{"id":47759,"date":"2010-10-18T12:53:37","date_gmt":"2010-10-18T12:53:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/18\/carta-de-bento-xvi-aos-seminaristas\/"},"modified":"2010-10-18T12:53:37","modified_gmt":"2010-10-18T12:53:37","slug":"carta-de-bento-xvi-aos-seminaristas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-de-bento-xvi-aos-seminaristas\/","title":{"rendered":"Carta de Bento XVI aos seminaristas"},"content":{"rendered":"<p>Queridos Seminaristas,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o servi&ccedil;o militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de n&oacute;s a profiss&atilde;o que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote cat&oacute;lico. O subtenente replicou: Nesse caso, conv&eacute;m-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, j&aacute; n&atilde;o h&aacute; necessidade de padres. Eu sabia que esta &laquo;nova Alemanha&raquo; estava j&aacute; no fim e que, depois das enormes devasta&ccedil;&otilde;es causadas por aquela loucura no pa&iacute;s, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; completamente diversa; por&eacute;m de v&aacute;rios modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerd&oacute;cio cat&oacute;lico n&atilde;o seja uma &laquo;profiss&atilde;o&raquo; do futuro, antes pertenceria j&aacute; ao passado. Contrariando tais objec&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es, v&oacute;s, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Semin&aacute;rio, encaminhando-vos assim para o minist&eacute;rio sacerdotal na Igreja Cat&oacute;lica. E fizestes bem, porque os homens sempre ter&atilde;o necessidade de Deus &ndash; mesmo na &eacute;poca do predom&iacute;nio da t&eacute;cnica no mundo e da globaliza&ccedil;&atilde;o &ndash;, do Deus que Se mostrou a n&oacute;s em Jesus Cristo e nos re&uacute;ne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d&rsquo;Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os crit&eacute;rios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a no&ccedil;&atilde;o de Deus, a vida torna-se vazia; tudo &eacute; insuficiente. Depois o homem busca ref&uacute;gio na aliena&ccedil;&atilde;o ou na viol&ecirc;ncia, amea&ccedil;a esta que recai cada vez mais sobre a pr&oacute;pria juventude. Deus vive; criou cada um de n&oacute;s e, por conseguinte, conhece a todos. &Eacute; t&atilde;o grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: &laquo;At&eacute; os cabelos da vossa cabe&ccedil;a est&atilde;o contados&raquo;. Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanh&atilde; e sempre enquanto existir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Semin&aacute;rio &eacute; uma comunidade que caminha para o servi&ccedil;o sacerdotal. Nestas palavras, disse j&aacute; algo de muito importante: uma pessoa n&atilde;o se torna sacerdote, sozinha. &Eacute; necess&aacute;ria a &laquo;comunidade dos disc&iacute;pulos&raquo;, o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de todos. Com esta carta, quero evidenciar &ndash; olhando retrospectivamente tamb&eacute;m para o meu tempo de Semin&aacute;rio &ndash; alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um &laquo;homem de Deus&raquo;, como o apresenta S&atilde;o Paulo (1 Tm 6, 11). Para n&oacute;s, Deus n&atilde;o &eacute; uma hip&oacute;tese remota, n&atilde;o &eacute; um desconhecido que se retirou depois do &laquo;big-bang&raquo;. Deus mostrou-Se em  Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o pr&oacute;prio Deus a falar connosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerd&oacute;cio e ao longo de toda a vida sacerdotal &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote n&atilde;o &eacute; o administrador de uma associa&ccedil;&atilde;o qualquer, cujo n&uacute;mero de membros se procura manter e aumentar. &Eacute; o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer tamb&eacute;m a verdadeira comunh&atilde;o dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, &eacute; muito importante aprenderdes a viver em permanente contacto com Deus. Quando o Senhor fala de &laquo;orar sempre&raquo;, naturalmente n&atilde;o pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus. Exercitar-se neste contacto &eacute; o sentido da nossa ora&ccedil;&atilde;o. Por isso, &eacute; importante que o dia comece e acabe com a ora&ccedil;&atilde;o; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperan&ccedil;as, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de refer&ecirc;ncia da nossa vida. Assim tornamo-nos sens&iacute;veis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sens&iacute;veis tamb&eacute;m a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratid&atilde;o. E, com a gratid&atilde;o, cresce a alegria pelo facto de que Deus est&aacute; perto de n&oacute;s e podemos servi-Lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Para n&oacute;s, Deus n&atilde;o &eacute; s&oacute; uma palavra. Nos sacramentos, d&aacute;-Se pessoalmente a n&oacute;s, atrav&eacute;s de elementos corporais. O centro da nossa rela&ccedil;&atilde;o com Deus e da configura&ccedil;&atilde;o da nossa vida &eacute; a Eucaristia; celebr&aacute;-la com &iacute;ntima participa&ccedil;&atilde;o e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para al&eacute;m do mais, S&atilde;o Cipriano interpretou a s&uacute;plica do Evangelho &laquo;o p&atilde;o nosso de cada dia nos dai hoje&raquo;, dizendo que o p&atilde;o &laquo;nosso&raquo;, que, como crist&atilde;os, podemos receber na Igreja, &eacute; precisamente Jesus eucar&iacute;stico. Por conseguinte, na referida s&uacute;plica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este p&atilde;o &laquo;nosso&raquo;; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos d&aacute; na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma recta celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, &eacute; necess&aacute;rio aprendermos tamb&eacute;m a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fi&eacute;is de todos os s&eacute;culos; passado, presente e futuro encontram-se num &uacute;nico grande coro de ora&ccedil;&atilde;o. A partir do meu pr&oacute;prio caminho, posso afirmar que &eacute; entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experi&ecirc;ncia de f&eacute; h&aacute; na estrutura da liturgia da Missa, quantas gera&ccedil;&otilde;es a formaram rezando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Importante &eacute; tamb&eacute;m o sacramento da Penit&ecirc;ncia. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me &agrave; humildade. Uma vez o Cura d&rsquo;Ars disse: Pensais que n&atilde;o tem sentido obter a absolvi&ccedil;&atilde;o hoje, sabendo entretanto que amanh&atilde; fareis de novo os mesmos pecados. Mas &ndash; assim disse ele &ndash; o pr&oacute;prio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanh&atilde;, para vos dar a sua gra&ccedil;a hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, &eacute; importante opor-se ao embrutecimento da alma, &agrave; indiferen&ccedil;a que se resigna com o facto de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, &eacute; importante continuar a caminhar, sem cair em escr&uacute;pulos mas tamb&eacute;m sem cair na indiferen&ccedil;a, que j&aacute; n&atilde;o me faria lutar pela santidade e o aperfei&ccedil;oamento. E, deixando-me perdoar, aprendo tamb&eacute;m a perdoar aos outros; reconhecendo a minha mis&eacute;ria, tamb&eacute;m me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Mantende em v&oacute;s tamb&eacute;m a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, &eacute; sempre tamb&eacute;m muito semelhante, porque, no fim de contas, o cora&ccedil;&atilde;o do homem &eacute; o mesmo. &Eacute; certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, &agrave;s vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, exclu&iacute;-la, &eacute; completamente errado. Atrav&eacute;s dela, a f&eacute; entrou no cora&ccedil;&atilde;o dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular &eacute; um grande patrim&oacute;nio da Igreja. A f&eacute; fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de n&oacute;s mesmos &laquo;Povo de Deus&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. O tempo no Semin&aacute;rio &eacute; tamb&eacute;m e sobretudo tempo de estudo. A f&eacute; crist&atilde; possui uma dimens&atilde;o racional e intelectual, que lhe &eacute; essencial. Sem tal dimens&atilde;o, a f&eacute; deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma &laquo;norma da doutrina&raquo;, &agrave; qual fomos entregues no Baptismo (Rm 6, 17). Todos v&oacute;s conheceis a frase de S&atilde;o Pedro, considerada pelos te&oacute;logos medievais como a justifica&ccedil;&atilde;o para uma teologia elaborada racional e cientificamente: &laquo;Sempre prontos a responder (&hellip;) a todo aquele que vos perguntar &#8220;a raz&atilde;o&#8221; (logos) da vossa esperan&ccedil;a&raquo; (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas &eacute; uma das principais fun&ccedil;&otilde;es dos anos de Semin&aacute;rio. Tudo o que vos pe&ccedil;o insistentemente &eacute; isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! N&atilde;o vos arrependereis. &Eacute; certo que muitas vezes as mat&eacute;rias de estudo parecem muito distantes da pr&aacute;tica da vida crist&atilde; e do servi&ccedil;o pastoral. Mas &eacute; completamente errado p&ocirc;r-se imediatamente e sempre a pergunta pragm&aacute;tica: Poder&aacute; isto servir-me no futuro? Ter&aacute; utilidade pr&aacute;tica, pastoral? &Eacute; que n&atilde;o se trata apenas de aprender as coisas evidentemente &uacute;teis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da f&eacute; na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta &agrave;s quest&otilde;es dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, &eacute; importante ultrapassar as quest&otilde;es vol&uacute;veis do momento para se compreender as quest&otilde;es verdadeiras e pr&oacute;prias e, deste modo, perceber tamb&eacute;m as respostas como verdadeiras respostas. &Eacute; importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a forma&ccedil;&atilde;o dos textos, a sua peculiaridade liter&aacute;ria, a gradual composi&ccedil;&atilde;o dos mesmos at&eacute; se formar o c&acirc;non dos livros sagrados, a unidade din&acirc;mica interior que n&atilde;o se nota &agrave; superf&iacute;cie, mas &eacute; a &uacute;nica que d&aacute; a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. &Eacute; importante conhecer os Padres e os grandes Conc&iacute;lios, onde a Igreja assimilou, reflectindo e acreditando, as afirma&ccedil;&otilde;es essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogm&aacute;tica &eacute; a compreens&atilde;o dos diversos conte&uacute;dos da f&eacute; na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, &eacute; apenas explana&ccedil;&atilde;o da f&eacute; no &uacute;nico Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a n&oacute;s. Que &eacute; importante conhecer as quest&otilde;es essenciais da teologia moral e da doutrina social cat&oacute;lica, n&atilde;o ser&aacute; preciso que vo-lo diga expressamente. Qu&atilde;o importante seja hoje a teologia ecum&eacute;nica, conhecer as v&aacute;rias comunidade crist&atilde;s, &eacute; evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orienta&ccedil;&atilde;o fundamental sobre as grandes religi&otilde;es e, n&atilde;o menos importante, sobre a filosofia: a compreens&atilde;o daquele indagar e questionar humano ao qual a f&eacute; quer dar resposta. Mas aprendei tamb&eacute;m a compreender e &ndash; ouso dizer &ndash; a amar o direito can&oacute;nico na sua necessidade intr&iacute;nseca e nas formas da sua aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito &eacute; condi&ccedil;&atilde;o do amor. Agora n&atilde;o quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia &agrave; comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, n&atilde;o &eacute; um p&oacute;lo oposto &agrave; ci&ecirc;ncia teol&oacute;gica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que cr&ecirc;, a teologia deixa de ser ela pr&oacute;pria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Os anos no Semin&aacute;rio devem ser tamb&eacute;m um tempo de matura&ccedil;&atilde;o humana. Para o sacerdote, que ter&aacute; de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e at&eacute; &agrave;s portas da morte, &eacute; importante que ele mesmo tenha posto em justo equil&iacute;brio cora&ccedil;&atilde;o e intelecto, raz&atilde;o e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente &laquo;&iacute;ntegro&raquo;. Por isso, a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; sempre associou &agrave;s &laquo;virtudes teologais&raquo; as &laquo;virtudes cardeais&raquo;, derivadas da experi&ecirc;ncia humana e da filosofia, e tamb&eacute;m em geral a s&atilde; tradi&ccedil;&atilde;o &eacute;tica da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: &laquo;Quanto ao resto, irm&atilde;os, tudo o que &eacute; verdadeiro, nobre e justo, tudo o que &eacute; puro, am&aacute;vel e de boa reputa&ccedil;&atilde;o, tudo o que &eacute; virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento&raquo; (4, 8). Faz parte deste contexto tamb&eacute;m a integra&ccedil;&atilde;o da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade &eacute; um dom do Criador, mas tamb&eacute;m uma fun&ccedil;&atilde;o que tem a ver com o desenvolvimento do pr&oacute;prio ser humano. Quando n&atilde;o &eacute; integrada na pessoa, a sexualidade torna-se banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande m&aacute;goa que sacerdotes desfiguraram o seu minist&eacute;rio, abusando sexualmente de crian&ccedil;as e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devasta&ccedil;&otilde;es, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em v&oacute;s pr&oacute;prios, esta quest&atilde;o: se &eacute; bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato &eacute; sensato como vida humana. Mas o abuso, que h&aacute; que reprovar profundamente, n&atilde;o pode desacreditar a miss&atilde;o sacerdotal, que permanece grande e pura. Gra&ccedil;as a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua f&eacute;, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibat&aacute;ria, &eacute; poss&iacute;vel chegar a uma humanidade aut&ecirc;ntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e sol&iacute;citos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a n&oacute;s mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerd&oacute;cio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. &Eacute; fun&ccedil;&atilde;o dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. &Eacute; um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7. Hoje os princ&iacute;pios da voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal s&atilde;o mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decis&atilde;o para o sacerd&oacute;cio desponta nas experi&ecirc;ncias de uma profiss&atilde;o secular j&aacute; assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunit&aacute;rio com Cristo e a sua Igreja, uma experi&ecirc;ncia espiritual e a alegria no servi&ccedil;o da f&eacute;. A decis&atilde;o amadurece tamb&eacute;m em encontros muito pessoais com a grandeza e a mis&eacute;ria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerd&oacute;cio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poder&aacute; ser dif&iacute;cil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itiner&aacute;rio espiritual. Por isso mesmo, o Semin&aacute;rio &eacute; importante como comunidade em caminho que est&aacute; acima das v&aacute;rias formas de espiritualidade. Os movimentos s&atilde;o uma realidade magn&iacute;fica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Esp&iacute;rito Santo &agrave; Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem &agrave; realidade cat&oacute;lica comum, &agrave; vida da &uacute;nica e comum Igreja de Cristo que permanece uma s&oacute; em toda a sua variedade. O Semin&aacute;rio &eacute; o per&iacute;odo em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na conviv&ecirc;ncia, por vezes talvez dif&iacute;cil, deveis aprender a generosidade e a toler&acirc;ncia n&atilde;o s&oacute; suportando-vos mutuamente, mas tamb&eacute;m enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da toler&acirc;ncia, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em v&oacute;s precisamente nestes tempos dif&iacute;ceis e quanto estou unido convosco na ora&ccedil;&atilde;o. Rezai tamb&eacute;m por mim, para que possa desempenhar bem o meu servi&ccedil;o, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de prepara&ccedil;&atilde;o para o sacerd&oacute;cio &agrave; protec&ccedil;&atilde;o materna de Maria Sant&iacute;ssima, cuja casa foi escola de bem e de gra&ccedil;a. A todos vos aben&ccedil;oe Deus omnipotente Pai, Filho e Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vaticano, 18 de Outubro &ndash; Festa de S&atilde;o Lucas, Evangelista &ndash; do ano 2010.<\/p>\n<p>Vosso no Senhor<\/p>\n<p align=\"right\"><em>BENEDICTUS PP. XVI<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queridos Seminaristas, &nbsp; Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o servi&ccedil;o militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de n&oacute;s a profiss&atilde;o que sonhava ter no futuro. 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