{"id":4825,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/um-kerigma-para-a-cidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"um-kerigma-para-a-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-kerigma-para-a-cidade\/","title":{"rendered":"&#8220;Um \u00abKerigma\u00bb para a Cidade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Catequese Quaresmal do Cardeal Patriarca no 1\u00ba Domingo da Quaresma  &#8211; 2004.  <!--more--> Introdu\u00e7\u00e3o \t1. O dever de anunciar a f\u00e9 \u00e9 dinamismo constitutivo da natureza da Igreja. Cada crente, que fez, na sua uni\u00e3o a Jesus Cristo, a experi\u00eancia libertadora da salva\u00e7\u00e3o, sente-se impelido, por uma for\u00e7a interior, a anunciar a outros essa experi\u00eancia como uma boa-nova de vida. A palavra \u201cEvangelho\u201d significa isso mesmo: uma \u201cboa-nova\u201d para todos os que buscam a vida. Evangelizar \u00e9 proclamar essa \u201cboa-nova\u201d. \tO primeiro a revelar uma consci\u00eancia viva do destino universal da \u201cboa-nova\u201d da salva\u00e7\u00e3o, foi o pr\u00f3prio Jesus Cristo. Abra\u00e7ar a humanidade num acto de amor redentor, express\u00e3o do amor com que Deus ama todos os homens, foi a experi\u00eancia mais profunda de Jesus Cristo. A urg\u00eancia da proclama\u00e7\u00e3o do amor de Deus pelos homens, brota do Seu cora\u00e7\u00e3o e do sentido que deu \u00e0 Sua vida, oferecendo-a pela humanidade. Ao oferecer a Sua vida no altar da cruz, Cristo sabe que a Sua morte \u00e9 um ponto de viragem para toda a humanidade. Levar essa not\u00edcia a todos os homens e introduzi-los no dinamismo da salva\u00e7\u00e3o, decorre da dimens\u00e3o universal da vida e morte de Jesus Cristo. Ele sabe que, na Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, uma nova luz da esperan\u00e7a brilha para toda a humanidade. A exig\u00eancia de dar a conhecer essa luz \u00e9 expressa pelo pr\u00f3prio Jesus na prega\u00e7\u00e3o do Reino. Aos disc\u00edpulos Ele diz: \u201cV\u00f3s sois a luz do mundo\u2026 N\u00e3o se acende uma l\u00e2mpada para a colocar debaixo do alqueire, mas no lampad\u00e1rio onde possa iluminar todos os que est\u00e3o em casa\u201d (Mt. 5, 14-15). \tEste dinamismo universal da salva\u00e7\u00e3o constitui o \u00faltimo testamento de Jesus aos disc\u00edpulos, j\u00e1 depois da ressurrei\u00e7\u00e3o, manifesta\u00e7\u00e3o da Sua Senhoria e do Seu poder salvador: \u201cTodo o poder me foi dado no c\u00e9u e na terra. Ide, pois, e de todas as na\u00e7\u00f5es fazei disc\u00edpulos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (Mt. 28, 18-19). \tO Livro dos Actos dos Ap\u00f3stolos, referindo-se \u00e0s \u00faltimas apari\u00e7\u00f5es do ressuscitado, antes da Ascens\u00e3o, p\u00f5e na boca de Jesus as seguintes palavras: \u201cRecebereis uma for\u00e7a, a do Esp\u00edrito Santo que descer\u00e1 sobre v\u00f3s. Ent\u00e3o sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, em toda a Judeia e Samaria e at\u00e9 aos confins da terra\u201d (Act. 1,8). \tA urg\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9, assim, um dinamismo constitutivo da miss\u00e3o da Igreja. O testemunho do Ap\u00f3stolo Paulo confirma-nos essa exig\u00eancia: \u201cCom efeito, pregar o Evangelho n\u00e3o \u00e9, para mim, um t\u00edtulo de gl\u00f3ria; \u00e9 uma necessidade que eu sinto. Sim, ai de mim se n\u00e3o pregar o Evangelho\u201d (1Co. 9,16). \tEsta urg\u00eancia, este dever, s\u00e3o, ainda hoje, parte integrante e essencial da miss\u00e3o da Igreja. \u00c9 a urg\u00eancia da \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, de que nos fala Jo\u00e3o Paulo II. Nas nossas sociedades secularizadas deste nosso Ocidente que alguns j\u00e1 apelidam, com alguma precipita\u00e7\u00e3o, de \u201cpost-crist\u00e3o\u201d, sobretudo nas grandes cidades onde as refer\u00eancias crist\u00e3s se diluem progressivamente, \u00e9 urgente anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. \u00c9 esse o desafio que aceit\u00e1mos, ao organizar em Lisboa uma das sess\u00f5es do \u201cCongresso Internacional da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, acompanhado de uma miss\u00e3o na cidade. Perante a urg\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o das nossas sociedades, colocam-se-nos de novo, com a acuidade do momento presente, perguntas velhas de dois mil anos: Quem poder\u00e1 ser enviado a evangelizar? Qual o conte\u00fado da sua mensagem? Como faz\u00ea-lo de modo a que a boa-nova de Jesus Cristo volte a surpreender os homens e mulheres, nossos irm\u00e3os? Todos somos chamados, nos pr\u00f3ximos meses, a encontrar respostas para essas quest\u00f5es. N\u00f3s sabemos que enviada a evangelizar s\u00f3 a Igreja o \u00e9 e que o essencial da mensagem \u00e9 o mesmo desde os Ap\u00f3stolos, acerca de Jesus morto e ressuscitado e do Esp\u00edrito Santo que nos d\u00e1. Mas a Igreja s\u00f3 ser\u00e1 enviada se os seus membros, sacerdotes, religiosos e leigos, o puderem ser com a qualidade interpelante de testemunhas da f\u00e9. E as testemunhas n\u00e3o se inventam. Uma Igreja que n\u00e3o possa ser enviada, sempre de novo, com a ousadia das testemunhas, ficar\u00e1 limitada a administrar o que resta de uma tradi\u00e7\u00e3o crente.   Evangelizar \u00e9 testemunhar \t2. A urg\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o radica na profundidade da experi\u00eancia pessoal de encontro com Jesus Cristo. Anunci\u00e1-Lo \u00e9 dar testemunho de uma experi\u00eancia vivida. A experi\u00eancia de Paulo \u00e9, entre todas, a mais expressiva. O encontro com Cristo ressuscitado, na estrada de Damasco, fundamenta o seu ardor apost\u00f3lico. Ele pr\u00f3prio nos conta esse momento: \u201cQuem \u00e9s tu, Senhor?\u201d O Senhor disse: \u201cEu sou Jesus, que tu persegues. Mas levanta-te e mant\u00e9m-te de p\u00e9. Eis a raz\u00e3o porque te apareci: para te estabelecer como servo e testemunha da vis\u00e3o em que acabas de Me ver e de outras em que Me mostrarei a ti\u201d (Act. 26, 15-16). E no in\u00edcio da Carta aos G\u00e1latas recorda: \u201cMas quando Aquele que desde o seio materno me p\u00f4s \u00e0 parte e me chamou pela Sua gra\u00e7a, se dignou revelar em mim o Seu Filho para que O anuncie entre os pag\u00e3os\u201d (Gal. 1, 15-16). \tTestemunhar \u00e9 comunicar uma experi\u00eancia. S\u00f3 pode anunciar Jesus Cristo, quem experimentou segui-Lo e identificar-se com Ele, na sua vida de ressuscitado. A gra\u00e7a do apostolado brota da gra\u00e7a da f\u00e9, enquanto experi\u00eancia de comunh\u00e3o com o Senhor. A autoridade da testemunha \u00e9 a experi\u00eancia; dela brota a firmeza da sua convic\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um dado comum a todas as civiliza\u00e7\u00f5es; as testemunhas sempre foram aceites como prova da verdade. No Antigo Testamento, para os assuntos mais graves, exigia-se a concord\u00e2ncia de tr\u00eas testemunhos. L\u00ea-se no Livro do Deutoron\u00f3mio: \u201cUma \u00fanica testemunha n\u00e3o \u00e9 suficiente para convencer um homem de uma qualquer falta. Seja qual for o delito, \u00e9 a partir de duas ou tr\u00eas testemunhas que a causa se estabelecer\u00e1\u201d (Dt. 19,15). Esta pr\u00e1tica dos v\u00e1rios testemunhos concordes est\u00e1 ainda presente no Novo Testamento. Jesus para credenciar a sua prega\u00e7\u00e3o junto dos fariseus reconhece: \u201cSe Eu dou testemunho de Mim mesmo, o meu testemunho n\u00e3o vale\u201d (Jo. 5,31). E apresenta tr\u00eas testemunhos concordantes que o imp\u00f5em como verdadeiro: o testemunho de Jo\u00e3o Baptista (cf. Jo. 5,32-33), o testemunho das obras que Deus Pai lhe permite realizar (Jo. 5,36) e o testemunho do pr\u00f3prio Pai (Jo. 5,37). \t\u00c9 esta for\u00e7a dos testemunhos concordantes que refor\u00e7am a credibilidade do testemunho da Igreja. A evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o testemunho individual de uma convic\u00e7\u00e3o pessoal; \u00e9 o testemunho de uma comunidade crente, porque \u00e9 na profundidade do seu \u201ceu colectivo\u201d que ecoa o pr\u00f3prio testemunho de Deus. A credibilidade do testemunho da Igreja vem-lhe da sua identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, que \u00e9 a \u201ctestemunha fiel, o primog\u00e9nito de entre os mortos, o Pr\u00edncipe dos reis da terra\u201d (Apc. 1,5). A Igreja n\u00e3o conhece Jesus Cristo s\u00f3 por ouvir dizer. Entre ela e Cristo h\u00e1 uma identifica\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do ser. Para a Igreja anunciar Jesus Cristo \u00e9 proclamar a sua identidade profunda. Na sua intimidade com Cristo, a Igreja acolhe continuamente o Seu testemunho. Porque Ele \u00e9 a \u201ctestemunha fiel\u201d, o testemunho da Igreja \u00e9 cred\u00edvel. A aceita\u00e7\u00e3o desse testemunho \u00e9 a f\u00e9, in\u00edcio da experi\u00eancia de amor pessoal a Jesus Cristo. A maneira como o Senhor se nos d\u00e1, na f\u00e9, confirma o testemunho da Igreja. \u00c9 essa for\u00e7a da uni\u00e3o a Jesus Cristo que o Ap\u00f3stolo Paulo contempla na Igreja de Corinto: \u201cEm Jesus Cristo v\u00f3s fostes cumulados de todas as riquezas, as da palavra e da ci\u00eancia, devido \u00e0 firmeza que adquiriu em v\u00f3s o testemunho de Cristo\u201d (1Co. 1,5-6).   O testemunho da Igreja Apost\u00f3lica \t3. O testemunho dos Ap\u00f3stolos \u00e9 constitutivo da pr\u00f3pria Igreja. \u00c9 a autenticidade do seu testemunho acerca da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus que d\u00e1 origem \u00e0 Igreja como realidade pascal. E da ressurrei\u00e7\u00e3o eles s\u00e3o verdadeiramente testemunhas, viram e experimentaram o Senhor morto e ressuscitado. S\u00e3o Jo\u00e3o n\u00e3o se cansa de o afirmar: \u201cfoi este disc\u00edpulo que d\u00e1 testemunho destes factos e que os escreveu e n\u00f3s sabemos que o seu testemunho \u00e9 verdadeiro\u201d (Jo. 21,24). J\u00e1 a prop\u00f3sito do cora\u00e7\u00e3o de Cristo trespassado pela lan\u00e7a do soldado, donde saiu sangue e \u00e1gua, Jo\u00e3o afirma: \u201caquele que viu d\u00e1 testemunho, um testemunho aut\u00eantico e verdadeiro, para que v\u00f3s acrediteis tamb\u00e9m\u201d (Jo, 19,35). \tSer testemunha da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para se ser ap\u00f3stolo. Quando se trata da escolha de Matias para ocupar o lugar de Judas, o crit\u00e9rio \u00e9 esse: algu\u00e9m que tenha, com eles, feito todo o percurso da vida p\u00fablica de Jesus e \u201cque se torne, connosco, testemunha da Sua ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (Act. 1,22). \tEsse \u00e9 tamb\u00e9m o fundamento do apostolado de Paulo. \u00c9 porque o pr\u00f3prio Cristo ressuscitado lhe aparece na estrada de Damasco, que Paulo poder\u00e1 ser sua testemunha. \u00c9 o que lhe diz Ananias: \u201cO Deus de nossos pais predestinou-te para conheceres a Sua vontade, veres o justo e escutar a voz sa\u00edda da Sua boca, porque tu deves ser, para Ele, testemunha diante de todos os homens, do que viste e ouviste\u201d (Act. 22,14-15). O pr\u00f3prio Senhor lhe promete que aquela vis\u00e3o ser\u00e1 apenas o in\u00edcio de uma longa intimidade prometida e querida por Jesus (cf. Act. 26,15-16). \tA f\u00e9 das comunidades enra\u00edza directamente no testemunho sincero que Paulo d\u00e1, incansavelmente, deste encontro com Jesus Cristo. Relaciona a f\u00e9 dos Tessalonissenses, uma f\u00e9 que lhes d\u00e1 acesso \u00e0 esperan\u00e7a da vida eterna, com a aceita\u00e7\u00e3o do seu testemunho de ap\u00f3stolo (cf. 2Tess. 1,10). Toda a prega\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos \u00e9 um testemunho comovente do seu encontro com Jesus ressuscitado. \tEsta rela\u00e7\u00e3o do testemunho dos ap\u00f3stolos com a f\u00e9 dos crentes, mostra que o testemunho \u00e9 mais do que uma informa\u00e7\u00e3o pessoal. \u00c9 feito j\u00e1 no dinamismo do mist\u00e9rio da f\u00e9, ganha a for\u00e7a do testemunho do pr\u00f3prio Cristo e \u00e9 dotado da efic\u00e1cia sacramental de toda a Palavra de Deus, proporcionando \u00e0queles que O acolhem a experi\u00eancia que anuncia. O Apocalipse define os crist\u00e3os como aqueles \u201cque obedecem \u00e0 ordens de Deus e possuem o testemunho de Jesus\u201d (Apc. 12,17). Porque esse testemunho de Jesus \u00e9 o esp\u00edrito de profecia (cf. Apc. 19,10), aqueles que O acolhem tornam-se profetas e ap\u00f3stolos e podem, com o seu testemunho, comunicar a outros a f\u00e9, que os levar\u00e1 \u00e0 intimidade com Jesus Cristo.   A perenidade do testemunho e o crescimento da Igreja \t4. Esta cadeia ininterrupta de testemunhos, que actualiza em cada tempo a possibilidade do encontro com Jesus Cristo, d\u00e1 densidade \u00e0 hist\u00f3ria da Igreja, fazendo de toda ela uma tradi\u00e7\u00e3o viva, que tem, em si mesma, a for\u00e7a de um testemunho. Ao longo dos s\u00e9culos foram permanentes e aut\u00eanticos os testemunhos de f\u00e9 em Jesus Cristo. Multid\u00f5es de M\u00e1rtires fizeram-no com o seu sangue, forma mais radical de testemunhar a fidelidade a Jesus Cristo. Outros percorreram o mundo a anunciar; outros, na busca persistente da verdade, aprofundaram esse tesouro inesgot\u00e1vel, exprimiram-no nas diversas culturas e tornaram-no cultura. Hoje e em cada tempo o testemunho de f\u00e9 dos crist\u00e3os \u00e9 indeslig\u00e1vel desse testemunho da Igreja; ele \u00e9, apenas, a express\u00e3o desse testemunho de todo um povo crente, a f\u00e9 da Igreja manifestada ao longo dos s\u00e9culos e em tantas circunst\u00e2ncias. Se o testemunho de cada um de n\u00f3s n\u00e3o for a express\u00e3o da f\u00e9 da Igreja, ele torna-se insignificante, incapaz de comunicar a f\u00e9.   Povo de testemunhas e mist\u00e9rio de comunh\u00e3o \t5. O facto de a f\u00e9 se comunicar por testemunho tem a ver com a Igreja como experi\u00eancia de comunh\u00e3o. Acreditar no testemunho de algu\u00e9m significa confiar, abandonar-se \u00e0 verdade do outro. A f\u00e9 estabelece, assim, um la\u00e7o profundo entre a testemunha e aquele que acredita no testemunho. Acreditando, cada crente participa na vida que o outro lhe comunicou; ao acreditar, entramos em comunh\u00e3o. Como essa vida partilhada \u00e9 a pr\u00f3pria vida de Jesus Cristo, \u00e9 n\u2019Ele que nos encontramos em comunh\u00e3o e Ele, a \u201ctestemunha fiel\u201d, introduz-nos na comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. Esse \u00e9, ali\u00e1s, o seu grande testemunho: Eu e o Pai somos um. \tQuando, atrav\u00e9s do nosso testemunho, semeamos a f\u00e9 noutras pessoas, adquirimos outros caminheiros, nesse caminho intermin\u00e1vel de seguimento de Jesus Cristo. Assim vai aumentando a Igreja como povo que caminha e se identifica, progressivamente, com o seu Senhor. E nessa peregrina\u00e7\u00e3o descobrimos que o testemunho n\u00e3o est\u00e1, apenas, no in\u00edcio da f\u00e9. Ao estreitarmos os la\u00e7os de comunh\u00e3o como povo crente, cada um fortalece os seus irm\u00e3os com o testemunho cont\u00ednuo da sua f\u00e9, quando celebra, quando reza, quando anuncia, quando ama os irm\u00e3os, quando vive toda a vida na fidelidade \u00e0 verdade. \u00c9 a f\u00e9 da Igreja que nos sustenta na caminhada.     Todos chamados a testemunhar a f\u00e9 \t6. A Igreja de Lisboa est\u00e1 em ambiente de \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d. Espera-se dela, como comunidade crente e de cada um dos crist\u00e3os, a simplicidade e ousadia do testemunho. E isso sup\u00f5e uma experi\u00eancia pessoal de f\u00e9, que faz da nossa rela\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo a mais preciosa realidade da nossa vida. Jesus comparou o Reino dos C\u00e9us a um tesouro escondido, que queremos possuir a todo o custo (cf. Mt. 13,44-45). Se Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9, para n\u00f3s, esse \u201ctesouro escondido\u201d, essa \u201cpedra preciosa\u201d, dificilmente o nosso discurso acerca d\u2019Ele tem a for\u00e7a de um testemunho. \tAo testemunharmos a pr\u00f3pria f\u00e9, introduzimos no nosso di\u00e1logo com os outros o que de mais profundo e \u00edntimo a nossa vida tem. Fazemo-lo com a simplicidade do amor e com a ousadia das grandes certezas. O pr\u00f3prio Jesus afirmou: \u201cquem se declarar por Mim diante dos homens, Eu me declararei a favor dele diante de Meu Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us\u201d (Mt. 10,32). O testemunho \u00e9 um preito de gratid\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a Jesus Cristo, que falar\u00e1 de n\u00f3s ao Pai. Testemunhar a f\u00e9 tem sempre a densidade da rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria.   \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese Quaresmal do Cardeal Patriarca no 1\u00ba Domingo da Quaresma &#8211; 2004.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,221,237,268,91],"class_list":["post-4825","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-historia-da-igreja","tag-joao-paulo-ii","tag-nova-evangelizacao","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4825"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4825\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}