{"id":48144,"date":"2010-11-08T10:42:16","date_gmt":"2010-11-08T10:42:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/08\/combate-aos-pobres-ou-combate-a-pobreza\/"},"modified":"2010-11-08T10:42:16","modified_gmt":"2010-11-08T10:42:16","slug":"combate-aos-pobres-ou-combate-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/combate-aos-pobres-ou-combate-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Combate aos \u201cpobres\u201d ou Combate \u00e0 \u201cPobreza\u201d?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Em pleno Outono do Ano Europeu de Combate &agrave; Pobreza e Exclus&atilde;o Social, a Europa em geral e Portugal em particular, mais do que se afirmarem pela resolu&ccedil;&atilde;o dos m&uacute;ltiplos problemas sociais que afectam os respectivos territ&oacute;rios, parecem apenas constat&aacute;-los em cen&aacute;rios marcados pelo agravamento de situa&ccedil;&otilde;es macro e microecon&oacute;micas, de desfechos imprevis&iacute;veis, a v&aacute;rios n&iacute;veis: econ&oacute;mico, financeiro, social, pol&iacute;tico, cultural, &eacute;tico, c&iacute;vico, humanit&aacute;rio.<\/p>\n<p>J&aacute; todos sabemos que a &ldquo;Pobreza&rdquo; enquanto conceito evoluiu de uma perspectiva particular, com especial &ecirc;nfase na aus&ecirc;ncia de rendimentos e recursos materiais adequados a uma vida aceit&aacute;vel, para uma perspectiva multidimensional onde se inserem as quest&otilde;es da desigualdade (rendimentos, g&eacute;nero, ra&ccedil;a, etnia, religi&atilde;o, cren&ccedil;a, defici&ecirc;ncia, idade, etc.) e da exclus&atilde;o social (escassez de rendimentos, desemprego, dificuldades no acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; sa&uacute;de, m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de vida, d&eacute;fices de participa&ccedil;&atilde;o social, etc.). J&aacute; todos sabemos tamb&eacute;m, de acordo com dados oficiais (Eurostat, INE, entre outros dados quantitativos e qualitativos fornecidos por m&uacute;ltiplas organiza&ccedil;&otilde;es que se encontram no terreno), que os grupos mais vulner&aacute;veis &agrave; &ldquo;Pobreza&rdquo; s&atilde;o os desempregados, os trabalhadores prec&aacute;rios, os reformados, as pessoas com baixo n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o ou habilita&ccedil;&otilde;es, os deficientes e doentes cr&oacute;nicos, os toxicodependentes, as crian&ccedil;as de fam&iacute;lias com problemas de estrutura&ccedil;&atilde;o, entre outros.<\/p>\n<p>O que nem todos sabemos &eacute; enquadrar estes conceitos e estes dados concretos nas circunst&acirc;ncias que (n)os envolvem, sobretudo, no modelo econ&oacute;mico e social das sociedades modernas, marcado por um forte capitalismo (neo)liberal potenciador do lucro exponencial de uns poucos e da sobreviv&ecirc;ncia subserviente de uma multid&atilde;o. Al&eacute;m disso, os primeiros s&atilde;o, comummente, marcados com a etiqueta do sucesso, do esfor&ccedil;o, do saber e do status social, e os outros com a etiqueta do insucesso, da pregui&ccedil;a, da ignor&acirc;ncia e da sua culpabilidade perante a situa&ccedil;&atilde;o em que se encontram.<\/p>\n<p>No meio destas for&ccedil;as e fraquezas econ&oacute;mico-sociais, os estados &ldquo;andam &agrave;s aranhas&rdquo;, numa az&aacute;fama de justifica&ccedil;&otilde;es e ilus&otilde;es, tendentes, claramente, para a protec&ccedil;&atilde;o do modelo vigente onde se premeia aquele sucesso de uns poucos e se culpabiliza aquele insucesso de uma enorme maioria. Sen&atilde;o, perguntemos: Quem est&aacute; a pagar a actual crise gerada por aquele modelo?&#8230; Quem &eacute; responsabilizado?&#8230; Quem se atreve a contrariar os sal&aacute;rios p&uacute;blicos milion&aacute;rios de certos administradores?&#8230; Quem ousa intervir nos sal&aacute;rios dos gestores de empresas p&uacute;blicas?&#8230; Quem ousa questionar as nomea&ccedil;&otilde;es milion&aacute;rias para certos cargos p&uacute;blicos e de empresas p&uacute;blicas?&#8230; Quem ousa questionar os &ldquo;arranjos multimilion&aacute;rios&rdquo; das famosas parcerias p&uacute;blico-privadas?&#8230; Quem contraria certas reformas milion&aacute;rias?&#8230; Quem ousa mexer nos lucros exponenciais da Banca?&#8230; Quem ousa intervir nos in&uacute;meros casos de ambiguidade contratual?&#8230; Quem v&ecirc; ser responsabilizado algum sinal de corrup&ccedil;&atilde;o e de clientelismo pol&iacute;tico-partid&aacute;rio?&#8230; Entretanto, sentem-se, claramente, cortes nos sal&aacute;rios dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, cortes nas presta&ccedil;&otilde;es sociais, cortes nos subs&iacute;dios de desemprego e nos rendimentos sociais de inser&ccedil;&atilde;o, cortes nos apoios &agrave; natalidade, cortes nos que n&atilde;o t&ecirc;m voz, cortes nos que n&atilde;o t&ecirc;m o &ldquo;tal&rdquo; sucesso, cortes nos &ldquo;tais&rdquo; culpados, enfim, cortes nos pobres culpados &ldquo;pobres&rdquo;.<\/p>\n<p>N&atilde;o ser&aacute; necess&aacute;rio muito esfor&ccedil;o intelectual para verificarmos que o &ldquo;combate aos pobres&rdquo;, essa imensa multid&atilde;o obrigada a pagar uma crise que sustenta no poder e no luxo uma minoria <em>&ldquo;sui generis&rdquo;,<\/em> &eacute; uma realidade que parece teimar estar para ficar. Muitos discursos de &ldquo;combate &agrave; Pobreza&rdquo; que, ami&uacute;de, se ouvem por a&iacute;, n&atilde;o s&atilde;o mais do que opini&atilde;o mediatizada para ocultar um poder executivo de &ldquo;combate aos pobres&rdquo;.<\/p>\n<p>Perante tal panorama, se n&atilde;o repensarmos o modelo econ&oacute;mico e social em que vivemos, com um exerc&iacute;cio de verdadeira responsabiliza&ccedil;&atilde;o das pessoas e processos que o minam, este combate desigual entre uma minoria que parece imune a tudo usufruindo das maiores benesses e uma maioria que parece ser a respons&aacute;vel por tudo quanto acontece de negativo, ser&aacute; sempre uma bomba rel&oacute;gio pronta a explodir, e com efeitos imprevis&iacute;veis. A seguran&ccedil;a, a prosperidade e a paz social est&atilde;o claramente em causa, n&atilde;o s&oacute; dos pobres respons&aacute;veis &ldquo;pobres&rdquo; mas tamb&eacute;m dos efectivos respons&aacute;veis &ldquo;ricos&rdquo;. Avisos n&atilde;o v&atilde;o faltando por a&iacute;. Seja como for, ainda quero continuar a acreditar que perante a disjun&ccedil;&atilde;o combate aos &ldquo;pobres&rdquo; ou combate &agrave; &ldquo;Pobreza&rdquo; se opte, finalmente, pela melhor parte. Em favor do Bem Comum!&#8230;<\/p>\n<p align=\"right\">paulo.neves@caritas.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pleno Outono do Ano Europeu de Combate &agrave; Pobreza e Exclus&atilde;o Social, a Europa em geral e Portugal em particular, mais do que se afirmarem pela resolu&ccedil;&atilde;o dos m&uacute;ltiplos problemas sociais que afectam os respectivos territ&oacute;rios, parecem apenas constat&aacute;-los em cen&aacute;rios marcados pelo agravamento de situa&ccedil;&otilde;es macro e microecon&oacute;micas, de desfechos imprevis&iacute;veis, a v&aacute;rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[203,267],"class_list":["post-48144","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-europa","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48144"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48144\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}