{"id":47854,"date":"2010-10-22T11:28:41","date_gmt":"2010-10-22T11:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/22\/discurso-de-bento-xvi-na-apresentacao-das-cartas-credenciais-do-novo-embaixador-de-portugal-junto-da-santa-se\/"},"modified":"2010-10-22T11:28:41","modified_gmt":"2010-10-22T11:28:41","slug":"discurso-de-bento-xvi-na-apresentacao-das-cartas-credenciais-do-novo-embaixador-de-portugal-junto-da-santa-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-bento-xvi-na-apresentacao-das-cartas-credenciais-do-novo-embaixador-de-portugal-junto-da-santa-se\/","title":{"rendered":"Discurso de Bento XVI na apresenta\u00e7\u00e3o das Cartas Credenciais do novo Embaixador de Portugal junto da Santa S\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Senhor Embaixador,<\/p>\n<p>Aproveito de bom grado este momento da apresenta&ccedil;&atilde;o das Cartas Credenciais, com que hoje &eacute; designado oficialmente Embaixador Extraordin&aacute;rio e Plenipotenci&aacute;rio de Portugal junto da Santa S&eacute;, para lhe dar as boas-vindas e, congratulando-me pela sua nomea&ccedil;&atilde;o, formular venturosos votos para a sua nova miss&atilde;o que se prop&otilde;e como novo contributo no edif&iacute;cio das rela&ccedil;&otilde;es de amizade existentes entre o seu pa&iacute;s e esta S&eacute; Apost&oacute;lica. Como lembrava nas suas palavras de sauda&ccedil;&atilde;o, a f&eacute; e a hist&oacute;ria uniram-se para forjar um v&iacute;nculo especial entre o povo portugu&ecirc;s e o Sucessor de Pedro, um v&iacute;nculo que &eacute; confiado &agrave; responsabilidade de cada uma das gera&ccedil;&otilde;es sucessivas, pelo qual jamais devemos deixar de dar gra&ccedil;as a Cristo, Bom Pastor da sua Igreja e Senhor da hist&oacute;ria, dos indiv&iacute;duos e das na&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A nobre express&atilde;o dos sentimentos que o animam neste dia, certamente muito significativo, mereceu toda a minha aten&ccedil;&atilde;o. Quero antes de mais manifestar-lhe o meu reconhecimento pelas palavras que me dirigiu e, depois, retribuir os sentimentos de estima que o Senhor Presidente da Rep&uacute;blica, An&iacute;bal Cavaco Silva, me fez chegar atrav&eacute;s de Vossa Excel&ecirc;ncia, pedindo-lhe por minha vez a amabilidade de significar ao Senhor Presidente a minha gratid&atilde;o pelos mesmos, juntamente com encorajadores votos na sua alta miss&atilde;o e a certeza da minha ora&ccedil;&atilde;o ao Alt&iacute;ssimo pela prosperidade e o bem espiritual de todos os portugueses.<\/p>\n<p>Quando me preparava para este encontro com o Senhor Embaixador, acudiam &agrave; mente as edificantes e felizes imagens, que guardo na mem&oacute;ria e no cora&ccedil;&atilde;o, da minha visita a Portugal no passado m&ecirc;s de Maio, desejando aqui agradecer uma vez mais a todos o contributo dado para uma serena e frutuosa realiza&ccedil;&atilde;o da mesma; efeito este amplamente conseguido como atestam as in&uacute;meras mensagens que me chegaram alusivas &agrave;queles dias memor&aacute;veis. Jamais esquecerei o acolhimento caloroso a mim reservado, bem como a maneira gentil e respeitosa com que as minhas palavras foram recebidas. Considero que tudo isto tem tamb&eacute;m uma import&acirc;ncia social: onde a sociedade cresce e as pessoas se fortalecem no bem gra&ccedil;as &agrave; mensagem da f&eacute;, sai beneficiada tamb&eacute;m a conviv&ecirc;ncia social e os cidad&atilde;os sentem-se mais dispon&iacute;veis para servir o bem comum.<\/p>\n<p>Com a sua presen&ccedil;a no f&oacute;rum internacional, a Santa S&eacute; p&otilde;e todo o seu empenho em servir a causa da promo&ccedil;&atilde;o integral do homem e dos povos. Deveria ser convic&ccedil;&atilde;o de todos que os obst&aacute;culos a tal promo&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o apenas de ordem econ&oacute;mica, mas dependem de atitudes e valores mais profundos: os valores morais e espirituais que determinam o comportamento de cada ser humano para consigo mesmo, os outros e a cria&ccedil;&atilde;o inteira. A presen&ccedil;a do Senhor Embaixador neste lugar testemunha a vontade que Portugal tem de dar um lugar importante a tais valores, sem os quais uma sociedade n&atilde;o se pode estabelecer de modo duradouro.<\/p>\n<p>Quando a Igreja, no seu pa&iacute;s, promove a consci&ecirc;ncia de que estes mesmos valores devem inspirar a vida p&uacute;blica e particular, f&aacute;-lo n&atilde;o por ambi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, mas para ser fiel &agrave; miss&atilde;o que o seu divino Fundador lhe confiou. &laquo;Dado que a Igreja &ndash; s&atilde;o palavras do Conc&iacute;lio Vaticano II &ndash; n&atilde;o est&aacute; ligada, por for&ccedil;a da sua miss&atilde;o e natureza, a nenhuma forma particular de cultura ou sistema pol&iacute;tico, econ&oacute;mico ou social, pode gra&ccedil;as a esta sua universalidade, constituir um la&ccedil;o muito estreito entre as diversas comunidades e na&ccedil;&otilde;es, contanto que nela confiem e lhe reconhe&ccedil;am a verdadeira liberdade para cumprir esta sua miss&atilde;o&raquo; (Const. Gaudium et spes, 42). Ela n&atilde;o representa modelos parciais e passageiros de sociedade, mas tende &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o dos cora&ccedil;&otilde;es e das mentes, para que o homem possa descobrir-se e reconhecer-se a si mesmo na verdade plena da sua humanidade. E dado a sua miss&atilde;o ser de car&aacute;cter moral e religioso, a Igreja respeita a &aacute;rea espec&iacute;fica de responsabilidade do Estado. Ao mesmo tempo encoraja os crist&atilde;os a assumirem plenamente as suas responsabilidades como cidad&atilde;os para, juntamente com os outros, contribu&iacute;rem eficazmente para o bem comum e para as grandes causas do homem.<\/p>\n<p>De uma respeitosa colabora&ccedil;&atilde;o e leal entendimento entre a Igreja e o poder civil, s&oacute; poder&atilde;o derivar benef&iacute;cios para a sociedade portuguesa. Animada por esta esperan&ccedil;a, h&aacute; seis anos, nascia a nova Concordata entre a Santa S&eacute; e Portugal, a que aludia o Senhor Embaixador. Naquela ocasi&atilde;o, o Papa Jo&atilde;o Paulo II viu naquele instrumento jur&iacute;dico a confirma&ccedil;&atilde;o dos &laquo;sentimentos de m&uacute;tua estima que animam as rela&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas&raquo; e fez votos de que &laquo;a nova Concordata pudesse favorecer um entendimento sempre maior entre as Autoridades do Estado e os Pastores da Igreja para o bem comum da Na&ccedil;&atilde;o&raquo; (L&rsquo;Osservatore Romano, ed. portuguesa de 22\/V\/2004, 253). Com alegria, ouvi o Senhor Embaixador referir e desejo daqui encorajar os esfor&ccedil;os que se est&atilde;o a fazer para uma completa e fiel aplica&ccedil;&atilde;o da mesma nos diversos campos da Igreja Cat&oacute;lica e da sociedade portuguesa.<\/p>\n<p>Antes de terminar este encontro, quero assegurar-lhe, Senhor Embaixador, a plena colabora&ccedil;&atilde;o e apoio da Santa S&eacute; no desempenho da alta miss&atilde;o que lhe foi confiada. Pela intercess&atilde;o de Nossa Senhora de F&aacute;tima, pe&ccedil;o ao bom Deus do C&eacute;u que assista, com a abund&acirc;ncia dos seus dons, Vossa Excel&ecirc;ncia e sua distinta fam&iacute;lia, quantos servem o bem comum da Na&ccedil;&atilde;o portuguesa e todo o seu povo, sobre o qual estendo a minha B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhor Embaixador, Aproveito de bom grado este momento da apresenta&ccedil;&atilde;o das Cartas Credenciais, com que hoje &eacute; designado oficialmente Embaixador Extraordin&aacute;rio e Plenipotenci&aacute;rio de Portugal junto da Santa S&eacute;, para lhe dar as boas-vindas e, congratulando-me pela sua nomea&ccedil;&atilde;o, formular venturosos votos para a sua nova miss&atilde;o que se prop&otilde;e como novo contributo no edif&iacute;cio 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