abra&ccedil;&aacute;mos a f&eacute;&rdquo; (Rom. 13,11). Quanto mais nos envolvermos com Jesus Cristo, em fidelidade de amor, mais perto estamos da salva&ccedil;&atilde;o, na viv&ecirc;ncia que dela &eacute; poss&iacute;vel neste mundo, pois a sua plenitude s&oacute; a alcan&ccedil;aremos na p&aacute;tria celeste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Quanto mais profunda for a rela&ccedil;&atilde;o de f&eacute; e amor de cada crist&atilde;o e de toda a comunidade dos crentes a Jesus Cristo, mais a Igreja vive da esperan&ccedil;a. A nova evangeliza&ccedil;&atilde;o h&aacute;-de acontecer ao ritmo da esperan&ccedil;a. A Palavra de Deus deste domingo, objectiva essa esperan&ccedil;a na constru&ccedil;&atilde;o de um mundo novo, uma sociedade mais harm&oacute;nica e pac&iacute;fica, mais justa e fraterna, que encontra na ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito de Deus e no amor generoso dos seus membros a for&ccedil;a que a constr&oacute;i e transforma, como antecipa&ccedil;&atilde;o da cidade definitiva. Isa&iacute;as anuncia a esperan&ccedil;a de Israel, Povo de Deus, por Ele conduzido: nessa cidade renovada, &ldquo;converter&atilde;o as espadas em relhas de arado e as lan&ccedil;as em foices. N&atilde;o levantar&aacute; a espada na&ccedil;&atilde;o contra na&ccedil;&atilde;o, nem mas se h&atilde;o-de preparar para a guerra. Vinde, &oacute; Casa de Israel, caminhemos &agrave; luz do Senhor&rdquo; (Is. 2,4-5).<\/p>\n<p>Essa &eacute; a miss&atilde;o dos crist&atilde;os no mundo: ter objectivos grandiosos para a edifica&ccedil;&atilde;o da nossa sociedade, trabalhar com todos os meios humanos, transformando-os continuamente, dando-lhes um sentido novo. O desafio do profeta pode traduzir-se, assim, como mensagem &agrave; Igreja de hoje: Vinde, Igreja do Senhor, caminhemos &agrave; luz de Cristo. E isso significa, tamb&eacute;m, preparar o cora&ccedil;&atilde;o para a &uacute;ltima revela&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo, para a &uacute;ltima vinda do Filho do Homem (cf. Mt. 24,37-44). Estar preparado para essa &uacute;ltima vinda, &eacute;, tamb&eacute;m, construir o mundo presente com as marcas da cidade definitiva.<\/p>\n<p>H&aacute;, na Igreja de hoje, sinais que fundamentam a nossa esperan&ccedil;a. O mais vis&iacute;vel &eacute; hoje este grupo de jovens que entregam a sua vida ao servi&ccedil;o dos irm&atilde;os, com o ardor do amor de Jesus Cristo. Na ordena&ccedil;&atilde;o diaconal, recebem a gra&ccedil;a e a for&ccedil;a de servir. E servir sempre, a todos e em todas as circunst&acirc;ncias, s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel amando, deixando-se transformar pela caridade de Jesus Cristo. Queridos ordinandos, s&oacute; sereis sinais de esperan&ccedil;a e agentes de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, se desejardes muito viver a vossa vida como um caminho de santidade.<\/p>\n<p>Mas s&atilde;o tamb&eacute;m sinais de esperan&ccedil;a todos aqueles e aquelas que desejam mergulhar profundamente no amor, que n&atilde;o fogem do mundo e das suas realidades, o trabalho, a cultura, a ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, mas procuram viv&ecirc;-las com a luz de Cristo, dando-lhe a for&ccedil;a e a fecundidade transformadora que tem a sua fonte no Esp&iacute;rito de Deus. N&atilde;o se trata de rejeitar os instrumentos pr&oacute;prios do mundo, substituindo-os por dimens&otilde;es religiosas; trata-se, isso sim, de os utilizar com um novo ardor. A Igreja s&oacute; ser&aacute; fermento da transforma&ccedil;&atilde;o do mundo, se se transformar continuamente a si mesma, pelos caminhos da santidade. &Eacute; a sua fidelidade que fundamenta a sua esperan&ccedil;a de contribuir para uma nova qualidade humana de toda a sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. No momento presente da nossa sociedade, com a austeridade anunciada pelo Or&ccedil;amento do Estado para 2011, &eacute; preciso que todos os crist&atilde;os vivam essa situa&ccedil;&atilde;o com o vigor da esperan&ccedil;a e ajudem toda a sociedade a fazer da esperan&ccedil;a a atitude de fundo na nossa reac&ccedil;&atilde;o colectiva. N&atilde;o me compete a mim, nem &eacute; este o momento, pronunciar-me sobre a justeza das solu&ccedil;&otilde;es adoptadas ou das causas que nos levaram a esta situa&ccedil;&atilde;o. Solu&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel, consideraram muitos, solu&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria, porque decidida por quem tem o dever de decidir. A escolha &eacute; agora da atitude com que enfrentamos a situa&ccedil;&atilde;o: derrotados, revoltados, ou com a dignidade e a nobreza da esperan&ccedil;a? E esta ser&aacute; imposs&iacute;vel sem a generosidade do amor e do esp&iacute;rito de servi&ccedil;o. Somos chamados a viver a austeridade exigida a cada um, como um servi&ccedil;o ao bem de todos, como um contributo pessoal para o bem-comum, que deve prevalecer sempre sobre a busca do bem pessoal de cada um. Se reagirmos na esperan&ccedil;a, muitos perceber&atilde;o que, para al&eacute;m dos sacrif&iacute;cios que lhe foram impostos pela Lei, a sua generosidade se deve alargar na partilha com aqueles a quem a situa&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;ou em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza. Que cada um esteja atento ao seu pr&oacute;ximo, isto &eacute;, ao seu vizinho, n&atilde;o hesitando em partilhar. A esperan&ccedil;a ajudar-nos-&aacute; a fazer desta circunst&acirc;ncia um grande momento de solidariedade. Ent&atilde;o contribuiremos para salvar, n&atilde;o apenas a economia, mas a verdadeira alma do Povo que queremos ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. No Advento, Maria &eacute; o &iacute;cone da esperan&ccedil;a. Ela est&aacute; de esperan&ccedil;as, e no seu cora&ccedil;&atilde;o de mulher vive a maternidade como encarna&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a. No amor do seu Filho que traz no seu seio, ela abra&ccedil;a o mundo com a for&ccedil;a do amor de Deus. &Eacute; que amar aquele Filho &eacute; mergulhar no amor de Deus e no Deus amor. Ela vive, como nenhuma outra criatura, o amor como fonte da esperan&ccedil;a. Na sua maternidade universal, envolve a humanidade nesse abra&ccedil;o do amor redentor e ensinar-nos-&aacute; que &eacute; poss&iacute;vel viver tudo na esperan&ccedil;a, mesmo os momentos mais dif&iacute;ceis da nossa vida terrena. Ela ensina-nos que a esperan&ccedil;a se fortalece na caridade.<\/p>\n<p>Mosteiro dos Jer&oacute;nimos, 28 de Novembro de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ordena\u00e7\u00f5es de Di\u00e1conos no Mosteiro dos Jer\u00f3nimos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,191,267,314],"class_list":["post-48621","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-economia","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48621"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48621\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}