{"id":48582,"date":"2010-11-26T12:21:21","date_gmt":"2010-11-26T12:21:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/26\/cristianismo-esta-em-permanente-tensao-com-as-suas-fontes\/"},"modified":"2010-11-26T12:21:21","modified_gmt":"2010-11-26T12:21:21","slug":"cristianismo-esta-em-permanente-tensao-com-as-suas-fontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristianismo-esta-em-permanente-tensao-com-as-suas-fontes\/","title":{"rendered":"Cristianismo est\u00e1 em permanente tens\u00e3o com as suas fontes"},"content":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio do imobilismo frequentemente veiculado, Igreja Cat\u00f3lica trabalha constantemente o dinamismo entre as suas ra\u00edzes e a contemporaneidade <!--more--> <\/p>\n<p>Dinamismo, abertura e tens&atilde;o criativa com as fontes: foi esta a imagem do cristianismo proposta pelo padre Domingos Terra durante a 2.&ordf; Jornada de Teologia Pr&aacute;tica, que decorre hoje na Universidade Cat&oacute;lica (UCP), em Lisboa.<\/p>\n<p>&ldquo;O fundo da identidade crist&atilde; n&atilde;o fica inc&oacute;lume&rdquo; &agrave;s interac&ccedil;&otilde;es com a diversidade cultural, nem &eacute; &ldquo;uma coisa cristalizada, que se repete mil vezes sem um m&iacute;nimo de altera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, pelo que os fi&eacute;is &ldquo;devem manter uma atitude de aprendizagem&rdquo;, afirmou o sacerdote.<\/p>\n<p>Na confer&ecirc;ncia intitulada &ldquo;O cristianismo como &lsquo;estilo&rsquo; &ndash; uma leitura de Christoph Theobald&rdquo;, o professor da Faculdade de Teologia defendeu que a identidade crist&atilde; &ldquo;tem a liberdade e os recursos para assumir dentro de si novas formas&rdquo;, pelo que &ldquo;n&atilde;o pode ser gerida de maneira defensiva&rdquo;.<\/p>\n<p>Este conceito n&atilde;o &eacute; novo, j&aacute; que &ldquo;a Igreja das origens deu espa&ccedil;o para que surgissem diversos estilos de cristianismo&rdquo;, o que implicou a consci&ecirc;ncia de exercer &ldquo;um discernimento para averiguar da verdade dessas formas&rdquo;.<\/p>\n<p>Se &eacute; verdade que a Igreja est&aacute; sempre &ldquo;em processo de g&eacute;nese permanente&rdquo;, os fi&eacute;is nunca podem &ldquo;perder a no&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; um fundamento&rdquo; e que a renova&ccedil;&atilde;o &ldquo;n&atilde;o se d&aacute; a partir do zero&rdquo;.<\/p>\n<p>As fontes da f&eacute; &ndash; B&iacute;blia e Tradi&ccedil;&atilde;o &ndash; interagem permanentemente com o &ldquo;hoje&rdquo; da Igreja, isto &eacute;, o Magist&eacute;rio, a investiga&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica e o sentido da f&eacute; dos fi&eacute;is, num &ldquo;jogo combinat&oacute;rio&rdquo; que &ldquo;permite a diversidade&rdquo;, explicou o sacerdote jesu&iacute;ta, acrescentando que na Europa se d&aacute; mais destaque &agrave;s primeiras, enquanto que no contexto americano se privilegiam as segundas.<\/p>\n<p>A interven&ccedil;&atilde;o do padre Domingos Terra centrou-se igualmente na &ldquo;diferencia&ccedil;&atilde;o interna do cristianismo&rdquo;, que oscila entre o criativo e o normativo.<\/p>\n<p>Para muitos cat&oacute;licos do mundo, o modo como os europeus tratam as quest&otilde;es normativas pertence a um estilo especificamente europeu, que pode restringir outros estilos e express&otilde;es leg&iacute;timas do cristianismo, assinalou o sacerdote.<\/p>\n<p>O docente considera que &ldquo;a figura crist&atilde; de Deus &eacute; m&uacute;ltipla&rdquo;, tendo apelado para que a Igreja se liberte de uma maneira de conceber o cristianismo dogm&aacute;tica ou &lsquo;adogm&aacute;tica&rsquo;.<\/p>\n<p>No pensamento de Christoph Theobald, o cristianismo pode sintetizar-se na express&atilde;o &ldquo;um fundo, m&uacute;ltiplas formas&rdquo;: &ldquo;A forma deve ser fruto do conte&uacute;do, mas este deve reenviar para a forma&rdquo;, referiu o padre Domingos Terra, que sugeriu &ldquo;uma esp&eacute;cie de cumplicidade&rdquo; entre os dois elementos.<\/p>\n<p>Para o sacerdote, o pendor normativo das grandes elabora&ccedil;&otilde;es doutrinais deve manter abertas as potencialidades que o Evangelho tem de se &#8220;desdobrar fielmente em m&uacute;ltiplas formas&rdquo;, evitando o perigo de &ldquo;abafar&#8221; a sua criatividade.<\/p>\n<p>A universalidade dos textos atribu&iacute;dos a Mateus, Marcos, Lucas e Jo&atilde;o passa pela singularidade de quem os ouve e pela pluralidade de mundos e &eacute;pocas em que s&atilde;o lidos, escutados e aplicados, j&aacute; que &ldquo;a Escritura &eacute; capaz de gerar crist&atilde;os de um mundo diferente do seu&rdquo;, assinalou o docente.<\/p>\n<p>Apesar da influ&ecirc;ncia da B&iacute;blia nas concep&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, sociais e morais ao longo dos s&eacute;culos, o padre Domingos Terra considera que o Evangelho &ldquo;n&atilde;o &eacute; uma cultura que rivalize contra outras&rdquo; nem &ldquo;uma pot&ecirc;ncia que esmaga as particularidades&rdquo;.<\/p>\n<p>Depois de reflectir sobre o dinamismo e a tens&atilde;o suscitadas no cristianismo devido &agrave; sua interac&ccedil;&atilde;o com filosofias e perspectivas diferentes, o investigador do Centro de Estudos de Religi&otilde;es e Culturas da UCP lan&ccedil;ou &agrave;s mais de cem pessoas presentes o desafio de pensarem no modo como a Igreja tem encarado o &ldquo;reconhecimento m&uacute;tuo&rdquo; dos seus espa&ccedil;os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio do imobilismo frequentemente veiculado, Igreja Cat\u00f3lica trabalha constantemente o dinamismo entre as suas ra\u00edzes e a 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