{"id":47910,"date":"2010-10-26T12:19:23","date_gmt":"2010-10-26T12:19:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/26\/os-portugueses-e-a-crise-duas-atitudes-possiveis\/"},"modified":"2010-10-26T12:19:23","modified_gmt":"2010-10-26T12:19:23","slug":"os-portugueses-e-a-crise-duas-atitudes-possiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-portugueses-e-a-crise-duas-atitudes-possiveis\/","title":{"rendered":"Os portugueses e a crise: duas atitudes poss\u00edveis"},"content":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral <!--more--> <\/p>\n<p>Mais ou menos justa na distribui&ccedil;&atilde;o dos sacrif&iacute;cios, a austeridade em Portugal &eacute; inevit&aacute;vel. Por um motivo, ali&aacute;s conhecido de muita gente que acompanha estas coisas econ&oacute;micas e financeiras, mas infelizmente pouco falado pelos governantes nos &uacute;ltimos anos: em conjunto, os portugueses gastam 10% acima daquilo que produzem. E financiam essa diferen&ccedil;a com cr&eacute;dito do estrangeiro. Ora os mercados financeiros amea&ccedil;am n&atilde;o nos emprestar nem mais um c&ecirc;ntimo &ndash; ou faz&ecirc;-lo a juros proibitivamente altos &ndash; se o Estado portugu&ecirc;s n&atilde;o puser as suas contas em ordem, reduzindo drasticamente o d&eacute;fice em 2011.<\/p>\n<p>Durante demasiado tempo o Governo negou a evid&ecirc;ncia deste desequil&iacute;brio externo. Mas no fim de Setembro, finalmente, o primeiro-ministro assustou-se com o poss&iacute;vel fecho da torneira do cr&eacute;dito estrangeiro, que levaria a uma travagem brutal da actividade econ&oacute;mica no pa&iacute;s. Por isso teve de, &agrave; pressa, forjar uma proposta de Or&ccedil;amento de Estado (OE) para 2011 suficientemente dura para tranquilizar os mercados. Bem mais dura do que seria se o programa de austeridade tivesse sido apresentado e posto em execu&ccedil;&atilde;o h&aacute; mais tempo. At&eacute; porque, ent&atilde;o, teria havido tempo para amadurecer solu&ccedil;&otilde;es de corte na despesa p&uacute;blica implicando mudan&ccedil;as no modo de funcionamento do Estado. E como n&atilde;o foi realizada uma sensata pedagogia da crise &ndash; pelo contr&aacute;rio, garantiam-nos que tudo ia bem &ndash; a maioria dos portugueses apanhou uma p&eacute;ssima surpresa e um grande choque.<\/p>\n<p>Assim, se o Or&ccedil;amento passar, eventualmente com correc&ccedil;&otilde;es introduzidas pelo PSD, teremos severas medidas de aumento de impostos e cortes na despesa p&uacute;blica, nomeadamente nos apoios sociais. Se o OE n&atilde;o passar no Parlamento, ser&aacute; ainda pior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Reac&ccedil;&atilde;o de f&uacute;ria<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; natural que a maioria dos portugueses, sobretudo os que j&aacute; vivem com grandes dificuldades, reaja em f&uacute;ria contra os pol&iacute;ticos que nos conduziram a esta situa&ccedil;&atilde;o. Tal atitude poder&aacute; aliviar-nos psicologicamente, ao termos na mira os culpados para acusar, mas nada resolve. Assim como pouco adianta criticar o que a&iacute; vier, argumentando com outras formas de concretizar a austeridade.<\/p>\n<p>Decerto que uma vis&atilde;o cr&iacute;tica do que se est&aacute; a passar e da actua&ccedil;&atilde;o dos respons&aacute;veis &eacute; necess&aacute;ria e saud&aacute;vel, at&eacute; para mudar as pol&iacute;ticas futuras. Mas, neste momento, essa n&atilde;o &eacute; a prioridade imediata, at&eacute; por causa dos caprichos do calend&aacute;rio eleitoral.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ultrapassar o consumismo<\/em><\/p>\n<p>Julgo que a reac&ccedil;&atilde;o da sociedade portuguesa &agrave; crise, hoje, assumir&aacute; dois tipos poss&iacute;veis. Porque a crise nos prejudica, poder&aacute; cada um de n&oacute;s fechar-se na sua amargura e no seu ego&iacute;smo, procurando maneiras de sobreviver com o m&iacute;nimo poss&iacute;vel de sacrif&iacute;cios. Ou talvez &ndash; queira Deus! &#8211; predomine uma outra posi&ccedil;&atilde;o, menos individualista e mais solid&aacute;ria.<\/p>\n<p>Ou seja, a posi&ccedil;&atilde;o de considerar que estamos a atravessar uma emerg&ecirc;ncia nacional &ndash; em certos aspectos semelhante &agrave; que muita gente viveu em tempo de guerra, na Gr&atilde;-Bretanha, por exemplo &ndash; e que a prioridade da nossa aten&ccedil;&atilde;o tem agora de se dirigir aos mais vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p>Trata-se de uma atitude que une, em vez de separar, os portugueses. E une em torno de um esfor&ccedil;o comum, partilhado e com um objectivo: aliviar o sofrimento da colectividade e sobretudo dos mais fracos. Simultaneamente, a crise &ndash; concretamente, a falta de certos bens e confortos materiais a que est&aacute;vamos habituados ou a que aspir&aacute;vamos &ndash; &eacute; suscept&iacute;vel de ter uma virtude: tirar-nos da superficialidade consumista, concentrando-nos naquilo que &eacute; verdadeiramente essencial na vida.<\/p>\n<p>Claro que esta &eacute; a atitude crist&atilde;. Por isso a crise coloca um enorme desafio aos cat&oacute;licos portugueses. O desafio de mostrar que s&atilde;o capazes de a viver de forma positiva, mobilizando os outros, n&atilde;o para se lamentarem ou insultarem os pol&iacute;ticos, mas para redobrar os esfor&ccedil;os de solidariedade que j&aacute; est&atilde;o em marcha por parte de in&uacute;meras institui&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o se trata de evidenciar que somos melhores do que quem quer que seja, mas apenas que somos coerentes com o que apregoamos.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[314],"class_list":["post-47910","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47910"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47910\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}