{"id":48443,"date":"2010-11-22T10:50:42","date_gmt":"2010-11-22T10:50:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/22\/homilia-do-bispo-de-lamego-do-dia-da-igreja-diocesana\/"},"modified":"2010-11-22T10:50:42","modified_gmt":"2010-11-22T10:50:42","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-do-dia-da-igreja-diocesana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-do-dia-da-igreja-diocesana\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Lamego do dia da Igreja diocesana"},"content":{"rendered":"<p>Encontramo-nos como comunidade de baptizados a celebrar a <strong>Solenidade de<\/strong> <strong>Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo<\/strong>. Poderemos afirmar que a Liturgia que estamos a viver aqui e agora dever&aacute; ser a express&atilde;o do bel&iacute;ssimo hino cristol&oacute;gico da Carta aos colossenses, ouvido na segunda leitura, admir&aacute;vel s&iacute;ntese dogm&aacute;tica da doutrina sobre o Verbo Incarnado, <em>imagem de Deus invis&iacute;vel, Primog&eacute;nito de toda a criatura, Cabe&ccedil;a da Igreja que &eacute; o Seu Corpo, por quem foram reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz pelo sangue da Sua Cruz, com todas as criaturas a terra e nos c&eacute;us.<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; o &uacute;ltimo Domingo do ano lit&uacute;rgico, em que a Palavra de Deus nos convida a reflectir sobre a realeza de Jesus, a procurar sobretudo compreend&ecirc;-la devidamente, sem a confundir com os paradigmas da realeza terrena, onde predomina o dom&iacute;nio e a autoridade. O reino de Jesus, como Ele o afirma, n&atilde;o &eacute; deste mundo, e a sua express&atilde;o &eacute; amor, servi&ccedil;o, dom de si mesmo, compreens&atilde;o, toler&acirc;ncia e perd&atilde;o. &Eacute; um reino de Justi&ccedil;a, de verdade e de paz. Esta paz, com tanto af&atilde; procurada nas cimeiras internacionais, como a da Nato em Lisboa, e com cujos resultados todos nos congratulamos, s&oacute; pode ser conseguida se derivar dos outros dois princ&iacute;pios que caracterizam o reino: a justi&ccedil;a e a verdade. O pr&oacute;prio reino de David a que a primeira leitura se refere, figura do reino messi&acirc;nico, e que &eacute; apresentado como um reino exemplar de prosperidade, paz e felicidade, n&atilde;o esteve isento da realidade da intriga e luta pelo poder, da viol&ecirc;ncia, da corrup&ccedil;&atilde;o e da injusti&ccedil;a. O trono do Senhor &eacute; a Cruz levantada no alto do Calv&aacute;rio, t&atilde;o expressivamente sublinhado e decorado com o di&aacute;logo entre os tr&ecirc;s condenados que o evangelho referiu h&aacute; momentos e que revela eloquentemente o esp&iacute;rito que preside a esta soberania: a magnanimidade do perd&atilde;o oferecido ao bom ladr&atilde;o que se apercebe pela f&eacute; da realeza divina de Jesus, em contraste com a sua mis&eacute;ria e a sua culpa, perd&atilde;o oferecido a quem quer que seja, nas mesmas circunst&acirc;ncias, sem exclus&atilde;o de ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>Como membros deste reino, e disc&iacute;pulos deste Rei, a nossa cidadania crist&atilde; tem de traduzir-se em gestos de coer&ecirc;ncia que t&ecirc;m como modelo o Lava-p&eacute;s de Jesus antes da &uacute;ltima Ceia. <em>Compreendeis o que vos fiz? Chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem porque o sou. Se eu, que sou o Senhor e o Mestre, vos lavei os p&eacute;s, tamb&eacute;m v&oacute;s os deveis lavar uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu fiz, fa&ccedil;ais v&oacute;s tamb&eacute;m. <\/em>Actual&iacute;ssimo e oportun&iacute;ssimo programa, na situa&ccedil;&atilde;o concreta de crise e de pobreza que j&aacute; experimentamos.<\/p>\n<p>A este prop&oacute;sito, chamo a vossa aten&ccedil;&atilde;o para a opera&ccedil;&atilde;o <em>10 milh&otilde;es de estrelas &ndash; um gesto de paz<\/em>, que na nossa Diocese os servi&ccedil;os da Caritas v&ecirc;m realizando de h&aacute; anos para c&aacute;. No presente ano ter&aacute; igualmente lugar, destinando-se o rendimento monet&aacute;rio &agrave; Institui&ccedil;&atilde;o que a n&iacute;vel nacional vai ser beneficiada, uma escola de S. Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe; mas tamb&eacute;m ao lan&ccedil;amento e cria&ccedil;&atilde;o dum <em>Fundo Solid&aacute;rio Diocesano <\/em>que possa responder aos pedidos que chegam &agrave; Caritas, cada vez mais urgentes e frequentes. Recomendo com o todo o empenho esta iniciativa que, estou convencido, n&atilde;o deixar&aacute; indiferente nenhuma das nossas par&oacute;quias.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, na Diocese de Lamego, o Domingo de Cristo-Rei, o imediato a seguir ao anivers&aacute;rio da Dedica&ccedil;&atilde;o da Catedral, &eacute; por decis&atilde;o tomada h&aacute; v&aacute;rios anos, o <strong>Dia da Igreja Diocesana<\/strong>. Congregamo-nos para tornar mais consciente a realidade de sermos membros dum Povo, mais do que simples parcela da Igreja universal, <em>pedras vivas<\/em> da Diocese, em cuja vida e miss&atilde;o a participa&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is encontra a sua express&atilde;o primeira. Recordamos uma vez mais a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica <em>Christi Fideles Laici<\/em>, do Servo de Deus, Jo&atilde;o Paulo II, onde pode ler-se uma cita&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio<em> <\/em>de Floren&ccedil;a que diz: &ldquo;Regenerados como filhos no Filho, os baptizados s&atilde;o inseparavelmente membros de Cristo e membros do Corpo da Igreja&rdquo;; e que a seguir afirma: &ldquo;A miss&atilde;o salv&iacute;fica da Igreja no mundo realiza-se n&atilde;o s&oacute; pelos ministros que o s&atilde;o em virtude do sacramento da Ordem, mas tamb&eacute;m por todos os fi&eacute;is leigos que por for&ccedil;a da sua condi&ccedil;&atilde;o baptismal e da sua voca&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica na medida de cada um, participam no m&uacute;nus sacerdotal, prof&eacute;tico e real de Cristo. Assim &eacute; absolutamente necess&aacute;rio que cada fiel tenha sempre viva a consci&ecirc;ncia de ser um membro da Igreja a quem se confia um encargo original, insubstitu&iacute;vel e indeleg&aacute;vel que dever&aacute; desempenhar para o bem de todos.&rdquo;<\/p>\n<p>&Eacute; esta consci&ecirc;ncia comunit&aacute;ria que agora pedimos ao Senhor na Eucaristia.<\/p>\n<p>&ldquo;A comunh&atilde;o eclesial, j&aacute; presente e operante na ac&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo, encontra uma express&atilde;o espec&iacute;fica no operar associado dos fi&eacute;is leigos, isto &eacute;, na ac&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria que eles desenvolvem ao participar responsavelmente na vida e na miss&atilde;o da Igreja&rdquo;. Repito por isso o que afirmei h&aacute; dez anos, na hom&iacute;lia da primeira celebra&ccedil;&atilde;o deste dia, como bispo de Lamego: O <strong>Dia da Igreja Diocesana <\/strong>&eacute; a ocasi&atilde;o oportuna para que todos quantos trabalham nas comunidades paroquiais, ligados ou n&atilde;o aos v&aacute;rios movimentos e associa&ccedil;&otilde;es, expressem publicamente a disposi&ccedil;&atilde;o dum empenhamento solid&aacute;rio e correspons&aacute;vel, ao longo do ano pastoral que se inicia.<\/p>\n<p>Neste pensamento se fundamenta a reflex&atilde;o que nos ocupou hoje de manh&atilde; e no princ&iacute;pio da tarde, ligada ao plano pastoral que vai orientar-nos nos pr&oacute;ximos meses, e nos insere no dinamismo que movimenta a Igreja de Portugal, a<em> repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal. Partiremos daqui, depois da B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o no final da Eucaristia que estamos a viver, como mandatados, para, com a sensibilidade que recebemos, provocarmos a reflex&atilde;o das nossas comunidades e dos nossos movimentos, de modo a concretizarmos com a maior abrang&ecirc;ncia poss&iacute;vel e com efici&ecirc;ncia, o itiner&aacute;rio sinodal <\/em>que nos &eacute; proposto.&nbsp;<\/p>\n<p>Se Deus quiser, no pr&oacute;ximo S&aacute;bado, no in&iacute;cio do Advento, comungando desta forma as preocupa&ccedil;&otilde;es de Sua Santidade Bento XVI, &ldquo;consciente dos perigos que hoje amea&ccedil;am a vida humana, por causa da cultura relativista que obscurece a percep&ccedil;&atilde;o da dignidade da pessoa&rdquo;, presidirei na Igreja de S. Francisco &agrave;s 21,30, a uma Vig&iacute;lia de ora&ccedil;&atilde;o pela vida nascente. Convido as demais par&oacute;quias da Diocese a que o fa&ccedil;am tamb&eacute;m. Com a recita&ccedil;&atilde;o de V&eacute;speras, ou seguindo outro esquema, e a adora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, em sintonia com as igrejas particulares unidas ao Santo Padre, queremos ser o <em>povo da vida<\/em>, &ldquo;agradecendo ao Senhor que atrav&eacute;s do dom de Si, deu sentido e valor a toda a vida humana, e tamb&eacute;m para invocar a Sua protec&ccedil;&atilde;o sobre cada ser humano&rdquo;.<\/p>\n<p>&Agrave; Senhora da Assun&ccedil;&atilde;o, titular da nossa Catedral, confiamos o trabalho apost&oacute;lico que nos propomos realizar e pedimos-lhe a Sua solicitude de M&atilde;e, para que, ao longo do ano pastoral, nos mantenhamos humildemente comprometidos, perseverantes sem desfalecimento e ap&oacute;stolos sempre em comunh&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontramo-nos como comunidade de baptizados a celebrar a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. 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