{"id":48553,"date":"2010-11-25T11:48:49","date_gmt":"2010-11-25T11:48:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/25\/estar-vivo\/"},"modified":"2010-11-25T11:48:49","modified_gmt":"2010-11-25T11:48:49","slug":"estar-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estar-vivo\/","title":{"rendered":"Estar vivo"},"content":{"rendered":"<p>Walter Osswald <!--more--> <\/p>\n<p>Tenho um amigo que j&aacute; passou h&aacute; muito a barreira da idade a que se convencionou chamar &ldquo;a terceira&rdquo; e que sempre me responde, quando lhe pergunto como est&aacute;, &ldquo;Estou vivo&rdquo;. Este facto, evidente e por isso n&atilde;o merecedor de ser posto em destaque, &eacute;, para ele (e para os seus amigos) motivo de j&uacute;bilo; &eacute; com muita alegria que afirma &ldquo;Estou vivo!&rdquo;.<\/p>\n<p>Vem isto a prop&oacute;sito de um banal conhecimento, ou seja, o de que a vida &eacute; o valor mais alto que existe, por ser o primeiro e a condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para a exist&ecirc;ncia dos outros valores. De facto, a felicidade, a dignidade, a liberdade, a verdade, a coragem, a justi&ccedil;a e tantos outros valores universalmente reconhecidos como fontes de uma vida moral &ndash; n&atilde;o poderiam existir se n&atilde;o servissem de luz e farol a quem est&aacute; vivo. A vida &eacute;, reconhecidamente, o primeiro e o mais importante valor e bem. Poucas verdades ter&atilde;o t&atilde;o ampla, e universal concord&acirc;ncia: todos aceitamos esta evid&ecirc;ncia e quer o ordenamento pol&iacute;tico das na&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s das respectivas Constitui&ccedil;&otilde;es, quer as inst&acirc;ncias supranacionais (tais como as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a Uni&atilde;o Europeia e o Conselho da Europa) reconhecem expressamente o valor &uacute;nico da vida, ao preceituarem o direito &agrave; vida (como lapidarmente afirma a Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa, no artigo 25, &ldquo;a vida humana &eacute; inviol&aacute;vel&rdquo;).<\/p>\n<p>Infelizmente, e contra toda a l&oacute;gica, esta formid&aacute;vel fortaleza da protec&ccedil;&atilde;o e do respeito pela vida humana, abriu fendas consider&aacute;veis nos &uacute;ltimos anos. Em Portugal, como em outros pa&iacute;ses, a lei autorizou o abortamento em determinadas e restritivas condi&ccedil;&otilde;es, assistindo-se ao estranho malabarismo jur&iacute;dico &ndash; intelectual de um Tribunal Constitucional chegar &agrave; conclus&atilde;o (por maioria de um voto) de que a legaliza&ccedil;&atilde;o do abortamento n&atilde;o ofendia a norma constitucional. A teoria do plano inclinado, segundo a qual o que se permite excepcionalmente rapidamente se torna usual, aplica-se claramente ao abortamento: inicialmente tolerado em situa&ccedil;&otilde;es especiais, tornou-se acess&iacute;vel a qualquer mulher nas primeiras dez semanas (e j&aacute; h&aacute; quem clame por um alongamento deste per&iacute;odo) e viu alargados os prazos nas chamadas indica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>No outro extremo da vida humana, na velhice, h&aacute; sinais que levam a admitir como prov&aacute;vel a proposta de leis que legalizem a eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido (que para j&aacute; apenas s&atilde;o tolerados em 2 pa&iacute;ses e 1 estado americano). O testamento vital, j&aacute; em discuss&atilde;o na Assembleia da Rep&uacute;blica, pode ser o cavalo de Tr&oacute;ia que permita a disfar&ccedil;ada introdu&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia por omiss&atilde;o na nossa realidade nacional.<\/p>\n<p>Assim, a vida, supremo valor, como tal reconhecida por todos, come&ccedil;a a ser ofendida, desprestigiada, negada. &Eacute; indispens&aacute;vel, &eacute; necess&aacute;rio que todas as pessoas de boa vontade examinem estes problemas e se proclamem defensoras da vida, independentemente das suas convic&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ou da presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia de um credo religioso. S&oacute; assim podemos garantir a vida, a sa&uacute;de, a dignidade, o bem das nossas crian&ccedil;as e dos nossos velhos. Para que possamos afirmar, em plena alegria, que estamos vivos.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Walter Osswald, Professor catedr&aacute;tico aposentado (da Faculdade de Medicina do Porto)<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Conselheiro do Instituto de Bio&eacute;tica da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walter Osswald<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[187,203],"class_list":["post-48553","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-porto","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48553\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}