{"id":48228,"date":"2010-11-10T15:17:59","date_gmt":"2010-11-10T15:17:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/10\/descobrir-o-silencio-no-meio-dos-ruidos\/"},"modified":"2010-11-10T15:17:59","modified_gmt":"2010-11-10T15:17:59","slug":"descobrir-o-silencio-no-meio-dos-ruidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/descobrir-o-silencio-no-meio-dos-ruidos\/","title":{"rendered":"Descobrir o sil\u00eancio no meio dos ru\u00eddos"},"content":{"rendered":"<p>Tem o curso de Engenharia do Ambiente e come&ccedil;ou logo a trabalhar ap&oacute;s a conclus&atilde;o deste na Universidade de Aveiro, mas &ldquo;j&aacute; tinha descoberto o rosto de Deus&rdquo; antes da Engenharia do Ambiente. Jo&atilde;o Santos nasceu no seio de uma fam&iacute;lia cat&oacute;lica e, desde cedo &#8211; ainda andava na Escola Prim&aacute;ria -, j&aacute; colocava a hip&oacute;tese de ser padre. &ldquo;Por&eacute;m, a ideia depressa sumiu com o confronto de outras &laquo;profiss&otilde;es&raquo; que pareciam interessantes&rdquo; &ndash; disse.<\/p>\n<p>A Engenharia do Ambiente foi uma fase do seu percurso formativo e de &ldquo;um contexto que gostava: operacionaliza&ccedil;&atilde;o de meios para a protec&ccedil;&atilde;o do ambiente&rdquo; &ndash; declarou. O ambiente universit&aacute;rio n&atilde;o se resumiu apenas &agrave;s aulas. O conv&iacute;vio crist&atilde;o no Centro Universit&aacute;rio F&eacute; e Cultura daquela cidade &ldquo;foi marcante&rdquo;.<\/p>\n<p>Natural da par&oacute;quia de Canedo, Santa Maria da Feira (diocese do Porto), Jo&atilde;o Santos sempre esteve ligado &agrave; actividade pastoral na par&oacute;quia. No entanto &ndash; reconhece &ndash; que n&atilde;o sabe &ldquo;se estaria no Semin&aacute;rio&rdquo; se fosse estudar para outra cidade diferente. &ldquo;Deus esteve sempre presente na minha vida, mesmo no meu percurso de forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica&rdquo;. E acrescenta: &ldquo;acredito que Deus nos chama&rdquo;.<\/p>\n<p>No meio do chamamento existem ru&iacute;dos &ldquo;que tapam os ouvidos&rdquo;. Jo&atilde;o Santos &ndash; citando um colega &ndash; diz que o ru&iacute;do &eacute; &ldquo;o som que ningu&eacute;m quer&rdquo; porque &ldquo;Deus &eacute; uma voz que se manifesta, mas manifesta-se no sil&ecirc;ncio&rdquo;. Quando o ru&iacute;do existe &ldquo;deixa de haver sil&ecirc;ncio e Deus n&atilde;o se pode escutar&rdquo;.<\/p>\n<p>Com 29 anos &ndash; nasceu a 23 de Fevereiro de 1981 &ndash; este seminarista vive e sente os momentos de sil&ecirc;ncio na sua vida. &ldquo;Eles foram surgindo, mais do que sendo eu a descobri-los foram os momentos de sil&ecirc;ncio que me foram encontrando&rdquo; e &ldquo;fui conhecendo melhor o rosto de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p><em>Aprender com o sorriso de &Aacute;frica<\/em><\/p>\n<p>O ar s&eacute;rio &ndash; apesar da luminosidade do seu olhar &ndash; do Jo&atilde;o Santos contrasta com a alegria expansiva do Pedro Barros. S&atilde;o colegas de curso (ambos frequentam o 3 ano de Teologia) e entraram no Semin&aacute;rio ap&oacute;s uma licenciatura. No meio de uma gargalhada, Pedro confessa que &ldquo;n&atilde;o &eacute; sempre assim&rdquo; (e continua a rir&hellip;). &ldquo;O sorriso de Deus tamb&eacute;m passa por estes momentos&rdquo; porque &ldquo;uma caminhada n&atilde;o se faz meditabundo&rdquo;. O sorriso &eacute; o que caracteriza a &ldquo;ess&ecirc;ncia de qualquer um de n&oacute;s&rdquo;. E pergunta: &ldquo;Quem n&atilde;o quer ter um sorriso? Quem n&atilde;o quer dar um sorriso?&rdquo;<\/p>\n<p>Na sua caminhada vocacional &ndash; com etapas de voluntariado mission&aacute;rio &ndash; o seminarista aveirense explica que no continente africano (Mo&ccedil;ambique e Angola) tamb&eacute;m descobriu o sentido do sorrir. &ldquo;O meu percurso vocacional come&ccedil;ou muito por a&iacute;, a minha primeira experi&ecirc;ncia &eacute;, de facto marcada, pela ess&ecirc;ncia do sorriso&rdquo;. Descobriu no rosto do outro uma &ldquo;nova forma de olhar a vida&rdquo;. E acrescenta: &ldquo;o sorriso &eacute; uma das marcas em &Aacute;frica&rdquo; e &ldquo;trouxe este sorriso de &Aacute;frica&rdquo;.<\/p>\n<p>Pemba e Namaacha (Mo&ccedil;ambique) e Luanda e Lwena (Angola) deixaram marcas na personalidade do seminarista de Santa Joana Princesa. A nostalgia daquele continente est&aacute; patente na voz do Pedro. Carimbos do solo africano: &ldquo;Tenho necessidade tamb&eacute;m de, &agrave;s vezes, ir procur&aacute;-lo [sorriso] em &Aacute;frica. H&aacute; um &laquo;bichinho&raquo; que marca&rdquo; e &ldquo;que ajuda a crescer, a crescer e a crescer&hellip;&rdquo;<\/p>\n<p><em>Fazer uma op&ccedil;&atilde;o radical<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; o mais novo de tr&ecirc;s irm&atilde;os. Os raios solares de Outono passam entre a pouca folhagem e iluminam as palavras do V&iacute;tor Cardoso. Com uma experi&ecirc;ncia no Movimento dos Focolares, este seminarista concorda com a express&atilde;o: Os focolarinos s&atilde;o os &laquo;ap&oacute;stolos do sorriso&raquo;: &ldquo;exactamente&hellip; exactamente, os focolarinos t&ecirc;m a caracter&iacute;stica do sorriso&rdquo;. E salienta: &ldquo;Acreditamos num Deus amor&rdquo;.<\/p>\n<p>O encontro com o Movimento dos Focolares levou-o a &ldquo;fazer uma op&ccedil;&atilde;o radical&rdquo;. No ano de 2005 ap&oacute;s ter conclu&iacute;do os estudos secund&aacute;rios chega o momento de &ldquo;me lan&ccedil;ar nesta aventura&rdquo;. Faz um curso intensivo de italiano, em Roma. Regressa a Portugal e entrega &ldquo;a carta de despedida na empresa&rdquo;. Abandonou tudo, &ldquo;nesta radicalidade&rdquo;.<\/p>\n<p>As reac&ccedil;&otilde;es dos colegas da empresa onde o V&iacute;tor Cardoso trabalhava foram diversas. &ldquo;Alguns tiveram uma sensa&ccedil;&atilde;o estranha &#8211; n&atilde;o foi a quest&atilde;o de rir -, mas tentaram por tudo para eu abandonar esta ideia&rdquo; &ndash; declarou o seminarista da Gafanha de Nossa Senhora do Carmo. Por sua vez, o director da empresa aceitou &ldquo;muito bem e apoiou-me&rdquo;. At&eacute; o dispensou dos dois meses que as normas laborais exigem no caso de despedimento por livre iniciativa.<\/p>\n<p>Um m&ecirc;s de mudan&ccedil;as totais e &ldquo;decisivo&rdquo;. Deixou a empresa e teve de contar a novidade em casa. &ldquo;Propriamente, a fam&iacute;lia n&atilde;o sabia de nada&rdquo;. N&atilde;o escondeu o &laquo;segredo&raquo;, mas &ndash; apesar de verem &ldquo;o acompanhamento que estava a fazer a n&iacute;vel do Movimento dos Focolares &ndash; n&atilde;o sabiam da nova etapa.<\/p>\n<p>A partida foi &ldquo;dif&iacute;cil&rdquo;. No entanto &ndash; real&ccedil;a logo o V&iacute;tor Cardoso &ndash; o Evangelho diz: &ldquo;quem deixa pai e m&atilde;e recebe cem vezes mais&rdquo;. N&atilde;o foi apenas essa a raz&atilde;o. &ldquo;Deixava c&aacute; algo que foi constru&iacute;do em 33 anos&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem o curso de Engenharia do Ambiente e come&ccedil;ou logo a trabalhar ap&oacute;s a conclus&atilde;o deste na Universidade de Aveiro, mas &ldquo;j&aacute; tinha descoberto o rosto de Deus&rdquo; antes da Engenharia do Ambiente. 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