{"id":47648,"date":"2010-10-12T11:13:27","date_gmt":"2010-10-12T11:13:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/12\/linhas-de-forca-e-desafios-para-o-futuro\/"},"modified":"2010-10-12T11:13:27","modified_gmt":"2010-10-12T11:13:27","slug":"linhas-de-forca-e-desafios-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/linhas-de-forca-e-desafios-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"Linhas de for\u00e7a e desafios para o futuro"},"content":{"rendered":"<p>A carta pastoral &laquo;Como Eu vos fiz, fazei v&oacute;s tamb&eacute;m. Para um rosto mission&aacute;rio da Igreja em Portugal&raquo; est&aacute; constru&iacute;da tendo em conta as grandes linhas de for&ccedil;a da teologia da miss&atilde;o e apresenta desafios que n&atilde;o podemos ignorar. A partir da perspectiva de leitor comprometido com a miss&atilde;o, gostaria de acentuar alguns aspectos.<\/p>\n<p>1. A miss&atilde;o ad gentes est&aacute; no centro da Igreja e &eacute; uma caracter&iacute;stica inegoci&aacute;vel do cristianismo. De forma inequ&iacute;voca, a carta defende que a miss&atilde;o &eacute; a primeira causa para cada crist&atilde;o e para toda a Igreja, pois n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ficarmos indiferentes ao pensar nos milh&otilde;es de irm&atilde;os e de irm&atilde;s que ignoram ainda o amor de Deus. Neste sentido, evangelizar &eacute; o melhor servi&ccedil;o que a Igreja pode prestar ao mundo. E, como n&atilde;o h&aacute; miss&atilde;o sem partir ao encontro dos outros, &eacute; inadi&aacute;vel levantar-se e partir em miss&atilde;o indo ao encontro do Senhor em cada irm&atilde;o. A centralidade da miss&atilde;o na vida dos crist&atilde;os &eacute; afirmada de modo eloquente no par&aacute;grafo 12, onde se diz que evangelizar ser&aacute; a nossa maneira de ser, porque &eacute; a nossa identidade mais profunda. Esta ideia &eacute; ilustrada com palavras certeiras atribu&iacute;das ao papa Paulo VI: &laquo;a Igreja existe para evangelizar&raquo;.<\/p>\n<p>2. A carta est&aacute; organizada a partir das teses fundamentais da teologia da miss&atilde;o. A miss&atilde;o brota do amor de Deus que nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4,19). Devemos, portanto, saber ser testemunhas cred&iacute;veis deste amor excessivo, supera-bundante, que vai para al&eacute;m do necess&aacute;rio. Neste projecto mission&aacute;rio no qual somos chamados a participar, Jesus Cristo &eacute; o nosso modelo por excel&ecirc;ncia. Por seu lado, a Igreja local tem a responsabilidade de toda a miss&atilde;o e todos os membros da comunidade eclesial t&ecirc;m o dever de anunciar o Evangelho, pois, em virtude do baptismo, cada crist&atilde;o &eacute; chamado a ser mission&aacute;rio.<\/p>\n<p>3. O documento sugere uma mudan&ccedil;a de paradigma ao n&iacute;vel da metodologia mission&aacute;ria e podemos caracterizar esta mudan&ccedil;a do seguinte modo: passou o tempo da conquista e o tempo do individualismo.<\/p>\n<p>No passado, o Evangelho foi muitas vezes anunciado em estreita alian&ccedil;a com o poder pol&iacute;tico, militar e econ&oacute;mico, significando tamb&eacute;m a imposi&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es civilizacionais do Ocidente. Nesse quadro, as outras religi&otilde;es e culturas eram consideradas um obst&aacute;culo a eliminar ou a neutralizar. No novo paradigma o an&uacute;ncio deve ser feito atrav&eacute;s do testemunho de vida e do di&aacute;logo. Neste sentido, o primeiro verbo da miss&atilde;o n&atilde;o &eacute; dar coisas, mas dar-se, dando a pr&oacute;pria vida, imitando Cristo no seu amor levado ao extremo. Por seu lado, o di&aacute;logo assume hoje um papel deter-minante na miss&atilde;o. O que fascina &eacute; o encontro com pessoas crentes. Ora, o encontro sup&otilde;e o respeito m&uacute;tuo e a escuta.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m j&aacute; passou o tempo em que predominava a figura her&oacute;ica do mission&aacute;rio que, sozinho, procurava implantar as estruturas da Igreja nas ent&atilde;o chamadas &laquo;terras de miss&atilde;o&raquo;. Agora, no seguimento do Ano Paulino, a carta pastoral convida-nos a imitar Paulo e a sua metodo-logia personalizada, afectiva e apaixonada, com dedica&ccedil;&atilde;o total, de corpo inteiro e a tempo inteiro, bem como o facto de se ter sabido rodear de muitos e bons cooperadores, formando como que uma rede de fraternidade para o servi&ccedil;o do Evangelho.<\/p>\n<p>4. A carta apresenta alguns desafios para promover uma mudan&ccedil;a de mentalidade e uma nova estrat&eacute;gia mission&aacute;ria. As igrejas locais e as comunidades crist&atilde;s s&atilde;o desafiadas a ultrapassar uma pastoral de simples manuten&ccedil;&atilde;o. Defende-se uma pastoral que d&ecirc; a primazia ao encontro com a pessoa de Cristo, pois s&oacute; o encontro com Cristo pode levar algu&eacute;m a aderir ao Evangelho. A miss&atilde;o, por seu lado, deve ser considerada pela Igreja n&atilde;o como um sector da pastoral entre muitos outros sectores, mas o seu horizonte permanente e a alma de toda a programa&ccedil;&atilde;o pastoral. Finalmente, existe o grande e urgente desafio da forma&ccedil;&atilde;o dos leigos para a miss&atilde;o e o seu enqua-dramento na actividade mission&aacute;ria da Igreja. Nesta mat&eacute;ria, as Igrejas locais ainda n&atilde;o encontraram as formas mais adequadas para dar resposta &agrave; voca&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria dos leigos. O texto &eacute; omisso, mas existem quest&otilde;es que precisam de ser trabalhadas, nomeadamente as relacionadas com o seu sustento, carreira profissional, vida familiar ou o regresso ap&oacute;s a miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Jos&eacute; Antunes da Silva, SVD<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A carta pastoral &laquo;Como Eu vos fiz, fazei v&oacute;s tamb&eacute;m. Para um rosto mission&aacute;rio da Igreja em Portugal&raquo; est&aacute; constru&iacute;da tendo em conta as grandes linhas de for&ccedil;a da teologia da miss&atilde;o e apresenta desafios que n&atilde;o podemos ignorar. A partir da perspectiva de leitor comprometido com a miss&atilde;o, gostaria de acentuar alguns aspectos. 1. 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