{"id":47478,"date":"2010-10-01T12:21:26","date_gmt":"2010-10-01T12:21:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/01\/republica-e-catolicismo-no-feminino\/"},"modified":"2010-10-01T12:21:26","modified_gmt":"2010-10-01T12:21:26","slug":"republica-e-catolicismo-no-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/republica-e-catolicismo-no-feminino\/","title":{"rendered":"Republica e catolicismo no feminino"},"content":{"rendered":"<p>O papel das mulheres cat\u00f3licas na I Rep\u00fablica \u00e9 vis\u00edvel na resist\u00eancia a determinadas medidas e, sobretudo, \u00e0 execu\u00e7\u00e3o da Lei da Separa\u00e7\u00e3o (Abril de 1911). A posi\u00e7\u00e3o \u00e9 assumida pela historiadora Maria L\u00facia Brito e Moura <!--more--> <\/p>\n<p>O papel das mulheres cat&oacute;licas na I Rep&uacute;blica &eacute; vis&iacute;vel na resist&ecirc;ncia a determinadas medidas e, sobretudo, &agrave; execu&ccedil;&atilde;o da Lei da Separa&ccedil;&atilde;o (Abril de 1911). A posi&ccedil;&atilde;o &eacute; assumida pela historiadora Maria L&uacute;cia Brito e Moura, em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA. A especialista d&aacute; o exemplo do caso dos invent&aacute;rios &#8211; na Lei da Separa&ccedil;&atilde;o foi declarado que os bens que, tradicionalmente, estavam em poder da Igreja passavam para o poder do Estado.<\/p>\n<p>Doutorada em Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea pela Universidade de Coimbra e membro do Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa.<\/p>\n<p>As tens&otilde;es pol&iacute;tico-religiosas que marcaram as tr&ecirc;s primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo t&ecirc;m sido objecto da sua investiga&ccedil;&atilde;o. A tese de doutoramento, publicada com o t&iacute;tulo &ldquo;A Guerra Religiosa na Primeira Rep&uacute;blica&rdquo;, incidiu sobre as resist&ecirc;ncias &agrave;s leis publicadas depois de 5 de Outubro de 1910, que atingiram de um modo especial<\/p>\n<p>a Igreja Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; Na implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica (5 de Outubro de 1910) e no per&iacute;odo consequente, as mulheres portuguesas assumiram um papel determinante?<\/em><\/p>\n<p><em>Maria L&uacute;cia Brito e Moura (MLBM) &#8211;<\/em> A resist&ecirc;ncia a determinadas medidas e, sobretudo, &agrave; execu&ccedil;&atilde;o da Lei da Separa&ccedil;&atilde;o (Abril de 1911) surgiu muito das mulheres. No caso dos invent&aacute;rios &#8211; na Lei da Separa&ccedil;&atilde;o foi declarado que os bens que, tradicionalmente, estavam em poder da Igreja passavam para o poder do Estado &#8211; as mulheres sa&iacute;ram em defesa desses bens. Houve necessidade de fazer arrolamentos que deviam decorrer no prazo de 3 meses. Estas dificuldades surgiram no Norte de Portugal, mais nas zonas rurais porque nas zonas urbanas era mais f&aacute;cil uma comiss&atilde;o de arroladores ir a uma igreja e passar despercebida. As mulheres distinguiram-se nessa resist&ecirc;ncia e, muitas vezes, tocavam os sinos a rebate e chamavam os homens. Gritavam que estes queriam roubar os santos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Ent&atilde;o existia a ideia de que os arrolamentos eram para roubar?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Isso tem uma raz&atilde;o de ser. Algumas juntas de freguesia &#8211; como consequ&ecirc;ncia da falta de dinheiro e de um certo anticlericalismo &#8211; come&ccedil;aram logo a vender algumas obras. Algumas comiss&otilde;es de arrolamento entravam na igreja com o chap&eacute;u na cabe&ccedil;a e a fumar. Iam ao sacr&aacute;rio e observavam as part&iacute;culas sagradas. Isto era a maior ofensa que se podia fazer a um cat&oacute;lico. Foram estes acontecimentos que estiveram na raiz da revolta popular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A proibi&ccedil;&atilde;o das prociss&otilde;es tamb&eacute;m causou mal-estar?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> A lei n&atilde;o proibia absolutamente as prociss&otilde;es, mas deixava a realiza&ccedil;&atilde;o destas ao crit&eacute;rio das autoridades locais. Se soubessem que aquela popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; estava suficientemente republicanizada j&aacute; n&atilde;o autorizavam a prociss&atilde;o. Isto exigia prud&ecirc;ncia da autoridade, mas alguns regedores &#8211; com laivos de vanguardismo &#8211; queriam realizar depressa a revolu&ccedil;&atilde;o sonhada.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211; A &#8220;propaganda&#8221; anti-clerical estava a surtir efeito?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Na &uacute;ltima d&eacute;cada antes do 5 de Outubro de 1910, os propagandistas republicanos &#8220;pregaram&#8221; ao povo que o pa&iacute;s s&oacute; avan&ccedil;aria e teria progresso &#8211; na linha de Augusto Conte &#8211; se o estado teol&oacute;gico fosse esquecido. O estado teol&oacute;gico era coisa do passado. Era sin&oacute;nimo de obscurantismo. Chegou a hora da ci&ecirc;ncia e do progresso. Atrav&eacute;s desta forma conseguiram captar muitas pessoas, mesmo nas classes populares. As pessoas das zonas industriais &#8211; nas cinturas das cidades &#8211; foram convencidas que a quest&atilde;o social estava ligada &agrave; quest&atilde;o religiosa. Para conseguir resolver a quest&atilde;o social era preciso resolver primeiro a quest&atilde;o religiosa. Tirar a influ&ecirc;ncia &agrave; Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; No fundo, pretendiam laicizar a sociedade?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> N&atilde;o era apenas a laiciza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es, mas era preciso laicizar tamb&eacute;m as consci&ecirc;ncias. A ret&oacute;rica estava imbu&iacute;da de certos conceitos: p&aacute;tria, cidad&atilde;o e felicidade. Era uma forma de galvanizar as multid&otilde;es. Esta laiciza&ccedil;&atilde;o contava tamb&eacute;m com a escola que seria a oficina onde se formavam cidad&atilde;os. Aquele pacote legislativo &#8211; de Outubro de 1910 at&eacute; Abril de 1911 &#8211; foi muito apressado para um pa&iacute;s com uma taxa de analfabetismo t&atilde;o elevada. Em Fran&ccedil;a, esta legisla&ccedil;&atilde;o tinha levado mais de 30 anos (a 3&ordf; Rep&uacute;blica come&ccedil;ou em 1870 e a Lei da Separa&ccedil;&atilde;o s&oacute; foi decretada em 1905) a ser aplicada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Neste combate ao analfabetismo, as mulheres n&atilde;o assumem um papel de charneira?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Mesmo durante a monarquia trabalhou-se para vencer o analfabetismo. Era uma preocupa&ccedil;&atilde;o sentida. Os republicanos tinham as &#8220;escolas m&oacute;veis&#8221; onde se fazia um ensino com bases na ideia do progresso e da ci&ecirc;ncia. Nada de transcendentes. Uma educa&ccedil;&atilde;o muito republicana e, muitas vezes, as mulheres s&atilde;o as professoras dessas escolas. No entanto, tamb&eacute;m existiam col&eacute;gios das congrega&ccedil;&otilde;es religiosas que assumiram um papel importante nas elites e, mesmo, junto das crian&ccedil;as mais pobres. As Doroteias e o Instituto do Cora&ccedil;&atilde;o de Maria tinham, ao lado das escolas para as elites, escolas para as crian&ccedil;as mais pobres.<\/p>\n<p>J&aacute; se tinha entendido que a seculariza&ccedil;&atilde;o era um bem para a popula&ccedil;&atilde;o e para a sociedade. S&oacute; que alguns republicanos estavam mais preocupados com a reforma das mentalidades do que com as quest&otilde;es sociais. Para estes republicanos era fundamental alterar as mentalidades que estavam informadas pelo jesuitismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Mas a extin&ccedil;&atilde;o das ordens religiosas, em 1834, deixou muitas popula&ccedil;&otilde;es abandonadas.<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> O Alentejo sofreu muito com essa medida. A diocese de Beja esteve muitos anos sem bispo. Caiu-se numa certa indiferen&ccedil;a porque as pessoas n&atilde;o se sentiam acompanhadas&hellip;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Notou-se um agravamento com a expuls&atilde;o das ordens religiosas?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> A lei obrigava os membros destas congrega&ccedil;&otilde;es a irem para as suas terras. Proibia que residissem na mesma casa mais de tr&ecirc;s religiosos\/as, mas muitas destas religiosas j&aacute; viviam naquelas comunidades h&aacute; mais de trinta anos. Com aquela idade tiraram-lhes o lar e o trabalho (escolas, hospitais). Foi uma situa&ccedil;&atilde;o muito dram&aacute;tica. No entanto, funcionou a solidariedade entre elas. Algumas levaram companheiras consigo e, noutros casos, fam&iacute;lias benem&eacute;ritas ofereceram-se para cuidar delas, justificando que iam a t&iacute;tulo de criadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Sem a indument&aacute;ria caracter&iacute;stica das religiosas?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Sem &#8220;h&aacute;bito&#8221;. Algumas puderam continuar nas suas casas &#8211; sem &#8220;h&aacute;bito&#8221; -, desde que fosse pouca gente e quando n&atilde;o se conseguiu encontrar quem as pudesse substituir. Isso aconteceu com um asilo de cegas, em Lisboa, e que estava entregue &agrave;s Dominicanas de Santa Catarina de Sena que tiveram como fundadora Teresa de Saldanha. Creio que ela foi a &uacute;nica que ficou em Lisboa e, da&iacute;, dirigiu toda a congrega&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Ent&atilde;o a congrega&ccedil;&atilde;o n&atilde;o desapareceu?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Ela conseguiu espalhar e arranjar outros s&iacute;tios onde necessitassem das irm&atilde;s, tanto nas escolas como na assist&ecirc;ncia hospitalar. Foram para os Estados Unidos da Am&eacute;rica, Brasil&hellip; Mas n&atilde;o foram apenas as religiosas de Teresa de Saldanha. As Doroteias, as do Cora&ccedil;&atilde;o de Maria, as do Bom Pastor foram para v&aacute;rios pa&iacute;ses. O Col&eacute;gio do Quelhas, em Lisboa, que pertencia &agrave;s Doroteias foi quase todo &#8211; alunas e professoras &#8211; para a Su&iacute;&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; E as verbas para as desloca&ccedil;&otilde;es e alojamento?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> As alunas pagavam e, no geral, havia uma ou duas freiras que as acompanhava. Nas f&eacute;rias voltavam&hellip; Isso acontece at&eacute; &agrave; guerra. A freira que esteve &agrave; frente de todo esse processo foi a Madre Monfalin. Era uma religiosa Doroteia da aristocracia que tinha conhecimentos. Outras foram para o Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, B&eacute;lgica e, sobretudo, Espanha. Para Espanha foram as religiosas mais idosas porque era complicado fazerem grandes viagens. Escolheu-se uma casa em Tuy (Espanha). Depois do noviciado andar por diversos pa&iacute;ses instalam-no a&iacute;. &Eacute; por isso que a irm&atilde; L&uacute;cia, de F&aacute;tima, depois de estar numa casa das Doroteias, no Porto, foi fazer o noviciado para Tuy. Nessa altura, o noviciado das Doroteias estava em Tuy.<\/p>\n<p>Por outro lado, a Madre Provincial das Doroteias que tinha bens de fam&iacute;lia &#8211; chamava-se a &#8220;leg&iacute;tima&#8221; &#8211; gastou-os para pagar as viagens e a instala&ccedil;&atilde;o das irm&atilde;s. Num primeiro momento, em Tuy, antes de conseguirem alunas viviam dos trabalhos de bordados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Qual a congrega&ccedil;&atilde;o feminina mais atingida com o pacote legislativo de Afonso Costa?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> &Eacute; dif&iacute;cil responder, mas as Doroteias &#8211; nessa altura &#8211; tinham muita gente. Foi a primeira congrega&ccedil;&atilde;o feminina que veio para Portugal. Por outro lado, as Doroteias eram das mais odiadas porque se dizia que elas estavam muito ligadas aos jesu&iacute;tas. At&eacute; lhes chamavam os jesu&iacute;tas de saias. A casa das Doroteias era no Quelhas (Lisboa). Nessa zona da cidade residiam tamb&eacute;m os jesu&iacute;tas. Eram pr&oacute;ximos&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Com a expuls&atilde;o destas congrega&ccedil;&otilde;es, as voca&ccedil;&otilde;es consagradas sofreram um rev&eacute;s?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Certamente, mas algumas deixaram disc&iacute;pulas. Quando fechou &#8211; por ordem do Governo &#8211; a &#8220;Associa&ccedil;&atilde;o de Santa Maria Madalena&#8221; (o nome tinha que ter o termo &#8220;associa&ccedil;&atilde;o&#8221; devido a uma lei, de 1901, de Hintze Ribeiro), J&uacute;lia de Brito e Cunha reuniu algumas dessas irm&atilde;s do Bom Pastor e deu vida &agrave; obra que apoiava mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de risco. Congregou-as e passaram a dedicar-se &agrave; costura e aos bordados. No entanto, algumas pessoas come&ccedil;am a dizer que existia ali um &#8220;coio jesu&iacute;tico&#8221;. A casa fecha e muitas delas v&atilde;o para Tuy (Espanha).<a href=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4111\/5040951691_59c1b1476c.jpg\"><img decoding=\"async\" style=\"margin-left: 5px; margin-right: 5px; float: right;\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4111\/5040951691_59c1b1476c.jpg\" alt=\"\" height=\"250\" \/><\/a><\/p>\n<p>Lu&iacute;sa Andaluz tomou conta de uma escola que as Cartuxas tinham em Santar&eacute;m. Criou tamb&eacute;m outras obras que, mais tarde, deram origem &agrave; Congrega&ccedil;&atilde;o das Servas de Nossa de F&aacute;tima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Ent&atilde;o podemos concluir que tivemos &#8220;mulheres de armas&#8221; a auxiliar as &#8220;expulsas&#8221; neste per&iacute;odo conturbado?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Sim. Destaco tamb&eacute;m Maria Carolina Sousa Gomes, de Coimbra, que era filha de um professor universit&aacute;rio &#8211; Francisco Sousa Gomes &#8211; que esteve ligado &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do CADC (Centro Acad&eacute;mico de Democracia Crist&atilde;). Maria Carolina d&aacute; origem a uma obra voltada para as classes pobres: Criaditas dos Pobres.<\/p>\n<p>Neste universo, destaco tamb&eacute;m S&iacute;lvia Cardoso. Foi amiga do Guerra Junqueiro &#8211; acompanhou-o na sua doen&ccedil;a &#8211; e de Leonardo Coimbra. Tinha uma casa de retiros e uma escola para crian&ccedil;as pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A historiografia desta &eacute;poca ainda n&atilde;o foi suficientemente estudada. No entanto, nota-se uma aus&ecirc;ncia de rostos femininos neste per&iacute;odo da hist&oacute;ria.<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> S&atilde;o conhecidos alguns rostos femininos, mas de republicanas que apoiaram a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres cat&oacute;licas est&atilde;o um pouco esquecidas, mas deixaram obra e mostraram que tinham as virtudes republicanas. H&aacute; um certo preconceito&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Sem esquecer as mulheres an&oacute;nimas que desempenharam um papel fulcral na catequese dos seus filhos?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Quando se deu o 5 de Outubro de 1910, a catequese estava muito abandonada. O Papa tinha preconizado para que em todas as par&oacute;quias se organizassem associa&ccedil;&otilde;es de doutrina crist&atilde;. Mas a catequese era dada, essencialmente, por homens. Por volta de 1913\/14, quando as coisas est&atilde;o mais calmas, come&ccedil;am a aparecer algumas revistas. Em Viseu, aparece a revista &#8220;Catequ&iacute;stica&#8221;. Num dos seus primeiros n&uacute;meros, esta revista lembra os regulamentos de Valladolid (Espanha): &#8220;das associa&ccedil;&otilde;es de catequese fazem parte eclesi&aacute;sticos, seculares e at&eacute; pessoas do sexo feminino&#8221;. Este &#8220;at&eacute;&#8221; mostra que isto n&atilde;o era vulgar.<\/p>\n<p>O bispo da Guarda, D. Manuel Vieira de Matos, tem uma revista &#8211; &#8220;Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica&#8221; &#8211; e refere que consultou alguns bispos franceses para saber como eles resolveram os problemas da catequese. &Agrave;s mulheres da diocese da Guarda, D. Manuel Vieira de Matos pede-lhes que imitassem as cristian&iacute;ssimas francesas. Isto mostra que n&atilde;o era usual elas darem catequese. Em 1916, quando se faz a organiza&ccedil;&atilde;o da catequese, em Lisboa, tamb&eacute;m se chamam as mulheres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Em 1931, a Pastoral Colectiva dos Bispos reconhece que o ensino da catequese estava mais difundido&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Nessa pastoral s&atilde;o publicadas as conclus&otilde;es do Conc&iacute;lio Plen&aacute;rio de 1926. Reconhece que este ensino estava mais difundido do que 20 anos antes e isso devia-se &agrave;s mulheres. Mas isso n&atilde;o contentava os prelados porque ainda existe o preconceito que as mulheres t&ecirc;m menos dignidade do que o homem. A ac&ccedil;&atilde;o das mulheres &eacute; de tal modo importante e d&aacute; tanto nas vistas que um indiv&iacute;duo anticlerical &#8211; Tom&aacute;s da Fonseca &#8211; denuncia a situa&ccedil;&atilde;o usando um tom de tro&ccedil;a: &#8220;a Igreja est&aacute; entregue a mulheres&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; As mulheres tamb&eacute;m foram fundamentais no per&iacute;odo da I Guerra Mundial?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Os soldado iam para a guerra, mas n&atilde;o existiam capel&atilde;es. A Lei da Separa&ccedil;&atilde;o tinha acabado com a exist&ecirc;ncia de capel&atilde;es. Os cat&oacute;licos n&atilde;o se conformavam que os seus entes queridos fossem para a guerra sem o capel&atilde;o. Neste per&iacute;odo, as mulheres recolhem assinaturas para serem apresentadas &agrave; Assembleia, no sentido de o governo possibilitar a ida de capel&atilde;es militares. O que ir&aacute; acontecer mais tarde.<\/p>\n<p>No mesmo m&ecirc;s que a Alemanha declara guerra a Portugal (Mar&ccedil;o 1916), surge uma agremia&ccedil;&atilde;o de mulheres cat&oacute;licas &#8211; muitas delas da aristocracia (condessa de Ficalho e condessa de Burnay) &#8211; que fundam a associa&ccedil;&atilde;o &#8220;Assist&ecirc;ncia das Portuguesas &agrave;s V&iacute;timas da Guerra&#8221;. Em primeiro lugar, estas mulheres pretendiam formar enfermeiras. O Governo criou-lhes dificuldades. Algumas delas fazem exames com a Cruz Vermelha. A condessa de Burnay, Maria Am&eacute;lia Carvalho de Burnay, cede uma casa na Junqueira (Lisboa) &agrave; Cruz Vermelha. &Eacute; a&iacute; que s&atilde;o preparadas as enfermeiras que v&atilde;o para Fran&ccedil;a com a Cruz Vermelha. Algumas destas mulheres fazem ac&ccedil;&otilde;es not&aacute;veis no aux&iacute;lio &agrave;s fam&iacute;lias dos militares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; E o papel desempenhado pelas &#8220;Madrinhas de Guerra&#8221;?<\/em><\/p>\n<p><em>MLBM &#8211;<\/em> Esta associa&ccedil;&atilde;o foi fundada pela filha da condessa de Burnay, Sophia Burnay de Melo Breyner, e teve um &ecirc;xito muito grande. Mais tarde &eacute; imitado por outras organiza&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papel das mulheres cat\u00f3licas na I Rep\u00fablica \u00e9 vis\u00edvel na resist\u00eancia a determinadas medidas e, sobretudo, \u00e0 execu\u00e7\u00e3o da Lei da Separa\u00e7\u00e3o (Abril de 1911). 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