{"id":48397,"date":"2010-11-19T11:57:14","date_gmt":"2010-11-19T11:57:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/19\/discurso-do-arcebispo-de-braga-na-abertura-das-jornadas-da-cultura\/"},"modified":"2010-11-19T11:57:14","modified_gmt":"2010-11-19T11:57:14","slug":"discurso-do-arcebispo-de-braga-na-abertura-das-jornadas-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-do-arcebispo-de-braga-na-abertura-das-jornadas-da-cultura\/","title":{"rendered":"Discurso do Arcebispo de Braga na abertura das Jornadas da Cultura"},"content":{"rendered":"<p><strong>Religi&atilde;o, Igreja e Sociedade<\/strong><\/p>\n<p>S&atilde;o muitas as iniciativas promovidas pela Igreja nos mais variados &acirc;mbitos da vida humana. As primeiras Jornadas da Cultura sobre &ldquo;Religi&atilde;o, Igreja e Sociedade&rdquo; inserem-se nesse contexto e manifestam a pertin&ecirc;ncia do cristianismo no contexto do debate p&uacute;blico. Estas Jornadas expressam a urg&ecirc;ncia dum di&aacute;logo permanente entre raz&atilde;o e f&eacute;. A hist&oacute;ria europeia &eacute; um claro exemplo da tens&atilde;o permanente entre estes dois p&oacute;los antropol&oacute;gicos, de rela&ccedil;&atilde;o ora divergente ora convergente na procura da Verdade mais aut&ecirc;ntica do Homem. Diante das grandes quest&otilde;es que alimentam a discuss&atilde;o p&uacute;blica entre ci&ecirc;ncia e religi&atilde;o, podemos concluir que a cultura sem a refer&ecirc;ncia &agrave; f&eacute; perde uma parte da sua fundamenta&ccedil;&atilde;o e a f&eacute; sem a compreens&atilde;o da raz&atilde;o fica privada da racionalidade que a acredita. Quanto a esta interac&ccedil;&atilde;o &eacute; c&eacute;lebre o aforisma de Santo Agostinho: <em>Crede ut intelligas, intellige ut credas<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Santo Padre, na recent&iacute;ssima Exorta&ccedil;&atilde;o Post-Sinodal &laquo;Verbum Domini&raquo;, integra esta m&uacute;tua rela&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s duma certeza e duma proposta. Como certeza Bento XVI sublinha &ldquo;o v&iacute;nculo indissol&uacute;vel que existe entre a Palavra divina e as Palavra humanas&rdquo; uma vez que &ldquo;Deus n&atilde;o se revela ao homem abstractamente, mas assumindo linguagens, imagens, express&otilde;es ligadas &agrave;s diversas culturas. Trata-se duma rela&ccedil;&atilde;o fecunda. Hoje tal rela&ccedil;&atilde;o entra tamb&eacute;m numa nova fase, devido &agrave; propaga&ccedil;&atilde;o e enraizamento da evangeliza&ccedil;&atilde;o dentro de diversas culturas e nas mais recentes evolu&ccedil;&otilde;es da cultura ocidental.&rdquo; Esta certeza traz para a Igreja uma responsabilidade acrescida: &ldquo; reconhecer a import&acirc;ncia da cultura como tal para a vida de cada homem&rdquo; uma vez que ela se apresenta &ldquo;como um dado constitutivo da experi&ecirc;ncia humana&rdquo; (conf. V.D. 109).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desta certeza, nem sempre convenientemente interpretada na pastoral, emerge, por parte do Papa, uma proposta que se torna um desafio a concretizar. Se &eacute; verdade que ao longo dos s&eacute;culos, a Palavra de Deus se tornou inspiradora das diversas culturas &ldquo;gerando valores morais fundamentais, express&otilde;es art&iacute;sticas magn&iacute;ficas e estilos de vida exemplares&rdquo;, urge potenciar um encontro in&eacute;dito e sempre renovado da B&iacute;blia e dos grandes princ&iacute;pios do cristianismo com a diversidade das express&otilde;es culturais. Necessidade n&atilde;o apenas sociol&oacute;gica mas kerigm&aacute;tica, evang&eacute;lica e catequ&eacute;tica. Por isso, a proposta est&aacute; em reconhecer a Palavra como est&iacute;mulo constante para uma verdadeira cultura, na convic&ccedil;&atilde;o de que &ldquo;para servir verdadeiramente o homem, cada cultura aut&ecirc;ntica deve estar aberta &agrave; transcend&ecirc;ncia e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, a Deus&rdquo;. (Conf. V.D. 109)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta converg&ecirc;ncia necess&aacute;ria, que respeita pensamentos e estilos de vida diferentes, situo a perspectiva dos resultados destas Jornadas Culturais. Espero que n&atilde;o sejam mais um conjunto de confer&ecirc;ncias de garantida qualidade pelo renome dos intervenientes. Ouso esperar que se provoque um encontro verdadeiro que espelhe no presente e projecte no futuro caminhos novos de di&aacute;logo entre a f&eacute; e raz&atilde;o. O espa&ccedil;o da Arquidiocese est&aacute; dotado dum conjunto de Institui&ccedil;&otilde;es Universit&aacute;rias cujo potencial pode e deve ser aproveitado para desenvolver a intelig&ecirc;ncia do pensamento, suscitar o encontro e o debate cultural entre as diversas ci&ecirc;ncias humanas. A Universidade deve estar atenta ao meio cultural que a rodeia para exercer a&iacute; a sua miss&atilde;o inteligente de servi&ccedil;o &agrave; causa p&uacute;blica. A Igreja, por seu lado, tamb&eacute;m tem marcado a cultura com a originalidade do seu pensamento nas mais diversificadas manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas. Tal como a Universidade, o mundo eclesial precisa sempre de extravasar o &acirc;mbito dos espa&ccedil;os sagrados e entrar na vida dos homens, propondo de forma clara e inequ&iacute;voca a sua concep&ccedil;&atilde;o acerca do sentido da vida humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta perspectiva, partilho uma preocupa&ccedil;&atilde;o pastoral que sempre me acompanhou. Necessitamos, como Igreja, de ouvir e escutar as expectativas e as preocupa&ccedil;&otilde;es da humanidade. Da&iacute; que estas Jornadas se inserem neste movimento criativo de um espa&ccedil;o aberto &agrave; reflex&atilde;o m&uacute;ltipla, de acolhimento, de debate em torno de assunto sempre oportuno a toda a sociedade. Esta necessidade est&aacute; expressa e assumida como imprescind&iacute;vel no Programa Pastoral da Arquidiocese: &ldquo;Criar espa&ccedil;os onde, atrav&eacute;s do mundo da arte e da cultura, a palavra de Deus possa dialogar segundo as exig&ecirc;ncias dos tempos modernos&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta op&ccedil;&atilde;o torna-se ainda mais concreta quando, no mesmo local, afirmamos: &ldquo;Ponderar a cria&ccedil;&atilde;o, tal como sugerido pelo Papa Bento XVI, de um &ldquo;p&aacute;tio dos gentios&rdquo;. Seria um espa&ccedil;o multidisciplinar, aberto a crentes e n&atilde;o crentes, que ter&aacute; como principal preocupa&ccedil;&atilde;o um di&aacute;logo franco e aberto sobre as v&aacute;rias dimens&otilde;es da vida humana&rdquo;. &ldquo;Preparar confer&ecirc;ncias, tert&uacute;lias e exposi&ccedil;&otilde;es sobre as grandes quest&otilde;es que afectam o homem, a sociedade, a ci&ecirc;ncia e a economia, de modo a renovar-se mentalidades e dar lugar a novas rela&ccedil;&otilde;es entre f&eacute; e raz&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Auguro para estas I Jornadas da Cultura um efeito multiplicador de iniciativas deste cariz, que coloquem no espa&ccedil;o cultural o contributo do pensamento crist&atilde;o no desenvolvimento e na harmonia das rela&ccedil;&otilde;es entre os povos, culturas e religi&otilde;es de todo o mundo. Agrade&ccedil;o ao trabalho conjunto da Pastoral Universit&aacute;ria e da Vigararia Episcopal da Cultura e Di&aacute;logo pela organiza&ccedil;&atilde;o destas Jornadas. A todos desejo um bom trabalho.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Jorge Ortiga, A.P.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Religi&atilde;o, Igreja e Sociedade S&atilde;o muitas as iniciativas promovidas pela Igreja nos mais variados &acirc;mbitos da vida humana. As primeiras Jornadas da Cultura sobre &ldquo;Religi&atilde;o, Igreja e Sociedade&rdquo; inserem-se nesse contexto e manifestam a pertin&ecirc;ncia do cristianismo no contexto do debate p&uacute;blico. Estas Jornadas expressam a urg&ecirc;ncia dum di&aacute;logo permanente entre raz&atilde;o e f&eacute;. 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