{"id":47918,"date":"2010-10-26T13:44:26","date_gmt":"2010-10-26T13:44:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/26\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-da-dedicacao-da-se-patriarcal\/"},"modified":"2010-10-26T13:44:26","modified_gmt":"2010-10-26T13:44:26","slug":"homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-da-dedicacao-da-se-patriarcal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-da-dedicacao-da-se-patriarcal\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Solenidade da Dedica\u00e7\u00e3o da S\u00e9 Patriarcal"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Catedral e a visibilidade da Igreja<\/strong><\/p>\n<p>1. Na nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, &eacute; t&atilde;o importante a visibilidade da Igreja como a for&ccedil;a do seu mist&eacute;rio. &Eacute; a sua realidade vis&iacute;vel, na sua estrutura, na express&atilde;o comunit&aacute;ria, na presen&ccedil;a dos crist&atilde;os no seio da comunidade humana, que comunicam e anunciam o amor salv&iacute;fico de Jesus Cristo. Se a realidade vis&iacute;vel da Igreja n&atilde;o transmitir a for&ccedil;a invis&iacute;vel do Esp&iacute;rito de Cristo, torna-se est&eacute;ril, equivalente a qualquer associa&ccedil;&atilde;o humana. Mas a realidade vis&iacute;vel da Igreja &eacute; o caminho normal para comunicar e transmitir o invis&iacute;vel de Deus. A Igreja continua no tempo, a seu modo, o mist&eacute;rio do Verbo encarnado, em que o Verbo divino se exprime e actua na visibilidade da humanidade de Cristo (1).<\/p>\n<p>Esta harmonia do vis&iacute;vel e do invis&iacute;vel, da realidade humana e da ac&ccedil;&atilde;o da gra&ccedil;a, &eacute; o segredo da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. Porque est&aacute; no mundo, com a densidade das realidades hist&oacute;ricas, a Igreja comunica o dinamismo do Reino dos C&eacute;us. Esta visibilidade da Igreja exprime-se na sua estrutura organizativa, na densidade da sua liturgia, no amor dos pobres, na presen&ccedil;a dos crist&atilde;os no seio das diversas realidades humanas, onde semeiam a semente do Reino de Deus e s&atilde;o presen&ccedil;a do amor-caridade, isto &eacute;, do amor com que Deus continua a amar o mundo, em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>2. A Catedral &eacute; express&atilde;o importante da visibilidade da Igreja e, por isso, &eacute; chamada a ser foco irradiante da gra&ccedil;a de Jesus Cristo. Esta visibilidade da Catedral &eacute; mais do que a impon&ecirc;ncia do monumento. Igreja-M&atilde;e de uma diocese, por&ccedil;&atilde;o do Povo de Deus confiada aos cuidados pastorais de um Bispo, congregada pelo Evangelho, fortalecida na Eucaristia, reunida na comunh&atilde;o da caridade, enviada ao mundo a anunciar, essa Igreja particular pode perceber, na sua Catedral, o segredo do seu ser e da sua miss&atilde;o. A visibilidade da Catedral &eacute; a visibilidade do minist&eacute;rio apost&oacute;lico: a densidade da Palavra, sempre anunciada de novo para iluminar o presente, o dinamismo das comunidades crist&atilde;s que, reconhecendo no Bispo o seu pastor, sacramento de Cristo Bom-Pastor, aprendem a celebrar a P&aacute;scoa, descobrindo na Eucaristia a surpresa da reden&ccedil;&atilde;o, a exig&ecirc;ncia da caridade, a urg&ecirc;ncia de partir em miss&atilde;o, tornando-se cada um, no meio do mundo, presen&ccedil;a vis&iacute;vel do invis&iacute;vel de Deus. Na Catedral pode ler-se toda a realidade da Igreja, a sua humanidade e a fecundidade invis&iacute;vel da ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>3. Na Catedral a realidade invis&iacute;vel transcende a sua visibilidade. J&aacute; era esse o mist&eacute;rio do Templo de Jerusal&eacute;m, t&atilde;o bem expresso na ora&ccedil;&atilde;o do Rei Salom&atilde;o. O templo vis&iacute;vel suscita a f&eacute; e a esperan&ccedil;a, toda a densidade da Alian&ccedil;a: &ldquo;Os vossos olhos estejam abertos, dia e noite, sobre esta casa, sobre este lugar, do qual dissestes, a&iacute; estar&aacute; o Meu nome&rdquo; (1Re 8,29). O templo &eacute;, assim, a express&atilde;o vis&iacute;vel da f&eacute; de Israel: Deus ama o seu povo e habita no meio dele.<\/p>\n<p>4. No cristianismo, a verdadeira dimens&atilde;o da Catedral &eacute; a Igreja, Povo dos que caminham com Cristo para a Jerusal&eacute;m Celeste. S&oacute; a Igreja &eacute;, hoje, o verdadeiro templo, onde Deus habita no meio do seu Povo. A Catedral &eacute; o s&iacute;mbolo e o an&uacute;ncio desse verdadeiro templo do Senhor, cuja solidez est&aacute; alicer&ccedil;ada em Cristo, a pedra angular. E Pedro &eacute; claro na sua Carta: &ldquo;Aproximai-vos do Senhor, que &eacute; a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus&rdquo; (1Pet. 2,4). Deus tinha-o anunciado atrav&eacute;s dos profetas: &ldquo;Vou p&ocirc;r em Si&atilde;o uma pedra angular, escolhida e preciosa, e quem nela puser a sua confian&ccedil;a, n&atilde;o ser&aacute; confundido&rdquo; (1Pet. 2,6).<\/p>\n<p>A Catedral, na sua visibilidade, anuncia a solidez e a firmeza da Igreja. Nela descobrimos que estamos seguros nas nossas lutas, s&oacute;lidos no nosso caminho de santidade, protegidos nas nossas fraquezas e tenta&ccedil;&otilde;es, porque n&oacute;s fazemos parte da Catedral. &ldquo;E v&oacute;s mesmos, como pedras vivas, entrai na constru&ccedil;&atilde;o deste templo espiritual&rdquo; (1Pet. 2,5). Alicer&ccedil;ada em Cristo, a santidade dos crist&atilde;os garante a solidez da Igreja, vis&iacute;vel e humana, na fidelidade &agrave; sua voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Este templo espiritual abra&ccedil;a o mundo. A solidez desta Catedral s&atilde;o os doze Ap&oacute;stolos do Cordeiro. N&atilde;o h&aacute; Catedral sem Bispo, nem Bispo sem Catedral. &Eacute; assim na sua visibilidade hist&oacute;rica, ser&aacute; assim na Jerusal&eacute;m Celeste. Como diz o Apocalipse, &ldquo;a muralha da Cidade tinha na base doze refor&ccedil;os salientes e neles doze nomes: os dos doze Ap&oacute;stolos do Cordeiro&rdquo; (Apc. 21,14).<\/p>\n<p>O problema da Samaritana era saber qual era o verdadeiro templo: o de Jerusal&eacute;m ou o da Samaria? Jesus abre-lhe o cora&ccedil;&atilde;o para o novo Templo, Ele e a sua Igreja, constru&iacute;do com pedras que s&atilde;o Cristo, os doze Ap&oacute;stolos, e todos os disc&iacute;pulos de Cristo. Nesse novo templo, Deus adora-Se em esp&iacute;rito e verdade (Jo. 4,23).<\/p>\n<p>A Catedral s&oacute; tem raz&atilde;o de ser, se for o templo vis&iacute;vel onde cabe o templo invis&iacute;vel, que &eacute; toda a Igreja diocesana. Nela descobrimos a Igreja, nossa M&atilde;e; solidificamos a firmeza da nossa f&eacute;; alargamos o horizonte da nossa comunh&atilde;o; descobrimos a unidade como a c&uacute;pula da catedral; somos enviados com novo ardor, para testemunhar no meio do mundo, de uma maneira sempre nova, o amor de Jesus Cristo. Descobrimos que sempre, em qualquer momento da nossa vida crist&atilde;, n&oacute;s estamos reunidos nessa grande Catedral que &eacute; a Igreja, a ouvir o ensinamento dos Ap&oacute;stolos, e a amar todos os homens, nossos irm&atilde;os, com o infinito amor de Deus, em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 25 de Outubro de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; <\/em><em>JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p>NOTA:<\/p>\n<p>1 cf. Lumen Gentium, n&ordm; 8<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Catedral e a visibilidade da Igreja 1. 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