{"id":48552,"date":"2010-11-25T11:43:52","date_gmt":"2010-11-25T11:43:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/25\/vidas-com-dignidade\/"},"modified":"2010-11-25T11:43:52","modified_gmt":"2010-11-25T11:43:52","slug":"vidas-com-dignidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vidas-com-dignidade\/","title":{"rendered":"Vidas com dignidade"},"content":{"rendered":"<p>Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, Diocese de Aveiro <!--more--> <\/p>\n<p>A dignidade de uma vida humana depende da qualidade da vida; se n&atilde;o damos qualidade &agrave; vida, n&atilde;o vale pena imaginar que essa vida tenha dignidade; e, qualidade, tem de passar, necessariamente, pela satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades ditas prim&aacute;rias, aquelas que s&atilde;o tidas como essenciais para se viver, respirando condi&ccedil;&otilde;es de salubridade e de sociabilidade.<\/p>\n<p>Andamos por a&iacute; a dizer que toda a gente tem direito a uma vida cada vez mais longa, e cada vez mais rodeada de cuidados. Escrevem-se cat&aacute;logos de direitos e assinam-se tratados multilaterais que comprometam pessoas, grupos e comunidades.<\/p>\n<p>N&atilde;o deveria ser necess&aacute;rio legislar sobre coisas essenciais, sobretudo quando elas s&atilde;o claramente de respeito pela vida humana e a sua dignidade. Mas, como somos fr&aacute;geis e corremos riscos de esquecer at&eacute; mesmo o fundamental, precisamos das ajudas de leis e tratados&hellip;<\/p>\n<p>Quais s&atilde;o as vidas que &ldquo;merecem&rdquo; ser tidas por dignas, e de pleno direito? Todos dir&iacute;amos que &hellip;<strong>todas<\/strong>, e em todos os momentos e circunst&acirc;ncias do seu existir.<\/p>\n<p>Sabemos que nem sempre &eacute; assim.<\/p>\n<p>Muitos, para poderem manipular ideologias a seu gosto, agastam-se com discuss&otilde;es sobre vidas de semanas ou de doen&ccedil;as prolongadas sem fim &agrave; vista. Outros entendem &ndash; n&atilde;o entre n&oacute;s &#8211; que uma pessoa inc&oacute;moda, porque cometeu um crime horr&iacute;vel, deve ser tratada com desprezo e at&eacute; eliminada, com condena&ccedil;&otilde;es a penas de morte, bem mais horr&iacute;veis do que os poss&iacute;veis crimes cometidos. Uma vida humana &eacute; sempre uma vida, seja ela entregue a um s&aacute;bio, seja dada a um indigente de todas as pobrezas, limita&ccedil;&otilde;es ou fracassos.<\/p>\n<p>Moram na nossa cidade e ao nosso lado pessoas que nunca encontraram rumos de vida, pautados por crit&eacute;rios ditos &ldquo;normais&rdquo;; algumas roubam, cometem adult&eacute;rio, provocam desordens, n&atilde;o alimentam h&aacute;bitos de higiene, s&atilde;o inc&oacute;modas em toda a parte, ferem direitos essenciais, passam por cima de todos para crescer&hellip; e por a&iacute; fora!<\/p>\n<p>Onde est&atilde;o os perfeitos, que possam dizer: &ldquo;eu mere&ccedil;o viver&hellip;mas tu e o outro, n&atilde;o?&rdquo;. Quem tem pedras para atirar, sem que elas lhe caiam no telhado pr&oacute;prio?<\/p>\n<p>Conhe&ccedil;o pessoas na Pris&atilde;o e na Rua. Algumas parecendo ter perdido tudo, desde o emprego, a sa&uacute;de, a fam&iacute;lia, os amigos e at&eacute; o nome. E h&aacute; quem seja tentado a perguntar se tamb&eacute;m esta gente &ldquo;merece&rdquo; viver, e se a sociedade ainda tem tempo e dinheiro a perder com pessoas que nada fazem de &uacute;til, para si ou para os outros&hellip; &#8211; Mas n&atilde;o somos todos PESSOAS? Ser&aacute; ainda preciso dizer que &eacute; poss&iacute;vel condenar o pecado, mas salvar o pecador?<\/p>\n<p>As sociedades, ditas evolu&iacute;das, n&atilde;o querem perder nem gastar nada com quem n&atilde;o avan&ccedil;a ao ritmo da produ&ccedil;&atilde;o e da rentabilidade, esperadas e programadas, ao pormenor, por peritos e s&aacute;bios da economia e da finan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Somos convidados a &ldquo;ver com o cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;; com ele v&ecirc;-se melhor, mais profundamente e mais ao largo; os olhos t&ecirc;m raios de vis&atilde;o curtos e muito est&aacute;ticos; o cora&ccedil;&atilde;o &#8211; porque ama &#8211; confia, recria a pessoa e as personalidades, atira para dinamismos de incalcul&aacute;vel dist&acirc;ncia, e reanima esperan&ccedil;as perdidas ou nunca tidas nem vistas. Este mundo, t&atilde;o belo e rico, mas &agrave;s vezes de t&atilde;o curta-metragem para quem se fecha no seu pequeno e ego&iacute;sta c&iacute;rculo de vida, precisa de reavaliar o que &eacute; uma vida humana, mesmo a daqueles que parecem ser apenas um estorvo e um inc&oacute;modo para os sedent&aacute;rios da poltrona e do comodismo. Acredito na pessoa humana, e acredito que todos podem converter-se, mudar, refazer vidas, restaurar-se interiormente e voltar a sonhar e a olhar para horizontes mais alargados, sem ser preciso destruir ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>&Eacute; urgente criar condi&ccedil;&otilde;es para reclassificar valores, de modo a vermos toda a gente como Pessoa, darmos calor a quem h&aacute; muito congelou sentimentos e futuros, e percebermos que uma vida com qualidade passa sempre por uma vida com dignidade.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Padre Jo&atilde;o Gon&ccedil;alves, Diocese de &nbsp;Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[170,191],"class_list":["post-48552","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-de-aveiro","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48552","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48552"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48552\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}