{"id":47516,"date":"2010-10-04T11:48:40","date_gmt":"2010-10-04T11:48:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/04\/centenario-da-republica-igreja-lutou-pela-independencia-e-nao-sujeicao\/"},"modified":"2010-10-04T11:48:40","modified_gmt":"2010-10-04T11:48:40","slug":"centenario-da-republica-igreja-lutou-pela-independencia-e-nao-sujeicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/centenario-da-republica-igreja-lutou-pela-independencia-e-nao-sujeicao\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio da Rep\u00fablica: Igreja lutou pela independ\u00eancia e n\u00e3o-sujei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>C\u00f3n. Jo\u00e3o Seabra fala numa ac\u00e7\u00e3o republicana antidemocr\u00e1tica e contr\u00e1ria aos valores da liberdade <!--more--> <\/p>\n<p>A Igreja Cat&oacute;lica viveu o in&iacute;cio da I Rep&uacute;blica, ap&oacute;s o 5 de Outubro de 1910, centrada na luta pela independ&ecirc;ncia e n&atilde;o-sujei&ccedil;&atilde;o, defende o C&oacute;n. Jo&atilde;o Seabra, contra uma ac&ccedil;&atilde;o republicana que considera antidemocr&aacute;tica e contr&aacute;ria aos valores da liberdade.<\/p>\n<p>Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, este especialista considera que a legisla&ccedil;&atilde;o republicana Lei de separa&ccedil;&atilde;o da Igreja do Estado se transformou &ldquo;numa lei de persegui&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja&rdquo; Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>O sacerdote &eacute; autor da obra &#8220;O Estado e a Igreja em Portugal no In&iacute;cio do S&eacute;culo XX. A Lei da Separa&ccedil;&atilde;o de 1911&#8221;, (Principia, 2009), surgida na sequ&ecirc;ncia da tese de doutoramento apresentada em Janeiro de 2008, na Faculdade de Direito Can&oacute;nico da Universidade Pontif&iacute;cia Urbaniana.<\/p>\n<p>O C&oacute;n. Jo&atilde;o Seabra lembra que a situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica da Igreja Cat&oacute;lica antes de 1910 era a de uma Igreja oficial num Estado confessional.<\/p>\n<p>&#8220;Isso tinha consequ&ecirc;ncias: por um lado, de protec&ccedil;&atilde;o &agrave; religi&atilde;o oficial do Estado; por outro, de pretens&atilde;o do Estado de um poder concreto sobre a Igreja que se manifestava em muitas coisas &#8211; era o Rei que nomeava os Bispos, embora tivessem de ser aprovados pela Santa S&eacute; (&agrave;s vezes o governo n&atilde;o conseguia nomear os Bispos que queria, mas a Santa S&eacute; nunca conseguia nomear um Bispo que o governo n&atilde;o quisesse), era o governo que nomeava os p&aacute;rocos e provia &agrave; sua sustenta&ccedil;&atilde;o, as par&oacute;quias eram circunscri&ccedil;&otilde;es eclesi&aacute;sticas e civis&rdquo;, relata.<\/p>\n<p>A partir de 1911, com a Lei da Separa&ccedil;&atilde;o, o culto est&aacute; entregue a umas comiss&otilde;es que o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a controla, mas a Igreja recusou aceitar as &#8220;cultuais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Os p&aacute;rocos ficam todos estipendiados numa lista nacional de pens&otilde;es, a funcionar no Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as, mas recusaram-se a receber essas pens&otilde;es. H&aacute; muitas coisas na Lei que tornariam a Igreja completamente submetida ao Estado e s&oacute; n&atilde;o ficou assim porque adoptou uma pr&aacute;tica de desobedi&ecirc;ncia civil, de resist&ecirc;ncia activa e passiva&#8221;, alerta o especialista.<\/p>\n<p>Para o sacerdote do Patriarcado de Lisboa, &#8220;&eacute; muito importante para compreender o conflito que aconteceu perceber que a Igreja, os Bispos, n&atilde;o pretendiam a manuten&ccedil;&atilde;o do estatuto da religi&atilde;o de Estado &#8211; embora pudesse haver, entre os Bispos, algum mais idoso ou mais ligado &agrave; monarquia que achasse que o melhor era ter a Igreja ligada ao Estado -, n&atilde;o era essa a mentalidade dominante&#8221;.<\/p>\n<p>O C&oacute;n. Jo&atilde;o Seabra considera que &#8220;n&atilde;o devemos iludir-nos com os efeitos da persegui&ccedil;&atilde;o: as persegui&ccedil;&otilde;es fazem mal, a Igreja ficou muito mal-tratada na persegui&ccedil;&atilde;o republicana&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste conflito com os republicanos, destaca, os Bispos sacrificam a quest&atilde;o do patrim&oacute;nio por causa de outros valores que consideram mais importantes: &#8220;Quando os Bispos fazem a sua pastoral, em 1911, dizendo que n&atilde;o se podem aceitar as cultuais, sabem que v&atilde;o ficar sem pa&ccedil;o episcopal; quando os p&aacute;rocos obedecem &agrave; pastoral do Bispo, sabem que v&atilde;o perder a casa paroquial. Isto aconteceu de Norte a Sul do pa&iacute;s, para n&atilde;o ceder na <em>libertas ecclesiae<\/em>, na liberdade de Igreja&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O que estava em causa era uma forma de governo eclesial contr&aacute;ria &agrave; doutrina da Igreja e uma forma de remunera&ccedil;&atilde;o do clero que o punha sujeito ao Estado. Para n&atilde;o aceitar estas duas coisas, para n&atilde;o abdicar da liberdade, a Igreja abdicou do patrim&oacute;nio&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00f3n. 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