{"id":47535,"date":"2010-10-06T11:45:33","date_gmt":"2010-10-06T11:45:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/06\/os-jesuitas-e-a-implantacao-da-republica\/"},"modified":"2010-10-06T11:45:33","modified_gmt":"2010-10-06T11:45:33","slug":"os-jesuitas-e-a-implantacao-da-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-jesuitas-e-a-implantacao-da-republica\/","title":{"rendered":"Os jesu\u00edtas e a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>Padre Nuno da Silva Gon\u00e7alves, provincial da Companhia de Jesus, passa em revista um dos per\u00edodos mais conturbados para a congrega\u00e7\u00e3o <!--more--> <\/p>\n<p>Ap&oacute;s a expuls&atilde;o pombalina de 1759, os jesu&iacute;tas s&oacute; voltaram a Portugal em 1829, numa curta perman&ecirc;ncia interrompida em 1834, desta vez da responsabilidade do governo liberal.<\/p>\n<p>O ano de 1858 assistiu um novo rein&iacute;cio, com a abertura do Col&eacute;gio de Campolide, em Lisboa, por iniciativa do P. Carlos Rademaker, figura central do regresso da Companhia de Jesus a Portugal.<\/p>\n<p>Consolidada gradualmente esta presen&ccedil;a, a Prov&iacute;ncia Portuguesa da Companhia de Jesus foi oficialmente restaurada em1880, quando os seus membros eram 137: 49 sacerdotes, 38 irm&atilde;os e 50 estudantes.<\/p>\n<p>Em 1910, ano da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, a Prov&iacute;ncia Portuguesa contava com 360 jesu&iacute;tas, dos quais 147 eram sacerdotes, 112 irm&atilde;os e 101 estudantes.<\/p>\n<p>Todas as actividades que desenvolviam, nomeadamente na educa&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o espiritual, investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, publica&ccedil;&otilde;es e miss&otilde;es, foram interrompidas violentamente quando, em Outubro de 1910, pela terceira vez na sua hist&oacute;ria em Portugal, a Companhia de Jesus foi perseguida e privada dos seus bens, vendo todos os seus membros desterrados.<\/p>\n<p>O ambiente que propiciou a expuls&atilde;o, mal a Rep&uacute;blica foi instaurada, tinha lan&ccedil;ado ra&iacute;zes muito antes.<\/p>\n<p>O centen&aacute;rio da morte do Marqu&ecirc;s de Pombal, em 1882, havia sido convenientemente aproveitado para uma campanha contra a Companhia de Jesus e ligas anti-jesu&iacute;ticas tinham-se formado por todo o Pa&iacute;s, na sequ&ecirc;ncia de outros ataques &agrave; Igreja.<\/p>\n<p>Em 1901, o governo pretendeu regular a presen&ccedil;a dos institutos religiosos, determinando que nenhuma associa&ccedil;&atilde;o de car&aacute;cter religioso pudesse funcionar sem pr&eacute;via autoriza&ccedil;&atilde;o do governo, ao qual deveriam ser apresentados os estatutos pelos quais a associa&ccedil;&atilde;o pretendesse reger-se.<\/p>\n<p>Nesta conting&ecirc;ncia, as comunidades religiosas trataram de organizar estatutos em conformidade com as indica&ccedil;&otilde;es governamentais.<\/p>\n<p>As casas da Companhia de Jesus, em Portugal e nas miss&otilde;es, passaram a funcionar como estabelecimentos da Associa&ccedil;&atilde;o F&eacute; e P&aacute;tria e os respectivos estatutos foram aprovados e publicados no Di&aacute;rio do Governo.<\/p>\n<p>Esta cobertura legal revelou-se, no entanto, insuficiente.&nbsp; Em Lisboa, os jornais &ldquo;O S&eacute;culo&rdquo;, &ldquo;O Dia&rdquo; e &ldquo;O Mundo&rdquo;, e, no Porto, &ldquo;O Primeiro de Janeiro&rdquo; ecoavam a campanha contra os jesu&iacute;tas o que levou o P. Lu&iacute;s Gonzaga Cabral, Provincial, a advertir os seus s&uacute;bditos para o perigo iminente, em carta de 8 de Setembro de 1910.<\/p>\n<p>Dias depois, come&ccedil;aram, por ordem do governo, inqu&eacute;ritos em diversas casas: Noviciado do Barro, Col&eacute;gio de Campolide e comunidade da Rua do Quelhas, em Lisboa, que foi dissolvida a 3 de Outubro de 1910.<\/p>\n<p>O corol&aacute;rio foi j&aacute; da responsabilidade do governo provis&oacute;rio da Rep&uacute;blica que, a 8 de Outubro de 1910, restaurou a lei pombalina de 3 de Setembro de 1759.<\/p>\n<p>Alguns jesu&iacute;tas conseguiram de imediato refugiar-se em Espanha mas muitos outros foram encarcerados. Depois de algumas semanas na pris&atilde;o, no dia 4 de Novembro de 1910, estava consumada, mais uma vez, a expuls&atilde;o dos jesu&iacute;tas de Portugal.<\/p>\n<p>A pol&iacute;tica do P. Lu&iacute;s Gonzaga Cabral, ap&oacute;s a expuls&atilde;o, teve duas vertentes: em primeiro lugar, conservar na Europa o n&uacute;cleo central da Prov&iacute;ncia, constitu&iacute;do pelas casas de forma&ccedil;&atilde;o e algumas resid&ecirc;ncias; em segundo lugar, refor&ccedil;ar o pessoal da miss&atilde;o de Goa, cujas casas se podiam manter por se encontrarem em territ&oacute;rio de dom&iacute;nio ingl&ecirc;s; &nbsp;ao mesmo tempo, procurou novos campos de actividade, principalmente no Brasil, onde foi fundada a miss&atilde;o do Brasil Setentrional com sede em Salvador da Ba&iacute;a.<\/p>\n<p>Significativamente, o ex&iacute;lio n&atilde;o foi impedimento para que a Prov&iacute;ncia Portuguesa da Companhia de Jesus mantivesse e at&eacute; aumentasse os seus efectivos: eram 380, em 1925, com 179 sacerdotes, 84 irm&atilde;os e 117 estudantes.<\/p>\n<p>Passado o &iacute;mpeto persecut&oacute;rio, come&ccedil;aram a reabrir-se cautelosamente, em Portugal, algumas resid&ecirc;ncias: P&oacute;voa de Varzim, em 1923; Lisboa e Braga, em 1925; Porto, em 1927; e Covilh&atilde;; em 1929.<\/p>\n<p>As casas de forma&ccedil;&atilde;o e o Instituto Nun&rsquo;Alvres, ent&atilde;o em La Guardia, na Galiza, regressaram em 1932.<\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1933 e o decreto de 12 de Maio de 1941 que, na sequ&ecirc;ncia da Concordata de 1940, reconheceu a Companhia de Jesus como corpora&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria, viriam normalizar a situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica dos jesu&iacute;tas em Portugal que, ao longo dos anos quarenta e cinquenta, se fixaram nos locais que, substancialmente, ainda hoje mant&ecirc;m.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Nuno da Silva Gon&ccedil;alves S.J.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Nuno da Silva Gon\u00e7alves, provincial da Companhia de Jesus, passa em revista um dos per\u00edodos mais conturbados para a 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