{"id":4783,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/jesus-cristo-redentor-do-homem\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"jesus-cristo-redentor-do-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jesus-cristo-redentor-do-homem\/","title":{"rendered":"Jesus Cristo Redentor do Homem"},"content":{"rendered":"<p>H. Noronha Galv\u00e3o, Prof. da Faculdade de Teologia &#8211; UCP <!--more--> Ao apresentar a sua primeira enc\u00edclica como texto program\u00e1tico para todo o seu pontificado, Jo\u00e3o Paulo II afirmava desejar que o olhar da Igreja e do mundo se dirigisse para Cristo Redentor. E acrescentava: \u201cdo mesmo modo que vejo e sinto a rela\u00e7\u00e3o entre o mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo e a dignidade do homem, assim tamb\u00e9m desejaria muito unir a miss\u00e3o da Igreja com o servi\u00e7o ao homem\u201d. A pr\u00f3pria enc\u00edclica abre com a afirma\u00e7\u00e3o: \u201cO Redentor do homem, Jesus Cristo, \u00e9 o centro do mundo e da hist\u00f3ria.\u201d \u00c9, pois, a perspectiva cristol\u00f3gica que caracteriza, desde o in\u00edcio, o pontificado de Jo\u00e3o Paulo II. Atrav\u00e9s dela, o \u00e2mbito da sua ac\u00e7\u00e3o pastoral parte do centro do mist\u00e9rio crist\u00e3o para abranger toda a realidade humana. A Igreja \u00e9, assim, situada, em fidelidade ao profundo dinamismo conciliar, como media\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o das grandes causas da pessoa e da comunidade. O grande marco temporal que surge logo no segundo par\u00e1grafo da enc\u00edclica \u00e9 o ano 2000. O Papa j\u00e1 ent\u00e3o est\u00e1 consciente de que o Jubileu da passagem para o terceiro mil\u00e9nio ser\u00e1 um momento de gra\u00e7a (kair\u00f3s), prop\u00edcio a que a Igreja e o mundo despertem para o mist\u00e9rio divino de Salva\u00e7\u00e3o que habita a hist\u00f3ria: \u201cO Verbo fez-se carne e habitou entre n\u00f3s.\u201d (Jo 1,14) Sentido deste mist\u00e9rio s\u00f3 pode ser o do infinito amor de Deus pelo mundo: \u201cDeus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho unig\u00e9nito, a fim de que todo o que n\u2019Ele crer n\u00e3o pere\u00e7a mas tenha a vida eterna.\u201d (Jo 3,16) A perspectiva cristol\u00f3gica precisa-se, assim, numa teologia do Advento, em que se privilegia a vinda de Deus at\u00e9 n\u00f3s, sobre uma vis\u00e3o que acentuasse a caminhada do homem para Deus: \u201cEstamos tamb\u00e9m n\u00f3s, em certo sentido, no tempo de um novo Advento, que \u00e9 tempo de expectativa.\u201d Todo o pontificado de Jo\u00e3o Paulo II tem sido, efectivamente, o an\u00fancio do Dom de Deus e o convite a que todos os homens disponibilizem o cora\u00e7\u00e3o para o acolherem. S\u00f3 desse modo o homem encontra a verdadeira grandeza que Deus, logo que o criou, lhe quis outorgar. Atrav\u00e9s da Reden\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, o pr\u00f3prio pecado \u00e9 inserido neste des\u00edgnio de Deus. Mas Jo\u00e3o Paulo II sabe tamb\u00e9m que, no tempo da Igreja, s\u00f3 pelo Esp\u00edrito Santo a ac\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo se realiza. A cristologia abre-se, deste modo, \u00e0 sua dimens\u00e3o trinit\u00e1ria, com refer\u00eancia expl\u00edcita tamb\u00e9m ao Pai. Acerca da verdade que nos revela, Jesus disse: \u201cn\u00e3o \u00e9 minha, mas do Pai que me enviou\u201d (Jo 14,24). Paradoxalmente, \u00e9 o mist\u00e9rio divino que habita a Igreja que a torna consciente da sua miss\u00e3o humana e mesmo das suas fraquezas humanas. E \u00e9 tamb\u00e9m como Homem que o mesmo Jesus Cristo, nas palavras do Papa, fala aos homens \u2013 pela \u201csua fidelidade \u00e0 verdade e o seu amor que a todos abra\u00e7a\u201d (n.7). Nesta primeira enc\u00edclica n\u00e3o podia faltar a refer\u00eancia a Maria, que gerou para a vida humana e nos deu como Redentor o Filho de Deus. O mist\u00e9rio de Reden\u00e7\u00e3o presente \u00e0 Igreja (e tornada actual sobretudo pela Eucaristia) revela o amor de Deus que, j\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o, dava origem a tudo o que era bom, e agora, depois que o mal entrou no mundo pelo pecado, nos liberta. O Papa refere todos os sofrimentos e amea\u00e7as que caracterizam os nossos tempos, e conclui: \u201cO mundo da nova era, o mundo dos voos c\u00f3smicos, o mundo das conquistas cient\u00edficas e t\u00e9cnicas, nunca antes alcan\u00e7adas, n\u00e3o ser\u00e1 ao mesmo tempo o mundo que \u2018geme e sofre\u2019 (Rm 8,22) e \u2018espera ansiosamente a revela\u00e7\u00e3o dos filhos de Deus\u2019?\u201d (Rm 8,22) Ao salv\u00e1-lo, \u201cCristo, redentor do mundo, \u00e9 Aquele que penetrou, de maneira singular e que n\u00e3o se pode repetir, no mist\u00e9rio do homem e entrou no seu \u2018cora\u00e7\u00e3o\u2019\u201d. (n.8) A primeira enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II revela-o atento \u00e0 necessidade n\u00e3o s\u00f3 do di\u00e1logo ecum\u00e9nico com todas as Igrejas crist\u00e3s, mas tamb\u00e9m com todas as religi\u00f5es. \u00c9 que, de uma forma ou de outra, estas se integram no des\u00edgnio do Pai a respeito de toda a humanidade, n\u00e3o lhes podendo ser estranho, portanto, o mist\u00e9rio de Jesus Cristo e do seu Esp\u00edrito. O que n\u00e3o dispensa da miss\u00e3o, entendida como testemunho da verdade. E recordam-se as palavras de Jesus Cristo: \u201cPara isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade.\u201d (Jo 18,37) Palavras como que a confirmar o que antes dissera: \u201cConhecereis a verdade, e a verdade vos libertar\u00e1.\u201d (n. 12)  O mundo contempor\u00e2neo \u00e9 ainda caracterizado por todos os problemas ligados \u00e0 vida temporal dos homens e com o papel que a\u00ed desempenham as ideologias. Neste contexto surge a c\u00e9lebre afirma\u00e7\u00e3o de que \u201co homem\u2026 \u00e9 o primeiro e fundamental caminho da Igreja\u201d. Um caminho que \u00e9 tra\u00e7ado pelo pr\u00f3prio Cristo. (n.14) Bastaria analisar todo o magist\u00e9rio de Jo\u00e3o Paulo II, ao longo do seu pontificado e, particularmente, por ocasi\u00e3o do Jubileu do terceiro mil\u00e9nio, para se poder concluir como o Papa permaneceu sempre fiel ao seu programa, delineado na sua primeira enc\u00edclica.  H. Noronha Galv\u00e3o, Prof. da Faculdade de Teologia &#8211; UCP <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H. 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