{"id":47646,"date":"2010-10-12T10:54:37","date_gmt":"2010-10-12T10:54:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/12\/redescobrir-a-missao\/"},"modified":"2010-10-12T10:54:37","modified_gmt":"2010-10-12T10:54:37","slug":"redescobrir-a-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/redescobrir-a-missao\/","title":{"rendered":"Redescobrir a Miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Couto, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal para as Miss\u00f5es, aborda a actualidade mission\u00e1ria em Portugal, destacando a din\u00e2mica que se quer imprimir a partir da carta pastoral \u00abPara um rosto mission\u00e1rio da Igreja em Portugal\u00bb. <!--more--> <\/p>\n<p>Miss&atilde;o <em>ad gentes<\/em> n&atilde;o &eacute; tanto uma maneira de demarcar espa&ccedil;os a que haja que levar o primeiro an&uacute;ncio do Evangelho, mas &eacute; mais o modo feliz, ousado, pobre, despojado e dedicado de o crist&atilde;o sair de si para levar Cristo ao cora&ccedil;&atilde;o de cada ser humano, seja quem for, seja onde for.<\/p>\n<p>&Eacute; assim que D. Ant&oacute;nio Couto, presidente da Comiss&atilde;o Episcopal para as Miss&otilde;es, aborda a actualidade mission&aacute;ria em Portugal, destacando a din&acirc;mica que se quer imprimir a partir da carta pastoral &laquo;Para um rosto mission&aacute;rio da Igreja em Portugal&raquo;.<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211;&nbsp; Num contexto de progressiva seculariza&ccedil;&atilde;o, recentemente recordada pela CEP e pelo pr&oacute;prio Papa, agudiza-se a necessidade de uma &ldquo;primeira evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; em Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Couto (AC) &#8211;<\/em> A evangeliza&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre &ldquo;primeira&rdquo;. E s&oacute; sendo &ldquo;primeira&rdquo;, &eacute; verdadeira. E &ldquo;primeira&rdquo; significa aquela que Jesus mandou fazer aos seus Ap&oacute;stolos e disc&iacute;pulos, ao <em>estilo<\/em> de Jesus Bom Pastor, pobre e humilde, sem ouro, nem prata, nem cobre, nem duas t&uacute;nicas, totalmente devotado ao Pai e &agrave;s suas ovelhas, todas suas, quer as que est&atilde;o perto quer as que est&atilde;o longe ou andam perdidas, sem olhar &agrave;s etiquetas do mundo de ent&atilde;o. &Eacute; esta Evangeliza&ccedil;&atilde;o que a Igreja tem sido sempre chamada a fazer, ao <em>estilo<\/em> de Jesus, e n&atilde;o pode deixar de fazer, sob pena de se desdizer, perdendo a sua identidade. Disse-o bem o Papa Paulo VI na Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, de 8 de Dezembro de 1975, n.&ordm; 14: &laquo;Anunciar o Evangelho constitui, de facto, a gra&ccedil;a e a voca&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria da Igreja, a sua identidade mais profunda. A Igreja existe para Evangelizar&raquo;. A recente Carta Pastoral da CEP leva o t&iacute;tulo significativo de &laquo;Como Eu vos fiz, fazei v&oacute;s tamb&eacute;m&raquo;. Aquele <em>como<\/em> inicial &eacute; determinante para nos agrafar, n&atilde;o s&oacute; ao fazer de Jesus, mas ao <em>modo<\/em> como Ele faz. &Eacute; claro. J&aacute; n&atilde;o basta converter ou reconverter estruturas pastorais. &Eacute; mesmo necess&aacute;rio e preliminar que comecemos por nos convertermos n&oacute;s ao <em>estilo<\/em> de Jesus, ao <em>como<\/em> fazer de Jesus. Portanto, para um crist&atilde;o e para a Igreja, a evangeliza&ccedil;&atilde;o tem de ser sempre &ldquo;primeira&rdquo; em qualquer tempo e em qualquer lugar. Nada a pode substituir e nenhuma outra tarefa se lhe pode antepor. Ela &eacute; a nossa <em>gra&ccedil;a<\/em>, a nossa maneira de ser.<\/p>\n<p>A forma como a pergunta est&aacute; formulada pode deixar supor que h&aacute; outras maneiras de se ser crist&atilde;o e de viver em Igreja. E que s&oacute; agora, nesta &laquo;noite do mundo&raquo;, em que vemos o ch&atilde;o a fugir-nos debaixo dos p&eacute;s em Portugal e em toda a Europa, &eacute; que se torna necess&aacute;rio lan&ccedil;ar m&atilde;os da &ldquo;primeira evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Esta suposi&ccedil;&atilde;o pode levar a pensar que a referida &ldquo;primeira evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; &eacute; uma coisa excepcional a usar s&oacute; em situa&ccedil;&otilde;es excepcionais. Racioc&iacute;nio viciado. A &ldquo;primeira evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; ou a &ldquo;evangeliza&ccedil;&atilde;o primeira&rdquo; ou &ldquo;primeiro&rdquo; &eacute; a normal, quotidiana maneira de ser da Igreja e do disc&iacute;pulo de Jesus. O tempo em que vamos requer lucidez e determina&ccedil;&atilde;o. Reconhecer que n&atilde;o temos cumprido a nossa miss&atilde;o de evangelizar <em>como<\/em> Jesus nos mandou &eacute; um dado que se nos imp&otilde;e. Bater com a m&atilde;o no peito por nos termos acomodado e afastado do <em>estilo<\/em> de Jesus &eacute; decisivo. Pusemos, entretanto, muitas coisas entre n&oacute;s e Jesus. Mas uma s&oacute; coisa &eacute; necess&aacute;ria! E n&atilde;o h&aacute; &ldquo;evangeliza&ccedil;&atilde;o requentada&rdquo;!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;&nbsp; Que din&acirc;mica se pretende gerar com o conceito de Centro Mission&aacute;rio Diocesano?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em>&nbsp; Pretende-se ajudar a tornar normal aquilo que tem sido considerado excepcional. Normal &eacute; anunciar o Evangelho ao <em>estilo<\/em> de Jesus. Normal n&atilde;o &eacute;, como se tem pensado e ainda se continua a pensar, formar os crist&atilde;os numa certa doutrina e para uma certa pr&aacute;tica da vida crist&atilde;, verificada pela frequ&ecirc;ncia dos sacramentos, mormente pela chamada &laquo;pr&aacute;tica dominical&raquo;. Note-se que se tem feito e se est&aacute; a pensar continuar a fazer deste ponto o bar&oacute;metro da vida crist&atilde; e cat&oacute;lica no nosso pa&iacute;s. Na verdade, a nossa identidade, aquilo que nos deve identificar, a nossa <em>gra&ccedil;a<\/em>, aquilo que &eacute; sempre <em>primeiro<\/em> e que nunca pode ser segundo &eacute; anunciar o Evangelho ao <em>estilo<\/em> Jesus e no seguimento de Jesus. Isto sup&otilde;e uma reviravolta no itiner&aacute;rio de toda a forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, que deve ser mission&aacute;ria desde o in&iacute;cio, e n&atilde;o apenas nas suas &uacute;ltimas etapas, em jeito de conclus&atilde;o. Neste sentido, na sua Mensagem para o 83.&ordm; Dia Mission&aacute;rio Mundial (18 de Outubro de 2009), o Papa Bento XVI lembrou &laquo;&agrave;s Igrejas antigas como &agrave;s de recente funda&ccedil;&atilde;o&raquo; que &laquo;a miss&atilde;o <em>ad gentes<\/em> deve ser a prioridade dos seus planos pastorais&raquo;, como j&aacute; tinha lembrado, na Mensagem para o 82.&ordm; Dia Mission&aacute;rio Mundial (19 de Outubro de 2008), citando o Decreto <em>Ad Gentes<\/em>, n.&ordm; 38, que o &laquo;seu compromisso [dos Bispos] consiste em tornar mission&aacute;ria toda a comunidade diocesana&raquo;.<\/p>\n<p>Se a Igreja particular, com o seu Bispo &agrave; cabe&ccedil;a, &eacute; o sujeito primeiro da miss&atilde;o, ao Centro Mission&aacute;rio Diocesano, institu&iacute;do pelo Bispo Diocesano, competir&aacute; ajudar o Bispo a dinamizar e sensibilizar missionariamente toda a Diocese, de modo a manter alta a consci&ecirc;ncia mission&aacute;ria e a efectiva capacidade evangelizadora de toda a comunidade diocesana. As compet&ecirc;ncias deste Centro derivam, portanto, das atribui&ccedil;&otilde;es que lhe forem confiadas pelo Bispo. Mas &eacute; f&aacute;cil ver que a sua influ&ecirc;ncia se pode fazer sentir em todos os &acirc;mbitos da forma&ccedil;&atilde;o, acolhimento, partilha e entreajuda, comunh&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o entre as Igrejas, ajudar a dar a conhecer e a manter vivos no terreno o esp&iacute;rito e a ac&ccedil;&atilde;o das Obras Mission&aacute;rias Pontif&iacute;cias, promover a celebra&ccedil;&atilde;o e viv&ecirc;ncia do Dia Mission&aacute;rio Mundial e do Dia da Inf&acirc;ncia Mission&aacute;ria, bem como do Outubro Mission&aacute;rio, manter vivos os Grupos Mission&aacute;rios Paroquiais ou Inter-Paroquiais, dar a conhecer e sensibilizar &agrave; participa&ccedil;&atilde;o em iniciativas de forma&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria j&aacute; existentes a n&iacute;vel nacional, tais como o Curso de Missiologia e as Jornadas Mission&aacute;rias. Deste Centro devem fazer parte membros dos Institutos Mission&aacute;rios e Religiosos presentes no espa&ccedil;o diocesano, mas tamb&eacute;m Padres e fi&eacute;is leigos diocesanos.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Esta iniciativa j&aacute; est&aacute; lan&ccedil;ada na Arquidiocese de Braga. Como tem decorrido esta experi&ecirc;ncia?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em>&nbsp; &Eacute; verdade que a iniciativa j&aacute; est&aacute; lan&ccedil;ada em Braga. Houve um primeiro encontro do Senhor Arcebispo com o Delegado Arquidiocesano das OMP e representantes dos Institutos Mission&aacute;rios, em que ficou decidido avan&ccedil;ar para a forma&ccedil;&atilde;o do Centro Mission&aacute;rio Arquidiocesano de Braga. Seguiu-se depois outro encontro mais alargado com a minha presen&ccedil;a em representa&ccedil;&atilde;o do Senhor Arcebispo, em que se definiu a forma de composi&ccedil;&atilde;o deste Centro, com pessoas a indicar pelos Institutos Mission&aacute;rios e pela Arquidiocese. A pr&oacute;xima reuni&atilde;o ser&aacute; para confirmar a constitui&ccedil;&atilde;o do Centro e definir os principais caminhos a trilhar. S&oacute; a partir de ent&atilde;o, o Centro assumir&aacute; fun&ccedil;&otilde;es efectivas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Novos campos para a evangeliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211;&nbsp; Como conciliar os novos campos de miss&atilde;o com a tradicional din&acirc;mica de partida rumo a outros pa&iacute;ses, para anunciar o Evangelho a quem nunca o escutou?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Se o mandato de evangelizar todas as pessoas constitui a miss&atilde;o essencial de toda a Igreja, ent&atilde;o a miss&atilde;o tem de ser o horizonte permanente e o paradigma por excel&ecirc;ncia de toda a din&acirc;mica e empenhamento pastoral, enervando os nossos programas pastorais. E o partir em miss&atilde;o, numa Igreja local que se assume como sujeito primeiro da miss&atilde;o, permanece como paradigma do compromisso mission&aacute;rio da Igreja, que assim vive e manifesta a sua solicitude por todas as Igrejas. Ao contr&aacute;rio daquilo que os pressupostos que parecem presidir &agrave; pergunta possam dar a entender, a miss&atilde;o <em>ad gentes<\/em> n&atilde;o empobrece a Igreja local, mas &laquo;renova-a, revigora a sua f&eacute; e identidade, d&aacute;-lhe novo entusiasmo e novas motiva&ccedil;&otilde;es. A f&eacute; fortalece-se, dando-a&raquo;, de acordo com as palavras luminosas de Jo&atilde;o Paulo II, na sua Carta Apost&oacute;lica <em>Redemptoris Missio<\/em> (7 de Dezembro de 1990), n.&ordm; 2. &Eacute; outra vez o <em>estilo<\/em> que &eacute; decisivo. A miss&atilde;o <em>ad gentes<\/em> n&atilde;o &eacute; tanto uma maneira de demarcar espa&ccedil;os a que haja que levar o primeiro an&uacute;ncio do Evangelho, mas &eacute; mais o modo feliz, ousado, pobre, despojado e dedicado de o crist&atilde;o sair de si para levar Cristo ao cora&ccedil;&atilde;o de cada ser humano, seja quem for, seja onde for. &Eacute; este <em>estilo<\/em>, esta maneira de ser, que deve informar cada crist&atilde;o e todas as comunidades crist&atilde;s.<\/p>\n<p>As consequ&ecirc;ncias pr&aacute;ticas para a vida eclesial e paroquial s&atilde;o profundas e intensas, requerendo uma nova sensibilidade evangelizadora obrigat&oacute;ria e n&atilde;o arbitr&aacute;ria. Antecipando-se a previs&iacute;veis dificuldades e reservas, alertou bem o Papa Jo&atilde;o Paulo II que nenhuma Igreja particular, de antiga ou de recente tradi&ccedil;&atilde;o, &laquo;se deve fechar em si pr&oacute;pria&raquo;, adiantando logo que &laquo;a tend&ecirc;ncia para se fechar em si pr&oacute;prio pode ser forte&raquo;. E, no que se refere &agrave;s Igrejas antigas, advertiu que, &laquo;preocupadas com a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, podem ser levadas a pensar que agora devem realizar a miss&atilde;o em casa, correndo assim o risco de refrear o &iacute;mpeto para o mundo n&atilde;o crist&atilde;o, sendo pouca a vontade de dar voca&ccedil;&otilde;es aos Institutos Mission&aacute;rios&raquo;. A estas Igrejas, o Papa lembra que &laquo;&eacute; dando generosamente que se recebe&raquo; (<em>Redemptoris Missio<\/em>, n.&ordm; 85). E a Congrega&ccedil;&atilde;o para o Clero, na sua Instru&ccedil;&atilde;o <em>Postquam Apostoli<\/em> (25 de Mar&ccedil;o de 1980), n.&ordm; 14, j&aacute; tinha advertido que &laquo;a Igreja particular n&atilde;o pode fechar-se em si mesma, mas, como parte viva da Igreja Universal, deve abrir-se &agrave;s necessidades das outras Igrejas. Portanto, a sua participa&ccedil;&atilde;o na miss&atilde;o evangelizadora universal n&atilde;o &eacute; deixada ao seu arb&iacute;trio, ainda que generoso, mas deve considerar-se como uma lei fundamental de vida; diminuiria, de facto, a sua energia vital se, concentrando-se unicamente sobre os pr&oacute;prios problemas, se fechasse &agrave;s necessidades das outras Igrejas&raquo;. E o Papa Bento XVI acaba de nos advertir, na Homilia da Santa Missa celebrada na Pra&ccedil;a dos Aliados (Porto), em 14 de Maio de 2010, que &laquo;nada nos dispensa de ir ao encontro dos outros&raquo;, pelo que &laquo;temos de vencer a tenta&ccedil;&atilde;o de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro&raquo;, lembrando-nos ainda que isso &laquo;seria morrer a prazo, enquanto presen&ccedil;a da Igreja no mundo, que, ali&aacute;s, s&oacute; pode ser mission&aacute;ria&raquo;.<\/p>\n<p>Portanto, nenhuma dificuldade de concilia&ccedil;&atilde;o. Antes, a miss&atilde;o <em>ad gentes<\/em> potencia e renova a Igreja inteira em todos os aspectos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;&nbsp; Quais s&atilde;o os &acirc;mbitos e os protagonistas desta &ldquo;Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em>&nbsp; O assunto &eacute; de fundo. Evangelizar n&atilde;o pode ser um luxo de alguns. Tem de ser normalidade para todos. &Eacute; preciso tomar consci&ecirc;ncia de que &eacute; toda a Igreja que &eacute; mission&aacute;ria, e que, portanto, ser crist&atilde;o implica <em>necessariamente<\/em> ser mission&aacute;rio. Que o crist&atilde;o n&atilde;o <em>necessita<\/em> de outra voca&ccedil;&atilde;o para ser mission&aacute;rio: basta a voca&ccedil;&atilde;o que tem. Que &laquo;crist&atilde;o&raquo; e &laquo;mission&aacute;rio&raquo; n&atilde;o identificam duas figuras distintas nem duas voca&ccedil;&otilde;es distintas, mas s&atilde;o qualifica&ccedil;&otilde;es incind&iacute;veis do disc&iacute;pulo de Jesus. Que ningu&eacute;m pode pensar que se pode ser, em primeiro lugar, crist&atilde;o, e depois, se se sentir chamado e se quiser, vir tamb&eacute;m a ser mission&aacute;rio. Para o crist&atilde;o, ser mission&aacute;rio &eacute; a sua maneira de ser, a sua identidade, a sua gra&ccedil;a, &eacute; uma <em>necessidade<\/em>, &eacute; de fundo e n&atilde;o um adere&ccedil;o facultativo. A sua refer&ecirc;ncia permanente &eacute; Jesus Cristo, e o seu horizonte s&atilde;o todos os cora&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Se &eacute; assim, ent&atilde;o, como j&aacute; acima referi, j&aacute; n&atilde;o basta converter ou reconverter as estruturas pastorais de que dispomos. &Eacute; mesmo necess&aacute;rio e preliminar que comecemos por nos convertermos n&oacute;s ao <em>estilo<\/em> de Jesus, ao <em>como<\/em> de Jesus. Se n&atilde;o voltarmos a ser pobres, simples, humildes, despojados e felizes <em>como<\/em> Jesus e os seus Ap&oacute;stolos e disc&iacute;pulos directos, n&atilde;o seremos cred&iacute;veis. &Eacute; neste ponto preciso que tem fracassado a chamada &ldquo;Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, de que j&aacute; se vem falando h&aacute; mais de 25 anos.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI, posto perante a crescente descristianiza&ccedil;&atilde;o de muitas das Igrejas de antiga tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, anunciou na Homilia das I V&eacute;speras da Solenidade dos Santos Ap&oacute;stolos Pedro e Paulo, Celebradas na Bas&iacute;lica de S&atilde;o Paulo Fora de Muros, na tarde de 28 de Junho de 2010, a cria&ccedil;&atilde;o do Pontif&iacute;cio Conselho para a Promo&ccedil;&atilde;o da Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o, e, em 30 de Junho de 2010, confiou a sua Presid&ecirc;ncia ao Senhor Arcebispo Salvatore Fisichella. Na Homilia acima referida, Bento XVI apontou como tarefa fundamental do Novo Conselho Pontif&iacute;cio &laquo;Promover uma renovada evangeliza&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses onde j&aacute; foi feito o primeiro an&uacute;ncio da f&eacute; e est&atilde;o presentes Igrejas de antiga funda&ccedil;&atilde;o, mas que est&atilde;o a viver uma progressiva seculariza&ccedil;&atilde;o da sociedade e uma esp&eacute;cie de &ldquo;eclipse do sentido de Deus&rdquo;, que constitui um desafio a encontrar meios adequados para repropor a verdade perene do Evangelho de Cristo&raquo;. Todos esperamos que esta iniciativa seja uma oportunidade ganha. Pessoalmente espero que n&atilde;o enveredemos apenas por reformas t&eacute;cnicas e iniciativas exteriores, mas que se aponte verdadeiramente ao essencial. E o essencial &eacute; a convers&atilde;o pessoal, uma vida pobre, desprendida, simples e feliz, <em>com<\/em> Jesus, <em>como<\/em> Jesus, ao <em>estilo<\/em> de Jesus e dos seus Ap&oacute;stolos e Disc&iacute;pulos directos. O <em>modo<\/em> contar&aacute; mais do que a t&eacute;cnica e o conte&uacute;do. E &eacute; evidente, imp&otilde;e-se, dadas as circunst&acirc;ncias, que se crie uma verdadeira rede de evangelizadores evangelizados, que envolva a Igreja inteira: Bispos, padres e fi&eacute;is leigos. E estes &uacute;ltimos ter&atilde;o certamente um papel determinante neste belo trabalho de amor.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211;&nbsp; Como devem ser lidas as novas modalidades de miss&atilde;o, como o voluntariado mission&aacute;rio, mais limitadas no tempo?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em>&nbsp; Eu leio-as como verdadeiros dons de Deus &agrave; sua Igreja. J&aacute; se sabe que esta rede de juventude que estar&aacute; em contacto com mundos e modos novos de viver a vida e a f&eacute;, n&atilde;o ir&aacute;, em primeiro lugar, ensinar ou fazer muita coisa, dada a escassez de tempo, ainda que seja muita a vontade. Ir&aacute; sobretudo ser afectada por situa&ccedil;&otilde;es de pobreza e de mis&eacute;ria impens&aacute;veis. Mas tamb&eacute;m de simplicidade, f&eacute; verdadeira, e de alegria que vem n&atilde;o se sabe de onde. Ir&atilde;o contactar com o milagre! Ir&atilde;o ser contactados por Deus! &Eacute; aqui que pode come&ccedil;ar uma maravilha que ainda n&atilde;o tinham descoberto, talvez a p&eacute;rola escondida e encontrada do Evangelho, que tem marcado a vida de muitos e que continuar&aacute; seguramente a marcar a vida de muitos outros! A vida de muitos destes jovens nunca mais ser&aacute; como dantes. Demos gra&ccedil;as a Deus por estas oportunidades de gra&ccedil;a que concede &agrave; sua Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Couto, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal para as Miss\u00f5es, aborda a actualidade mission\u00e1ria em Portugal, destacando a din\u00e2mica que se quer imprimir a partir da carta pastoral \u00abPara um rosto mission\u00e1rio da Igreja em Portugal\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,172,187,203,261,294,329],"class_list":["post-47646","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-missoes","tag-sacramentos","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47646\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}