{"id":48502,"date":"2013-06-27T10:34:00","date_gmt":"2013-06-27T10:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/06\/27\/igreja-sindicatos-e-direito-a-greve\/"},"modified":"2013-06-27T10:34:00","modified_gmt":"2013-06-27T10:34:00","slug":"igreja-sindicatos-e-direito-a-greve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-sindicatos-e-direito-a-greve\/","title":{"rendered":"Igreja, sindicatos e direito \u00e0 greve"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 27 jun 2013 (Ecclesia) &ndash; A Doutrina Social cat&oacute;lica reconhece a legitimidade da greve quando se apresenta como &ldquo;recurso inevit&aacute;vel, sen&atilde;o mesmo necess&aacute;rio&rdquo;, tendo em vista um &ldquo;benef&iacute;cio proporcionado&rdquo;, como se pode ler no <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/p3s2cap2_2196-2557_po.html\" target=\"_blank\">Catecismo da Igreja<\/a>.<\/p>\n<p>Portugal vive hoje uma greve geral, convocada pelas duas centrais sindicais e apoiada, entre outros, pela Liga Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica\/Movimento de Trabalhadores Crist&atilde;os e a Juventude Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>Segundo o <a href=\"http:\/\/www.ecclesia.pt\/cdsi\/\" target=\"_blank\">Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja<\/a>, &ldquo;a greve, uma das conquistas mais penosas do associativismo sindical, pode ser definida como a recusa coletiva e concertada, por parte dos trabalhadores, de prestarem o seu trabalho, com o objetivo de obter, por meio da press&atilde;o assim exercida sobre os empregadores, sobre o Estado e sobre a opini&atilde;o p&uacute;blica, melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e da sua situa&ccedil;&atilde;o social&rdquo;.<\/p>\n<p>A greve deve ser sempre um m&eacute;todo pac&iacute;fico de reivindica&ccedil;&atilde;o e de luta pelos pr&oacute;prios direitos e torna-se &ldquo;moralmente inaceit&aacute;vel quando acompanhada de viol&ecirc;ncias, ou com objetivos n&atilde;o diretamente ligados &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho ou contr&aacute;rios ao bem comum&rdquo; indica ainda o referido Comp&ecirc;ndio.<\/p>\n<p>A carta apost&oacute;lica &lsquo;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/apost_letters\/documents\/hf_p-vi_apl_19710514_octogesima-adveniens_po.html\" target=\"_blank\">Octogesima Adveniens<\/a>&rsquo;, escrita em 1971 pelo Papa Paulo VI, ressalva que, no caso dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos &ldquo;necess&aacute;rios para a vida quotidiana de toda uma comunidade, dever-se-&aacute; saber determinar os limites, para al&eacute;m dos quais o preju&iacute;zo causado se torna inadmiss&iacute;vel&rdquo;.<\/p>\n<p>A &lsquo;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\" target=\"_blank\">Gaudium et Spes<\/a>&rsquo;, constitui&ccedil;&atilde;o pastoral aprovada durante o Conc&iacute;lio Vaticano II (1962-1965), declara no n.&ordm; 68 que os parceiros sociais envolvidos numa paralisa&ccedil;&atilde;o devem &ldquo;retomar o mais depressa poss&iacute;vel o caminho da negocia&ccedil;&atilde;o e do di&aacute;logo da concilia&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II, na sua enc&iacute;clica sobre o trabalho, indicava que os sindicatos &ldquo;cresceram a partir da luta dos trabalhadores, do mundo do trabalho e, sobretudo, dos trabalhadores da ind&uacute;stria, esfor&ccedil;ando-se pela defesa dos seus justos direitos, em confronto com os empres&aacute;rios e os propriet&aacute;rios dos meios de produ&ccedil;&atilde;o&rdquo; (&lsquo;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0068\/_INDEX.HTM\" target=\"_blank\">Laborem Exercens&rsquo;<\/a>, 20).<\/p>\n<p>Para a Igreja Cat&oacute;lica, as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais, &ldquo;perseguindo o seu fim espec&iacute;fico ao servi&ccedil;o do bem comum, s&atilde;o um fator construtivo de ordem social e de solidariedade e, portanto, um elemento indispens&aacute;vel da vida social&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;O reconhecimento dos direitos do trabalho constitui desde sempre um problema de dif&iacute;cil solu&ccedil;&atilde;o, porque se atua no interior de processos hist&oacute;ricos e institucionais complexos, e ainda hoje pode considerar-se incompleto. Isto torna mais que nunca atual e necess&aacute;rio o exerc&iacute;cio de uma aut&ecirc;ntica solidariedade entre os trabalhadores&rdquo;, assinala o Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social.<\/p>\n<p>&Agrave; luz desta conce&ccedil;&atilde;o, a doutrina social &ldquo;n&atilde;o pensa que os sindicatos sejam somente o reflexo de uma estrutura &lsquo;de classe&rsquo; da sociedade, como n&atilde;o pensa que sejam o expoente de uma luta de classe, que inevitavelmente governe a vida social&rdquo; (&lsquo;Laborem Exercens&rsquo;, 20).<\/p>\n<p>O Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social, no seu n&uacute;mero 308, refere, por outro lado, que &ldquo;os sindicatos s&atilde;o chamados a atuar de novas formas, ampliando o raio da pr&oacute;pria a&ccedil;&atilde;o de solidariedade&rdquo;.<\/p>\n<p><em>OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 27 jun 2013 (Ecclesia) &ndash; A Doutrina Social cat&oacute;lica reconhece a legitimidade da greve quando se apresenta como &ldquo;recurso inevit&aacute;vel, sen&atilde;o mesmo necess&aacute;rio&rdquo;, tendo em vista um &ldquo;benef&iacute;cio proporcionado&rdquo;, como se pode ler no Catecismo da Igreja. 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