{"id":47537,"date":"2010-10-06T12:06:28","date_gmt":"2010-10-06T12:06:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/06\/cinema-a-inquietude-de-pessoa-e-de-botelho\/"},"modified":"2010-10-06T12:06:28","modified_gmt":"2010-10-06T12:06:28","slug":"cinema-a-inquietude-de-pessoa-e-de-botelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-a-inquietude-de-pessoa-e-de-botelho\/","title":{"rendered":"Cinema: A Inquietude de Pessoa e de Botelho"},"content":{"rendered":"<p>Procurou a inquieta&ccedil;&atilde;o do poeta, ele pr&oacute;prio incomodado com uma realidade cinematogr&aacute;fica: a voragem do cinema comercial, o consumo insonso de uma meia ideia por um ror de sequ&ecirc;ncias meramente visuais e mais uma s&eacute;rie de preocupa&ccedil;&otilde;es &nbsp;a juntar ao que o pr&oacute;prio afirma ter sido um per&iacute;odo dif&iacute;cil da sua vida.<\/p>\n<p>A bordo do heter&oacute;nimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares, a primeira descoberta: que o seu sofrimento, &agrave; vista do do poeta, nada tinha de compar&aacute;vel. Desde ent&atilde;o Jo&atilde;o Botelho embarcou &agrave; descoberta do poeta e da sua rela&ccedil;&atilde;o profunda com a cidade e com o mundo, o que conheceu desde Lisboa.<\/p>\n<p>Inspirado na obra quase hom&oacute;nima, &ldquo;O Livro do Desassossego&rdquo;,&nbsp; &eacute; o primeiro regresso de Jo&atilde;o Botelho ao comando cinematogr&aacute;fico, depois de &ldquo;Corrup&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que abandonou por diverg&ecirc;ncias maiores com o produtor. Entre ambos os filmes h&aacute; um salto claro, dissidente, segundo o pr&oacute;prio, das obriga&ccedil;&otilde;es comerciais para o compromisso pessoal, da mera ilustra&ccedil;&atilde;o para a introspec&ccedil;&atilde;o, do ru&iacute;do para o sil&ecirc;ncio. De alguma forma, Botelho est&aacute; mais perto dos seus primeiros trabalhos.<\/p>\n<p>Arriscando-se, tenta um filme aberto, numa Lisboa intemporal, que nos seduza e comova pela abdica&ccedil;&atilde;o expressa, a como&ccedil;&atilde;o, o insaci&aacute;vel questionar da vida e da morte, da felicidade e da tristeza, da abastan&ccedil;a e da pobreza&#8230; multiplicando personagens &ndash; com um bel&iacute;ssimo Cl&aacute;udio Silva a protagonista -, sequ&ecirc;ncias em jogos de associa&ccedil;&atilde;o de ideias, com e sem espelhos, tudo o que, j&aacute; quase fora de si, incomodou as personas de Pessoa. Tudo o que nos possa fazer pensar.<\/p>\n<p>Adapta&ccedil;&atilde;o livre do original liter&aacute;rio, ritmo e forma narrativos, alguns di&aacute;logos mais hirtos, uma ou outra aproxima&ccedil;&atilde;o ao postal poder&atilde;o n&atilde;o atrair toda a sorte de espectadores.<\/p>\n<p>N&atilde;o se diminua por isso o m&eacute;rito de tentar honestamente dar &agrave; obra vantagem est&eacute;tica por imagem e movimento e faz&ecirc;-la percorrer o pa&iacute;s de l&eacute;s a l&eacute;s, com direito a debate, num circuito paralelo de escolas e cine teatros, &agrave; margem dos &iacute;ndices de bilheteira e suas obriga&ccedil;&otilde;es, do consumo a eito de ideias &ndash; tantas vezes t&atilde;o poucas e t&atilde;o fr&aacute;geis &ndash; entre a vertigem de imagens gratuitas, sem tempo nem motivo de reflex&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Procurou a inquieta&ccedil;&atilde;o do poeta, ele pr&oacute;prio incomodado com uma realidade cinematogr&aacute;fica: a voragem do cinema comercial, o consumo insonso de uma meia ideia por um ror de sequ&ecirc;ncias meramente visuais e mais uma s&eacute;rie de preocupa&ccedil;&otilde;es &nbsp;a juntar ao que o pr&oacute;prio afirma ter sido um per&iacute;odo dif&iacute;cil da sua vida. 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