{"id":47524,"date":"2010-10-04T17:01:20","date_gmt":"2010-10-04T17:01:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/04\/expulsao-dos-jesuitas-e-das-religiosas-canossianas-de-timor-em-1910\/"},"modified":"2010-10-04T17:01:20","modified_gmt":"2010-10-04T17:01:20","slug":"expulsao-dos-jesuitas-e-das-religiosas-canossianas-de-timor-em-1910","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/expulsao-dos-jesuitas-e-das-religiosas-canossianas-de-timor-em-1910\/","title":{"rendered":"Expuls\u00e3o dos Jesu\u00edtas e das religiosas Canossianas de Timor em 1910"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Celebra-se este ano em Portugal o primeiro centen&aacute;rio da proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica (5 de Outubro de 1910 &#8211; 5 de Outubro de 2010). O regime republicano veio substituir o regime mon&aacute;rquico que vigorava desde 1140 at&eacute; 1910.<\/p>\n<p>Com a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa de 1779, e com a introdu&ccedil;&atilde;o de ideias liberais, a Monarquia Absoluta deu lugar a um regime constitucional (liberal). Acresce ainda a influ&ecirc;ncia da ma&ccedil;onaria, que j&aacute; se organizava em Portugal desde 1744 e que tinha estabelecido lojas ma&ccedil;&oacute;nicas em Lisboa e no Porto. Pouco a pouco o regime ia-se revelando hostil &agrave; Igreja. Com a subida ao trono do Rei Dom Pedro IV, n&atilde;o tardou o liberalismo em criar diplomas para fragilizar a influ&ecirc;ncia da Igreja cat&oacute;lica na Sociedade Portuguesa visando a extin&ccedil;&atilde;o de &ldquo;todos os conventos, mosteiros, col&eacute;gios, hosp&iacute;cios e quaisquer casas de religiosos das ordens regulares&rdquo; e coma incorpora&ccedil;&atilde;o dos seus bens nos pr&oacute;prios da Fazenda Nacional&rdquo;(1). Confira-se o famoso Decreto de 30 de Maio de 1834, referendado pelo ministro da Justi&ccedil;a Joaquim Ant&oacute;nio de Aguiar. A implanta&ccedil;&atilde;o do regime republicano veio p&ocirc;r em vigor as leis do Marques de Pombal contra os jesu&iacute;tas e as de Joaquim Aguiar relativo &agrave;s casas religiosas.<\/p>\n<p>&nbsp;Na Col&oacute;nia de Timor, onde exerciam a ac&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria e educativa com dedica&ccedil;&atilde;o e sacrif&iacute;cio, os jesu&iacute;tas e as irm&atilde;s canossianas foram simplesmente abrangidos pelas mesmas medidas decretadas pelo governo de Lisboa. O actual estudo quer recordar esse &ldquo;triste acontecimento&rdquo;, ocorrido h&aacute; cem anos e lembrar o bem que os filhos de santo In&aacute;cio estavam a desenvolver na Col&oacute;nia.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>I &#8211; A implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica em Portugal<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>1. Os antecedentes<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) O clima social e pol&iacute;tico em Portugal nos fins do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cios do s&eacute;culo XX.<\/strong><\/p>\n<p>A Monarquia vigorou em Portugal at&eacute; Outubro de 1910, sendo Rei Dom Manuel II, que havia subido ao trono em 1908, ap&oacute;s o regic&iacute;dio cometido contra seu pai, Dom Carlos I e seu irm&atilde;o, o Pr&iacute;ncipe Lu&iacute;s Filipe. No dia 4 de Outubro de 1010, o rei, em vista das movimenta&ccedil;&otilde;es para o derrubar e em consequ&ecirc;ncia do clima da viol&ecirc;ncia verbal e f&iacute;sica em que viviam os lisboetas, decidiu afastar-se para Mafra, seguindo depois para Ericeira, e dali para Gibraltar, e mais tarde para Inglaterra.<\/p>\n<p>Para a queda do regime mon&aacute;rquico, contribu&iacute;ram os partidos de ideologia laicista, republicana, antimon&aacute;rquica e anticlerical, destacando-se o Partido Republicano Portugu&ecirc;s, fundado em 25 de Mar&ccedil;o de 1873. Alimentava o antagonismo com tudo o que era mon&aacute;rquico. Foram membros e dirigentes do Partido Republicano, algumas das figuras importantes da revolu&ccedil;&atilde;o de 5 de Outubro de 1910: Te&oacute;filo Braga, Magalh&atilde;es Lima (membro do Direct&oacute;rio de1887), Afonso Costa, Ant&oacute;nio Jos&eacute; de Almeida, Jo&atilde;o Chagas e Alves da Veiga, etc. (2).<\/p>\n<p>Os republicanos tentaram uma primeira revolu&ccedil;&atilde;o a 28 de Janeiro de 1908 que falhou. Mas, a 1 de Fevereiro desse ano, seriam mortos o rei Dom Carlos o pr&iacute;ncipe herdeiro, Lu&iacute;s Filipe. Nesse ano, o partido republicano estava decidido a conquistar o poder, estabelecendo quatro objectivos: vit&oacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es, agita&ccedil;&atilde;o nas ruas, conspira&ccedil;&atilde;o civil e conspira&ccedil;&atilde;o militar, colocando assim o pa&iacute;s numa situa&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria. A revolu&ccedil;&atilde;o que deveria come&ccedil;ar &agrave; uma hora de 4 de Outubro de 1910, n&atilde;o teve sucesso por ter falhado uma ac&ccedil;&atilde;o concertada dos v&aacute;rios intervenientes (a Marinha, a Infantaria 2,&nbsp; Ca&ccedil;adores 2; a Artilharia, grupos de civis armados). Mas, no fim desse dia, com os navios de guerra revoltados (Admastor e S&atilde;o Rafael comandado por Mendes Cabe&ccedil;adas), bombardearam o Pal&aacute;cio das Necessidades, e o Rei Dom Manuel II foi obrigado a sair de Lisboa e a refugiar-se em Mafra. No 5 de Outubro, tomando conhecimento do embarque da Fam&iacute;lia Real na Ericeira, o Partido Republicano, proclamou, no edif&iacute;cio da C&acirc;mara Municipal de Lisboa, &agrave;s 9 horas de manh&atilde;, a vig&ecirc;ncia do novo regime: A Rep&uacute;blica (3). O novo regime foi imediatamente aceite em todo o pa&iacute;s e pouco depois constituiu-se o Governo Provis&oacute;rio.<\/p>\n<p><strong>b) O ambiente religioso em Portugal nos finais do s&eacute;culo XIX e princ&iacute;pios do s&eacute;culo XX.<\/strong><\/p>\n<p>As leis de Marqu&ecirc;s do Pombal contra os Jesu&iacute;tas e o decreto de 20 de Maio de Ant&oacute;nio Joaquim de Aguiar de 1834 criaram na Sociedade Portuguesa um ambiente de desconfian&ccedil;a e de hostilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja cat&oacute;lica. Se, no passado, a igreja gozava de privil&eacute;gio de ser a &uacute;nica religi&atilde;o, com a Carta Constitucional reconheceu-se a exist&ecirc;ncia de outras religi&otilde;es. Na segunda metade do s&eacute;culo XIX, ganha terreno a propaganda de ideias laicistas que atacavam abertamente a Igreja.<\/p>\n<p><strong>c) A legisla&ccedil;&atilde;o anticlerical do novo regime (8 de Outubro de 1910)<\/strong><\/p>\n<p>Logo depois da proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, o Governo Provis&oacute;rio inicia a Publica&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de decretos com for&ccedil;a de lei, atentat&oacute;ria das liberdades e dos direitos da Igreja cat&oacute;lica. Assim no dia 8 de Outubro, se decretava o seguinte:<\/p>\n<p>Artigo 1&ordm; &#8211; <em>Continua a vigorar como lei da Rep&uacute;blica Portuguesa a de 3 de Setembro&nbsp; de 1759, promulgada sob o regime absoluto, e pela qual os Jesu&iacute;tas&nbsp; foram havidos por desnaturalizados e proscritos , e se mandou que efectivamente&nbsp; fossem expulsos de todo o pa&iacute;s e seus dom&iacute;nios &lsquo;para neles mais n&atilde;o poder entrar&rsquo;<\/em>.<\/p>\n<p>Artigo 2&ordm; &#8211; &ldquo;<em>Continua tamb&eacute;m a vigorar como lei da Rep&uacute;blica Portuguesa a de 28 de Agosto de 1767, igualmente promulgada sob o regime absoluto, que, &lsquo;explicando e ampliando&rdquo; a referida lei de 3 de Setembro de 1759, determinou que os membros da chamada Companhia de Jesus, ou Jesu&iacute;tas, fossem obrigados a sair imediatamente para fora do pa&iacute;s e dos seus dom&iacute;nios<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>Artigo 3 &ordm;- &ldquo;<em>Continua tamb&eacute;m a vigorar com for&ccedil;a da lei da Rep&uacute;blica Portuguesa o decreto de 28 de Maio de 1834, promulgado sob o regime mon&aacute;rquico representativo, o qual extinguiu em Portugal, Algarve, ilhas adjacentes e dom&iacute;nios portugueses, todos os conventos, mosteiros, col&eacute;gios, hosp&iacute;cios e quaisquer casas de religiosos de todas as ordens regulares, fosse qual fosse a sua domina&ccedil;&atilde;o, instituo<\/em> <em>ou regra<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>Artigo 4&ordm; &#8211; &ldquo; <em>&Eacute; declarado nulo, por ser contr&aacute;rio &agrave; letra e ao esp&iacute;rito dos mencionados diplomas, o decreto de 18 de Abril de 1901, que disfar&ccedil;adamente autorizou a constitui&ccedil;&atilde;o de congrega&ccedil;&otilde;es religiosas no pa&iacute;s, quando pretendessem dedicar-se&nbsp; exclusivamente &agrave; instru&ccedil;&atilde;o ou benefic&ecirc;ncia, ou &agrave; propaganda da f&eacute; e civiliza&ccedil;&atilde;o no ultramar<\/em>&rdquo;<\/p>\n<p>Artigo 5&ordm; &#8211; &nbsp;&ldquo;<em>Em consequ&ecirc;ncia e de harmonia com o disposto nos artigos 1&ordm; a 3&ordm; &nbsp;&nbsp;e aos diplomas a&iacute; referidos, ser&atilde;o expulsos do territ&oacute;rio da Rep&uacute;blica todos os membros da chamada Companhia de Jesus, quaisquer que seja a denomina&ccedil;&atilde;o sob que ela ou eles&nbsp; se disfarcem, e tanto estrangeiros ou naturalizados, como nascidos em territ&oacute;rio portugu&ecirc;s, ou de pai ou m&atilde;e portugueses<\/em>&rdquo;. (4)<\/p>\n<p>Nos finais do s&eacute;culo XIX, o Partido Republicano manifestava a inten&ccedil;&atilde;o de proceder a separa&ccedil;&atilde;o do Estado e da Igreja. Em entrevista ao jornal <em>O Porto<\/em>, Afonso Costa, Ministro da Justi&ccedil;a, declarava:&rdquo; <em>a separa&ccedil;&atilde;o da Igreja e do Estado &eacute; uma affirma&ccedil;&atilde;o votada por unanimidade em todos os nossos congressos, &eacute; uma aspira&ccedil;&atilde;o do partido republicano, o partido republicano est&aacute; no poder e n&oacute;s consideramos um dever inaddi&aacute;vel dar satisfa&ccedil;&atilde;o a essas esperan&ccedil;as. N&atilde;o queremos mesmo deixar &aacute; C&uacute;ria crear quaisquer esperan&ccedil;as . &Eacute; preciso que ella saiba, desde j&aacute; que n&atilde;o deve<\/em> <em>contar connosco para o futuro<\/em>&rdquo; (5).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>II &#8211; A proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica na Prov&iacute;ncia de Timor<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governador nomeado pelo regime mon&aacute;rquico era Alfredo Cardoso Soveral Martins, primeiro-tenente da Marinha, que assumiu o governo de Timor em 5 de Fevereiro de 1910. A 5 de Outubro de 1910, fora proclamada a Rep&uacute;blica, em Lisboa. No dia 6, o Ministro da Marinha enviou o seguinte telegrama para D&iacute;li:<\/p>\n<p>&ldquo;Governador Geral de Timor &ndash; Macassar<br \/>&ldquo;<em>Foi ontem proclamada Republica com concurso Ex&eacute;rcito, marinha e Povo. Entusiasmo, ordem absoluta.<br \/><\/em><em>Governo provis&oacute;rio pres&iacute;dio por Te&oacute;filo Braga. Ministros: Guerra, Coronel Artilharia Xavier Barreto, Interior: Ant&oacute;nio Jos&eacute; de Almeida, Fazenda: Bas&iacute;lio Teles, Obras p&uacute;blicas. Ant&oacute;nio Lu&iacute;s Gomes, Marinha e Col&oacute;nias: capit&atilde;o-de-mar-e-guerra Azevedo Gomes, Justi&ccedil;a: Afonso Costa; Estrangeiros, Bernardino Machado.<br \/><\/em><em>Queira comunicar autoridades civis e militares sob a jurisdi&ccedil;&atilde;o estes acontecimentos<br \/><\/em><em>(ass.) Ministro da Marinha, Azevedo Gama&rdquo;.<\/em>(6).<\/p>\n<p>No dia 8, foi enviado pelo mesmo Ministro outro telegrama ao C&ocirc;nsul de Portugal, em Port Darwin, em que se pedia aos oficias do ex&eacute;rcito e armada, quadros do Ultramar do activo, reservas e reformados e indiv&iacute;duos com gradua&ccedil;&atilde;o militar em servi&ccedil;o, e residentes nesta Prov&iacute;ncia, se apresentassem em brevidade nas secretarias das respectivas resid&ecirc;ncias para garantirem a lealdade ao novo regime.<\/p>\n<p>No dia 30 de Outubro, realizou-se a cerim&oacute;nia oficial da Proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica em D&iacute;li. No Pal&aacute;cio do Governo reuniram-se as personalidades mais relevantes da cidade de D&iacute;li: o Presidente da Comiss&atilde;o Municipal, vereadores, chefes das reparti&ccedil;&otilde;es, funcion&aacute;rios civis, militares, representantes do com&eacute;rcio, ind&uacute;stria e agricultura. Da parte das Miss&otilde;es Cat&oacute;licas, estava presente o Superior e Vig&aacute;rio-Geral, Padre Jos&eacute; Neves (7). Na sess&atilde;o solene, o Governador Soveral Martins leu a seguinte declara&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p>&ldquo;<em>Meus Senhores,<br \/><\/em><em>Trouxe-nos o tel&eacute;grafo a not&iacute;cia da revolta que deu a Portugal o novo regime, satisfazendo os ideais da sua popula&ccedil;&atilde;o e abrindo ao seu futuro uma nova era que a todos se imp&otilde;e como de felicidade e progresso. Leal filha, n&atilde;o podia a col&oacute;nia de Timor, deixar de, com carinhoso entusiasmo, seguir a m&atilde;e P&aacute;tria, abra&ccedil;ando a Ideia Nova com f&eacute; no provir e arreigada cren&ccedil;a num Portugal maior. Traga o novo regime a felicidade que merece a her&oacute;ica Na&ccedil;&atilde;o, cujas tradi&ccedil;&otilde;es enchem de gloriosas p&aacute;ginas a Hist&oacute;ria do passado e possa a Hist&oacute;ria do futuro registar ainda a grandeza deste povo civilizador e honrado.<br \/><\/em><em>Com intensa f&eacute;, proclamamos nesta col&oacute;nia a Rep&uacute;blica Portuguesa e enternecidamente vamos assistir ao i&ccedil;a da nova Bandeira da Na&ccedil;&atilde;o, do augusto s&iacute;mbolo que nos cumpre defender e amar e a cuja sombra, alentados pela esperan&ccedil;a, trabalharemos pelo futuro e engrandecimento da nossa querida P&aacute;tria&rdquo;<\/em>(8).<\/p>\n<p>Seguiu-se a cerim&oacute;nia do arraiar da bandeira real azul e branca, e o i&ccedil;ar da bandeira verde-rubra, ao som de uma salva de 21 tiros, tendo o presidente da Comiss&atilde;o Municipal dado tr&ecirc;s vivas &agrave; Republica, entusiasticamente correspondidos, pelos presentes. (9)<\/p>\n<p>Depois da cerim&oacute;nia, Soveral Martins, dirigiu ao Governo de Lisboa, o seguinte telegrama. &ldquo; <em>Foi solenemente proclamada a Rep&uacute;blica &ndash; Inteira ades&atilde;o popula&ccedil;&atilde;o militar e civil de D&iacute;li. Espero ades&otilde;es oficialidade interior da Prov&iacute;ncia. Entusiasmo geral<\/em>. Governador&rdquo; (10).<\/p>\n<p>No dia 2 de Novembro, o governador dava a conhecer as seguintes determina&ccedil;&otilde;es: o papel e envelopes timbrados nas reparti&ccedil;&otilde;es civis e militares da Prov&iacute;ncia encimados pela coroa ou armas reais, poderiam ser utilizados contanto que desaparecessem os emblemas do antigo regime; era permitido usar no papel e envelope de expediente oficial a designa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;Prov&iacute;ncia de Timor&rdquo;; a antiga designa&ccedil;&atilde;o &ldquo;S.N.R.&rdquo; (Servi&ccedil;o Nacional Real) seria substitu&iacute;do pela designa&ccedil;&atilde;o &ldquo;S. N.&rdquo;( Servi&ccedil;o Nacional); os requerimentos, peti&ccedil;&otilde;es mem&oacute;rias ou quaisquer documentos seriam dirigidos sob a f&oacute;rmula &ldquo;Exmo Sr&rdquo;. (11).<\/p>\n<p>Mas, se, em D&iacute;li, os funcion&aacute;rios e os militares saudavam euforicamente o advento da Republica a mudan&ccedil;a dos s&iacute;mbolos mon&aacute;rquicos, entre os timorenses, muitos liurais, n&atilde;o viam claro a mudan&ccedil;a do regime. Muitos perguntavam porque se mudava a bandeira, que muitos traziam como &ldquo;lulic&rdquo; desde &ldquo;a antiguidade&rdquo;? Entretanto, o governador Soveral Martins deixava o Territ&oacute;rio, no m&ecirc;s de Novembro, sendo substitu&iacute;do pelo secret&aacute;rio o Capit&atilde;o Anselmo Augusto Coelho de Carvalho, que, por sua vez, foi substitu&iacute;do em 22 de Dezembro de 1910, pelo capit&atilde;o Jos&eacute; Carrazeda de Sousa Caldas Viana e Andrade (12).<\/p>\n<p>Entretanto, seguindo as determina&ccedil;&otilde;es de Lisboa, Carrazeda de Sousa, comunicou, no dia 23, aos Jesu&iacute;tas e &agrave;s Freiras Canossianas que deveriam deixar a Col&oacute;nia de Timor. E, baseando-se no De Decreto de 8 de Outubro de 1910, publicado pelo Governo Provis&oacute;rio da Rep&uacute;blica, sobre as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas, o Governo da Prov&iacute;ncia de Timor publicava tamb&eacute;m um Decreto de 31 de Dezembro de 1910, segundo o qual o Estado se apropriava dos edif&iacute;cios utilizados pelos Jesu&iacute;tas e Religiosas Canossianas: Em Dili, o edif&iacute;cio do Col&eacute;gio de S&atilde;o Jos&eacute;, a escola de Bidau (transformada em Enfermaria), a Casa de Malua; em Soibada, o edif&iacute;cio do Col&eacute;gio masculino, a resid&ecirc;ncia mission&aacute;ria, a igreja e o Col&eacute;gio feminino da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o. Julgando-se possuidor desses im&oacute;veis, o governo provincial arrolava tudo o que estava dentro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>III &#8211; Os Jesu&iacute;tas em Timor (1899)<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.1.&nbsp;Antecedentes<\/strong><\/p>\n<p>Os Portugueses chegaram &agrave;s Molucas em 1512, em demanda das especiarias (pimenta, cravinho da &Iacute;ndia, canela, etc.). Entre 1513 e 1515, chegariam tamb&eacute;m &agrave; Ilha de Timor, atra&iacute;dos pelo com&eacute;rcio da madeira s&acirc;ndalo. Nos anos seguintes, registaram-se viagens frequentes entre Malaca e as Ilhas Molucas, tendo os Portugueses estabelecido acordos de amizade com os reis de Ternate e Tidor.<\/p>\n<p>Em 1542, chegava &agrave;quelas ilhas o padre Jesu&iacute;ta Francisco Xavier, mais tarde santo e proclamado Ap&oacute;stolo do Oriente. Em 1559, o superior da Comunidade dos Jesu&iacute;tas em Malaca, Padre Baltazar Dias, numa carta dirigida de Malaca ao Provincial em Goa, dava as seguintes refer&ecirc;ncias sobre a ilha de Timor:<\/p>\n<p>&ldquo;<em>A &nbsp;este Solor e Timor partem daqui<\/em> [de Malaca] <em>em suas mon&ccedil;&otilde;es a saber: huma no fim de Setembro, e outra na entrada de Fevereiro,; e o mesmo de la vem duas vezes no anno, a saber: Junho e em Outubro (&hellip;).<br \/><\/em><em>A gente de Timor he a mais besta(=inculta) que h&aacute; nestas partes. A nenhuma cousa ador&atilde;o, nem tem &iacute;dolos; tudo quanto lhe dizem os portugueses, fazem.<br \/><\/em><em>A l&iacute;ngoa desta gente dizem ser muita<\/em> <em>curta, conforme em algumas cousas com a malaia<\/em>&rdquo;(13).<\/p>\n<p>Por sua vez, o Padre Lu&iacute;s Frois, escrevendo de Goa, dizia:<\/p>\n<p>&ldquo;&hellip;<em>e del-rey de Timor que he a terra donde vem o s&acirc;ndalo, porque la lhe mandar&atilde;o o anno passado o treslado de huma carta que este mesmo rey escreveo a Malaqua, ao Padre Baltazar Diaz, pedindo-lhe muyto que quisesse la mandar hum padre, para lhe ensinar as cousas da fee, por ser j&aacute; christ&atilde;o, com muytos principais do seu regno e esperar que, com a ida de algum padre, se acabasse a mais gente de converter<\/em>&hellip;&rdquo;(14). E noutra passagem dizia: &ldquo;el rey de Timor christ&atilde;o, que esta suspirando por padres da Companhia e os pede para os fazer seu reyno christ&atilde;o,&rdquo; (15).<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, de 1559, pensavam os jesu&iacute;tas mandar uma expedi&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria &agrave;s ilhas de Sabu e Roti. Entretanto, chegavam &agrave;quela regi&atilde;o os holandeses, que fizeram acordos com os chefes locais, para marcar a sua presen&ccedil;a ali. Nos meados do s&eacute;culo XVII, dois mission&aacute;rios jesu&iacute;tas sa&iacute;ram das ilhas de Roti e Sabu e passaram para a ilha de Timor: &Eacute; o que declara o historiador Geoffrey Gunn: &ldquo;<em>De facto, uma tentativa, feita em 1668 por dois mission&aacute;rios jesu&iacute;tas, Jo&atilde;o Nogueira e P&ecirc;ro Francisco, para pregar o evangelho em Luca &ndash; ent&atilde;o receptiva ao Cristianismo &ndash; foi malograda<\/em> <em>pela ac&ccedil;&atilde;o do rei de Ade<\/em> (Edan, em Vemasse)) <em>a cujos dom&iacute;nios, na parte<\/em> <em>nordeste de Timor eles foram parar<\/em>.(16). Mais tarde, outro jesu&iacute;ta, franc&ecirc;s, padre German Macret, em miss&atilde;o em Mac&aacute;&ccedil;ar, foi desembarcar em Timor, aportando ao reino de Motael. Permaneceu ali algum tempo e chegou a baptizar os filhos dos soldados aquartelados em Motael (17).<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a dos jesu&iacute;tas na Ilha do Sul da Insul&iacute;ndia encontrou resist&ecirc;ncia dos dominicanos, que consideravam aquelas ilhas a sua zona exclusiva de missiona&ccedil;&atilde;o. Pelos vistos, os dominicanos n&atilde;o queriam ver nos seus dom&iacute;nios de influ&ecirc;ncia, sacerdotes de outras ordens. A 5 de Dezembro de 1670, o Padre Ant&oacute;nio Francisco, escrevendo de Macau, ao Padre geral, Gian Paola Oliva, descrevia assim o comportamento dos frades dominicanos, na Insulindia: &ldquo; (&hellip;) <em>se recusam a aprender a l&iacute;ngua nativa para grande detrimento da salva&ccedil;&atilde;o do povo. N&atilde;o impedem os pregadores mu&ccedil;ulmanos de islamizar os gentios, mas gostariam de expulsar outros mission&aacute;rios. Ocupam-se activamente a construir barcos para o seu com&eacute;rcio e a obter lucros, deixando as almas ao abandono&rdquo;<\/em>(18).<\/p>\n<p>A 25 de Mar&ccedil;o de 1722, o Rei de Portugal, Dom Jo&atilde;o V, escreveu ao Vice-Rei da &Iacute;ndia, Dom Francisco Jos&eacute; Sampaio e Castro, recomendando-lhe que tomasse provid&ecirc;ncias para que se fixassem em Timor alguns mission&aacute;rios da Companhia de Jesus, sobretudo em Sica, Paga e Ende, visto os dominicanos n&atilde;o querem sair de Timor (19).<\/p>\n<p>A 23 de Outubro de 1722, o Provincial Padre Jo&atilde;o Olivares, SJ, escrevia ao Secret&aacute;rio de Estado, apresentando as dificuldades que impedem a ida dos jesu&iacute;tas para Timor. Entre as v&aacute;rias dificuldades, apontavam-se algumas. Que aquelas miss&otilde;es (Timor, Solor e Ende) eram dos religiosos de S. Domingos; que os jesu&iacute;tas n&atilde;o queriam perturbar a paz entre as duas religi&otilde;es (ordens); havia falta not&oacute;ria de pessoal; sob o aspecto financeiro, perguntava o Superior, quem iria subsidiar o trabalho dos mission&aacute;rios dos jesu&iacute;tas (20).<\/p>\n<p>Em 1777, o Marqu&ecirc;s de Pombal, dava ordens da expuls&atilde;o dos jesu&iacute;tas de Portugal e dos territ&oacute;rios ultramarinos. Em 21 de Julho de 1773,&nbsp; pela bula <em>Dominus ac Redemptor<\/em>, o Papa Clemente XIV decretou a extin&ccedil;&atilde;o da Companhia de Jesus em 1773. A 7 de Agosto de 1814, o Papa Pio VII pela bula <em>Sollicitudo omniuam Ecclesiarum<\/em> restaurou a Companhia.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando as not&iacute;cias da dissolu&ccedil;&atilde;o dos Jesu&iacute;tas chegaram a Lisboa, o marqu&ecirc;s de Pombal ordenou, num gesto de extravagante floreado, que as luzes da cidade ardessem toda a noite&rdquo; (21). Durante os anos de supress&atilde;o e nas d&eacute;cadas seguintes, nunca mais se pensou no envio dos jesu&iacute;tas para Insul&iacute;ndia.<\/p>\n<p>Entretanto, no segundo quartel do s&eacute;culo XIX, o Bispo de Macau decidiu entregar a direc&ccedil;&atilde;o do Semin&aacute;rio de S&atilde;o Jos&eacute;, aos padres da Companhia de Jesus. Por outra parte, um dos primeiros mission&aacute;rios enviados para Timor em 1877, tinha entrado na Companhia de Jesus em 1889. Tratava-se do Padre Sebasti&atilde;o Maria Apar&iacute;cio, que em 1898, seria o superior da miss&atilde;o confiada aos Jesu&iacute;tas.<\/p>\n<p><strong>3.2. Os jesu&iacute;tas na Miss&atilde;o de Soibada&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong><\/p>\n<p>A ideia de enviar os Jesu&iacute;tas para Timor tinha sido ventilada no tempo do Bispo Dom Ant&oacute;nio Joaquim Medeiros (1883-1897), que ent&atilde;o j&aacute; pensava dividir o territ&oacute;rio do Distrito aut&oacute;nomo de Timor em duas miss&otilde;es centrais, e, pensava entregar a Miss&atilde;o do Sul ou Contra-Costa aos mission&aacute;rios da Companhia de Jesus. Circunst&acirc;ncias v&aacute;rias n&atilde;o permitiram a concretiza&ccedil;&atilde;o desse plano (22).<\/p>\n<p>Em 1897, sucedeu ao falecido Bispo Ant&oacute;nio Joaquim Medeiros (+ 7 de Janeiro1897), o novo bispo Dom Jos&eacute; Manuel de Carvalho, natural de Tourigo, Tondela, Portugal. Em 1899, o novo Bispo tomou a decis&atilde;o de confiar a Miss&atilde;o de Soibada aos padres da Companhia de Jesus. Por decreto de 15 de Novembro de 1900, ordenou a divis&atilde;o das miss&otilde;es de Timor em dois vicariatos gerais: o do Norte, com a sede em Lahane, confiado aos cuidados pastorais do clero secular, e o do Sul ou Contra-costa, com a sede em Soibada, no reino de Samoro, confiado aos Jesu&iacute;tas. O Vicariato do Sul ou da Contra-Costa abrangia Bobonaro, Suro, Manufahi, Ermera, Alas, Dotic, Barique, Luca, Viqueque e Laclubar (23). Em 1905, o Bispo Dom Jo&atilde;o Paulino de Azevedo e Castro que substitu&iacute;ra o Bispo Jos&eacute; de Carvalho em 1902, modificou os limites dos dois vicariatos. &Agrave; miss&atilde;o central de Sul ou Contra-costa, foram adscritos outros reinos, como: Bibi&ccedil;ucu, Turiscain, Mahubo, Atabae, Cotubaba, Balib&oacute; e Batugad&eacute;, Raimean, Camanasa, Suai, Marobo, Atsabe, Leimean, Cailaco (24).<\/p>\n<p>Por provis&atilde;o de 28 de Julho de 1899, Dom Jos&eacute; Manuel de Carvalho confiou a Miss&atilde;o de Soibada aos Jesu&iacute;tas, nomeado como superior o padre Sebasti&atilde;o Maria Apar&iacute;cio da Silva, SJ (25). O padre Sebasti&atilde;o partiu para Timor no dia 3 de Setembro de 1899, juntamente com o padre Manuel Fernandes Ferreira, SJ, que estava a leccionar Teologia Moral e Direito Can&oacute;nico no Semin&aacute;rio de Macau (26). &nbsp;Tamb&eacute;m nesse dia 3 de Setembro, o Bispo nomeou o Padre Sebasti&atilde;o da Silva Superior e Vig&aacute;rio-Geral da Miss&atilde;o Central de Soibada. No m&ecirc;s de Setembro de 1899, partiam para Timor os padres Sebasti&atilde;o da Silva, SJ, Manuel Fernandes Ferreira, SJ, e tr&ecirc;s padres seculares: Victorino Domingues dos Reis, Cosme Rodrigues e Jo&atilde;o Manuel Gon&ccedil;alves. Os novos mission&aacute;rios chegaram a D&iacute;li no 12 de Setembro e hospedaram-se na Miss&atilde;o central de Lahane.<\/p>\n<p><strong>3.3. A Miss&atilde;o Central de Soibada<\/strong><\/p>\n<p>No dia 13 de Outubro de 1899, os padres Sebasti&atilde;o da Silva e Manuel Ferreira iniciam a sua presen&ccedil;a e ac&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria no reino de Samoro. &Agrave; data da chegada dos jesu&iacute;tas, j&aacute; havia uma escola fundada pelo padre Ant&oacute;nio Antunes (27) na povoa&ccedil;&atilde;o de Maclouc, ali&aacute;s, Uma-clouc.<\/p>\n<p>Chegados ao reino de Samoro, os padres Sebasti&atilde;o e Manuel Fernandes tiveram um encontro com o R&eacute;gulo Dom Andr&eacute; Doutel Sarmento, propondo a constru&ccedil;&atilde;o de uma igreja de pedra e cal e de dois col&eacute;gios, um para meninos e outra para meninas.<\/p>\n<p>No ano de 1900, o padre Sebasti&atilde;o, em comemora&ccedil;&atilde;o do Ano Jubilar, mandou levantar uma grande cruz de madeira no cimo do monte Aitarak, que passou a ser dominado o &ldquo;Monte do Salvador&rdquo;. Nesse mesmo ano, lan&ccedil;aram os fundamentos da Resid&ecirc;ncia mission&aacute;ria e da Igreja. Em 1902, foi inaugurada a Resid&ecirc;ncia que tamb&eacute;m servia de escola, que come&ccedil;ou a funcionar, com 12 alunos internos. (28). Neste mesmo ano come&ccedil;am as obras da constru&ccedil;&atilde;o do col&eacute;gio destinado &agrave; instru&ccedil;&atilde;o das meninas.<\/p>\n<p>A 6 de Maio de 1902, chegou a Soibada um grupo de religiosas canossianas (Madres Hedwiges da Concei&ccedil;&atilde;o, Carolina de Jesus e Aquilina Joaquim) para tomarem conta do col&eacute;gio feminino, da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o (29). Em 1910, as Irm&atilde;s Canossianas foram expulsas de Soibada e sa&iacute;ram de Timor, em Fevereiro de 1911.<\/p>\n<p>No dia 8 de Dezembro de 1904, foi solenemente inaugurada a nova Igreja de alvenaria, sob a invoca&ccedil;&atilde;o do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus.<\/p>\n<p>O padre Sebasti&atilde;o Apar&iacute;cio da Silva, al&eacute;m das constru&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o deixou de se dedicar &agrave; obra da evangeliza&ccedil;&atilde;o (prega&ccedil;&otilde;es, catequese, administra&ccedil;&atilde;o dos sacramentos, visitas &agrave;s Esta&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias: Barique, Lacluta, Luca, Viqueque, Laclubar, Dotic, Alas, Raimean, Bobonaro, Suro Batugad&eacute; e Balib&oacute;).<\/p>\n<p>Para tornar a miss&atilde;o de Soibada e o Col&eacute;gio Nun&rsquo;&Aacute;lvares, auto-suficientes, o padre Sebasti&atilde;o abriu duas oficinas: uma de carpinteiros e outra de pedreiros. Abriu ainda uma oficina de olaria, uma f&aacute;brica de sab&atilde;o e outra de tecelagem. Da abertura dessas f&aacute;bricas, informava o din&acirc;mico Superior da Miss&atilde;o Central: &ldquo; <em>Em breve se montar&aacute; a m&aacute;quina de serrar madeira que h&aacute; pouco que h&aacute; pouco trouxe de Portugal e que prestar&aacute; muito bem servi&ccedil;o. Consegui fazer sab&atilde;o, pelo que a miss&atilde;o economisa bastante e at&eacute; mais tarde poder&aacute; ser uma boa fonte de receita, pois os negociantes de D&iacute;li est&atilde;o a pedi-lo porque o acham bom, e n&atilde;o s&oacute; eles o dizem mas toda a gente. Desde Setembro que o fa&ccedil;o; n&atilde;o tem sido comprar sab&atilde;o para lavagem da roupa dos dois col&eacute;gios e d&rsquo;alguns mission&aacute;rios que aqui mandam a sua roupa, pagando, &eacute; claro est&aacute;. Com teares tem a miss&atilde;o ganhado muito, pois, j&aacute; n&atilde;o &eacute; preciso comprar pano para vestir os rapazes e raparigas dos dois col&eacute;gios. Nisto muito nos tem auxiliado o digno comandante militar, natural de Covilh&atilde;, terra de teares, por cujas indica&ccedil;&otilde;es se fez um tear para tecer com muita rapidez<\/em>&rdquo; (30).<\/p>\n<p>Durante o tempo em que o Padre Sebasti&atilde;o da Silva era superior da miss&atilde;o Central de Soibada, registava-se o seguinte movimento religioso: A miss&atilde;o sede, Soibada tinha 492 crist&atilde;os, a miss&atilde;o de Barique, 400 crist&atilde;os, a Miss&atilde;o de Lacluta, 300 crist&atilde;os, a Miss&atilde;o de Alas, 400 crist&atilde;os, verificando o n&uacute;mero total de 1.597 crist&atilde;os.<\/p>\n<p>O Padre Manuel Fernandes Ferreira, SJ, desenvolvia a sua ac&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria no Col&eacute;gio: era professor e prefeito. Se em Setembro de 1902, a escola que estava coberta de palha, e era frequentada por 12 alunos, em 1903, a mesma j&aacute; estava coberta de zinco, e os alunos eram 70 e todos internos. O col&eacute;gio feminino dirigido por 3 canossianas tinha 30 alunas (31). Em 1904, segundo o &ldquo;<em>Correio das Miss&otilde;es<\/em>&rdquo;, Timor, dizia-se que no Col&eacute;gio houve uma pequena orquestra, em que se tocaram instrumentos musicais acabados de chegar de Portugal: rebeca, cornetim, trompa, barytono, gaita de foles. Nesse ano baptizaram-se 12 alunos (32<\/p>\n<p>No ano lectivo de 1905\/06, o Col&eacute;gio de Soibada tinha 120 alunos, sendo 60 internos e outros sessenta externos. Nas Esta&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias, onde funcionavam escolas, registava-se o seguinte n&uacute;mero de alunos: Barique, escola do sexo masculino: 14 alunos com um professor; Lacluta do sexo masculino, 31 alunos com um professor; Batugad&eacute;, escola do sexo masculino, 23 alunos, com um professor (33).<\/p>\n<p>Aos dois pioneiros jesu&iacute;tas de Soibada, foram juntar-se-lhes, mais tarde, outros sacerdotes e irm&atilde;os da Companhia. Em Fevereiro de 1907, chegaria a Soibada o padre Serafim de Almeida Nazar&eacute;, SJ (34). Nos dois que ali esteve, o padre Serafim montou um observat&oacute;rio, cujos instrumentos (anem&oacute;metro, higr&oacute;metro, etc) ele pr&oacute;prio montou.<\/p>\n<p>No ano seguinte, precisamente em Mar&ccedil;o de 1908, chegava o padre Jos&eacute; Marques Atalaia, contando 62 anos de idade (35). Al&eacute;m destes sacerdotes, estavam tamb&eacute;m em Soibada tr&ecirc;s irm&atilde;os auxiliares: Irm&atilde;o Ant&oacute;nio Amaral e irm&atilde;o Ant&oacute;nio Claudino e irm&atilde;o J&uacute;lio de Sousa.<\/p>\n<p>At&eacute; 1910, ano da expuls&atilde;o, os Jesu&iacute;tas desenvolviam a sua ac&ccedil;&atilde;o, entre o trabalho pastoral (catequese, administra&ccedil;&atilde;o dos sacramentos, visitas mission&aacute;rias) e o ensino e educa&ccedil;&atilde;o da juventude no Col&eacute;gio de Nun&rsquo;&Aacute;lvares Pereira.<\/p>\n<p>Como se disse, para que Miss&atilde;o e o Col&eacute;gio fossem auto-suficientes a n&iacute;vel econ&oacute;mico, os Jesu&iacute;tas desenvolveram a agricultura incutindo nos alunos no&ccedil;&otilde;es de trabalhos agr&iacute;colas (hortas de milho, canteiros de hortali&ccedil;as, quintal de &aacute;rvores frut&iacute;feras e arrozais na plan&iacute;cies de Clacuc). Abriram uma oficina de olaria e uma f&aacute;brica de sab&atilde;o, junto ao col&eacute;gio uma sec&ccedil;&atilde;o de carpinteiros e pedreiros (36).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>IV &#8211; A ordem da expuls&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Era encarregado do Governo o capit&atilde;o Jos&eacute; Carrezeda de Sousa Caldas Viana e Andrade. No dia 25 de Novembro, fez publicar o decreto da expuls&atilde;o dos jesu&iacute;tas [e das canossianas] (37). Assim dizia o superior da Miss&atilde;o, padre Jos&eacute; Neves: &ldquo;<em>H&aacute; quatro dias appareceu publicado o decreto sobre a expuls&atilde;o dos jesu&iacute;tas, religiosos e<\/em> <em>religiosas<\/em>&rdquo; (38).<\/p>\n<p>&nbsp;O Secret&aacute;rio do Governo telegrafou para Lisboa pedindo instru&ccedil;&otilde;es sobre a sa&iacute;da e as passagens. Foram, portanto, expulsos os padres Manuel Ferreira Fernandes e Jos&eacute; Marques Atalaia, e dois irm&atilde;os leigos, o Irm&atilde;o Ant&oacute;nio do Amaral e o Irm&atilde;o Ant&oacute;nio Claudino. O Padre Sebasti&atilde;o tinha ido a Macau no dia 24 de Outubro para tratar da sa&uacute;de (39). A ordem da expuls&atilde;o de Soibada foi-lhes comunicada por um sargento, que era comandante no posto de Laclubar.<\/p>\n<p>Com dor e tristeza, os jesu&iacute;tas tiveram de abandonar a florescente miss&atilde;o por eles iniciada em finais do s&eacute;culo XIX. No dia partida, 9 de Dezembro de 1910, os Jesu&iacute;tas tinham no col&eacute;gio 76 alunos internos, que ficaram abandonados a si pr&oacute;prios.(40). Antes de abandonarem definitivamente Timor, e, enquanto aguardavam o dia do embarque, os jesu&iacute;tas hospedaram-se na Miss&atilde;o central de Lahane.<\/p>\n<p>Qual seria o destino dos jesu&iacute;tas? Diz-nos o cronista. &ldquo;<em>Sobre o destino a dar-lhes fez o governador com os membros do conselho, sendo, como era de esperar, encontrados os pareceres. Uns opinaram que se metessem no primeiro vapor, e se lhes abonasse a passagem s&oacute; at&eacute; Atapupo, na costa holandesa de Timor &ndash; e estes em maior n&uacute;mero &ndash; entenderam que era desairoso a Portugal n&atilde;o pagar viagem aos padres, sequer at&eacute; &agrave; miss&atilde;o portuguesa de Singapura. Esta opini&atilde;o prevaleceu<\/em>&rdquo; (41). No dia 23 de Dezembro, o Padre Jos&eacute; Neves, Superior e Vig&aacute;rio-Geral das Miss&otilde;es do Viacariato do Norte, com sede em Lahane escrevia ao Bispo de Macau: &ldquo;<em>Envio n&rsquo;esta data um telegrama a V. Excia, participando a sahida dos Pes S.J. e anunciando a sahida das Madres para Hong-Kong a pr&oacute;xima mala directa que se espera em 1 ou 7 de Fevereiro<\/em>&rdquo; (42). Portanto, os quatro jesu&iacute;tas sa&iacute;ram de D&iacute;li com destino a Singapura no barco holand&ecirc;s no dia 23 de Dezembro de 1910. A 12 de Janeiro de 1911, chegaram a Singapura, onde foram acolhidos pelos padres Jo&atilde;o Gon&ccedil;alves e Sebasti&atilde;o Apar&iacute;cio da Silva, idos de Macau. No dia 13 do mesmo m&ecirc;s, os jesu&iacute;tas embarcaram no vapor a mala holandesa com destino a Allepey, aonde chegaram no dia 21(43).&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre a viagem dos jesu&iacute;tas, o padre Jos&eacute; Neves, na sua carta ao Bispo de Macau, informava que o Governo pagara as passagens aos Pe. Ferreira e Atalaia em 1&ordf; classe at&eacute; Singapura. Aos irm&atilde;os deram dinheiro para 2&ordf;. Mas depois acrescentava: &ldquo; Parece que ir&atilde;o todos quatro em 2&ordf; classe&rdquo; (44).<\/p>\n<p>Com a sa&iacute;da dos padres, ficaram em poder do estado os edif&iacute;cios, a saber: a igreja, a resid&ecirc;ncia dos padres e o col&eacute;gio masculino e o col&eacute;gio feminino, contrariando o pensamento do padre Jos&eacute; Neves que havia informado &aacute; secretaria do Governo que &ldquo;tudo o l&aacute; h&aacute; pertence &agrave;s miss&otilde;es, n&atilde;o podendo ser confiscado como propriedade dos Jesu&iacute;tas&rdquo; (45).<\/p>\n<p>Para n&atilde;o deixar ao abandono a Miss&atilde;o central da Soibada e os col&eacute;gios, o Padre Jos&eacute; Neves, escreveu ao Senhor Bispo, Dom Jo&atilde;o Paulino de Azevedo e Castro, sugerindo a conveni&ecirc;ncia de reunir as duas Miss&otilde;es de Lahane e de Soibada. O mesmo padre Neves recomendou ao padre Manuel Ferreira, que, antes de sair, entregasse o cuidado da miss&atilde;o ao encarregado da Miss&atilde;o de Barique, o Pe. Jo&atilde;o Lopes. Com a presen&ccedil;a do Padre Lopes, pensava-se que, pelos menos, as actividades pastorais e educativas, na Miss&atilde;o central e nas esta&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias, n&atilde;o ficariam interrompidas. (46).<\/p>\n<p>Mas a realidade foi bem diferente. Anos mais tarde, relatava o Padre Jo&atilde;o Lopes sobre os primeiros dias em que passou na Miss&atilde;o de Soibada:<\/p>\n<p>&ldquo;<em>Logo em seguida &agrave; minha vinda para aqui, principiavam os arrolamentos judiciais dos bens da miss&atilde;o, que come&ccedil;aram a ser considerados perten&ccedil;a do estado, nada tendo valido a reclama&ccedil;&atilde;o enviada ao governo, alegando que de forma alguma os religiosos podiam ser considerados propriet&aacute;rios dos bens, que s&oacute; em nome de Sua Excia Revma, o Bispo da diocese, administrava<\/em>.&rdquo; (47).<\/p>\n<p>Tendo os jesu&iacute;tas sa&iacute;do de Timor, os funcion&aacute;rios do estado foram ao Col&eacute;gio masculino e retirara as mob&iacute;lias e materiais de constru&ccedil;&atilde;o ali existentes, deixando aos padres seculares a casa para nela habitarem e dar aulas aos alunos.<\/p>\n<p>O Comandante militar tomou posse do col&eacute;gio das Madres. Sobre o abandono a que foi devotado este edif&iacute;cio, escrevia o padre Jo&atilde;o Lopes: &ldquo; <em>Para ali esteve, durante anos consecutivos, servindo de valhacouto a vagabundos e abrigo de animais em dias e noites de chuva. Causava pena e fazia d&oacute;, era mesmo a vergonha o estado em que estava, quando em 1910 o mesmo comandante arranjou autoriza&ccedil;&atilde;o para lhe vibrar o golpe de miseric&oacute;rdia, mandando-a<\/em> <em>demolir para n&atilde;o sei bem que fins<\/em>&hellip;&rdquo; (48).<\/p>\n<p>E continua o Padre Jo&atilde;o Lopes: &ldquo; <em>A substituir todos estes obreiros fic&aacute;mos apenas dois mission&aacute;rios &ndash; um com a superintend&ecirc;ncia da miss&atilde;o e outro encarregado dos alunos na qualidade de professor e prefeito. A agravar esta despropor&ccedil;&atilde;o de meios, temos a contar a impress&atilde;o moral &ndash; o medo e desconfian&ccedil;a, que no &acirc;nimo dos ind&iacute;genas lan&ccedil;aram a sa&iacute;da dos religiosos e esbulhamento dos bens que a miss&atilde;o possu&iacute;a<\/em>&rdquo; (49).<\/p>\n<p>Em Outubro de 1911, visitava Timor o Padre Jos&eacute; da Costa Nunes, enviado pelo Bispo Dom Jo&atilde;o Paulino de Azevedo e Castro. No seu relat&oacute;rio de 23 de Outubro de 1911, escrevia: &ldquo; <em>S&oacute; quem conhece bem Soibada pode avaliar suficientemente a falta de enorme que as Madre Canossianas ali fazem. Tanto o Collegio de alunos, onde ainda est&atilde;o interno 28, como a egreja &ndash; que por sinal amea&ccedil;a ru&iacute;na &ndash; e o novo e magn&iacute;fico edif&iacute;cio, j&aacute; quase conclu&iacute;do, destinado &agrave;s religiosas, foram arrolados pelo governo e j&aacute; entraram na posse do Estado, visto serem considerados como propriedade dos Jesu&iacute;tas, e neste caso n&atilde;o se admitir reclama&ccedil;&atilde;o, nos termos do art&ordm; 4&ordm; do Decreto de 31 de Dezembro de 1910&rdquo; (50).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>V &#8211; As consequ&ecirc;ncias em Timor<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira consequ&ecirc;ncia da sa&iacute;da dos padres e irm&atilde;os jesu&iacute;tas reflectiu-se na diminui&ccedil;&atilde;o do pessoal mission&aacute;rio na Miss&atilde;o Central do Sul ou Contra-Costa, obrigando a um novo reajustamento do &ldquo;xadrez mission&aacute;rio&rdquo;. As actividades escolares que estavam de vento em popa, ficaram estagnadas. A falta dos jesu&iacute;tas em Soibada, causou mal-estar em todos. O padre Jo&atilde;o Lopes exprime-se assim: &ldquo; (&hellip;) <em>quando a miss&atilde;o iniciar um per&iacute;odo de grande actividade e come&ccedil;ava a expandir e intensificar mais e mais a sua ac&ccedil;&atilde;o t&atilde;o prometedora de abundantes fructos, que se viu abruptamente privada de t&atilde;o prestimosos obreiros. Foi uma grande perda para a civiliza&ccedil;&atilde;o portuguesa e educa&ccedil;&atilde;o religiosa a sa&iacute;da dos religiosos desta miss&atilde;o. Com a sa&iacute;da dos padres jesu&iacute;tas e das religiosas canossianas dispersaram os alunos dos dois col&eacute;gios e come&ccedil;ou para esta miss&atilde;o um per&iacute;odo de contradi&ccedil;&otilde;es e dificuldade<\/em>&rdquo; (51). O preju&iacute;zo maior foi o que aconteceu no Col&eacute;gio da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, onde estavam as Religiosas canossianas. No ano da expuls&atilde;o, estavam internadas no Col&eacute;gio 62 raparigas. As alunas que tinham fam&iacute;lias tiveram de regressar &agrave;s suas casas. E as que n&atilde;o tinham, &ldquo;foram pelo da miss&atilde;o distribu&iacute;das pelas fam&iacute;lias mais morigeradas de Soibada, ficando o seu sustento e vestu&aacute;rio a cargo da miss&atilde;o&rdquo; (52).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Conclus&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a dos Jesu&iacute;tas na Miss&atilde;o de Soibada n&atilde;o foi longa: apenas dez anos. Mas o apostolado a&iacute; desenvolvido criou ra&iacute;zes profundas na vida das popula&ccedil;&otilde;es de Soibada, Barique, Lacluta e Viqueque. Pela ac&ccedil;&atilde;o dos Jesu&iacute;tas os timorenses tiveram acesso ao conhecimento religioso, cultural e social. Os mission&aacute;rios eram estimados pelo povo em geral, e em especial, pelos alunos do Col&eacute;gio Nun&rsquo;&Aacute;lvares. Com a retirada dos padres, criou-se um v&aacute;cuo no Vicariato Sul. Os sacerdotes seculares que j&aacute; eram poucos tiveram de se reorganizar, deixando alguns centros mission&aacute;rios, para atender a Miss&atilde;o de Soibada e a Escola e o Internato. Os Jesu&iacute;tas regressaram a Timor em 1958, quarenta e oito anos depois da expuls&atilde;o. Se hoje n&atilde;o na Miss&atilde;o de Soibada, a sua ac&ccedil;&atilde;o faz-se sentir em Dili, com o trabalho desenvolvido no Semin&aacute;rio, no Col&eacute;gio de S&atilde;o Jos&eacute; e na casa de Retiros em Dare e na capelania dos Hospitais e das Pris&otilde;es.<\/p>\n<p>A expuls&atilde;o dos padres e irm&atilde;os Jesu&iacute;tas e das Irm&atilde;s Canossianas em 1910, criou descontentamento na sociedade timorense, especialmente nos c&iacute;rculos dos r&eacute;gulos ind&iacute;genas, e contribuiu para que alguns deles se revoltassem contra os Portugueses. A c&eacute;lebre revolta de Manufahi de 1911 era uma das consequ&ecirc;ncias da mudan&ccedil;a do regime mon&aacute;rquico para o regime republicano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Ap&ecirc;ndice: Biografia dos Jesu&iacute;tas, mission&aacute;rios em Soibada, 1900-1910<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1) O <strong>Padre Sebasti&atilde;o Maria Apar&iacute;cio da Silva<\/strong> nasceu em Abrunheiro Grande, freguesia de Fundada, Vila de Rei, Diocese de Portalegre, aos 22 de Mar&ccedil;o de 1894.Era filho de Jos&eacute; da Silva e da senhora Maria Apar&iacute;cio. Tendo feito os estudos no Real Col&eacute;gio das Miss&otilde;es de Cernache (Sernache) do Bonjardim foi ordenado sacerdote na capela do Pa&ccedil;o Episcopal da cidade do porto, em 19 de Julho de 1874, pelo Cardeal Dom Am&eacute;rico dos santos Silva. No ano seguinte, partiu para Macau, onde se apresentou a 3 de Julho de 19875. Ali foi nomeado director do Semin&aacute;rio diocesano. Em 10 de Abril de 1877, foi nomeado mission&aacute;rio de Timor. Em Julho desse ano, foi destinado para a Miss&atilde;o de Lacluta, encarregando-se de v&aacute;rios reinos como Samoro, Barique, Luca e Viqueque. Em 1980 foi chamado a Macau onde fez servi&ccedil;o at&eacute; 1881.Em 1888 foi nomeado Vig&aacute;rio geral da Diocese de Macau, por Provis&atilde;o de 22 de Setembro do mesmo ano, e exerceu esse cargo at&eacute; 1891. Desejando entrara na Companhia de Jesus, seguiu para Portugal onde fez a prepara&ccedil;&atilde;o para ser membro da Ordem. J&aacute; na condi&ccedil;&atilde;o de jesu&iacute;ta, regressou a Macau e ali foi nomeado Vice-reitor do Semin&aacute;rio de S&atilde;o Jos&eacute;. Profundo conhecedor da L&iacute;ngua Tetun Terik, publicou em 1889 um <em>dicion&aacute;rio Tetun-Portuguez<\/em> e um <em>Catecismo<\/em> na mesma l&iacute;ngua em 1885. Tendo o Bispo Dom Jos&eacute; Manuel de Carvalho (1897-1902) confiado a Miss&atilde;o de Soibada aos &nbsp;Padres da Companhia de Jesus, foi o Padre Sebasti&atilde;o nomeado Vig&aacute;rio geral e Superior das Miss&otilde;es da Costa Sul, por Provis&atilde;o de 8 de Outubro de 1899. Na Soibada construiu dois col&eacute;gios, um para rapazes e outro para meninas. A partir de 1902 construiu a igreja de Soibada a qual foi inaugurada no dia 8 de Dezembro de 1904. Em 1906 partiu para Portugal por opini&atilde;o da Junta da sa&uacute;de do Distrito de Timor. Regressou a Timor em 1907 permanecendo na Miss&atilde;o de Soibada at&eacute; 24 de Outubro de 1910. Aquando da ordem da expuls&atilde;o, o Padre Sebasti&atilde;o da Silva encontrava-se em Macau. Dali seguiu para &Iacute;ndia Inglesa onde esteve tr&ecirc;s anos. Em 1913, volta &agrave; diocese de Macau e &eacute; encarregado da Miss&atilde;o de Shiu-Hing durante treze anos. Em 1926, publicou um interessant&iacute;ssimo artigo intitulado &ldquo;Miss&atilde;o de Timor&rdquo;, artigo esse publicado no livro &ldquo;Portugal Mission&aacute;rio&rdquo;, dos padres do Cernache do Bonjardim. Passou os &uacute;ltimos anos da sua vida no Semin&aacute;rio da companhia em Costa, em Guimar&atilde;es. Em aten&ccedil;&atilde;o aos seus bons servi&ccedil;os foi condecorado com o h&aacute;bito de Cristo. Faleceu em Guimar&atilde;es aos 30 dias de Dezembro de 1943, com 94 anos de idade. O Padre Sebasti&atilde;o foi um dos grandes mission&aacute;rios de Timor.<br \/>O Bispo de Macau, Dom Jos&eacute; da costa Nunes, no seu Relat&oacute;rio ao Ministro das Col&oacute;nias, escrevia: &ldquo;<em>Entre par&ecirc;ntesis, deixe-me V. Excia. dizer que os grandes mission&aacute;rios, que t&atilde;o levantaram por toda esta &Aacute;sia o nome de Portugal, eram religioso da Companhia de Jesus. Outros houve tamb&eacute;m muito prestimosos, mas os Jesu&iacute;tas marcaram a sua obra com um cunho de grandeza, que o tempo n&atilde;o consegue ainda apagar. (&hellip;). Voltemos ao Pe. Sebasti&atilde;o da silva. Fora ele o fundador do col&eacute;gio e miss&atilde;o de Soibada, fora ele o organizador do col&eacute;gio das religiosas Canossianas na mesma miss&atilde;o, fora ele o educador de centenares de rapazes ind&iacute;genas, fora ele o empreendedor de tantas obras de civiliza&ccedil;&atilde;o que seria fastidioso enumerar.&nbsp; Basta dizer que o benem&eacute;rito mission&aacute;rio chegou a fabricar sab&atilde;o no col&eacute;gio eque dirigia ea montar um posto metereol&oacute;gico, cujas observa&ccedil;&otilde;es &ndash; as &uacute;nicas, creio, que se faziam naquela col&oacute;nia &ndash; eram publicadas no Boletim Oficial da Prov&iacute;ncia&rdquo; (53).<\/em><\/p>\n<p>2) O <strong>Padre Manuel Fernandes Ferreira<\/strong> nasceu em 5 de Abril de 1864, na freguesia de Vila Fria Concelho de Viana de Castelo. Estudou no Semin&aacute;rio de Braga. Ingressou na Companhia de Jesus em 14 de Setembro de 1889. Em 1897 partiu para Macau, onde foi docente no Semin&aacute;rio diocesano leccionando durante dois anos Teologia Moral e Direito can&oacute;nico at&eacute; Setembro de 1899.<br \/>Em 1899 partiu para Timor, sendo colocado na Miss&atilde;o de Soibada. Com a ordem da expuls&atilde;o regressou a Macau, seguindo depois para &Iacute;ndia, trabalhando em Meliapor, Poona. Em 1926 encontrava-se em Alapay como director de Imprensa. Em 1929, voltou a Macau onde dirigiu por v&aacute;rios anos a revista &ldquo;Religi&atilde;o e P&aacute;tria&rdquo;. Em 1941, embarcou para Portugal. Faleceu em Soutelo (Braga) a 28 de Janeiro de 1957, com 92 anos de idade. Deixou publicadas as seguintes obras: &ldquo;<em>Catecismo badac no Ora&ccedil;&atilde;o ba lor<\/em>&#8211;<em>loron<\/em>&rdquo; (Pequeno Catecismo e Ora&ccedil;&otilde;es para todos os dias, Macau 1907. &ldquo;Resumo da Hist&oacute;ria Sagrada, em Portugu&ecirc;s e em Tetum para o uso das crian&ccedil;as de Timor&rdquo;, Lisboa, Imprensa nacional, 1908. Lisboa, 1808. Obras in&eacute;ditas: &ldquo;<em>Homilias dos<\/em> <em>Domingos e Festas do Ano<\/em>&rdquo;, O M&ecirc;s de S. Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus traduzido da obra do Pe. Ventulelli; &ldquo;<em>o m&ecirc;s de Maria em Tetum<\/em>&rdquo;;&rdquo;<em>Vida de v&aacute;rios Santos<\/em>&rdquo; (54).<\/p>\n<p>3) <strong>Padre Serafim de Almeida Nazar&eacute;<\/strong>. Nasceu no Porto a 13 de Julho de 1871, sendo filho de Sim&atilde;o Esteves de Almeida e da senhora Rita de Jesus Nazar&eacute;. Ingressou na Companhia de Jesus a 7 de Setembro de 1888. Conclu&iacute;dos os estudos, foi destinado a Macau, aonde chegou em 20 de Novembro 1905, ficando professor no Semin&aacute;rio de Macau. Em 25 de Janeiro de 1907 de partiu para Timor, sendo colocado na miss&atilde;o de Soibada. Ali montou um observat&oacute;rio astron&oacute;mico. Regressou a Macau no dia 7 de Julho de 1908. Depois da expuls&atilde;o dos jesu&iacute;tas de Macau e de Timor, o Padre Serafim para a &Iacute;ndia inglesa onde esteve dois anos, indo trabalhar nas miss&otilde;es da China (Shiu-Hing) e ali esteve mais de 20 anos. Faleceu em Macau a 15 de Maio de 1938 (55).<br \/>Provis&atilde;o da nomea&ccedil;&atilde;o como mission&aacute;rio em Timor. <br \/><em>Dom Jo&atilde;o Paulino de Azevedo e Castro, por merc&ecirc; de Deus e da Santa S&eacute; Apost&oacute;lica, Bispo de Macau, do Conselho de Sua Majestade Fidel&iacute;ssima, Bacharel formado na Sagrada Teologia pela Universidade de Coimbra, etc..<br \/><\/em><em>Fazemos saber que achando-se algumas Miss&otilde;es de Timor desprovidas de Mission&aacute;rios, e sendo do Nosso dever providenciar quanto poss&iacute;vel para que aos Nossos jurisdicionados n&atilde;o faltem socorros espirituais;<br \/><\/em><em>Havemos por bem transferir da Miss&atilde;o de Macau, para que havia sido nomeado por Nossa Portaria n&ordm; 4 de 6 de Dezembro de 1905, para Timor, na Contra-Costa, o Rev.do Mission&aacute;rio Serafim de Almeida Nazar&eacute;, devendo portanto ser considerado, de futuro, mission&aacute;rio daquele distrito enquanto n&atilde;o mandarmos o<\/em> <em>contr&aacute;rio: a qual ocupa&ccedil;&atilde;o servir&aacute; como conv&eacute;m ao servi&ccedil;o de Deus e bem das almas dos fi&eacute;is confiados a seu cargo, ensinando-lhes a doutrina crist&atilde; e cumprindo todos os mais deveres inerentes, para o que lhe damos e conferimos toda a jurisdi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria e lhe encarregamos muito a boa direc&ccedil;&atilde;o das almas, do que dar&aacute; contas a Deus Nosso Senhor.<br \/><\/em><em>E na dita ocupa&ccedil;&atilde;o haver&aacute; a c&ocirc;ngrua e todos os benesses, pr&oacute;s e precal&ccedil;os que directamente lhe pertencem.<br \/><\/em><em>E mandamos, em virtude da santa obedi&ecirc;ncia, a todos os fi&eacute;is da referida Miss&atilde;o <\/em>reconhe&ccedil;am<em> ao dito presb&iacute;tero por seu mission&aacute;rio e como tal o estimem, respeitem e lhe obede&ccedil;am em tudo a quanto s&atilde;o obrigados.<br \/><\/em><em>Dada em Macau, no Pa&ccedil;o Episcopal, sob o Nosso sinal e selo das Nossas Armas, aos 18 de Janeiro de 1907<\/em>.<br \/>+ Jo&atilde;o Paulino, Bispo de Macau (56).<\/p>\n<p>4) <strong>Padre Jos&eacute; Marques Atalaia<\/strong> nasceu em Ousada, concelho da Guarda em 1846. Depois de ter entrado na Companhia de Jesus partiu para Mo&ccedil;ambique a 21 de Outubro de 1891, indo para a miss&atilde;o de Zamb&eacute;zia, onde missionou muitos anos. A 14 de Fevereiro de 1908, partiu de Lisboa para Macau. Contando 62 anos de idade, partiu no dia 10 de Mar&ccedil;o de 1908, para Timor, sendo colocado na miss&atilde;o de Soibada. Expulso em 1910, seguiu para o ex&iacute;lio (57).<\/p>\n<p>Al&eacute;m dos padres, trabalhavam na Miss&atilde;o de Soibada tr&ecirc;s irm&atilde;os leigos: Irm&atilde;o Ant&oacute;nio Amaral, irm&atilde;o Ant&oacute;nio Cl&aacute;udio e o irm&atilde;o J&uacute;lio de Sousa (58).<\/p>\n<p>5) <strong>Irm&atilde;o Ant&oacute;nio do Amaral<\/strong>: era natural de Miserela (Guarda); nasceu a 29 de Janeiro de 1863. Entrou na Companhia de Jesus no Barro (Torres Vedras) a 4 de Janeiro de 1898. Foi padeiro, depois dos primeiros votos. Partiu para Timor em 1909. Expulso de Timor, em 1910, foi para &Iacute;ndia, onde esteve a trabalhar no Semin&aacute;rio de Alleppey. Faleceu a 25 de Setembro de 1936. Dizia-se que era bom irm&atilde;o e de excelente cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>6) <strong>Irm&atilde;o Ant&oacute;nio Claudino<\/strong>: era natural de Felgueiras (Bragan&ccedil;a); nasceu a 25 de Fevereiro de 1854; entrou na Companhia de Jesus no Barro (Torres Vedras) a 8 de Setembro de 1895. Viveu em Angra (A&ccedil;ores). Em 1907, partiu para Macau e Timor. Expulso de Timor, foi para a &iacute;ndia e faleceu em Belg&atilde;o a 24 de Mar&ccedil;o de 1916. Era um irm&atilde;o cheio de virtudes.<\/p>\n<p>7) <strong>Irm&atilde;o J&uacute;lio de Sousa<\/strong>: Nasceu a 19 de Mar&ccedil;o de 1882, em Santa Maria maior, Chaves. Aos 12 anos partiu para Macau indo frequentar o Semin&aacute;rio de S&atilde;o Jos&eacute;. Tempo depois entrou na Companhia de Jesus no Barro (Torres Vedras), como Escol&aacute;stico. Deve ter passado, mais tarde, para irm&atilde;o, pois era nessa qualidade que se encontrava na Miss&atilde;o de Soibada. Enquanto os outros jesu&iacute;tas sa&iacute;ram para Hong Kong, o irm&atilde;o J&uacute;lio preferiu ficar em Timor, tornando-se mais tarde &ldquo;pessoal auxiliar&rdquo; das Miss&otilde;es de Timor ficando l&aacute; at&eacute; 1940. Em 1929, era professor na Escola Municpal do sexo masculino &nbsp;de Dili (59).<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Expuls&atilde;o das Irm&atilde;s canossianas, de Timor, ser&aacute; tema de um segundo artigo. Em 1910 estavam 20 religiosas trabalhando nas Casas de Dili, Manatuto e Soibada.<\/p>\n<p>1) cf. Artigo 3&ordm; do Decreto de 8 de Outubro de 1910: &ldquo; Continua tamb&eacute;m em vigor com a for&ccedil;a de lei da Rep&uacute;blica Portuguesa o decreto de 28 de Maio de 1834, promulgado sob o regime mon&aacute;rquico representativo, o qual extinguiu em Portugal, Algarve, ilhas adjacentes e dom&iacute;nios portugueses, todos os conventos, mosteiros, col&eacute;gios, hosp&iacute;cios e quaisquer casas de religiosos de todas as ordens religiosas, fosse qual fosse a sua denomina&ccedil;&atilde;o, instituo ou regra&rdquo; (in FERNANDES, Ant&oacute;nio Teixeira, <em>Afrontamento pol&iacute;tico-religioso na Primeira Rep&uacute;blica<\/em>,&nbsp; Porto, 2019, p.28); MIGUEL, de Oliveira, <em>Hist&oacute;ria Eclesi&aacute;stica de Portugal<\/em>, Edi&ccedil;&atilde;o revista e actualizada, Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica, Lisboa, 2001, p. 157;<\/p>\n<p>2) cf. MACEDO, Jorge de, art. <em>Partido republicano<\/em>, Enciclop&eacute;dia Verbo, vol. 16, col. &nbsp;365-369.<\/p>\n<p>3) Ibidem, art. <em>Rep&uacute;blica<\/em>, Enciclop&eacute;dia Verbo, vol. 16, col. 345-350.<\/p>\n<p>4) Decreto de 8 de Outubro de 1901, in FERNANDES, Ant&oacute;nio Teixeira, op. cit. p. 28).<\/p>\n<p>5) FERNANDES, Ant&oacute;nio Teixeira, op. cit, p. 43.<\/p>\n<p>6) OLIVEIRA, Luna de, <em>Timor na Hist&oacute;ria de Portugal<\/em>, vol. III, Lisboa, 2004, p. 40.<\/p>\n<p>7) Acta da Sess&atilde;o Solene in <em>Boletim Oficial de Timor<\/em>, n&ordm; 45, 5 de Novembro de 1910; cf. REIS, C&eacute;lia, <em>O Padroado Portugu&ecirc;s no Extremo Oriente na Primeira Rep&uacute;blica<\/em>,p. 110-111).<\/p>\n<p>8) OLIVEIRA, Luna de, op. cit. p. 44; cf. GUNN, Geoffrey, <em>Timor Loro Sae 500 anos<\/em>, Livros do Oriente, Macau, 1999, p. 194.<\/p>\n<p>9) cf. Ibidem, Idem, p. 44.<\/p>\n<p>10) cf. Ibidem, idem, pp. 41-42.<\/p>\n<p>11) Oliveira, Luna, op. cit. 42.<\/p>\n<p>12) cf. Gunn, Geoffrey, op. cit. p. 194-195.<\/p>\n<p>13) Carta do Padre Baltazar Diaz, in S&Aacute;, Artur Bas&iacute;lio de, <em>Documenta&ccedil;&atilde;o para a Hist&oacute;ria das<\/em> <em>Miss&otilde;es do Padroado Portugu&ecirc;s do Oriente<\/em>, Insul&iacute;ndia, 2&ordm; vol. (1550-1562), Ag&ecirc;ncia Geral do Ultramar, 1955, p. 345.<\/p>\n<p>14) Carta do Padre Lu&iacute;s Fr&oacute;is, Goa, 24 de Novembro de 1559, p. 340, in S&Aacute;; Artur Bas&iacute;lio,Insulindia, 2&ordm; vol. p. 340.<\/p>\n<p>15) Carta do Padre&nbsp; Lu&iacute;s Fr&oacute;is, escrita de Goa, a 12 de Dezembro de 1560, in S&Aacute;, Artur Bas&iacute;lio de, Insulindia, vol, 2&ordm;vol. p. 351-352.<\/p>\n<p>16) cf. GUNN, Geoffrey, op. cit, p. 83.<\/p>\n<p>17) cf. GUNN, Geoffrey, op. cit. nota, 19, p. 95; cf. THOMAZ,Lu&iacute;s Filipe, art. <em>Timo re Solor<\/em>,&nbsp; Dicion&aacute;rio da Hist&oacute;ria Religiosa de Portugal, IV vol., p. 288.<\/p>\n<p>18) HUBERT, Jacobs, SJ, <em>The Jesuit Macassar Documents<\/em>, p. 243, in GUNN, Geoffrey, p, op. cit. p. 83.<\/p>\n<p>19) Carta do Padre Jo&atilde;o de Olivares, Provincial,&nbsp; Cambarjua, 23 de Outubro de 1722, in MATOS, Artur Teodoro de, <em>Timor Portugu&ecirc;s, 1515-1769<\/em>, Lisboa, 1974, p. 358-361.<\/p>\n<p>20) Carta do Rei Dom Jo&atilde;o V ao Vice-rei da &Iacute;ndias, Lisboa, 25 de Mar&ccedil;o de 1722, in MATOS, Artur Teodoro de, <em>Timor Portugu&ecirc;s 1515-1769<\/em>, Lisboa, 1974, p. 356-357.<\/p>\n<p>21) WRIGTH, Jonathan, <em>Os Jesu&iacute;tas, Miss&otilde;es, Mito e Hist&oacute;ria<\/em>, Quetzal Editores, Lisboa, 2005, p.240-241;<\/p>\n<p>22) cf. AZEVEDO, Pe. Lu&iacute;s Gonzaga de, Proscritos, (Jesu&iacute;tas na Revolu&ccedil;&atilde;o de 1910), Bruxelas, 1914, p. 110.<\/p>\n<p>23) TEIXEIRA, Manuel, <em>Diocese de Macau<\/em>, vol. X, Miss&otilde;es de Timor, Macau, 1974, p. 127.<\/p>\n<p>24)Ver o Ap&ecirc;ndice, sobre as biografias dos jesu&iacute;tas; cf. TEIXEIRA, Manuel, Diocese de Macau, vol. X, Miss&otilde;es de Timor, p. 223-226. cf. C&acirc;ndido Teixeira, O Col&eacute;gio das Miss&otilde;es do Sernache do Bom Jardim, 1905, p. 126-127.<\/p>\n<p>25) TEIXEIRA, Manuel, op. cit. p. 232-233.<\/p>\n<p>26) Ibidem, idem, p.232.<\/p>\n<p>27) O padre Ant&oacute;nio Antunes, natural de freguesia de Ma&ccedil;&atilde;s de D. Maria, Alvai&aacute;zere, estudou no Col&eacute;gio das miss&otilde;es de Sernache do Bomjardim. Embarcou para as Miss&otilde;es de Macau e Timor em 1892. Em 1896, foi ao reino de Manufahi a convencer o r&eacute;gulo Dom Duarte Soto Maior a prestar vassalagem ao Governo Portugu&ecirc;s. Foi fundador da escola de rapazes da miss&atilde;o de Lahane. Dirigiu as escolas de Manatuto, Oe-Cusse e Maclouc (Samoro). Falavam muito bem o T&eacute;tum. Por ter levado o r&eacute;gulo de Manufahi &agrave; obedi&ecirc;ncia, foi condecorado com o H&aacute;bito de Cristo, com as medalhas da Torre e Espada, de Aviz e de comportamento exemplar. Faleceu em 1927.<\/p>\n<p>28) TEIXIERA, Manuel, Diocese de Macau, vol. X, Miss&otilde;es de Timor, p. 301-302, e p. 538.<\/p>\n<p>29 TEIXIERA, Manuel, <em>As Canossianas na Diocese de Macau<\/em>, II Parte (As Canossians em Timor), Macau, 1974239.<\/p>\n<p>30) Ibidem, idem, p. 234-235.<\/p>\n<p>31) <em>Boletim Eclesi&aacute;stico do Governo da Diocese de Macau<\/em>, n&ordm;5, Novembro de 1903, p. 92.<\/p>\n<p>32) Carta de Dezembro de 1903, in BEDGM, 1904, p. 132-133.<\/p>\n<p>33) cf. BEDGM, n&ordm; 34, Abril de 1906, p. 245.<\/p>\n<p>34) Ver o Ap&ecirc;ndice deste artigo; cf. Teixeira, Manuel, Macau e sua diocese, vol. X, p. 233-234.<\/p>\n<p>35) Ver o Ap&ecirc;ndice deste artigo; cf. Teixeira, Manuel, op. cit., p.234.<\/p>\n<p>36) TEIXEIRA, Manuel, op. cit., p. 125.<\/p>\n<p>37) <em>Boletim oficial do Governo de Timor<\/em>, n&ordm; 48, 26 de Novembro de 1910.<\/p>\n<p>38) TEIXEIRA Manuel, op. cit. p. 124.<\/p>\n<p>39) Leia-se a carta do Padre Sebasti&atilde;o Apar&iacute;cio: &ldquo;Eu sa&iacute; de Timor prara tratar da sa&uacute;de e de arranjos, No vapor que me trouxe para Hong Kong, li os jornais de Port-Darwin com primeiro telegrama sobre a revolu&ccedil;&atilde;o de Lisboa e a proclama&ccedil;&atilde;o da rep&uacute;blica&rdquo;, in <em>nota<\/em> 1), in AZEVEDO, Lu&iacute;s Gonzaga, Proscritos, p. 114.<\/p>\n<p>40) &ldquo; O sargento que foi intimar ordem de expuls&atilde;o, maravilhou-se do afecto que os timorenses consagravam aos padres (&hellip;). Quando voltou para o seu comando de Laclubar, dizia aos expulsos: &#8211; <em>V&atilde;o-se V. Recias embora, e eu c&aacute; fico para aturar as f&uacute;rias desta ge<\/em>nte&rdquo; , in AZEVEDO, Lu&iacute;s Gonzaga.op. cit, p. 113.<\/p>\n<p>41) AZEVEDO, Lu&iacute;s, Gonzaga, op. cit. p. 114.<\/p>\n<p>42) TEIXIERA, Manuel, Macau e Sua Diocese, vol. X, p. 131.<\/p>\n<p>43) AZEVEDO, lu&iacute;s Gonzaga, op. cit., p. 114.<\/p>\n<p>44) TEIXEIRA, Mnauel, op. cit. p. 131.<\/p>\n<p>45) Ibidem, idem, p. 131.<\/p>\n<p>46) Ibdiem, idem, p. 131.<\/p>\n<p>47) Ibidem, idem, p. 366.<\/p>\n<p>48) Ibidem, idem, p. 366.<\/p>\n<p>49) Ibidem, idem, p. 366.<\/p>\n<p>50) TEXIERA, Manuel, <em>As Canossianas na Diocese de Macau<\/em>, p. 238.<\/p>\n<p>51) TEIXEIRA, Manuel, vol. X, p. 365.<\/p>\n<p>52) FERNANDES, Pe. Ab&iacute;lio Jos&eacute;, in Teixeira, <em>Canossianas na Diocese de Macau<\/em>, p. 243.<\/p>\n<p>53) cf. <em>Textos do Cardeal Costa Nunes, Pastorais<\/em>,&nbsp; vol. V, Coordena&ccedil;&atilde;o Padre Tom&aacute;s Bettencourt Cardoso, Funda&ccedil;&atilde;o Macau, Macau, 1999, p. 66. Sobre o curriculum vitae do Padre Sebasti&atilde;o da Silva, veja-se TEIXIERA, Manuel, Macau e sua Diocese, vol. X, Miss&otilde;es de Timor, pp. 223-231: TEIXIERA, C&acirc;ndido da Silva Teixeira, O Col&eacute;gio do Sernache do Bomjardim, 1905, p. 88.<\/p>\n<p>54) TEIXEIRA, Manuel, Macau e Sua diocese, vol. X. p. 233-234.<\/p>\n<p>55) Ibidem idem, p. 234<\/p>\n<p>56) cf. <em>Textos de D. Jo&atilde;o Paulino , Provis&otilde;es e outros escritos<\/em>, vol. I, Coordena&ccedil;&atilde;o Pe. Tom&aacute;s Bettencourt Cardoso, Funda&ccedil;&atilde;o Macau, Macau, 1997, p. 209-210.<\/p>\n<p>57) TEIXEIRA, Manuel, Vol. X, p. 234.<\/p>\n<p>58) Informa&ccedil;&otilde;es fornecidas pelo Reverendo Padre Carlos Maria Vasconcelos, Arquivista da Prov&iacute;ncia Portuguesa da Companhia de Jesus.<\/p>\n<p>59) cf. FERNANDES, Pe. Ab&iacute;lio Jos&eacute; Superior e Vig&aacute;rio-Geral das Miss&otilde;es de Timor, <em>Relat&oacute;rio<\/em>, Miss&otilde;es Cat&oacute;licas Portuguesas de Timor, in <em>Mission&aacute;rio Cat&oacute;lico,<\/em> Boletim Mensal, &oacute;rg&atilde;o das Miss&otilde;es Religiosas Ultramarinas Portuguesas, de 1930.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1)&nbsp;TEIXEIRA, Padre Manuel , <em>Macau e sua Diocese<\/em>, vol. X, As Miss&otilde;es de Timor, 1974.<\/p>\n<p>2)&nbsp;TEIXEIRA, Padre, <em>As Canossianas na Diocese de Macau. Cem Anos de Apostolado<\/em> (1874-1974), Tipografia da Miss&atilde;o do Padroado, Macau, 1974 Macau, 1974,<\/p>\n<p>3)&nbsp;TEIXEIRA, C&acirc;ndido da Silva, O Collegio das Miss&otilde;es Ultramarinas do Serncahe do Bomjardim, 1905.<\/p>\n<p>4)&nbsp;P&Eacute;LISSIER, Ren&eacute;, <em>Timor em Guerra. A Conquista Portuguesa 1874-1913<\/em>, Editorial Estampa, Lisboa, 2007.<\/p>\n<p>5)&nbsp;GUNN, Geoffrey, <em>Timor Loro Sa&rsquo;e, 500 Anos,<\/em> Livros do Oriente, Macau, 1999.<\/p>\n<p>6)&nbsp;FERNANDES, Ant&oacute;nio Teixeira, <em>Afrontamento Pol&iacute;tico-Religioso, na Primeira rep&uacute;blica, Enredos<\/em> <em>de um Conflito<\/em>, Estrat&eacute;gica criativas, 2009.<\/p>\n<p>7)&nbsp;ARA&Uacute;JO, Ant&oacute;nio de, <em>Jesu&iacute;tas e Anti-Jesu&iacute;tas no Portugal Republicano<\/em>, Lisboa, 2004.<\/p>\n<p>8) AZEVEDO, Lu&iacute;s Gonzaga de, <em>Proscritos<\/em> (Jesu&iacute;tas na revolu&ccedil;&atilde;o de 1910), Tipografia, E. DAEN, Bruxellas, 1914,<\/p>\n<p>9)&nbsp;Boletim Eclesi&aacute;stico da Diocese de Macau.<\/p>\n<p>10)&nbsp;Padre Miguel de Oliveira, <em>Hist&oacute;ria Eclesi&aacute;stica de Portugal<\/em>, Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica.<\/p>\n<p>11)&nbsp;OLIVEIRA, Luna de, <em>Timor na Hist&oacute;ria de Portugal<\/em>, vol. III, Funda&ccedil;&atilde;o oriente, Lisboa, 2000.<\/p>\n<p>12)&nbsp;REIS, C&eacute;lia, <em>O Padroado Portugu&ecirc;s no Oriente na Primeira rep&uacute;blica<\/em>, Livros Horizonte, Lisboa, 2007<\/p>\n<p>13)&nbsp;WRIGHT, Jonathan, <em>Os Jesu&iacute;tas, Miss&otilde;es Mitos e Hist&oacute;rias<\/em>, Quetzal, Lisboa, 2005.<\/p>\n<p>14)&nbsp;Textos do Cardeal Costa Nunes, vol. V, Funda&ccedil;&atilde;o Macau, Macau, 1999.<\/p>\n<p>15)&nbsp;Textos de D. Jo&atilde;o Paulino, Provis&otilde;es e outros escritos, vol. I, Macau, 1997.<\/p>\n<p>16)&nbsp;Informa&ccedil;&otilde;es do reverendo Padre Carlos Maria Vasconcelos, arquivista da Prov&iacute;ncia Portuguesa da Companhia de Jesus.<\/p>\n<p>17)&nbsp;Mission&aacute;rio Cat&oacute;lico, Cernache do Bomjardim.<\/p>\n<p>18) Dicion&aacute;rio da Hist&oacute;ria Religiosa de Portugal (dir. Carlos de Azevedo), vol. IV.&nbsp;<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>D. Carlos Filipe Ximenes Belo<br \/><\/em><em>Administrador Apost&oacute;lico de D&iacute;li (1988-2002)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu&ccedil;&atilde;o &nbsp; Celebra-se este ano em Portugal o primeiro centen&aacute;rio da proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica (5 de Outubro de 1910 &#8211; 5 de Outubro de 2010). O regime republicano veio substituir o regime mon&aacute;rquico que vigorava desde 1140 at&eacute; 1910. 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