{"id":48253,"date":"2010-11-11T14:45:29","date_gmt":"2010-11-11T14:45:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/11\/nota-pastoral-da-cep-sobre-os-50-anos-dos-cursos-de-cristandade\/"},"modified":"2010-11-11T14:45:29","modified_gmt":"2010-11-11T14:45:29","slug":"nota-pastoral-da-cep-sobre-os-50-anos-dos-cursos-de-cristandade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nota-pastoral-da-cep-sobre-os-50-anos-dos-cursos-de-cristandade\/","title":{"rendered":"Nota Pastoral da CEP sobre os 50 anos dos Cursos de Cristandade"},"content":{"rendered":"<p>1. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A celebra&ccedil;&atilde;o dos 50 anos dos Cursos de Cristandade, em Portugal, constitui uma ocasi&atilde;o prop&iacute;cia para agradecer a Deus todo o bem espiritual que o Movimento proporcionou e continua a proporcionar a milhares de homens e mulheres, e a renova&ccedil;&atilde;o operada, por sua ac&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia, nas dioceses e nas par&oacute;quias. Poder&aacute; dizer-se, com verdade, que, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, ao lado da programa&ccedil;&atilde;o nacional da catequese paroquial e depois da Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica, o Movimento dos Cursos de Cristandade foi actividade apost&oacute;lica de grande &ecirc;xito na Igreja no nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Milhares de homens e mulheres regressaram mais conscientes &agrave; pr&aacute;tica religiosa; muitos leigos descobriram e abra&ccedil;aram a sua voca&ccedil;&atilde;o de crist&atilde;os no mundo; in&uacute;meros casais descobriram a dimens&atilde;o crist&atilde; do seu matrim&oacute;nio e da vida familiar; diversos movimentos apost&oacute;licos beneficiaram com a entrada de novos membros, despertos para a f&eacute; e para o apostolado; muitos ambientes sociais puderam contar com a presen&ccedil;a de crist&atilde;os comprometidos na sua evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Movimento dos Cursos de Cristandade nasceu, como sabemos, em Espanha, em tempos de forte tradicionalismo religioso, em que j&aacute; se sentia que muitos dos que ainda frequentavam a Igreja tinham ca&iacute;do na rotina, na instala&ccedil;&atilde;o e na indiferen&ccedil;a. D. Juan Herv&aacute;s, o bispo fundador, apoiado por um grupo de padres que trabalhavam com leigos, e por uma equipa de jovens da Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica por eles formados, entre os quais se destaca Eduardo Bonin, empenharam-se num projecto pastoral ambicioso e com novos contornos apost&oacute;licos, expresso numa ac&ccedil;&atilde;o evangelizadora concreta, primeiro em favor dos jovens, depois dos homens adultos e, posteriormente, das mulheres. Depressa se viu o valor e o m&eacute;rito do novo m&eacute;todo apost&oacute;lico, dele se deu conta e se espalhou por todas as dioceses de Espanha, pela Am&eacute;rica Latina de l&iacute;ngua espanhola e, passados alguns anos, tamb&eacute;m e em boa hora, por Portugal.<\/p>\n<p>Portugal recebeu o Movimento directamente de Espanha, atrav&eacute;s de sacerdotes e leigos de diversas dioceses, a que muito ficamos devendo. Uma metodologia claramente eclesial, apoiada no testemunho de leigos crist&atilde;os, na vida em grupo, num projecto espiritual, s&eacute;rio e fundamentado dos respons&aacute;veis, na colabora&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do padre, no apoio das comunidades crist&atilde;s e na dos consagrados, no valor da ora&ccedil;&atilde;o e de actos de penit&ecirc;ncia volunt&aacute;ria, em comunh&atilde;o com o sacrif&iacute;cio redentor universal de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Passados 50 anos, o mundo mudou e a Igreja enfrenta novos problemas. O laicismo, a indiferen&ccedil;a religiosa, o ate&iacute;smo militante, a prolifera&ccedil;&atilde;o das seitas, a multiplica&ccedil;&atilde;o de agentes e meios de influ&ecirc;ncia que activam uma nova cultura contr&aacute;ria ao Evangelho, o clima prop&iacute;cio, num mundo plural, &agrave;s mais diversas op&ccedil;&otilde;es religiosas, pol&iacute;ticas e morais, tudo isto denuncia uma situa&ccedil;&atilde;o que se foi tornando premente e que atinge a todos: crist&atilde;os e comunidades, mormente quando se vive uma f&eacute; rotineira, pouco esclarecida e apostolicamente an&eacute;mica.<\/p>\n<p>Vimos chamando a aten&ccedil;&atilde;o, em comunh&atilde;o com o Papa Bento XVI, para a urg&ecirc;ncia de uma inicia&ccedil;&atilde;o ou reinicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; alargada, e para uma catequese de adultos, programada e s&eacute;ria; em suma, para uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o de pessoas e meios de vida. Neste contexto e fi&eacute;is a este projecto apost&oacute;lico, n&atilde;o podemos deixar de ter presente os movimentos laicais que, na Igreja, mais se dedicam &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o e, entre eles, o Movimento dos Cursos de Cristandade, com o lugar que lhe compete e a experi&ecirc;ncia evangelizadora de que d&atilde;o testemunho ao longo de 50 anos, quer das pessoas, quer, atrav&eacute;s destas, dos ambientes sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Num mundo diferente, uma Igreja atenta sente-se comprometida com os apelos urgentes de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, discernindo os sinais dos novos tempos. &ldquo;Os tempos que vivemos exigem um novo vigor mission&aacute;rio dos crist&atilde;os chamados a formar um laicado maduro, identificado com a Igreja, solid&aacute;rio com a complexa transforma&ccedil;&atilde;o do mundo. H&aacute; necessidade de verdadeiras testemunhas de Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o sil&ecirc;ncio da f&eacute; &eacute; mais amplo e profundo: pol&iacute;ticos, intelectuais, profissionais da comunica&ccedil;&atilde;o que professam e promovem uma proposta mono-cultural com menosprezo pela dimens&atilde;o religiosa e contemplativa da vida&rdquo; (Bento XVI, Discurso aos Bispos em F&aacute;tima, 13.05.2010).<\/p>\n<p>Este projecto de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o e a sua resposta t&ecirc;m hoje exig&ecirc;ncias que nos afectam a todos e que n&atilde;o se podem traduzir apenas num voluntarismo generoso. Para al&eacute;m de uma renova&ccedil;&atilde;o espiritual s&eacute;ria dos crist&atilde;os e, muito especialmente, dos agentes pastorais e apost&oacute;licos, um novo ardor e novas atitudes e compet&ecirc;ncias s&atilde;o exigidas pelo mundo a evangelizar. Neste sentido, est&aacute; o conhecimento objectivo e cuidado da realidade, as pessoas e os dinamismos sociais, mais influentes no aparecimento de uma nova cultura que determina os comportamentos morais; o aperfei&ccedil;oamento permanente do modo de propor o Evangelho e a f&eacute; &agrave;s pessoas de hoje, jovens e adultos; o maior esp&iacute;rito de comunh&atilde;o e entreajuda de todos os comprometidos na miss&atilde;o; a aus&ecirc;ncia de ju&iacute;zos negativos e de condena&ccedil;&otilde;es das pessoas e dos grupos em campo; a colabora&ccedil;&atilde;o aberta com todos os que desejam e se comprometem no bem das pessoas e da sociedade; a ac&ccedil;&atilde;o programada em prol do crescimento da f&eacute; e da vida crist&atilde;, daqueles que v&atilde;o despertando para Deus ou se interrogam sobre o caminho a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Movimento dos Cursos de Cristandade deve, neste sentido e em conson&acirc;ncia com os objectivos propostos, com o dinamismo destas comemora&ccedil;&otilde;es jubilares, qualificar os seus dirigentes, o trabalho das Escolas de Respons&aacute;veis, a sua estrutura mais importante e decisiva. Sem diminuir em nada a fidelidade ao essencial do m&eacute;todo dos Cursos de Cristandade, h&aacute; que aprender a traduzi-lo numa linguagem mais acess&iacute;vel e testemunhal. &Eacute; necess&aacute;rio, tamb&eacute;m, saber ler, de modo novo, as exig&ecirc;ncias do pr&eacute;-curso, do curso e do p&oacute;s-curso. Da&iacute; a urg&ecirc;ncia em reavivar as Escolas e outros meios para que sejam espa&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o actualizada e geradora de empenho mission&aacute;rio. Nas palavras interpeladoras de Bento XVI, &ldquo;o apelo corajoso e integral aos princ&iacute;pios &eacute; essencial e indispens&aacute;vel; todavia, a mera enuncia&ccedil;&atilde;o da mensagem n&atilde;o chega aos mais fundo do cora&ccedil;&atilde;o da pessoa, n&atilde;o toca a sua liberdade, n&atilde;o muda a vida. Aquilo que fascina &eacute; sobretudo o encontro com pessoas crentes que, pela sua f&eacute;, atraem para a gra&ccedil;a de Cristo dando testemunho d&rsquo;Ele&rdquo; (Bento XVI, Discurso aos Bispos em F&aacute;tima, 13.05.2010).<\/p>\n<p>O Movimento dos Cursos de Cristandade ter&aacute; de se empenhar sempre mais na colabora&ccedil;&atilde;o com as estruturas diocesanas e com as par&oacute;quias, campo normal da escolha dos crist&atilde;os chamados a um curso, bem como da sua inser&ccedil;&atilde;o eclesial e da sua perseveran&ccedil;a. Nada substitui ou dispensa o di&aacute;logo com os p&aacute;rocos e as comunidades crist&atilde;s para a ac&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria e continuada. Tamb&eacute;m o Movimento pode e deve ajudar as par&oacute;quias para que introduzam no seu plano pastoral, se ainda o n&atilde;o fazem, o cuidado dos afastados, dos rotineiros, dos instalados em express&otilde;es religiosas pobres e empobrecedoras. &Eacute; neste contexto que se deve realizar um pr&eacute;-curso respons&aacute;vel e esperan&ccedil;oso, aspecto a cuidar seriamente, pondo de parte improvisa&ccedil;&otilde;es, precipita&ccedil;&otilde;es, express&otilde;es e m&eacute;todos desadequados e alheios ao Evangelho, ao Movimento e ao tempo em que vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conhecemos o esp&iacute;rito crist&atilde;o e a generosidade apost&oacute;lica de muitos respons&aacute;veis do Movimento dos Cursos de Cristandade. Todos n&oacute;s lhes estamos agradecidos e continuamos a esperar a sua colabora&ccedil;&atilde;o, nunca negada e, agora, mais premente, nesta tarefa evangelizadora, em que estamos comummente empenhados numa hora inadi&aacute;vel de renova&ccedil;&atilde;o pastoral.&nbsp;<\/p>\n<p>Ao lado do Movimento dos Cursos de Cristandade e no campo espec&iacute;fico da evangeliza&ccedil;&atilde;o, outros movimentos e associa&ccedil;&otilde;es laicais e servi&ccedil;os diocesanos surgiram ao longo do tempo e actuam nas nossas dioceses. Desejamos que se veja cada vez mais, entre todos, uma colabora&ccedil;&atilde;o, organizada e permanente. Por nossa parte, empenhamo-nos, como primeiros respons&aacute;veis, para que, na fidelidade ao seu m&eacute;todo evangelizador, cada um constitua um servi&ccedil;o reconhecido &agrave; miss&atilde;o da Igreja, neste tempo em que vivemos e em que queremos enfrentar os desafios pastorais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o esquecemos que foi em F&aacute;tima, sob a protec&ccedil;&atilde;o da M&atilde;e de Deus e nossa M&atilde;e, que se realizou, em Portugal, o primeiro curso de cristandade. A Maria confiamos o Movimento e todos quantos nele trabalham, a sua renova&ccedil;&atilde;o em fidelidade e a sua ac&ccedil;&atilde;o em comunh&atilde;o eclesial.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>F&aacute;tima, 11 de Novembro de 2010<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A celebra&ccedil;&atilde;o dos 50 anos dos Cursos de Cristandade, em Portugal, constitui uma ocasi&atilde;o prop&iacute;cia para agradecer a Deus todo o bem espiritual que o Movimento proporcionou e continua a proporcionar a milhares de homens e mulheres, e a renova&ccedil;&atilde;o operada, por sua ac&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia, nas dioceses e nas par&oacute;quias. 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