{"id":4779,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-dificil-arte-de-julgar\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-dificil-arte-de-julgar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-dificil-arte-de-julgar\/","title":{"rendered":"A dif\u00edcil arte de julgar"},"content":{"rendered":"<p>Mais vale um mau amanho que um bom juiz. Por amanho entende-se, na terra onde este ditado corre, o entendimento poss\u00edvel, com perdas e ganhos, entre pessoas envolvidas num lit\u00edgio. A procura do tribunal implica o pressuposto de reconcilia\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel e, consequentemente, o recurso \u00e0 lei, por incapacidade de solu\u00e7\u00e3o pelo esp\u00edrito. Al\u00e9m do ditado popular, note-se que, nos Evangelhos, o pr\u00f3prio Jesus, nas hist\u00f3rias que conta, d\u00e1 a entender que o mais certo \u00e9 evitar o juiz e resolver as contendas pela via do entendimento entre os beligerantes.  Mas nenhuma sociedade dispensa uma institui\u00e7\u00e3o que defenda os direitos de todos, bem como exija o cumprimento dos deveres face \u00e0 lei, que \u00e9 como quem diz, face ao respeito, livremente aceite, de uma comunidade que partilha espa\u00e7os e projectos comuns. E tem, na pr\u00e1tica, o nome de justi\u00e7a. A lei, cega e fria, sequ\u00eancia de f\u00f3rmulas, enredada de articulados, urdida de subentendidos e artimanhas, reclamando-se de imparcial, n\u00e3o passa dum instrumento humano muito fr\u00e1gil, caindo quase sempre para o lado dos mais fortes. Os pobres n\u00e3o t\u00eam meios nem amigos para suportar longu\u00edssimas sabatinas, conversas de toga, tribunos de verbosidade mais que tribunais de justi\u00e7a. A tudo isto acresce a monstruosa m\u00e1quina de processos e pap\u00e9is que raramente escapa aos v\u00edcios de indiferen\u00e7a perante as demoras, acumula\u00e7\u00f5es, insufici\u00eancia de meios e pessoas para realizar a justi\u00e7a em tempo oportuno. E, como se sabe, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a de Deus, nenhuma justi\u00e7a se faz quando n\u00e3o \u00e9 oportuna, quando chega fora do tempo e do lugar em que deve acontecer. Arte nobre a do direito e da justi\u00e7a na defesa de valores e pessoas que vivem em comunidade e aceitam as regras inscritas na natureza, mais os entendimentos e compromissos face \u00e0s pessoas e aos bens. At\u00e9 h\u00e1 pouco mais de um ano, o cidad\u00e3o m\u00e9dio portugu\u00eas, n\u00e3o directamente implicado em quest\u00f5es de tribunal, vagamente sabia o que era e o que n\u00e3o era a justi\u00e7a no nosso pa\u00eds. A s\u00fabita torrente de informa\u00e7\u00f5es para a pra\u00e7a p\u00fablica, a quebra do segredo de justi\u00e7a e segredos profissionais, trouxe graves embara\u00e7os ao manuseamento da justi\u00e7a e veio revelar ao cidad\u00e3o comum os escaninhos, subterr\u00e2neos e limita\u00e7\u00f5es dos nossos tribunais. No fim de tudo, possivelmente sai refor\u00e7ado o dizer do povo: antes um mau amanho que um bom juiz\u2026 Ant\u00f3nio Rego  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais vale um mau amanho que um bom juiz. Por amanho entende-se, na terra onde este ditado corre, o entendimento poss\u00edvel, com perdas e ganhos, entre pessoas envolvidas num lit\u00edgio. A procura do tribunal implica o pressuposto de reconcilia\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel e, consequentemente, o recurso \u00e0 lei, por incapacidade de solu\u00e7\u00e3o pelo esp\u00edrito. 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