{"id":47444,"date":"2010-09-30T11:14:09","date_gmt":"2010-09-30T11:14:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/30\/antioquia-onde-o-cristianismo-mudou\/"},"modified":"2010-09-30T11:14:09","modified_gmt":"2010-09-30T11:14:09","slug":"antioquia-onde-o-cristianismo-mudou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/antioquia-onde-o-cristianismo-mudou\/","title":{"rendered":"Antioquia, onde o cristianismo mudou"},"content":{"rendered":"<p>Al&aacute; &eacute; o supremo. Maom&eacute; &eacute; o seu profeta. Agora &eacute; a hora da ora&ccedil;&atilde;o, &eacute; a hora da salva&ccedil;&atilde;o: ainda &eacute; noite quando o muezzin entra na mesquita e profere de viva voz o primeiro chamamento &agrave; ora&ccedil;&atilde;o do dia.<\/p>\n<p>Os textos, a dura&ccedil;&atilde;o e a entoa&ccedil;&atilde;o dada ao canto variam ao longo do dia. De manh&atilde;, por exemplo, s&atilde;o mais demorados, dando tempo para que os crentes se levantem e procedam &agrave;s ablu&ccedil;&otilde;es rituais.<\/p>\n<p>Aos cinco chamamentos di&aacute;rios, proclamados em &aacute;rabe, sucedem-se as preces, que podem ser rezadas em qualquer lugar, mas de prefer&ecirc;ncia na mesquita, espa&ccedil;o propiciador da gra&ccedil;a divina e lugar onde os v&iacute;nculos comunit&aacute;rios se fortalecem.<\/p>\n<p>Os minaretes, torres altas e delgadas de onde os altifalantes espalham o apelo &agrave; ora&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o uma presen&ccedil;a constante. Das ru&iacute;nas de Antioquia da Pis&iacute;dia, cidade que determinou um novo rumo para o cristianismo nascente, avistam-se pelo menos meia d&uacute;zia.<\/p>\n<p>O nome &ldquo;Antioquia&rdquo; foi dado a pelo menos 17 urbes turcas, mas apenas duas constituem actualmente refer&ecirc;ncias pol&iacute;ticas e b&iacute;blicas: Antioquia da S&iacute;ria (a actual Antakya), ponto de partida e chegada da primeira viagem mission&aacute;ria paulina, e Antioquia da Pis&iacute;dia, na &Aacute;sia Menor.<\/p>\n<p>Localizada no Sul do pa&iacute;s, na prov&iacute;ncia de Esparta, Antioquia da Pis&iacute;dia ter&aacute; sido fundada tr&ecirc;s s&eacute;culos antes de Cristo.<\/p>\n<p>A cidade era atravessada por duas estradas, de Norte para Sul e de Ocidente para Oriente. A sua import&acirc;ncia estrat&eacute;gica, acentuada pela localiza&ccedil;&atilde;o numa &aacute;rea que continua a ser caracterizada pela fertilidade dos terrenos agr&iacute;colas, elevou-a a uma posi&ccedil;&atilde;o de relevo no Imp&eacute;rio Romano, cuja cultura ter&aacute; influenciado profundamente os seus cem mil habitantes.<\/p>\n<p>Entre os vest&iacute;gios contam-se um p&oacute;rtico monumental, um est&aacute;dio e um teatro, um estabelecimento para banhos p&uacute;blicos e um aqueduto, al&eacute;m de tra&ccedil;os de um templo dedicado &agrave; deusa-m&atilde;e Cibele.<\/p>\n<p>A relev&acirc;ncia de Antioquia n&atilde;o seria desconhecida de Paulo. A narrativa do livro b&iacute;blico dos Actos dos Ap&oacute;stolos assinala que o ap&oacute;stolo e os seus companheiros entraram a um S&aacute;bado na sinagoga. Foi o in&iacute;cio de uma mudan&ccedil;a que haveria de transfigurar o cristianismo.<\/p>\n<p>De acordo com a liturgia judaica, a seguir &agrave; leitura dos textos da Lei e dos Profetas, inclu&iacute;dos no conjunto de livros presentemente denominado &ldquo;Antigo Testamento&rdquo;, os chefes da sinagoga convidaram a assembleia a tomar a palavra. Paulo n&atilde;o se fez rogado.<\/p>\n<p>A sua interven&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou por procurar demonstrar que Jesus &eacute; o &uacute;nico cumpridor das promessas intu&iacute;das nos textos b&iacute;blicos. Depois, centrou-se na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo, convic&ccedil;&atilde;o que desde muito cedo foi um dos elementos nucleares do an&uacute;ncio feito pela Igreja.<\/p>\n<p>O assunto deve ter suscitado interesse, desde logo porque alguns judeus e pr&oacute;ximos do juda&iacute;smo se converteram, e sobretudo porque Paulo foi convidado a retomar o tema no S&aacute;bado seguinte.<\/p>\n<p>Nesse dia, prossegue o texto do Novo Testamento, &ldquo;quase toda a cidade se reuniu&rdquo; para ouvir o ap&oacute;stolo, o que provocou a &ldquo;inveja&rdquo; dos judeus. Diante desta recusa, Paulo comunica que vai deixar de lhes dar prioridade na sua miss&atilde;o, passando a dirigir-se aos pag&atilde;os.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de abrir o cristianismo ao mundo, esta &ldquo;liberta&ccedil;&atilde;o&rdquo; implicou o corte com alguns dos preceitos lit&uacute;rgicos e teol&oacute;gicos do juda&iacute;smo, exigindo, em contrapartida, a cria&ccedil;&atilde;o de novas estrat&eacute;gias de an&uacute;ncio do Evangelho adaptadas a povos que desconheciam a tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica<\/p>\n<p>As ru&iacute;nas da igreja de S&atilde;o Paulo em Antioquia testemunham o apre&ccedil;o que algumas comunidades eclesiais tinham pelo ap&oacute;stolo. O templo, que ter&aacute; sido constru&iacute;do no final do s&eacute;culo IV, foi sede de episcopado e &eacute; um dos maiores do cristianismo daquela era.<\/p>\n<p>A cidade foi destru&iacute;da pelos &aacute;rabes em 713. As tentativas de reconstru&ccedil;&atilde;o nunca conseguiram recuperar o apogeu do passado. O abandono definitivo ocorreu na segunda metade do s&eacute;culo XIII.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Rui Martins, Turquia (a Ag&ecirc;ncia ECCLESIA viaja a convite da Geostar)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al&aacute; &eacute; o supremo. Maom&eacute; &eacute; o seu profeta. Agora &eacute; a hora da ora&ccedil;&atilde;o, &eacute; a hora da salva&ccedil;&atilde;o: ainda &eacute; noite quando o muezzin entra na mesquita e profere de viva voz o primeiro chamamento &agrave; ora&ccedil;&atilde;o do dia. 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