{"id":47557,"date":"2011-01-04T13:11:37","date_gmt":"2011-01-04T13:11:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/04\/de-novo-a-escola-tres-seculos-de-polemica\/"},"modified":"2011-01-04T13:11:37","modified_gmt":"2011-01-04T13:11:37","slug":"de-novo-a-escola-tres-seculos-de-polemica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/de-novo-a-escola-tres-seculos-de-polemica\/","title":{"rendered":"De novo a Escola\u2026 Tr\u00eas S\u00e9culos de Pol\u00e9mica"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Senra Coelho, Instituto Superior de Teologia de \u00c9vora <!--more--> <\/p>\n<p><strong>O Ensino de 1759 a 1910<\/strong><\/p>\n<p>O s&eacute;culo XVIII surge, sobre diversos pontos de vista, marcado como um tempo de rupturas, sobretudo no ponto de vista das ideias, pois as preocupa&ccedil;&otilde;es intelectuais abandonaram o campo da metaf&iacute;sica e das verdades fundamentais para se dedicarem &agrave; filosofia experimental e social, que inspirava o progresso da ci&ecirc;ncia e o advento da burguesia no poder. Todavia, sabemos que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel confiar no progresso, no desenvolvimento e no futuro, se n&atilde;o existirem condi&ccedil;&otilde;es para que cada um possa exprimir as riquezas que possui; atrav&eacute;s da liberdade de express&atilde;o. Grande parte dos fil&oacute;sofos dos anos 1700 participou nesta luta, sobretudo nos pa&iacute;ses ditos mais avan&ccedil;ados da Europa Ocidental. O grande s&iacute;mbolo de todo este movimento foi Fran&ccedil;ois-Marie Arouet, conhecido por Voltaire (1694-1778).<\/p>\n<p>Depois da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, a sociedade liberal desenvolveu-se por todo o Ocidente, fazendo da toler&acirc;ncia o seu princ&iacute;pio fundamental. Era convic&ccedil;&atilde;o comum dos liberais, que se devia admitir o contraste, incluindo no poder, pois a variedade das experi&ecirc;ncias e dos ideais devolvia a riqueza &agrave; sociedade. Para esta compreens&atilde;o n&atilde;o existe verdade definitiva, mas somente verdades individuais, afirmando-se que na concorr&ecirc;ncia entre estas verdades se constitu&iacute;a a fonte do progresso colectivo.<\/p>\n<p>Ora a Igreja nunca condividiu esta vis&atilde;o relativista das coisas. A Igreja sabe que a Verdade existe, ainda que permane&ccedil;a sempre parcialmente escondida e que o erro n&atilde;o tem os mesmos direitos que a Verdade. Contra esta postura da Igreja combateu Voltaire.<\/p>\n<p>A contradi&ccedil;&atilde;o entre a Igreja e a Sociedade era mais aparente do que real, pois a contesta&ccedil;&atilde;o dirigida contra o cristianismo, n&atilde;o era tanto a recusa dos dogmas da Igreja, assimilados pelo Povo Crente mas era sobretudo o renascimento de uma compreens&atilde;o naturalista do Homem, que posteriormente se tornou em exclusivista e intolerante e assim aconteceu sobretudo no referente &agrave;s Universidades e Escolas Cat&oacute;licas e &agrave;s Ordens Religiosas que detinham e controlavam este ensino.<\/p>\n<p>O ascendente dos Jesu&iacute;tas na vida nacional cresceu muito depois da restaura&ccedil;&atilde;o, em virtude do aux&iacute;lio que os seus membros prestaram a D. Jo&atilde;o IV (1 Dez. (1640 &ndash; 6 de Nov. 1656). Esta situa&ccedil;&atilde;o de relevo na corte, no ensino, nas miss&otilde;es, na cultura intelectual, suscitou &agrave; Companhia de Jesus a desconfian&ccedil;a de alguns pol&iacute;ticos que nela viam uma poderosa concorrente.<\/p>\n<p>A persegui&ccedil;&atilde;o aos Jesu&iacute;tas iniciou-se em Portugal e em seus dom&iacute;nios, nomeadamente no Brasil, sob a responsabilidade do Marqu&ecirc;s de Pombal. A 21 de Setembro de 1757, &aacute;s quatros horas da madrugada, deu-se a expuls&atilde;o dos Jesu&iacute;tas do Pa&ccedil;o Real e a 3 de Setembro de 1759 os Jesu&iacute;tas foram &laquo;desnaturalizados, proscritos e exterminados de Portugal&raquo;.<\/p>\n<p>Deve ter contribu&iacute;do para a persegui&ccedil;&atilde;o a sugest&atilde;o que exerceu no esp&iacute;rito do estadista o ambiente de Londres e de Viena e nele &eacute; clara a convic&ccedil;&atilde;o de que a Companhia de Jesus era um estorvo para os seus planos de governo e de transforma&ccedil;&atilde;o cultural de Portugal. A crueldade de que se revestiu estava no car&aacute;cter do Marqu&ecirc;s, que foi igualmente violento com a nobreza, por exemplo com os T&eacute;voras e com o povo, como aconteceu nas execu&ccedil;&otilde;es do Porto. O pr&oacute;prio Voltaire viu &laquo;um excesso de rid&iacute;culo e absurdo junto ao excesso de horror na execu&ccedil;&atilde;o do Padre Gabriel Malagrida, septuagen&aacute;rio debilitado, no tr&aacute;gico dia 21 de Setembro de 1761.<\/p>\n<p>No Brasil, a luta contra os Jesu&iacute;tas vinha desde h&aacute; muito e tinha por objecto &uacute;nico a explora&ccedil;&atilde;o dos ind&iacute;genas que os Jesu&iacute;tas contrariavam com a defesa e promo&ccedil;&atilde;o dos seus direitos, obstaculizando assim os interesses dos colonos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estatiza&ccedil;&atilde;o do Ensino (1910-2010)<\/strong><\/p>\n<p>O monop&oacute;lio actual do ensino, quase exclusivamente nas m&atilde;os do Estado, o qual assume os crit&eacute;rios program&aacute;ticos, did&aacute;cticos e pedag&oacute;gicos da escola com uma perspectiva tololitarista e monol&iacute;tica, &eacute; algo de muito grave e fere princ&iacute;pios b&aacute;sicos de liberdade.<\/p>\n<p>A sobreviv&ecirc;ncia do ensino privado como alternativa, acontece com encargos redobrados para os pais, que sustentam com os seus impostos o ensino p&uacute;blico e devem sustentar pessoalmente o pagamento do ensino privado. Para al&eacute;m da falta de pluralidade na elabora&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos program&aacute;ticos do ensino administrado pelos particulares, que permanece como monop&oacute;lio do Estado, com reduzidas e controladas excep&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas e did&aacute;cticos, o ensino privado vive uma crescente agonia financeira.<\/p>\n<p>Chegou-se a este estado de coisas tamb&eacute;m pelo progressivo enfraquecimento das Ordens Religiosas que contribu&iacute;ram decisivamente para a escolariza&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o intelectual de in&uacute;meras gera&ccedil;&otilde;es portuguesas, com uma qualidade de ensino inquestion&aacute;vel.<\/p>\n<p>A frequente ideologiza&ccedil;&atilde;o dos programas de v&aacute;rias mat&eacute;rias tem contribu&iacute;do para a crescente fragmenta&ccedil;&atilde;o e radicaliza&ccedil;&atilde;o da vida p&uacute;blica portuguesa e isto iniciou-se historicamente com a expuls&atilde;o dos Jesu&iacute;tas em 1759 e depois das Ordens Religiosas em 1834, agravando-se mais recentemente com os assaltos totalitaristas ocorridos em 1910 (Decreto de 8 e 18 de Outubro); 1927 (Decreto 13791, de 17 de Junho); e 1974-75 (Novas Regras do ensino, 22.05.1974, 10 de Janeiro e 12 de Fevereiro de 1975).<\/p>\n<p>A luta pela toler&acirc;ncia terminou, em muitos casos, na intoler&acirc;ncia, a qual chega a atingir dimens&otilde;es de fundamentalismo laicista em certos ambientes da actual Europa, n&atilde;o se excluindo Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Exig&ecirc;ncias do Ensino, hoje<\/strong><\/p>\n<p>O Estado continua em nome da pluralidade e da socializa&ccedil;&atilde;o, apostando num sistema totalit&aacute;rio de ensino estatizado e monoc&oacute;rdico em evidente crise de qualidade que consensualmente todos testemunhamos, mas que demagogicamente se disfar&ccedil;a com o argumento da Democratiza&ccedil;&atilde;o do mesmo ensino.<\/p>\n<p>Simultaneamente, o ensino ministrado em Escolas da Igreja, ou de Inspira&ccedil;&atilde;o Crist&atilde;, apesar das grandes dificuldades que enfrenta e dos poucos est&iacute;mulos com que conta, continua a proporcionar ensino de referencia e de alta qualidade, quase sempre desejado por pais e encarregados de educa&ccedil;&atilde;o, at&eacute; mesmo ditos agn&oacute;sticos e ateus.<\/p>\n<p>&laquo;A Liberdade e ensinar &eacute; um direito fundamental da pessoa humana&raquo;. Ao Estado &eacute; exigido que n&atilde;o &laquo;tenha um monop&oacute;lio do servi&ccedil;o p&uacute;blico de Educa&ccedil;&atilde;o&raquo; e que ao mesmo tempo seja &laquo;menos centralizador e mais incentivador de iniciativas e de um esp&iacute;rito criador aut&oacute;nomo&raquo; (1).<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Pe. Senra Coelho<\/em><\/p>\n<p>NOTA:<\/p>\n<p>1 &#8211; Cf. O documento, do Gabinete de Estudos Pastorais da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, Setembro de 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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