{"id":47853,"date":"2010-10-22T11:27:07","date_gmt":"2010-10-22T11:27:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/22\/discurso-de-apresentacao-das-cartas-credenciais-do-novo-embaixador-de-portugal-junto-da-santa-se\/"},"modified":"2010-10-22T11:27:07","modified_gmt":"2010-10-22T11:27:07","slug":"discurso-de-apresentacao-das-cartas-credenciais-do-novo-embaixador-de-portugal-junto-da-santa-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-apresentacao-das-cartas-credenciais-do-novo-embaixador-de-portugal-junto-da-santa-se\/","title":{"rendered":"Discurso de apresenta\u00e7\u00e3o das Cartas Credenciais do novo Embaixador de Portugal junto da Santa S\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Beat&iacute;ssimo Padre,<\/p>\n<p>Constitui para mim a maior honra pessoal e profissional apresentar hoje a Vossa Santidade as cartas credenciais pelas quais Sua Excel&ecirc;ncia o Presidente da Rep&uacute;blica Portuguesa achou por bem acreditar-me como Embaixador Extraordin&aacute;rio e Plenipotenci&aacute;rio junto da Santa S&eacute;.<\/p>\n<p>Tenho igualmente a honra de entregar a Vossa Santidade as cartas que d&atilde;o por terminadas as fun&ccedil;&otilde;es do meu distinto antecessor, o Embaixador Jo&atilde;o da Rocha P&aacute;ris, que durante v&aacute;rios anos aqui representou Portugal com toda a dedica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Desejo, ao apresentar-me, cumprir em primeiro lugar o grato dever de transmitir a Vossa Santidade as respeitosas sauda&ccedil;&otilde;es do Chefe de Estado Portugu&ecirc;s, assim como a express&atilde;o da sua profunda admira&ccedil;&atilde;o e os seus muito sinceros votos de bem-estar.<\/p>\n<p>&Eacute;-me igualmente muito grato poder ser, nesta oportunidade, o int&eacute;rprete da arreigada devo&ccedil;&atilde;o filial do Povo Portugu&ecirc;s &agrave; Igreja e a Vossa Santidade, sentimentos estes que Vossa Santidade p&ocirc;de confirmar por ocasi&atilde;o da memor&aacute;vel visita com que honrou, h&aacute; meses, o meu Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Mant&ecirc;m-se bem presentes na mem&oacute;ria de todos os m&uacute;ltiplos gestos de carinhoso e paternal afecto para com Portugal e para com os Portugueses que Vossa Santidade, tanto na mencionada visita como ao longo de todo o seu Pontificado, tem dispensado. Recordo a prop&oacute;sito, com emo&ccedil;&atilde;o, a canoniza&ccedil;&atilde;o de Frei Nuno de Santa Maria.<\/p>\n<p>Como Vossa Santidade t&atilde;o sabiamente recordou ao chegar a Lisboa no dia 11 de Maio passado, &laquo;logo nos alvores da nacionalidade o Povo Portugu&ecirc;s voltou-se para o Sucessor de Pedro esperando na sua arbitragem para ver reconhecida a sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia como Na&ccedil;&atilde;o&raquo;. Mais tarde, um Predecessor de Vossa Santidade honrou Portugal, na pessoa do seu Rei, com o t&iacute;tulo de Fidel&iacute;ssimo. Assim tem continuado, felizmente, a ser ao longo de quase nove s&eacute;culos. Vossa Santidade, na homilia que pronunciou a 13 de Maio &uacute;ltimo no Santu&aacute;rio de F&aacute;tima &ndash; que tantos designam como o Altar do Mundo &ndash; dignou-se referir o meu Pa&iacute;s como &laquo;Na&ccedil;&atilde;o gloriosa&raquo;. Estou certo de que os Portugueses continuar&atilde;o a ser dignos de t&atilde;o generosa confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Julgo igualmente de sublinhar o facto de que, onde houve ou ainda h&aacute; uma presen&ccedil;a hist&oacute;rica ou cultural portuguesa resultante da extraordin&aacute;ria expans&atilde;o da lusitanidade, iniciada no per&iacute;odo das grandes descobertas mar&iacute;timas, tamb&eacute;m a&iacute; hoje se encontra viva e activa a presen&ccedil;a da Igreja de Roma. A l&iacute;ngua portuguesa e a cristandade t&ecirc;m efectivamente mantido fortes la&ccedil;os nas cinco partes do mundo.<\/p>\n<p>Portugal, do mesmo modo que a Santa S&eacute;, orienta a sua actua&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais pelos princ&iacute;pios da independ&ecirc;ncia nacional, do respeito pelos direitos humanos, da igualdade entre os Estados, da solu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica dos conflitos e da coopera&ccedil;&atilde;o internacional como elemento fundamental para o progresso e desenvolvimento da humanidade. Estes princ&iacute;pios encontram-se inscritos na Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa. Acresce que a valiosa experi&ecirc;ncia cultural da nossa longa hist&oacute;ria tem sido determinante para a capacidade universalista que temos para procurar dialogar com todos os povos, estabelecer pontes e contribuir para gerar consensos. Lembro, a prop&oacute;sito, que o Povo Portugu&ecirc;s se orgulha, legitimamente, de ter sido o primeiro na Europa a abolir a pena de morte.<\/p>\n<p>Vossa Santidade tem apelado, com insist&ecirc;ncia, para que n&atilde;o seja menorizado na vida p&uacute;blica o papel da religi&atilde;o e para que os dirigentes mundiais busquem os meios de encorajar a todos os n&iacute;veis o di&aacute;logo entre a f&eacute; e a raz&atilde;o. &Eacute;-me grato frisar que Portugal n&atilde;o apenas participa mas dirige superiormente as iniciativas no quadro da Alian&ccedil;a das Civiliza&ccedil;&otilde;es, f&oacute;rum que busca activamente o indispens&aacute;vel e urgente di&aacute;logo intercultural.<\/p>\n<p>Recordou tamb&eacute;m Vossa Santidade ao visitar Portugal, a prop&oacute;sito das comemora&ccedil;&otilde;es de um s&eacute;culo da proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica no meu Pa&iacute;s, que a viragem republicana abriu, na distin&ccedil;&atilde;o entre Estado e Igreja, um espa&ccedil;o novo de liberdade para a Igreja que as duas Concordatas, de 1940 e de 2004, formalizaram.<\/p>\n<p>&Eacute; minha convic&ccedil;&atilde;o, Beat&iacute;ssimo Padre, que a Concordata actualmente em vigor constitui um instrumento plenamente apto a assegurar um relacionamento bilateral conforme n&atilde;o s&oacute; com as nobres tradi&ccedil;&otilde;es e profundos la&ccedil;os hist&oacute;ricos que evoquei mas tamb&eacute;m com os relevantes interesses comuns contempor&acirc;neos em frutuosas condi&ccedil;&otilde;es de estabilidade e de respeito m&uacute;tuo. Irei trabalhar sempre nesta perspectiva com total empenho enquanto ocupar as t&atilde;o honrosas fun&ccedil;&otilde;es que hoje inicio.<\/p>\n<p>Termino, solicitando a Vossa Santidade que paternalmente se digne aben&ccedil;oar Portugal, os Portugueses e os seus Governantes e, se tal ouso pedir, a Embaixada, a minha Fam&iacute;lia e eu pr&oacute;prio.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Manuel Fernandes Pereira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beat&iacute;ssimo Padre, Constitui para mim a maior honra pessoal e profissional apresentar hoje a Vossa Santidade as cartas credenciais pelas quais Sua Excel&ecirc;ncia o Presidente da Rep&uacute;blica Portuguesa achou por bem acreditar-me como Embaixador Extraordin&aacute;rio e Plenipotenci&aacute;rio junto da Santa S&eacute;. Tenho igualmente a honra de entregar a Vossa Santidade as cartas que d&atilde;o por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[146,189,203,297],"class_list":["post-47853","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concordata","tag-direitos-humanos","tag-europa","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47853\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}