{"id":47915,"date":"2010-10-26T13:10:56","date_gmt":"2010-10-26T13:10:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/26\/o-sinodo-das-igrejas-do-medio-oriente-ja-acabou\/"},"modified":"2010-10-26T13:10:56","modified_gmt":"2010-10-26T13:10:56","slug":"o-sinodo-das-igrejas-do-medio-oriente-ja-acabou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-sinodo-das-igrejas-do-medio-oriente-ja-acabou\/","title":{"rendered":"O S\u00ednodo das Igrejas do M\u00e9dio-Oriente j\u00e1 acabou!"},"content":{"rendered":"<p>As pessoas interessadas sabem onde encontrar as suas conclus&otilde;es para as apreciar. Ter&atilde;o tamb&eacute;m lido sobre os desafios que levaram &agrave; sua convoca&ccedil;&atilde;o e, porventura, alguns relatos sobre os debates ou sobre algum tema em particular.<\/p>\n<p>Neste apontamento que me foi solicitado, apenas queria dar o testemunho de um crist&atilde;o m&eacute;dio-oriental, na ocorr&ecirc;ncia copta (crist&atilde;o &ldquo;eg&iacute;pcio&rdquo; aut&oacute;ctone), radicado na Europa h&aacute; mais de quatro d&eacute;cadas, sem deixar de seguir de v&aacute;rios modos a evolu&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>O que significa ser crist&atilde;o em &ldquo;Terra do Isl&atilde;o&rdquo; (<em>Dar al-Islam<\/em>)?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, uma longa conviv&ecirc;ncia, nem sempre pac&iacute;fica, t&atilde;o longa como a pr&oacute;pria idade dessa religi&atilde;o: catorze s&eacute;culos!<\/p>\n<p>O seu mote foi dado pelo &ldquo;dito&rdquo; (<em>hadith<\/em>) do fundador do Isl&atilde;o a seguir &agrave; morte prematura do seu &uacute;nico filho var&atilde;o, Ibrahim. De acordo com a tradi&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica, este ter&aacute; nascido da sua uni&atilde;o com Maria a Copta (<em>Maryam al-Qibtiyya<\/em>). O Profeta Muhammad ter&aacute; ent&atilde;o lan&ccedil;ado o an&aacute;tema contra todo o mu&ccedil;ulmano que causasse dano algum aos coptas! Infelizmente, alguns dos meus compatriotas fan&aacute;ticos de hoje esquecem ou ignoram essa advert&ecirc;ncia&hellip;<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria antiga e recente do mundo &aacute;rabo-mu&ccedil;ulmano, no meio de momentos conflituosos que um bom mu&ccedil;ulmano repudiaria, confirma esse pressuposto global. Falo da Hist&oacute;ria longa, com conhecimento de causa!<\/p>\n<p>Os crist&atilde;os &aacute;rabes ou arab&oacute;fonos contribu&iacute;ram, entre outros, na elabora&ccedil;&atilde;o da cultura cl&aacute;ssica, forjada na brilhante Bagdade dos s&eacute;culos IX-XI: filosofia e ci&ecirc;ncias, teologia e m&iacute;stica. Nos tempos modernos, tiveram um papel relevante na dita <em>Nahda<\/em> &aacute;rabe (&lsquo;ressurgimento, renas-cimento&rsquo;) dos s&eacute;culos XIX-XX: letras e modernidade, economia e pol&iacute;tica. No permeio, no s&eacute;culo XIII, destacam-se, em sentido contr&aacute;rio, o &ldquo;renascimento sir&iacute;aco&rdquo;, que se fez sob o sinal da cultura &aacute;rabo-isl&acirc;mica de ent&atilde;o, e a idade de ouro da literatura copto-&aacute;rabe (de que sou especialista).<\/p>\n<p>Quem sabe que o pioneiro do nacionalismo &aacute;rabe dos tempos modernos foi George Antoniyus, um intelectual crist&atilde;o s&iacute;rio do s&eacute;culo XVIII? Ou que o co-fundador e verdadeiro ide&oacute;logo do partido Baas, no poder na S&iacute;ria e at&eacute; h&aacute; pouco no Iraque, era o outro crist&atilde;o s&iacute;rio Michel Aflak? E quem se lembra ainda que o primeiro &aacute;rabe e africano a aceder ao lugar de Secret&aacute;rio Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas foi o copta Butros (Pedro) Butros-Ghali? Um prestigiado professor de direito internacional, estratega da pol&iacute;tica africana do governo eg&iacute;pcio durante longos anos, assim como do tratado de paz entre Egipto e Israel!<\/p>\n<p>Estes factos constituem, pois, trunfos para um renovado entendimento pacifico entre mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os da regi&atilde;o, assim como para a reintegra&ccedil;&atilde;o destes nas diversas cidadanias nacionais rumo ao bem comum!<\/p>\n<p>Para mim, ser crist&atilde;o &eacute; antes de tudo viver de acordo com os ditos e feitos do Cristo-Messias (<em>al-Masih<\/em>), Jesus filho de Maria (?<em>Isa &rsquo;bnu Maryam<\/em>), e dar testemunho dele. N&atilde;o se trata de gritar &agrave; toa a sua gesta e os mist&eacute;rios da sua vida e morte (os mu&ccedil;ulmanos piedosos sabem muito a este respeito!). Mas antes de partilhar, com a humildade e a entrega do Mestre, a vida dos outros, a sua hist&oacute;ria, a sua cultura, o seu modo de vida. Assumir, com o recuo leg&iacute;timo e necess&aacute;rio, as suas ang&uacute;stias e d&uacute;vidas, assim como as suas esperan&ccedil;as e os seus &ecirc;xitos.<\/p>\n<p>Muitos dos meus correligion&aacute;rios, no Egipto tal como noutros pa&iacute;ses do grande M&eacute;dio Oriente isl&acirc;mico, partilham dessa perspectiva, por vezes inconscientemente. Eles vivem isso no &acirc;mago da luta pelo quotidiano. Eu, aqui na Europa, por meio do estudo, do ensino, da divulga&ccedil;&atilde;o. Mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s do meu empenho em esclarecer e denunciar as injusti&ccedil;as que esses povos sofreram nos tempos coloniais, e sofrem, hoje ainda, pela arrog&acirc;ncia de um certo Ocidente e pela viol&ecirc;ncia de um certo Imp&eacute;rio, com seus aliados internos e externos.<\/p>\n<p>N&atilde;o foi isso afinal o lema do S&iacute;nodo: &ldquo;comunh&atilde;o e testemunho&rdquo;?<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Adel Sidarus (&Eacute;vora)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pessoas interessadas sabem onde encontrar as suas conclus&otilde;es para as apreciar. Ter&atilde;o tamb&eacute;m lido sobre os desafios que levaram &agrave; sua convoca&ccedil;&atilde;o e, porventura, alguns relatos sobre os debates ou sobre algum tema em particular. 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