{"id":4798,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/homilia-do-bispo-do-porto-no-inicio-da-quaresma\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-no-inicio-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-no-inicio-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto no \u00ednicio da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p>Quarta-feira de Cinzas <!--more--> Quaresma Quarta \u2013 Feira de Cinzas 2004  Iniciamos hoje o tempo da Quaresma, tempo de penit\u00eancia e convers\u00e3o, projecto e programa sempre necess\u00e1rios \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana, e tamb\u00e9m prepara\u00e7\u00e3o habitual para a celebra\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia do mist\u00e9rio pascal.  Deus, atrav\u00e9s do profeta, faz apelo \u00e0 nossa convers\u00e3o interior, confiando no mesmo Deus que \u00e9 \u201cclemente e compassivo, paciente e misericordioso\u201d (Joel 2, 13). E convida-nos a convocar todo o povo, toda a comunidade de pessoas de qualquer idade e condi\u00e7\u00e3o, para esta disposi\u00e7\u00e3o e atitude de penit\u00eancia e convers\u00e3o, sem d\u00favida e essencialmente pessoal mas tamb\u00e9m social e exterior, at\u00e9 por exig\u00eancias de verdade e raz\u00e3o apolog\u00e9tica.  Com raz\u00e3o e pertin\u00eancia a Liturgia da Igreja nos recorda hoje o ensinamento expl\u00edcito de Cristo para a pr\u00e1tica quaresmal: a esmola ou partilha de bens, a ora\u00e7\u00e3o e o jejum, com discre\u00e7\u00e3o, sem afecta\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita, com verdade (cf. Mt 6, 1-6. 16-18). Estas pr\u00e1ticas s\u00e3o caracter\u00edsticas da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, do ideal e viv\u00eancia de todos os crist\u00e3os, e tamb\u00e9m sem d\u00favida dos homens em geral, na medida em que sejam capazes de recorrer a estes meios de ascese, perfei\u00e7\u00e3o, paz interior e culto da dignidade humana. Mas a Igreja chama-nos a celebrar o tempo da Quaresma na adop\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o destas pr\u00e1ticas de modo mais intenso e finalizado: maior aten\u00e7\u00e3o afectiva e efectiva aos irm\u00e3os que t\u00eam direito ao nosso desapego de bens e consequente partilha; mais tempo dedicado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus; mais acentuada ren\u00fancia, pelo jejum, n\u00e3o s\u00f3 aos excessos alimentares, mas at\u00e9 \u00e0quilo que \u00e9 habitual e sobretudo mais necess\u00e1rio, mais apetec\u00edvel ou mais dispendioso. A pr\u00f3pria experi\u00eancia e tradi\u00e7\u00e3o da Igreja mant\u00e9m e ensina que por estas vias a pessoa humana se aperfei\u00e7oa e que a solidariedade humana se concretiza. \u00c9 o bem da pessoa individual para bem da comunidade humana.  Para esta Quaresma de 2004 o Papa Jo\u00e3o Paulo II enviou-nos uma Mensagem, subordinada ao tema \u201cQuem acolher em meu nome uma crian\u00e7a como esta, acolhe-Me a Mim\u201d(Mt. 18,5). Quando os disc\u00edpulos de Cristo lhe perguntaram quem seria o maior do Reino dos C\u00e9us, o Mestre chamou para junto de si uma crian\u00e7a e deu-lhes uma resposta devidamente ilustrada e tipificada: \u201cQuem acolher em meu nome uma crian\u00e7a como esta, acolhe-Me a Mim\u201d. Exorta-nos a reflectir sobre a condi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e estimula-nos a apreciar e imitar a simplicidade, a inoc\u00eancia e confian\u00e7a que todos devemos cultivar. E a par das crian\u00e7as Jesus coloca \u201cos mais pequeninos\u201d, \u201cos pobres, os necessitados, os famintos e sedentos, os forasteiros, os nus, os doentes e os presos\u201d (Mensagem n\u00ba1). Tornar-se pequeno, acolher e respeitar os mais pequenos, s\u00e3o dois aspectos desta mensagem quaresmal.  \u00c9 obvio que n\u00e3o pode aqui omitir-se uma refer\u00eancia de exemplaridade e louvor \u00e0s fam\u00edlias preocupadas em transmitir aos filhos os valores humanos e religiosos que d\u00e3o sentido \u00e0 exist\u00eancia, assim vivida com alegria, optimismo e esperan\u00e7a. Nem podem esquecer-se hoje, como se tivessem perdido dedica\u00e7\u00e3o e m\u00e9rito, as institui\u00e7\u00f5es que se entregam \u00e0 tarefa humanit\u00e1ria e carism\u00e1tica de formar crian\u00e7as, adolescentes e jovens, retirando-os de condi\u00e7\u00f5es adversas de mis\u00e9ria, perigos e viol\u00eancia, para fazer deles ( e delas) pessoas com dignidade, valor e utilidade para a sociedade a que pertencemos. E apraz-me neste momento dizer umas palavras de apoio, simpatia e gratid\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es diocesanas que continuam a desempenhar esta miss\u00e3o, na fidelidade a carismas providenciais de m\u00e9rito reconhecido, ontem como hoje. Nem a express\u00e3o \u201cforma\u00e7\u00e3o institucionalizada\u201d, que vem sendo usada como estigma depreciativo, \u00e9 capaz de anular os frutos e m\u00e9ritos de tais institui\u00e7\u00f5es e obras que merecem o nosso apre\u00e7o, compreens\u00e3o, solidariedade e gratid\u00e3o.  Na sua Mensagem o Papa assinala, a prop\u00f3sito, o grande drama do nosso mundo e do nosso tempo, em termo gen\u00e9ricos de ego\u00edsmo e viol\u00eancia, e concretamente nas seguintes express\u00f5es e dimens\u00f5es: \u201cAbusos sexuais, aviamento \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, envolvimento na venda e uso da droga; crian\u00e7as obrigadas a trabalhar ou alistadas para combater; inocentes marcados para sempre pela desagrega\u00e7\u00e3o familiar; pequenos sumidos no ign\u00f3bil tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os e pessoas. E que dizer da trag\u00e9dia da sida com consequ\u00eancias devastadoras em \u00c1frica?\u201d (n\u00ba 3).  Gra\u00e7as \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o Social, todos temos conhecimento dos casos e respectivas dimens\u00f5es que estes problemas atingiram e marcaram o nosso pa\u00eds. Se de alguns se poder\u00e1 dizer que s\u00e3o sinais dos tempos, infelizmente, de outros ter\u00e1 que dizer-se que envergonham a sociedade portuguesa, n\u00e3o apenas pela notoriedade j\u00e1 adquirida no estrangeiro (refiro os abusos sexuais e a prostitui\u00e7\u00e3o) mas sobretudo porque denotam e denunciam uma sociedade que tem necessidade urgente de curar-se, prevenir-se, regenerar-se fazer penit\u00eancia, emendar-se, converter-se, ser solid\u00e1ria com verdade e autenticidade.  N\u00e3o podemos sen\u00e3o ouvir de novo o Ap\u00f3stolo da Igreja, S. Paulo, e para esta Quaresma repetir com ele (2 Cor. 5, 20; 6-2): \u201cN\u00f3s somos embaixadores de Cristo; \u00e9 Deus que vos exorta por nosso interm\u00e9dio\u201d; \u201cN\u00f3s vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus\u201d; \u201cEste \u00e9 o tempo favor\u00e1vel, este \u00e9 o dia da salva\u00e7\u00e3o\u201d. Necess\u00e1rio e urgente.  Meus Caros Fi\u00e9is: Porque o apelo quaresmal, nos seus v\u00e1rios aspectos, \u00e9 individual e pessoal, e tamb\u00e9m social, exterior e comunit\u00e1rio, a Igreja adoptou a pr\u00e1tica de cada Bispo indicar no in\u00edcio da Quaresma a finalidade do contributo penitencial ( ou ren\u00fancia quaresmal) em cada ano.  Nesta diocese do Porto estamos a construir a Casa Sacerdotal, obra da diocese para o clero que dela tenha necessidade. Bem o t\u00eam entendido os sacerdotes, e bem o compreenderam os Institutos de Vida Consagrada mais que uma vez. Ainda este ano daremos o mesmo destino ao contributo penitencial dos nossos fi\u00e9is, sem deixarmos de lembrar aos sacerdotes diocesanos que tal partilha de bens tamb\u00e9m lhes \u00e9 aplic\u00e1vel, at\u00e9 como express\u00e3o de comunh\u00e3o na dupla face, interna e espiritual, e exterior, social e comunit\u00e1ria.  A \u00e9poca em que vivemos tem sido caracterizada e classificada como tempo de depress\u00e3o colectiva e pessimismo generalizado. Com o pensamento na alegria pascal da Ressurrei\u00e7\u00e3o, iniciemos um itiner\u00e1rio quaresmal de ora\u00e7\u00e3o mais intensa, de penit\u00eancia e de aten\u00e7\u00e3o ao outro, aos outros. Procuremos recuperar a Esperan\u00e7a com que celebramos o Jubileu do Ano 2000, rezando com mais frequ\u00eancia e aten\u00e7\u00e3o o Pai Nosso, voltando-nos para o Pai comum e experimentando quanto \u00e9 agrad\u00e1vel sentir que somos irm\u00e3os. E assim haver\u00e1 menos ressentimentos, mais compreens\u00e3o e perd\u00e3o, mais paz, mais alegria e optimismo. Que assim seja.  Porto, 25 de Fevereiro 2004 D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quarta-feira de Cinzas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,154,160,187,206,237,246,91,314,326],"class_list":["post-4798","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-crianca","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-quaresma","tag-solidariedade","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4798\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}