{"id":4857,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/igreja-catolica-em-mocambique-apresenta-os-casos-que-denunciou-ao-presidente-chissano\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"igreja-catolica-em-mocambique-apresenta-os-casos-que-denunciou-ao-presidente-chissano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-catolica-em-mocambique-apresenta-os-casos-que-denunciou-ao-presidente-chissano\/","title":{"rendered":"Igreja Cat\u00f3lica em Mo\u00e7ambique apresenta os casos que denunciou ao presidente Chissano"},"content":{"rendered":"<p>Uma den\u00fancia assinada pelo Arcebispo de Nampula, D. Tom\u00e9 Makhweliha, e outros membros da Igreja local, divulgava h\u00e1 mais de 6 meses v\u00e1rios acontecimentos estranhos e preocupantes ocorridos na cidade de Nampula. As autoridades demoraram a intervir <!--more--> Extracto com os casos denunciados na carta do dia 13 de setembro de 2003, assinada pelo arcebispo de Nampula, D. Tom\u00e9 Makhweliha, pelo reitor do semin\u00e1rio inter-diocesano, Pe. Carlos Alberto Gaspar Pereira, pela leiga consagrada da arquidiocese de S\u00e3o Paulo, Maria Elilda dos Santos e pela superiora do mosteiro Mater Dei, Ir. Maria C\u00e1rmen Calvo Ari\u00f1o (Ir. Juliana).  1\u00ba Caso (Outubro 2002): Este caso tem a ver com o desaparecimento (a 12 de Outubro 2002) e posterior morte de uma jovem, de nome Sarima Iburamo, de doze anos de idade estudante da 1\u00aa classe na escola Colamo, residente no bairro Motomote na cidade de Nampula. Filha de Waziza Francisco. Nesse dia, pelas 15 horas da tarde, juntamente com uma amiga, esta jovem dirigia-se para o centro da cidade de Nampula para tentar vender algumas bananas no mercado. Depois de atravessarem a via-f\u00e9rrea, que separa a \u00e1rea do posto administrativo de Namicopo, da cidade de Nampula, junto da padaria Nampula, dois rapazes (jovens) acercaram-se delas dizendo que queriam comprar todas as bananas. Perante a possibilidade da venda da totalidade do produto, as duas jovens separaram-se, a v\u00edtima acompanhou os jovens que pretendiam comprar as bananas, enquanto a sua amiga regressou a casa. A jovem Sarima nunca chegou a casa. Durante essa noite, a fam\u00edlia procurou a jovem, sem nunca a encontrar. No dia seguinte, as pessoas residentes no bairro, comunicaram \u00e0 fam\u00edlia o aparecimento de um cad\u00e1ver no bairro de Namicopo; a fam\u00edlia foi ver e reconheceu-o como sendo o da sua filha desaparecida. Depois do aparecimento do corpo, a fam\u00edlia participou a ocorr\u00eancia \u00e0 pol\u00edcia. Este caso deu entrada na 3\u00aa Esquadra da PRM, situada em Namicopo, com o n\u00ba do processo 1630\/02, 3\u00aa brigada, sendo atribu\u00eddo ao Agente Cabral, da 1\u00aa sec\u00e7\u00e3o. Este cad\u00e1ver apresentava a particularidade de lhe terem sido removidos todos os \u00f3rg\u00e3os internos (cora\u00e7\u00e3o, pulm\u00f5es, rins, etc.) e os olhos. Depois de a fam\u00edlia ter reconhecido o cad\u00e1ver como sendo o da sua filha desaparecida, a pol\u00edcia entregou o corpo a fam\u00edlia e mandou-a embora, n\u00e3o dando sinais de se interessarem mais por este caso. Alguns dias depois, um agente da 3\u00aa Esquadra da PRM da cidade de Nampula, apresentou-se na casa dos familiares da v\u00edtima pedindo dinheiro para dar seguimento ao caso. A fam\u00edlia recusou-se a dar dinheiro para que a pol\u00edcia fizesse o seu dever de investigar a morte e os factos estranhos (remo\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3o internos e olhos), relacionados com essa ocorr\u00eancia. O corpo foi sepultado em Namialo, terra natal da m\u00e3e da v\u00edtima. Depois deste epis\u00f3dio, a pol\u00edcia nunca mais entrou em contacto com a fam\u00edlia, nem a fam\u00edlia soube mais nada, acerca da investiga\u00e7\u00e3o feita por esta e quais as conclus\u00f5es a que chegaram.  2\u00ba Caso (Fevereiro \/ Mar\u00e7o 2003): Este caso tem a ver com o aparecimento (no per\u00edodo de Fevereiro\/Mar\u00e7o, do corrente ano) de um cad\u00e1ver nos terrenos lim\u00edtrofes do Aeroporto de Nampula. Quando esta ocorr\u00eancia foi participada \u00e0 pol\u00edcia e \u00e0s autoridades competentes, compareceu no local o chefe do posto administrativo de Namicopo, o qual mandou que o cad\u00e1ver fosse enterrado imediatamente, sem se procederem a quaisquer investiga\u00e7\u00f5es que pudesse identificar a v\u00edtima e\/ou, as causas da sua morte. Esta atitude torna-se ainda mais estranha, se considerarmos que tamb\u00e9m a este cad\u00e1ver faltavam os \u00f3rg\u00e3os internos, os olhos, e que a caixa craniana tinha sido aberta, para ser removido o c\u00e9rebro. Estes ind\u00edcios apontavam para uma morte -violenta, e que deveria ser investigada, o que, por ordem do chefe do posto administrativo de Namicopo, n\u00e3o aconteceu, acto que achamos bastante estranho e suspeito.  3\u00b0 Caso (Fevereiro \/ Mar\u00e7o 2003): Esta ocorr\u00eancia deu-se tamb\u00e9m no per\u00edodo de Fevereiro\/Mar\u00e7o do corrente ano. A popula\u00e7\u00e3o de uma pequena aldeia nos arredores do Aeroporto, passando por um caminho para se dirigirem as suas \u201cmachambas\u201d, sentiram durante dois dias, fortes cheiros nauseabundos, pensando que se tratava de algum animal morto que come\u00e7ava a apodrecer. No terceiro dia, ao passarem pelo local, viram os c\u00e3es que levavam na boca ossos que pareciam humanos. Perante tal facto, decidiram entrar um pouco no mato e procurar o que na realidade provocava o cheiro nauseabundo que sentiam e, verificar se realmente os ossos pertenciam a uma pessoa. Um pouco mais para dentro, descobriram um cad\u00e1ver humano que puderam identificar como sendo de uma mulher, pela cabe\u00e7a que ainda se encontrava no local. Decidiram enterrar o corpo no local (colocando uma cruz na sepultura, pois n\u00e3o sabiam se era crist\u00e3 ou mu\u00e7ulmana), pois as autoridades, uma vez mais, n\u00e3o mostraram interesse em seguir o assunto. Presume-se que a v\u00edtima n\u00e3o era do local, pois, perguntando junto dos moradores dessa zona, n\u00e3o constava ningu\u00e9m desaparecido nesse momento.  4\u00ba Caso (Junho \/ Julho 2003): Aqui, apresentamos uma descoberta da popula\u00e7\u00e3o local. Foram descobertos pela popula\u00e7\u00e3o dois locais que mostravam claros ind\u00edcios de a\u00ed terem sido praticados actos de extrema viol\u00eancia (sinais de muito sangue no ch\u00e3o, restos de roupas e pertences pessoais). Num destes locais encontrava-se uma pasta escolar, livros escolares, l\u00e1pis e canetas, cal\u00e7as e roupa \u00edntima feminina. Isto leva a crer que se tratava de uma jovem estudante que ali foi morta (a quantidade de sangue que \u201cinundava\u201d o local, leva-nos a supor que foi morta, embora n\u00e3o tenha sido encontrado a\u00ed nenhum cad\u00e1ver. Pois ningu\u00e9m consegue perder tal quantidade de sangue e sobreviver). Algum tempo depois de a\u00ed termos passado, e filmado o local, algu\u00e9m mandou capinar e cavar o referido local, mostrando interesse em fazer desaparecer poss\u00edveis ind\u00edcios que ainda ali se encontrassem, e que pudessem esclarecer e clarificar o que realmente acontecera. No segundo local, os mesmos ind\u00edcios (muito sangue, roupas pessoais, local pisado, etc.), e aqui os vizinhos ouviram gritos de dor e de agonia (isto aconteceu por volta da meia noite); quando tentou sair de casa para ver o que se passava, a pessoa foi impedida pela presen\u00e7a de c\u00e3es ferozes que n\u00e3o a deixaram sair de casa. No dia seguinte, dirigiu-se ao local de onde provinham os gritos, e encontrou os ind\u00edcios acima descritos.  5\u00b0 Caso (Julho 2003): Trata-se do caso da tentativa de venda da crian\u00e7a de nove anos, Felix M\u00e1rio, que deu origem \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es e suspeitas.  6\u00ba. Caso (Julho 2003): Esta situa\u00e7\u00e3o ocorre com os trabalhadores de nacionalidade mo\u00e7ambicana, envolvidos no acontecimento relatado no caso anterior (do jovem que se apresentou numa casa particular, para vender uma crian\u00e7a pela import\u00e2ncia de 80.000.000,00 de meticais). Depois destes trabalhadores terem conduzido o jovem e a v\u00edtima ao mosteiro Mater Dei, onde funciona um destacamento de pol\u00edcia para a protec\u00e7\u00e3o do referido mosteiro, a fim de denunciarem a ocorr\u00eancia, estes foram despedidos. Num primeiro momento, estes trabalhadores, que conheciam as irm\u00e3s, mostraram-se dispostos a narrar com maiores detalhes esta e outras situa\u00e7\u00f5es estranhas por eles presenciadas; contudo, quando mais tarde foram novamente contactados pelas irm\u00e3s do mosteiro, recusaram essa colabora\u00e7\u00e3o, e deram a entender que foram ou amea\u00e7ados, ou o seu sil\u00eancio foi comprado. Por quem? N\u00e3o podemos dizer, de forma absoluta, mas tudo indica que ser\u00e1 o pr\u00f3prio interessado neste caso, ou seja, o dono da propriedade particular confinante com o Mosteiro Mater Dei.  7\u00ba Caso (Agosto 2003): No dia 14 de Agosto de 2003, foi encontrada uma menina de cerca de 12 anos, tamb\u00e9m nas cercanias das instala\u00e7\u00f5es da referida propriedade privada. Essa menina foi recolhida por um dos irm\u00e3os residentes no mosteiro e levada ao mosteiro. A crian\u00e7a chorava e s\u00f3 sabia dizer que era do distrito de Moma e que tinha sido trazida \u00e0 for\u00e7a para ali, por um homem num carro branco. Este, como ela se debatia e algumas pessoas passavam pela estrada, decidiu abrir as portas do carro e abandonar a menina na estrada. A menina foi acompanhada at\u00e9 junto da sua fam\u00edlia em Moma pelas irm\u00e3s do mosteiro e membros da Liga dos Direitos Humanos, da Sec\u00e7\u00e3o de Nampula. Quando este caso foi apresentado na PIC, a pol\u00edcia mostrou interesse em aprofund\u00e1-lo e prosseguir as investiga\u00e7\u00f5es. Contudo, quando no dia seguinte as irm\u00e3s foram falar com o Director da PIC da cidade de Nampula, para saber em  que ponto estavam as investiga\u00e7\u00f5es, a sua atitude foi completamente oposta \u00e0 do dia anterior. Em vez de demonstrar interesse em continuar a investiga\u00e7\u00e3o sobre o caso, deu a entender que era coisa sem import\u00e2ncia, e mostrava um certo temor em prosseguir com a mesma. Ser\u00e1 que esta mudan\u00e7a de atitudes se deve a press\u00f5es superiores? Colocamos esta possibilidade,  porque por diversas vezes, o comandante provincial da PRM de Nampula, foi visto em casa do dono da referida propriedade suspeita, em alegre conv\u00edvio e numa atitude que demonstra certa camaradagem e intimidade. Ser\u00e1 que tamb\u00e9m ele est\u00e1 de certa forma envolvido nestas situa\u00e7\u00f5es e,  por isso, n\u00e3o quer que os casos sejam investigados (sendo o comandante provincial, estaria na melhor posi\u00e7\u00e3o para bloquear as investiga\u00e7\u00f5es)?  8\u00b0 Caso (Setembro 2003): No passado dia 4 de Setembro de 2003, o cidad\u00e3o M\u00e1rio Cintura, residente no bairro Mutava-Rex, foi aprisionado quando se encontrava dentro de uma propriedade particular (a mesma referida anteriormente) para recolher lenha. Esta propriedade, supostamente, pertence ao dono da empresa ItServices Factura (dizemos supostamente, porque dentro dessa propriedade se encontra um pequeno n\u00facleo habitacional\/povoa\u00e7\u00e3o, e essa quest\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 esclarecida na justi\u00e7a). Aqueles que o aprisionaram, espancaram-no brutalmente, provocando-lhe v\u00e1rias les\u00f5es internas e externas, e algumas hemorragias internas. Esta situa\u00e7\u00e3o foi suficiente para p\u00f4r em perigo a sua pr\u00f3pria vida. Perante a interven\u00e7\u00e3o de um dos trabalhadores dessa propriedade, que conhecia a v\u00edtima e dizia ser seu familiar, os outros acederam a libert\u00e1-lo e a deixarem-no ir embora. A v\u00edtima ficou durante tr\u00eas dias no Hospital Central de Nampula, para tratamento m\u00e9dico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma den\u00fancia assinada pelo Arcebispo de Nampula, D. Tom\u00e9 Makhweliha, e outros membros da Igreja local, divulgava h\u00e1 mais de 6 meses v\u00e1rios acontecimentos estranhos e preocupantes ocorridos na cidade de Nampula. 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