{"id":48150,"date":"2010-11-08T11:46:47","date_gmt":"2010-11-08T11:46:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/08\/a-dimensao-pastoral-da-area-humana\/"},"modified":"2010-11-08T11:46:47","modified_gmt":"2010-11-08T11:46:47","slug":"a-dimensao-pastoral-da-area-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-dimensao-pastoral-da-area-humana\/","title":{"rendered":"A dimens\u00e3o pastoral da \u00e1rea humana"},"content":{"rendered":"<p>O presb&iacute;tero est&aacute; chamado a ser imagem viva de Cristo e a reflectir em si mesmo as mesmas atitudes humanas e que se devem tornar transparentes numa singular efic&aacute;cia pastoral (cf. <em>PDV<\/em> 43). A comunidade crist&atilde; tem o direito de ter junto de si um pastor que seja transpar&ecirc;ncia da humanidade de Cristo. Jo&atilde;o Paulo II adverte bem a dificuldade no alcance deste prop&oacute;sito e por isso, referindo-se a esta transpar&ecirc;ncia, usa a express&atilde;o &ldquo;<em>na medida do poss&iacute;vel<\/em>&rdquo;, sabendo que o poss&iacute;vel &eacute; sempre o testemunho de uma personalidade humana que esteja integrada e madura.<\/p>\n<p>A &aacute;rea humana da forma&ccedil;&atilde;o entendida numa perspectiva pastoral deve ter em aten&ccedil;&atilde;o a forma&ccedil;&atilde;o a novos conte&uacute;dos e novas perspectivas. Novos conte&uacute;dos na linha das qualidades que um seminarista deve procurar alcan&ccedil;ar no processo de identifica&ccedil;&atilde;o em Cristo, e novas perspectivas no horizonte daquelas qualidades e virtudes que a miss&atilde;o pastoral exige. Para que esta forma&ccedil;&atilde;o seja poss&iacute;vel &eacute; preciso ter em conta em primeiro lugar a centralidade que deve existir neste horizonte formativo a dimens&atilde;o afectivo-sexual porque se trata exactamente de estarmos ao centro da for&ccedil;a energ&eacute;tica da pessoa humana. Uma adequada forma&ccedil;&atilde;o humana em sentido pastoral deve exigir uma aten&ccedil;&atilde;o particular a esta &aacute;rea afectiva da parte dos formadores e da parte do pr&oacute;prio seminarista. Este deve reconhecer em si alguns pressupostos nos quais assenta a forma&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria pessoa: que a pessoa humana como um ser consciente, chamado a crescer na consci&ecirc;ncia de dom&iacute;nio de si como ser livre e respons&aacute;vel, mas que neste caminho encontra divis&otilde;es interiores que podem provocar diversas tens&otilde;es, ora de progresso evolutivo, ora de regresso, mas que cresce no equil&iacute;brio entre estes p&oacute;los; deve procurar viver as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais como oportunidade e &ldquo;lugar&rdquo; da sua realiza&ccedil;&atilde;o, como acolhimento e doa&ccedil;&atilde;o, capacitando esta rela&ccedil;&atilde;o a uma atitude de abertura ao transcendente, que pode ser ao mesmo tempo um transcender-se num esfor&ccedil;o de alcance do divino, mas tamb&eacute;m um transcentrar-se na medida em que n&atilde;o &eacute; mais o centro de si. Esta &uacute;ltima atitude &eacute; fundamental na medida em que o seminarista em forma&ccedil;&atilde;o &eacute; aquele que vai crescendo na consci&ecirc;ncia que n&atilde;o deve ser o centro das rela&ccedil;&otilde;es e da vida dos outros e nem deve ser o centro na rela&ccedil;&atilde;o com Deus.<\/p>\n<p>Podemos assim propor uma evolu&ccedil;&atilde;o na atitude de acompanhamento e forma&ccedil;&atilde;o destes campos que vai do centrar-se aos transcentar-se: o seminarista deve fazer um percurso que passa pelo conhecimento de si e das suas capacidades e limites (&ldquo;<em>centramento<\/em>&rdquo;) para que possa iniciar um processo de &ldquo;<em>descentramento<\/em>&rdquo; que se trata de perceber o mist&eacute;rio que a vida &eacute;, necessitando de sair de si e das suas convic&ccedil;&otilde;es para conseguir entrar nesse mesmo mist&eacute;rio. O conhecimento da fase anterior de conhecimento da realidade e da psicodin&acirc;mica latente dever&aacute; seguir para o passo seguinte de encontro consigo pr&oacute;prio purificando as motiva&ccedil;&otilde;es e as atitudes segundo as aspira&ccedil;&otilde;es que se criam no seu interior, que exigem determinado modo de desejar. A proposta de Jesus Cristo e do modelo de vida evang&eacute;lico &eacute; fundamental para provocar uma atrac&ccedil;&atilde;o pelos seus valores e estilo de vida, pelo seu modo de ser e de desejar, pelo seu modo de decidir sobre si mesmo e sobre a hist&oacute;ria. Desejar a Jesus Cristo n&atilde;o s&oacute; &eacute; o grande valor na escolha de uma op&ccedil;&atilde;o vocacional, mas &eacute; tamb&eacute;m querer configurar-se &agrave; sua pr&oacute;pria forma de desejar. Um jovem que fa&ccedil;a este caminho com seriedade e sendo ajudado com verdade, &eacute; confrontado neste momento com uma dial&eacute;ctica de base porque perceber&aacute; a sua dist&acirc;ncia e diversidade no modo de desejar. Este &eacute; o momento em que, olhando para o percurso feito, percebe um caminho de matura&ccedil;&atilde;o, de auto-conhecimento, de confian&ccedil;a crescente em Deus e de sintonia de desejos, com conflitos interiores que se aperfei&ccedil;oam em din&acirc;mica de projecto de crescimento tendo em vista o fim a alcan&ccedil;ar que &eacute; a paix&atilde;o activa por Cristo. Ainda que a forma&ccedil;&atilde;o humana segundo esta din&acirc;mica esteja presente em todo o percurso, a consci&ecirc;ncia e o trabalho nesta dimens&atilde;o torna-se muito importante e necess&aacute;rio nos primeiros tempos de forma&ccedil;&atilde;o e no Tempo Proped&ecirc;utico.<\/p>\n<p>A proposta de Jesus Cristo como ideal e realidade a seguir n&atilde;o &eacute; apenas do foro espiritual. Como apresent&aacute;mos, &eacute; numa correcta forma&ccedil;&atilde;o humana que devemos apontar Jesus Cristo como proposta de desejo e atrac&ccedil;&atilde;o para que todas as for&ccedil;as da personalidade possam encontrar n&rsquo;Ele a sua finaliza&ccedil;&atilde;o. Na proposta formativa e neste di&aacute;logo entre a dimens&atilde;o humana na forma como j&aacute; apresent&aacute;mos e a dimens&atilde;o pastoral, deve-se agora ter em aten&ccedil;&atilde;o tr&ecirc;s &acirc;mbitos que s&atilde;o ao mesmo tempo exig&ecirc;ncia formativa que brota da caridade pastoral de Jesus Cristo:<\/p>\n<p>a) <em>Formar na liberdade<\/em>. A teologia apresenta-nos a liberdade coma a propriedade essencial do crist&atilde;o porque fruto do Mist&eacute;rio Pascal de Cristo, mas tamb&eacute;m como valor que pertence &agrave; realidade do amor divino. O Homem &eacute; criado livre, para na liberdade fazer as suas op&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o como decis&atilde;o autorit&aacute;ria sobre a vida, mas como realiza&ccedil;&atilde;o segundo um horizonte-esperan&ccedil;a que a f&eacute; crist&atilde; provoca em cada baptizado.<\/p>\n<p>Formar &agrave; liberdade &eacute; reconhecer a responsabilidade que cada seminarista deve imprimir na sua forma&ccedil;&atilde;o, &eacute; reconhecer que &eacute; na liberdade que se joga a verdadeira possibilidade de crescimento e que se &ldquo;<em>configura come obedi&ecirc;ncia convicta e cordial &agrave; &lsquo;verdade&rsquo; do pr&oacute;prio ser, ao significado do pr&oacute;prio existir&rdquo;<\/em> (<em>PDV<\/em> 44). S&oacute; uma forma&ccedil;&atilde;o que reconhece a liberdade como um espa&ccedil;o natural de crescimento respons&aacute;vel &eacute; que &eacute; garantia de uma resposta vocacional tamb&eacute;m livre de condi&ccedil;&otilde;es e de um exerc&iacute;cio de minist&eacute;rio exercido como resposta livre &agrave; miss&atilde;o confiada.<\/p>\n<p>Em espa&ccedil;o formativo de semin&aacute;rio joga-se sempre a dicotomia real entre liberdade e autoridade. &Eacute; bom recordar que &lsquo;auctoritas&rsquo; vem de <em>auger<\/em> que significa &lsquo;aquele que me faz crescer&rsquo;. Neste sentido a autoridade &eacute; exercida em favor da liberdade de cada um como espa&ccedil;o interior e pessoal de crescimento respons&aacute;vel e ao servi&ccedil;o do pr&oacute;prio bem e da miss&atilde;o a exercer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>b) <em>Formar a afectividade<\/em>. Este campo da forma&ccedil;&atilde;o humana deve merecer uma aten&ccedil;&atilde;o permanente da parte dos formadores e da auto-forma&ccedil;&atilde;o que o seminarista deve realizar. S&oacute; no conhecimento de si e na canaliza&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o de todas as for&ccedil;as da personalidade humana &eacute; que a proposta do celibato poder&aacute; encontrar campo para ser uma resposta livre e humanamente acolhida dentro de si. A maturidade &eacute; uma realidade complexa e que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil circunscreve-la totalmente. Podemos entender um seminarista maduro como aquele que adquiriu a capacidade de agir livremente, que integrou e desenvolveu virtudes humanas, que adquiriu uma capacidade de autocontrolo e integra&ccedil;&atilde;o das diversas for&ccedil;as emotivo-afectivas. Esta &eacute; tamb&eacute;m a convic&ccedil;&atilde;o da <em>PDV<\/em>:<\/p>\n<p>A educa&ccedil;&atilde;o para o amor respons&aacute;vel e a maturidade afectiva da pessoa tornam-se absolutamente necess&aacute;rias para quem, como o presb&iacute;tero, &eacute; chamado ao celibato, ou seja, a oferecer, pela gra&ccedil;a do Esp&iacute;rito e com a resposta livre da pr&oacute;pria vontade, a totalidade do seu amor e da sua solicitude a Jesus Cristo e &agrave; Igreja. (<em>PDV<\/em> 44).<\/p>\n<p>Formar a afectividade n&atilde;o &eacute; apenas um elemento da psicologia e da pedagogia formativa, mas &eacute; uma exig&ecirc;ncia daquilo que St. Agostinho chama <em>amoris officium<\/em> e que n&oacute;s defin&iacute;amos em linguagem espiritual como caridade pastoral. A afectividade tem uma componente espiritual enquanto procura criar em cada seminarista uma capacidade de amar como a capacidade de Cristo, que exige predisposi&ccedil;&otilde;es humanas e psicol&oacute;gicas, mas tamb&eacute;m um sentido transcendente que &eacute; dom acolhido e transformante em cada um. Na medida em que o semin&aacute;rio for espa&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o afectiva, na rela&ccedil;&atilde;o com formadores e seminaristas e for espa&ccedil;o de crescimento no amor de Deus para o amor aos outros, cresce na expectativa de poder ser sinal vis&iacute;vel do mesmo amor de Cristo e ser an&uacute;ncio prof&eacute;tico da novidade transformante que &eacute; o amor livre de Deus.<\/p>\n<p>c) <em>Formar uma personalidade madura<\/em>. Este &eacute; o objectivo de toda a forma&ccedil;&atilde;o humana j&aacute; anteriormente visto, mas &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o que perpassa a forma&ccedil;&atilde;o de um pastor. Atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o educativa em semin&aacute;rio o candidato deve comprovar na sua vida tudo aquilo que implica configurar a sua vontade com a de Cristo para O poder servir na Igreja. A clareza do ideal vocacional e o percurso para o atingir com verdade e vontade s&atilde;o elementos fundamentais para que a personalidade possa ser alicer&ccedil;ada n&atilde;o apenas em refer&ecirc;ncias humanas de crescimento, mas tamb&eacute;m moldada segundo valores espirituais. Neste sentido &eacute; importante que cada um tenha conhecimento de quem &eacute;, que se possa trabalhar no conhecimento-de-si atrav&eacute;s de uma adequada pedagogia nos desejos, impulsos, atitudes. Formar a uma personalidade madura no sentido pastoral &eacute; ter como horizonte a atitude-de-pastor que implica formar ao realismo, &agrave; modera&ccedil;&atilde;o, ao equil&iacute;brio, &agrave; serenidade, &agrave; objectividade, &agrave; prud&ecirc;ncia, &agrave; responsabilidade, &agrave; capacidade de an&aacute;lise, de reflex&atilde;o, de controlo emotivo, capacidade de decis&atilde;o, seguran&ccedil;a pessoal e despojamento.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jo&atilde;o Alves, padre, Semin&aacute;rio de Sta Joana Princesa, Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presb&iacute;tero est&aacute; chamado a ser imagem viva de Cristo e a reflectir em si mesmo as mesmas atitudes humanas e que se devem tornar transparentes numa singular efic&aacute;cia pastoral (cf. PDV 43). A comunidade crist&atilde; tem o direito de ter junto de si um pastor que seja transpar&ecirc;ncia da humanidade de Cristo. 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