{"id":48197,"date":"2010-11-09T13:18:25","date_gmt":"2010-11-09T13:18:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/09\/por-uma-nova-solidariedade\/"},"modified":"2010-11-09T13:18:25","modified_gmt":"2010-11-09T13:18:25","slug":"por-uma-nova-solidariedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/por-uma-nova-solidariedade\/","title":{"rendered":"Por uma nova solidariedade"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Domingues Rodrigues, LOC\/MTC <!--more--> <\/p>\n<p>Vive-se actualmente em Portugal, por toda a Europa e em muitas outras partes do Mundo uma situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e financeira como j&aacute; h&aacute; muitas d&eacute;cadas n&atilde;o se via. Eu penso que n&atilde;o vivemos s&oacute; uma crise econ&oacute;mica, mas tamb&eacute;m uma crise de confian&ccedil;a e de esperan&ccedil;a, o que nos leva a uma baixa auto-estima para reagir face &agrave;s adversidades.<\/p>\n<p>Cultiva-se uma cultura do eu, mesmo que vivamos, por vezes em grupo, estamos sempre situados no eu, que nos leva ao individualismo e ao ego&iacute;smo. &Eacute; muito pouco aquilo que motiva&nbsp;&nbsp;&nbsp; as pessoas, tendo presente todos os dias as dificuldades criadas pela crise econ&oacute;mica.<\/p>\n<p>Concretamente os pol&iacute;ticos, os agentes sociais e outros poderes, como a comunica&ccedil;&atilde;o social, t&ecirc;m sido pouco s&eacute;rios, pouco honestos, no que dizem e no que fazem.<\/p>\n<p>Ultimamente n&atilde;o se tem respeitado os trabalhadores e as organiza&ccedil;&otilde;es que os representam, pelo facto das suas vozes e pareceres n&atilde;o serem tidos em conta. Em nome de uma maior estabilidade econ&oacute;mica imp&otilde;em-se medidas e esquece-se o di&aacute;logo social. &Eacute; importante que as for&ccedil;as de poder nos ou&ccedil;am quando decidem. O que se v&ecirc; &eacute; que o povo s&oacute; conta nas elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Estas s&atilde;o raz&otilde;es muito fortes para que os trabalhadores e o povo em geral se divorcie, se alheie da vida e se desinteresse de participar na procura de alternativas para um novo modelo de desenvolvimento. N&atilde;o se podem criar h&aacute;bitos novos nem paradigmas de vida diferente, quando os testemunhos s&atilde;o o contr&aacute;rio do que se diz e se proclama. Globalizaram as nossas vidas sem nos explicarem muito bem o que era e como era. <em>&ldquo;A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas n&atilde;o nos faz irm&atilde;os.&rdquo; (Caridade na Verdade n&ordm; 19)<\/em><\/p>\n<p>Penso que o novo modelo de desenvolvimento s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se formos capazes de defender o trabalho para todos, dentro da reorganiza&ccedil;&atilde;o da sociedade. &Eacute; o trabalho que &eacute; para o homem e n&atilde;o o homem para o trabalho.<\/p>\n<p>O novo modelo de desenvolvimento s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se o homem todo for &nbsp;respeitado na sua dignidade. &Eacute; importante viver mais em parcerias, para que a economia social possa ser desenvolvida e posta ao servi&ccedil;o das pessoas.<\/p>\n<p>As responsabilidades n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; dos outros, s&atilde;o tamb&eacute;m dos trabalhadores e das suas organiza&ccedil;&otilde;es representativas.<\/p>\n<p>&Eacute; importante mudar determinados h&aacute;bitos e n&atilde;o criar v&iacute;cios que a sociedade capitalista quer que se criem, por exemplo o consumo exagerado de bens; prejudicando o meio ambiente; construindo cada vez mais ind&uacute;strias sem perspectiva do bem-estar das pessoas, tendo presente somente o lucro r&aacute;pido. <em>&ldquo;O lucro &eacute; &uacute;til se, como meio, for orientado para um fim que lhe indique o sentido e o modo como o produzir e utilizar. O objectivo exclusivo de lucro, quando mal produzido e sem ter como fim &uacute;ltimo o bem comum, arrisca-se a destruir a riqueza e a criar pobreza.&rdquo;<\/em> <em>(CV 21)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;O capitalismo neoliberal que nos governa tem de ser contrariado.<\/p>\n<p>Andamos todos a correr demasiado, preocupados com a competi&ccedil;&atilde;o entre uns e outros. A partir do princ&iacute;pio da competitividade n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para a confian&ccedil;a m&uacute;tua, para alegrar-se com o crescimento do outro. A competitividade destr&oacute;i, em definitivo as rela&ccedil;&otilde;es humanas e faz que todos sejam vistos como potenciais advers&aacute;rios. Este princ&iacute;pio da globaliza&ccedil;&atilde;o trata de impor-se tamb&eacute;m na educa&ccedil;&atilde;o e na forma&ccedil;&atilde;o das pessoas, em particular das crian&ccedil;as: j&aacute; n&atilde;o se diz h&aacute; que ser bom, mas h&aacute; que ser o primeiro e o melhor.<\/p>\n<p>A luta dos trabalhadores e das suas organiza&ccedil;&otilde;es deve ser sempre na perspectiva de integra&ccedil;&atilde;o de todos, respeitando a sua diversidade e n&atilde;o aumentando ainda mais o fosso entre os que t&ecirc;m e os que n&atilde;o t&ecirc;m.<\/p>\n<p>N&atilde;o posso aceitar que haja tanta gente a ganhar reformas escandalosas, quando outros n&atilde;o t&ecirc;m que comer. Os equil&iacute;brios s&atilde;o cada vez mais importantes, mas isso s&oacute; pode acontecer quando, os que ganham e t&ecirc;m muito abdicarem um pouco a favor dos outros. Podem dizer que n&atilde;o &eacute; por a&iacute; que se resolvem os problemas da economia mas &eacute; moralizador, para muitos criarem uma nova motiva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o aceito facilmente que sejam os bancos e o poder econ&oacute;mico a dizer como &eacute; que devem ser os financiamentos das d&iacute;vidas existentes. Lembremo-nos que os bancos foram ao estado pedir suporte para encherem os seus cofres, e agora ainda dificultam os empr&eacute;stimos &agrave;s pequenas empresas.<\/p>\n<p>Os poderes querem fazer crer que o modelo actual &eacute; o &uacute;nico que nos pode levar a bom porto, mas estou convencido que h&aacute; outros caminhos para que seja poss&iacute;vel um desenvolvimento mais justo e solid&aacute;rio, que tenha em conta a dignidade das pessoas e n&atilde;o o lucro desenfreado.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso criar condi&ccedil;&otilde;es dignas de trabalho, para que se possa produzir e s&oacute; nessa medida se pode pedir responsabilidade aos trabalhadores.<\/p>\n<p>Para mim, que sou crist&atilde;o, a minha f&eacute; deve sustentar que o Projecto que Deus tem para o homem deve levar a um novo modelo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>O movimento oper&aacute;rio quando acredita, e a hist&oacute;ria assim o prova, &eacute; pioneiro da mudan&ccedil;a, atrav&eacute;s das suas lutas.<\/p>\n<p>Acredite-se ou n&atilde;o, s&oacute; organizados &eacute; poss&iacute;vel combater o capital que n&atilde;o tem rosto e as suas injusti&ccedil;as sociais. <em>&ldquo;O conjunto das mudan&ccedil;as econ&oacute;micas faz com que as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais sintam dificuldade em organizar os trabalhadores&rdquo;. (CV n&ordm;25)<\/em><\/p>\n<p>Ainda na mesma Enc&iacute;clica refere-se que: <em>&ldquo;O peso das ideologias tem sido um factor negativo nas vidas das organiza&ccedil;&otilde;es. A riqueza mundial cresce em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p>O Papa Bento XVI, bebendo da Gaudium et Spes n&ordm; 63, chama a aten&ccedil;&atilde;o dos governos para a renova&ccedil;&atilde;o dos sistemas econ&oacute;micos e sociais, afirmando que o primeiro capital a preservar e valorizar deve ser a pessoa na sua dignidade.<\/p>\n<p>&Eacute; urgente que se coloque as pessoas em primeiro lugar: <em>&ldquo;A economia tem necessidade de uma &eacute;tica para o seu correcto funcionamento; n&atilde;o de uma &eacute;tica qualquer, mas de uma &eacute;tica amiga da pessoa&rdquo; (Caridade na Verdade n&ordm; 45)<\/em><\/p>\n<p>N&atilde;o nos podemos calar face aos senhores que governam e aos que t&ecirc;m o poder, que continuam a fazer o que querem.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso reorganizar a sociedade, para que as assimetrias sejam diminu&iacute;das e os meios existentes sejam melhores distribu&iacute;dos.<\/p>\n<p>&nbsp;Os crist&atilde;os t&ecirc;m deveres acrescidos na defesa de uma sociedade mais justa, a come&ccedil;ar pela fam&iacute;lia como escola de valores. A degrada&ccedil;&atilde;o social leva &agrave; desagrega&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias e os desequil&iacute;brios sociais s&atilde;o ainda maiores.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio construir uma nova solidariedade, aprendendo todos os dias a repartir o que h&aacute; e n&atilde;o o que sobra. Assim poderemos falar de uma nova ordem mundial.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jos&eacute; Domingues Rodrigues (Vice-Coordenador Nacional da LOC\/MTC)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Domingues Rodrigues, LOC\/MTC<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,187,191,203,247,256,314],"class_list":["post-48197","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-europa","tag-loc-mtc","tag-meio-ambiente","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48197"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48197\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}