{"id":48437,"date":"2010-11-22T10:39:18","date_gmt":"2010-11-22T10:39:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/22\/alexandre-herculano-e-o-clero-ou-o-clero-de-alexandre-herculano\/"},"modified":"2010-11-22T10:39:18","modified_gmt":"2010-11-22T10:39:18","slug":"alexandre-herculano-e-o-clero-ou-o-clero-de-alexandre-herculano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/alexandre-herculano-e-o-clero-ou-o-clero-de-alexandre-herculano\/","title":{"rendered":"Alexandre Herculano e o Clero ou o Clero de Alexandre Herculano"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel Clemente, Bispo do Porto <!--more--> <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; un&iacute;voca a rela&ccedil;&atilde;o de Alexandre Herculano (1810-1877) com o clero. Com o clero em geral e com o clero portugu&ecirc;s do seu tempo, tal como via[1]. Como, ali&aacute;s, n&atilde;o era un&iacute;voca a rela&ccedil;&atilde;o do clero com o liberalismo (constitucionalismo), que Herculano ajudou a implantar e sempre defendeu.<\/p>\n<p>Comecemos por aqui, pois n&atilde;o foram, de facto, lineares nem simples as atitudes e convic&ccedil;&otilde;es dos eclesi&aacute;sticos portugueses em rela&ccedil;&atilde;o ao novo regime. Houve reac&ccedil;&atilde;o, certamente, como a houve na generalidade das classes e grupos. Teoricamente, a cr&iacute;tica ao primeiro liberalismo &eacute; contundente e radical na pena de padres como Jos&eacute; Agostinho de Macedo ou Fortunato de S&atilde;o Boaventura (frade o primeiro e monge o segundo), para n&atilde;o citar tantos mais, com menos &ldquo;teoria&rdquo;, mas atitude convergente.<\/p>\n<p>Mas &eacute; nas fileiras do mesmo clero &ndash; regular ou secular &ndash; que tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil encontrar paladinos confessos e consequentes do sistema constitucional. E logo no topo da hierarquia cat&oacute;lica: se o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Carlos da Cunha, &eacute; exilado por rejeitar algumas disposi&ccedil;&otilde;es das Bases do que seria a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1822 &ndash; insistia na manuten&ccedil;&atilde;o do catolicismo como religi&atilde;o nacional, tal como sempre fora, e na censura pr&eacute;via em mat&eacute;rias religiosas -, o beneditino Frei Francisco de S. Lu&iacute;s Saraiva acompanhou o movimento liberal desde o in&iacute;cio e seria bispo de Coimbra durante o vintismo e cardeal-patriarca no cabralismo (como tal confirmado por Greg&oacute;rio XVI em 1843).<\/p>\n<p>Do topo &agrave; base, nunca faltaram eclesi&aacute;sticos &ldquo;liberais&rdquo;, inclusivamente nas casas religiosas, onde havia boas raz&otilde;es para se prever que a consolida&ccedil;&atilde;o do novo regime acarretaria a redu&ccedil;&atilde;o ou extin&ccedil;&atilde;o das congrega&ccedil;&otilde;es. Nem faltaram nomes para &ldquo;preencher&rdquo; as s&eacute;s portuguesas quando, entre 1832 e 1841 os novos governantes quiseram &agrave; frente delas sacerdotes seus afectos, sendo alguns destes nomeados canonicamente para outros cargos, depois do restabelecimento das rela&ccedil;&otilde;es entre Lisboa e Roma, nesse &uacute;ltimo ano.<\/p>\n<p>Herculano sabia-o muito bem. Conhecia eclesi&aacute;sticos liberais e ele pr&oacute;prio se sentia devedor da li&ccedil;&atilde;o dos Oratorianos, que seguira quando novo. Quando chegou a extin&ccedil;&atilde;o das &ldquo;Ordens&rdquo; em 1834, acompanhou o arrolamento das respectivas livrarias, a&iacute; mesmo se apiedando de tantos exclaustrados, ou &ldquo;egressos&rdquo;, que de repente ficavam sem agasalho nem conforto material e espiritual. Saiu em defesa deles com um dos escritos mais sentidos da sua pena &ndash; Os egressos, 1843 -, onde, manifestando grande humanidade, nem por isso defendia a restaura&ccedil;&atilde;o das congrega&ccedil;&otilde;es. Importante, por&eacute;m, &eacute; o facto de Herculano reconhecer, no mesmo escrito, o grave d&eacute;bito que a sua extin&ccedil;&atilde;o trouxera &agrave; vida cultural portuguesa. Na verdade, o que a&iacute; pede &eacute; &ldquo;p&atilde;o para metade dos nossos s&aacute;bios&rdquo;, essa mesma metade que tanto tardaria a recompor-se, se &eacute; que alguma vez o conseguiu.<\/p>\n<p>Assim est&aacute;vamos nos anos quarenta. Mais dif&iacute;cil seria na d&eacute;cada seguinte, sempre no respeitante &agrave; rela&ccedil;&atilde;o de Herculano com o clero portugu&ecirc;s, nisto influindo realidades nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>Come&ccedil;ando por estas &uacute;ltimas, recordemos o que se passava ent&atilde;o em torno do papado. At&eacute; 1846, desenrolara-se o pontificado de Greg&oacute;rio XVI &ndash; o &uacute;ltimo papa provindo duma Ordem religiosa (camaldulense) -, caracterizado pela rejei&ccedil;&atilde;o quase liminar das formula&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e das medidas pr&aacute;ticas do liberalismo latino, este mesmo em que Herculano, a seu modo, participava.<\/p>\n<p>S&atilde;o de Greg&oacute;rio XVI as enc&iacute;clicas Mirari Vos (1832) e Singulari Nos (1834), recusando o &ldquo;liberalismo cat&oacute;lico&rdquo; de Lamennais e do seu grupo, que, genericamente, advogava as vantagens do novo regime sobre o &ldquo;antigo&rdquo;, uma vez que a liberdade de consci&ecirc;ncia e o afastamento da Igreja em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado traria &agrave;quela uma liberdade interna que a liga&ccedil;&atilde;o Trono &ndash; Altar nunca permitira. Para Greg&oacute;rio XVI, tais propostas traduziam uma posi&ccedil;&atilde;o &ldquo;indiferentista&rdquo; face &agrave; verdade religiosa objectiva, que deixaria de obrigar os sujeitos particulares ou p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, Greg&oacute;rio XVI aceitou o regime de separa&ccedil;&atilde;o em pa&iacute;ses como os Estados Unidos da Am&eacute;rica ou a B&eacute;lgica, onde se mostrou t&atilde;o inevit&aacute;vel como at&eacute; ben&eacute;fico para a minoria cat&oacute;lica. Sem deixarmos de recordar que, concomitantemente, s&atilde;o do mesmo Greg&oacute;rio XVI quer a insist&ecirc;ncia na cria&ccedil;&atilde;o dum clero ind&iacute;gena em terras de miss&atilde;o (Instru&ccedil;&atilde;o Neminem profecto, 1845) &ndash; insist&ecirc;ncia que os europeus, pol&iacute;ticos e mission&aacute;rios, n&atilde;o aceitariam rapidamente -, quer o reconhecimento de alguma autonomia da realidade pol&iacute;tica enquanto tal, declarando, em 1831, que a Santa S&eacute; n&atilde;o legitimava nenhum governo ou regime, quando com ele se entendesse para a melhor resolu&ccedil;&atilde;o das necessidades das Igrejas locais (Enc&iacute;clica Sollicitudo Ecclesiarum, 1831) &#8211; o que se aplicava especificamente a Portugal, com bispos propostos por D. Miguel e n&atilde;o aprovados por D. Pedro.<\/p>\n<p>Fosse como fosse, o pontificado de Greg&oacute;rio XVI ficou conotado com a teoria e a pr&aacute;tica do Antigo Regime[2]. Mas, em 1846, foi eleito Pio IX, prelado romano que na altura gozava de grande simpatia na cidade e al&eacute;m dela, sendo rapidamente saudado &ndash; inclusive em Portugal &ndash; como &ldquo;papa liberal&rdquo;. Era, do seu natural, af&aacute;vel e pr&oacute;ximo da popula&ccedil;&atilde;o romana e os dois primeiros anos do seu pontificado quase pareciam lig&aacute;-lo ao Risorgimento italiano, ent&atilde;o em crescendo.<\/p>\n<p>Mas Risorgimento significava a unifica&ccedil;&atilde;o italiana, implicando o fim dos Estados Pontif&iacute;cios e a luta contra a presen&ccedil;a austr&iacute;aca na pen&iacute;nsula, ou seja, a luta contra uma grande pot&ecirc;ncia &ldquo;cat&oacute;lica&rdquo;, somando assim duas raz&otilde;es mais do que suficientes para refrear qualquer simpatia que o novo papa tivesse para com o movimento. Em 1848, de facto, Pio IX distancia-se claramente da causa e resiste &agrave; liberaliza&ccedil;&atilde;o dos Estados Pontif&iacute;cios, acabando por sair de Roma para o reino de N&aacute;poles, para n&atilde;o ficar &agrave; merc&ecirc; dos revolucion&aacute;rios da urbe. Voltar&aacute; em 1850, gra&ccedil;as ao apoio de Lu&iacute;s Napole&atilde;o e j&aacute; claramente conotado com a reac&ccedil;&atilde;o anti-liberal[3].<\/p>\n<p>Obviamente, Herculano n&atilde;o ficou insens&iacute;vel a estes acontecimentos e a sua posi&ccedil;&atilde;o face ao clero, em especial na respectiva liga&ccedil;&atilde;o a Roma, ressentiu-se deles. Tanto mais quanto o &ldquo;movimento cat&oacute;lico&rdquo; oitocentista &ndash; integrando, ali&aacute;s, cl&eacute;rigos e leigos de diversas simpatias pol&iacute;ticas &ndash; se redefiniu em torno de tr&ecirc;s t&oacute;picos fundamentais: a devo&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, a devo&ccedil;&atilde;o mariana e a liga&ccedil;&atilde;o ao papa (as &ldquo;tr&ecirc;s devo&ccedil;&otilde;es brancas&rdquo;, ou &ldquo;as tr&ecirc;s rosas dos escolhidos&rdquo;, segundo um t&iacute;tulo muito em voga de Mons. S&eacute;gur). Herculano olhar&aacute; tudo isto como um conjunto, ligando as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas, o refor&ccedil;o do papado que as tutelava supranacionalmente e alguma cr&iacute;tica provinda de cl&eacute;rigos &ndash; como a que suscitou a sua Hist&oacute;ria de Portugal (1&ordm; volume em 1846), omitindo o &ldquo;milagre de Ourique&rdquo; &ndash; num todo negativo, que achava necess&aacute;rio combater.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; este o lugar para desenvolvermos o assunto. Digamos, entretanto, que, neste &uacute;ltimo ponto, se tratava de muito mais do que duma quest&atilde;o historiogr&aacute;fica. As ressalvas ao pretenso milagre n&atilde;o eram novas e j&aacute; um s&eacute;culo antes tinham sido feitas por Lu&iacute;s Ant&oacute;nio Verney. Mas o debate cultural que agora surgiu encobre mal, com a refer&ecirc;ncia a Ourique, um grande confronto sobre o pr&oacute;prio pa&iacute;s, o seu significado e as respectivas consequ&ecirc;ncias: &#8211; Que era Portugal? Um pa&iacute;s a refazer como a actualidade queria, ou um destino consagrado e providencialmente determinado?<\/p>\n<p>A alternativa traduzir-se-ia tamb&eacute;m, de diferente modo, na rela&ccedil;&atilde;o devida entre o pa&iacute;s e o seu clero. E Herculano reagiu fortemente, alargando a parte ao todo ou quase todo do clero portugu&ecirc;s, divisando nos seus detractores a guarda-avan&ccedil;ada duma vasta cabala anti-liberal, que o tomava como primeiro alvo. Assim na carta Eu e o clero, que endere&ccedil;ou em Junho de 1850 ao cardeal-patriarca de Lisboa, D. Guilherme Henriques de Carvalho, ali&aacute;s pessoa afecta ao regime constitucional[4].<\/p>\n<p>A partir daqui, Herculano reagir&aacute; sempre ao que considerava a desfigura&ccedil;&atilde;o hierocr&aacute;tica e anti-liberal do catolicismo. Escrever&aacute; A Hist&oacute;ria da Origem e Estabelecimento da Inquisi&ccedil;&atilde;o em Portugal (1853-1859), para esconjurar com o passado o que julgava ser a amea&ccedil;a presente. Sem cortar formalmente com o catolicismo[5], aproximar-se-&aacute; da posi&ccedil;&atilde;o &ldquo;vetero-cat&oacute;lica&rdquo; de D&ouml;llinger e afasta-se do que foi a eclesiologia do Conc&iacute;lio Vaticano I (1869-1870), em torno do primado e da infalibilidade do pont&iacute;fice romano[6].<\/p>\n<p>Cabe agora precisar tudo isto com as pr&oacute;prias palavras de Herculano. Dizendo, antes de mais, que a sua cr&iacute;tica veemente ao que considerava a deriva ultramontana do catolicismo e da generalidade do clero, n&atilde;o o desiludiu dum clero que podia ser, apesar de tudo.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o admitia que o movimento cat&oacute;lico em Portugal pudesse incluir simultaneamente o apego &agrave; liberdade pol&iacute;tica e a ades&atilde;o ao papado, bem como o refor&ccedil;o deste no interior e no exterior da Igreja. Diga-se, ali&aacute;s, que, para muitos cat&oacute;licos legitimistas, tal jun&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m parecia imposs&iacute;vel, pois uniam sempre catolicismo e anti-liberalismo. A luta persistente dos nossos cat&oacute;licos &ldquo;liberais&rdquo; ser&aacute; precisamente a de manifestar tanto a ades&atilde;o aos &ldquo;princ&iacute;pios de 89&rdquo; como ao papado de Pio IX ou de Le&atilde;o XIII, que lhe sucedeu em 1878, distinguindo campos e vendo nos pont&iacute;fices a melhor garantia da &ldquo;liberdade da Igreja&rdquo;, face ao regalismo persistente dos governos nacionais: assim com Saldanha, assim com Samod&atilde;es, assim com Ab&uacute;ndio da Silva, etc[7].<\/p>\n<p>Vejamos mais de perto. Vejamos o clero cat&oacute;lico como Herculano o idealizava em 1846 n&rsquo; O p&aacute;roco da aldeia. &Eacute; o padre pr&oacute;ximo e condo&iacute;do, que nem a chuva nem o vento impedem de socorrer espiritualmente quem o chamasse a desoras: &ldquo;A natureza debate-se consigo mesma: tudo dorme, entretanto, nos casais e na aldeia, salvo o velho p&aacute;roco e a fam&iacute;lia daquele que em trances mortais espera o representante de Cristo, que lhe traz as derradeiras consola&ccedil;&otilde;es e esperan&ccedil;as. Entre a filantropia humana e as agonias extremas dos pequenos e humildes a noite e a tempestade ergueram barreira quase insuper&aacute;vel: esta barreira desaparece, por&eacute;m, diante de caridade que a todos nos ensina o Evangelho e que ao p&aacute;roco imp&otilde;em, como dever imprescrit&iacute;vel, a sua miss&atilde;o sacerdotal e o seu car&aacute;cter de pai dos pobres e afligidos&rdquo;[8].<\/p>\n<p>Trata-se, antes de mais, do &ldquo;p&aacute;roco&rdquo;, ou seja do cl&eacute;rigo secular &ndash; n&atilde;o monge nem frade &ndash; que est&aacute; directamente ao servi&ccedil;o dos fi&eacute;is, como &ldquo;pai dos pobres e afligidos&rdquo;. Este sim &ndash; e quase s&oacute; este -, superando a pr&oacute;pria filantropia pela caridade evang&eacute;lica. Este mesmo, que Herculano prefere absolutamente aos ministros protestantes, que n&atilde;o teriam o mesmo significado religioso, nem id&ecirc;ntica express&atilde;o humana.<\/p>\n<p>Lamenta &ndash; lamentar&aacute; sempre e cada vez mais! &#8211; as defici&ecirc;ncias de forma&ccedil;&atilde;o do clero portugu&ecirc;s, mas recusa ainda mais a pouca consist&ecirc;ncia de outros tipos de clero. Oi&ccedil;amo-lo, mais &agrave; frente: &ldquo;Por certo que no culto cat&oacute;lico se t&ecirc;m introduzido abusos, e para isso contribui muitas vezes o pr&oacute;prio clero, menos instru&iacute;do, menos bem educado, moralmente, que o clero anglicano. Mas, em que &eacute; culpado o culto da pouca instru&ccedil;&atilde;o dos seus ministros e dessa falta de educa&ccedil;&atilde;o moral que diversas causas, alheias &agrave; religi&atilde;o, t&ecirc;m trazido e trazem ainda? &Eacute; a igreja que recomenda a ignor&acirc;ncia? S&atilde;o os abusos consequ&ecirc;ncias l&oacute;gicas das doutrinas cat&oacute;licas? Eis o que cumpriria se provasse, como n&atilde;o &eacute; dificultoso mostrar que o protestantismo, querendo anular as pompas e os espect&aacute;culos, as f&oacute;rmulas externas e brilhantes do catolicismo, matou tudo o que a cren&ccedil;a do Calv&aacute;rio tinha de un&ccedil;&atilde;o, de consola&ccedil;&otilde;es, de afectos para o comum dos seus sect&aacute;rios e converteu a religi&atilde;o numa certa metaf&iacute;sica nevoenta, que foge &agrave; compreens&atilde;o das almas rudes e vulgares, quebrando todos os esteios a que, nesta vida de tristezas e dores, elas se encostavam para confiarem no C&eacute;u e consolarem-se na esperan&ccedil;a [&hellip;]. O protestantismo foi s&oacute; feito para os ditosos e abastados da Terra!&rdquo;[9].<\/p>\n<p>Por&eacute;m, nesse mesmo ano de 1846, Herculano publicava o 1&ordm; volume da sua Hist&oacute;ria de Portugal &#8211; sem incluir o &ldquo;milagre de Ourique&rdquo; &#8211; e a pol&eacute;mica que se seguiu f&ecirc;-lo encarar mais negativamente a &ldquo;pouca instru&ccedil;&atilde;o&rdquo; do clero portugu&ecirc;s. Quando reagir &agrave;s cr&iacute;ticas, quatro anos depois, subir&aacute; o tom.<\/p>\n<p>Tanto mais que se considerava injustamente atacado por uma classe que defendera &ndash; e quase s&oacute; ele defendera -, anos antes, ao escrever Os egressos (1842), pedindo considera&ccedil;&atilde;o e apoio para com os religiosos violentamente exclaustrados em 1834. E recorda: &ldquo;Na imprensa liberal, revolucion&aacute;ria, &iacute;mpia, como quiserem chamar-lhe, eu, s&oacute; eu, tive por muito tempo palavras de afei&ccedil;&atilde;o e consolo para a desgra&ccedil;a; s&oacute; eu tive &acirc;nimo para acusar os homens do meu partido de espoliadores e de insensatos; para tentar revoc&aacute;-los &agrave; poesia do cristianismo, do eterno aliado da liberdade&rdquo;[10].<\/p>\n<p>Sem deixar de assinalar que se seguiram tempos mais pac&iacute;ficos, no que ao clero dizia respeito: &ldquo;Depois, pouco a pouco, foi-se estabelecendo nos &acirc;nimos uma reac&ccedil;&atilde;o salutar: come&ccedil;ou-se a sentir que o templo e o sacerdote eram importantes elementos de paz, e que podiam ser instrumentos de liberdade&rdquo;[11].<\/p>\n<p>Poder&atilde;o juntar-se aqui os elementos pessoais com o panorama internacional acima indicado. Os egressos s&atilde;o de 1842 e o tempo seguinte &eacute; o dos primeiros anos do pontificado de Pio IX, suposto &ldquo;papa liberal&rdquo;. Como ser&atilde;o da nova e breve rep&uacute;blica francesa (1848 ss), onde o catolicismo de Lacordaire &ndash; frade e deputado &ndash; simbolizava a reconcilia&ccedil;&atilde;o da liberdade com o catolicismo, tamb&eacute;m para Portugal. O que aconteceu depois, com Pio IX fugindo da revolu&ccedil;&atilde;o romana, abriria um per&iacute;odo bem diferente. Este mesmo, em  que Herculano carregar&aacute; as cr&iacute;ticas aos seus cr&iacute;ticos, eclesi&aacute;sticos ou outros.<\/p>\n<p>Mas, por enquanto, ainda &eacute; a ignor&acirc;ncia que sobretudo reverbera, concluindo deste modo a sua carta ao cardeal-patriarca, D. Guilherme Henriques de Carvalho: &ldquo;Permita-me vossa emin&ecirc;ncia que conclua fazendo um voto, ao qual sei que vossa emin&ecirc;ncia se associa, bem como os outros prelados de Portugal: &#8211; Oxal&aacute; venha em breve o dia em que o clero deste pa&iacute;s possa receber uma educa&ccedil;&atilde;o digna do seu elevado destino, e conhecer, por estudos severos e bem dirigidos, que o ser crist&atilde;o n&atilde;o &eacute; ser hip&oacute;crita nem fan&aacute;tico&rdquo;[12]. (ibidem).<\/p>\n<p>Duas d&eacute;cadas depois, o panorama era outro, certamente mais grave aos olhos de Herculano. Refor&ccedil;o do papado, rejei&ccedil;&atilde;o do liberalismo por Pio IX (Syllabus, 1864), regresso &ldquo;ilegal&rdquo; de jesu&iacute;tas e outros religiosos a Portugal, tudo lhe configurava uma ofensiva sistem&aacute;tica contra o regime que ajudara a instaurar na sua juventude, com tanto envolvimento e risco pessoal.<\/p>\n<p>Em 1871, reagiu ao encerramento governamental das Confer&ecirc;ncias do Casino, sintetizando um pensamento &ndash; discutido e discut&iacute;vel, ali&aacute;s &#8211; que tanto marcaria o &ldquo;antijesuitismo&rdquo; de mon&aacute;rquicos e republicanos, entre os s&eacute;culos XIX e XX: &ldquo;Os princ&iacute;pios que s&atilde;o hoje condi&ccedil;&otilde;es essenciais da exist&ecirc;ncia pol&iacute;tica da na&ccedil;&atilde;o portuguesa apontam-se ao povo ignorante como inven&ccedil;&otilde;es do diabo. Miss&otilde;es dos agentes do jesuitismo, umas ineptas, outras astutas, instilam por toda a parte o veneno do ultramontanismo extremo [&hellip;]. &Eacute; uma conspira&ccedil;&atilde;o permanente, implac&aacute;vel contra a sociedade. As resist&ecirc;ncias nascidas no seio do pr&oacute;prio clero s&atilde;o dific&iacute;limas, sen&atilde;o imposs&iacute;veis. O que tentasse levant&aacute;-las seria esmagado. Os antigos institutos mon&aacute;sticos, que pela emula&ccedil;&atilde;o, e pela seriedade e profundeza dos seus estudos, se contrapunham ao jesuitismo e &agrave; sua ci&ecirc;ncia facciosa e dolosa, desapareceram, e se hoje se restaurassem entre n&oacute;s, sucederia o que sucede quase por toda a parte: ir-se-lhes-ia encontrar a roupeta de S. In&aacute;cio debaixo da cogula beneditina ou augustinana&rdquo;[13].<\/p>\n<p>N&atilde;o deixa de ser significativo, muito significativo mesmo, que o ant&iacute;doto para o que considerava um grande perigo, fosse ainda um novo tipo de clero, que configurasse na Igreja o esp&iacute;rito decidido e aut&oacute;nomo que Herculano escolhera e incarnara na sociedade e na pol&iacute;tica nacional: &ldquo;O presbiterado, que &eacute; como a burguesia da igreja, e no seio do qual se encontram j&aacute; muitos sacerdotes mo&ccedil;os, ao mesmo tempo crentes e ilustrados, n&atilde;o tem for&ccedil;a para readquirir nos neg&oacute;cios da sociedade crist&atilde; o quinh&atilde;o de influ&ecirc;ncia que a a disciplina primitiva lhe dava. E, todavia, s&oacute; uma esp&eacute;cie de presbiterianismo ortodoxo e simplesmente disciplinar tornaria agora poss&iacute;vel dar-se algum rem&eacute;dio &agrave; ru&iacute;na da igreja; porque talvez esses homens novos quisessem e soubessem congra&ccedil;&aacute;-la com a sociedade moderna&rdquo;[14].<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o era essa a orienta&ccedil;&atilde;o prevalecente no catolicismo militante do s&eacute;culo XIX, redefinido em torno do papa e da internacionaliza&ccedil;&atilde;o da Igreja. Fosse como fosse, Herculano nunca deixaria de encarar o protagonismo dum clero que estivesse evangelicamente perto do povo e ilustradamente activo na sociedade e na cultura.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Manuel Clemente, Bispo do Porto<\/em><\/p>\n<p><strong>NOTAS:<\/strong><\/p>\n<p>[1] Cf. TRINDADE, Manuel &#8211; O Padre em  Herculano. Pref&aacute;cio de Vitorino Nem&eacute;sio. Lisboa: Editorial Verbo, 1965.<\/p>\n<p>[2] Sobre Greg&oacute;rio XVI, cf. BOUTRY, Ph. &ndash; Gr&eacute;goire XVI. In&nbsp; DICTIONNAIRE Historique de la Papaut&eacute; [DHP]. Dir. Ph. Levillain. Paris: Fayard, 1994, p. 767-773.<\/p>\n<p>[3] Sobre Greg&oacute;rio Pio IX, cf. MARTINA, G. &ndash; Pio IX. In Ibidem, p. 1343-1349<\/p>\n<p>[4] Sobre toda a quest&atilde;o, cf. BUESCU, Ana Isabel Carvalh&atilde;o &ndash; O milagre de Ourique e a Hist&oacute;ria de Portugal de Alexandre Herculano: uma pol&eacute;mica oitocentista. Lisboa: Instituto Nacional de Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, 1987. Cf. tamb&eacute;m SARAIVA, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; A cultura em Portugal. Teoria e Hist&oacute;ria. Lisboa: Livraria Bertrand, 1982, p. 121: &ldquo;&Agrave; vis&atilde;o mundial da hist&oacute;ria que o mito da Cruzada sup&otilde;e, [Herculano] quis substituir uma vis&atilde;o interna, tentando apreender o g&eacute;rmen a partir do qual a na&ccedil;&atilde;o se constituiu. [&hellip;] A semente eram os concelhos, c&eacute;lulas populares que se teriam desenvolvido harmoniosamente, se n&atilde;o fossem circunst&acirc;ncias externas e esp&uacute;rias que se lhe opuseram. A monarquia absoluta, o clero (identificado com a Inquisi&ccedil;&atilde;o) e a mercantiliza&ccedil;&atilde;o causada pelos Descobrimentos foram estas circunst&acirc;ncias&rdquo;.<\/p>\n<p>[5] Cf. HERCULANO, Alexandre &ndash; Considera&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas sobre o op&uacute;sculo &ldquo;Eu e o clero&rdquo;. Ao redactor da Na&ccedil;&atilde;o [Julho de 1850]. In IDEM &ndash; Op&uacute;sculos. Org. Jorge Cust&oacute;dio e Jos&eacute; Manuel Garcia. Porto: Presen&ccedil;a, 1985, vol. 4, p. 52: &ldquo;A maioria do clero portugu&ecirc;s n&atilde;o &eacute; a maioria do clero cat&oacute;lico: a maioria do clero cat&oacute;lico n&atilde;o constitui s&oacute; por si a igreja de Deus. Bem infeliz eu se me visse em oposi&ccedil;&atilde;o com esta; mas confio em que a Provid&ecirc;ncia me livrar&aacute; de cair nesse abismo, n&atilde;o s&oacute; agora, mas sempre&rdquo;. Cf. tamb&eacute;m MACHADO, &Aacute;lvaro Manuel &ndash; Les romantismes au Portugal. Mod&egrave;les &eacute;trangers et orientations nationales. Paris: Fondation Calouste Gulbenkian. Centre Culturel Portugais, 1986, p. 199: &ldquo;&hellip; l&rsquo;id&eacute;alisme philosophique de Herculano, de source germanique, domin&eacute; par l&rsquo;&eacute;thique chr&eacute;tienne, l&rsquo;am&egrave;ne &agrave; faire du christianisme un &eacute;l&eacute;ment essentiel de toutes ses id&eacute;es, qu&rsquo;elles soient litt&eacute;raires, politiques ou sociales&rdquo;. Ou ainda: &ldquo;Au lieu de la m&eacute;taphysique, il y a toujours chez Herculano la morale chr&eacute;tienne confondue avec la morale politique lib&eacute;rale&rdquo; (ibidem, p. 214).<\/p>\n<p>[6] Cf. LABOA, Juan Maria &ndash; Historia de la Iglesia Cat&oacute;lica. V Edad Contempor&acirc;nea. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 2004, p. 234: &ldquo;D&ouml;llinger no quiso reconocer el nuevo dogma y fue excomulgado el 17 de Abril de 1871. El arzobispo Scherr, aunque se hab&iacute;a opuesto a la definici&oacute;n, uma vez aprobada, la acept&oacute;, y dijo a D&ouml;llinger: &lsquo;pong&aacute;monos a trabajar por la Santa Iglesia&rsquo;. &lsquo;S&iacute;, por la vieja Iglesia&rsquo;, replic&oacute; D&ouml;llinger. A esto respondi&oacute; el arzobispo: &lsquo;Hay solo uma Iglesia, no una vieja y una nueva&rsquo;; pero D&ouml;llinger insisti&oacute; en que se hab&iacute;a creado una nueva. El historiador alem&aacute;n y los que pensaban como el vieron en el dogma una revoluci&oacute;n de la constituci&oacute;n tradicional de la Iglesia, y se negaron a someter por motivos de consci&ecirc;ncia. [&hellip;] En cierto sentido, fueron los continuadores de las ideas conciliaristas, galicanas, febronianas y jansenistas&rdquo;. As mesmas que tinham influenciado o Padre Ant&oacute;nio Pereira de Figueiredo (+ 1797), t&atilde;o apreciado por Herculano. Cf. HERCULANO, A supress&atilde;o das Confer&ecirc;ncias do Casino [1871]. In Op&uacute;sculos, 1982, vol. 1, p. 166: &ldquo;Est&aacute;vamos, pois [&agrave; data da outorga da Carta Constitucional, 1826], pelas nossas tradi&ccedil;&otilde;es e doutrinas perfeitamente no seio da Igreja. Mantendo exclusivamente o dogma cat&oacute;lico, nem mais, nem menos, como a igreja no-lo ensinou a n&oacute;s os velhos, e conservando-nos, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; disciplina, onde est&aacute;vamos, estamos indubitavelmente no gr&eacute;mio dessa igreja; porque a religi&atilde;o &eacute; imut&aacute;vel, a religi&atilde;o n&atilde;o se aperfei&ccedil;oa. O crit&eacute;rio supremo do catolicismo est&aacute; resumido na c&eacute;lebre m&aacute;xima: Quod ubique, quod semper, quod ab omnibus creditum est. Diga o governo isto aos bispos, aos cabidos, &agrave;s escolas de teologia e de c&acirc;nones, aos p&aacute;rocos, aos comiss&aacute;rios de estudos, aos mestres prim&aacute;rios [&hellip;]. O imperante dar&aacute; nisto n&atilde;o s&oacute; o papel de mantenedor da carta, mas tamb&eacute;m de bispo externo; far&aacute; o mesmo que nos s&eacute;culos &aacute;ureos do cristianismo faziam os imperadores romanos com aplausos dos Padres da primitiva Igreja. O tumulto que h&aacute;-de levantar este procedimento, ali&aacute;s t&atilde;o simples e razo&aacute;vel, sei eu. [&hellip;] Ver&aacute; o que sucede ao clero regular que foi, aos beneditinos, aos augustinianos, aos oratorianos. Referindo-me &agrave; congrega&ccedil;&atilde;o do Orat&oacute;rio, n&atilde;o falo do pequeno hereje ruivo, o terr&iacute;vel padre Pereira de Figueiredo. Esse tem de h&aacute; muito recebido o seu quinh&atilde;o de an&aacute;temas maranatas&rdquo;.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>[7] Sobre os &ldquo;cat&oacute;licos liberais&rdquo; portugueses a a sua ac&ccedil;&atilde;o e teoria, cf. CLEMENTE, Manuel &ndash; Igreja e sociedade portuguesa do liberalismo &agrave; rep&uacute;blica, Lisboa: Grifo, 2002, passim.<\/p>\n<p>[8]HERCULANO, Alexandre &ndash; Lendas e Narrativas. Mem Martins: Europa-Am&eacute;rica, s.d., Vol. 2, p. 93-94<\/p>\n<p>[9] Ibidem, p. 129. Cf. SARAIVA, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; Herculano e o liberalismo em Portugal. Lisboa: Livraria Bertrand, 1977, p. 74: &ldquo; &lsquo;O P&aacute;roco de Aldeia&rsquo; oferece-nos a s&iacute;ntese mais acabada das teses religiosas de Herculano&rdquo;. E ainda: &ldquo;A Igreja, mais do que uma hierarquia, &eacute; para ele uma fraternidade espiritual, ligando os vizinhos da aldeia; e o pastor, sem intermedi&aacute;rios, liga a Deus esta comunidade espiritual. [&hellip;] A classe m&eacute;dia dos p&aacute;rocos de aldeia n&atilde;o &eacute; economicamente solid&aacute;ria com o antigo regime, vive, como qualquer trabalhador, das missas, baptizados ou casamentos que celebra, e, pormenor que Herculano salienta, nada lucra com os d&iacute;zimos. Julgava-se poss&iacute;vel um entendimento entre a burguesia clerical e a burguesia econ&oacute;mica, pol&iacute;tica e intelectual&rdquo; (ibidem, p. 75-76). Dentro desta considera&ccedil;&atilde;o funcional e alinhada do clero, mais facilmente se suprimiria o celibato, que lhe parecia uma &ldquo;esp&eacute;cie de amputa&ccedil;&atilde;o espiritual, em que para o sacerdote morre a esperan&ccedil;a de completar a sua exist&ecirc;ncia na terra&rdquo;, como escreveu em Novembro de 1843,  a abrir o seu Eurico o presb&iacute;tero (Lisboa: Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses, s.d., p. 29).<\/p>\n<p>[10] IDEM &ndash; Eu e o clero. Carta ao Em.mo Cardeal-Patriarca [1850]. In Op&uacute;sculos., 1985, vol. 4, p. 48.<\/p>\n<p>[11] Ibidem, p. 49.<\/p>\n<p>[12]Ibidem.<\/p>\n<p>[13] IDEM &ndash; A supress&atilde;o das Confer&ecirc;ncias do Casino [1871]. In Op&uacute;sculos, 1982, vol. 1, p. 161-162.<\/p>\n<p>[14] Ibidem, p. 162.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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