{"id":47333,"date":"2010-10-01T11:39:02","date_gmt":"2010-10-01T11:39:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/01\/5-de-outubro-de-1910-republica-e-igreja\/"},"modified":"2010-10-01T11:39:02","modified_gmt":"2010-10-01T11:39:02","slug":"5-de-outubro-de-1910-republica-e-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/5-de-outubro-de-1910-republica-e-igreja\/","title":{"rendered":"5 de Outubro de 1910: Rep\u00fablica e Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Edi\u00e7\u00e3o especial do seman\u00e1rio Ag\u00eancia ECCLESIA assinala centen\u00e1rio <!--more--> <\/p>\n<p>A implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, a 5 de Outubro de 1910, foi um ponto de viragem para a Igreja Cat&oacute;lica em Portugal, tendo levado a uma &ldquo;recomposi&ccedil;&atilde;o interna&rdquo; destinada a enfrentar um &ldquo;programa intencional de laiciza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o &eacute; assumida pelo historiador Ant&oacute;nio Matos Ferreira, um dos coordenadores da edi&ccedil;&atilde;o especial do seman&aacute;rio Ag&ecirc;ncia ECCLESIA que assinala as comemora&ccedil;&otilde;es deste centen&aacute;rio.<\/p>\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o conta com a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa (CEHR) da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa e procura abordar &ldquo;quest&otilde;es do &acirc;mbito da religi&atilde;o na sociedade portuguesa no per&iacute;odo da Primeira Rep&uacute;blica&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;A reflex&atilde;o que se apresenta, acompanhada pela publica&ccedil;&atilde;o de documentos da &eacute;poca e do levantamento iconogr&aacute;fico e biogr&aacute;fico referentes a acontecimentos e personalidades anteriores e posteriores &agrave; Rep&uacute;blica de 1910, pretende contribuir para a mem&oacute;ria cr&iacute;tica dos cidad&atilde;os portugueses&rdquo;, escreve Matos Ferreira.<\/p>\n<p>A chamada &ldquo;quest&atilde;o religiosa&rdquo; &eacute; apreciada para l&aacute; da altera&ccedil;&atilde;o do estatuto da Igreja Cat&oacute;lica nas suas rela&ccedil;&otilde;es com o Estado, na sua forma &ldquo;republicana, laica e de separa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, frisa Matos Ferreira.<\/p>\n<p>Rita Mendon&ccedil;a Leite, tamb&eacute;m coordenadora da publica&ccedil;&atilde;o, indica que &ldquo;a Lei da Separa&ccedil;&atilde;o das Igrejas do Estado representou um momento fundamental na ac&ccedil;&atilde;o do novo regime&rdquo;.<\/p>\n<p>Para o historiador S&eacute;rgio Pinto, o Decreto de 20 de Abril de 1911 &eacute; de &ldquo;dif&iacute;cil aceita&ccedil;&atilde;o&rdquo;, do ponto de vista doutrinal, por parte da hierarquia cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>&ldquo;As caracter&iacute;sticas da lei&rdquo; que em Portugal decretou a separa&ccedil;&atilde;o, &ldquo;vista pela Igreja Cat&oacute;lica como hostil e atentat&oacute;ria da sua ac&ccedil;&atilde;o, acabar&atilde;o por marcar um ponto de viragem&rdquo;, escreve.<\/p>\n<p>Hugo Dores precisa que &ldquo;a Igreja se opunha &agrave;quela lei da separa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o ao conceito de separa&ccedil;&atilde;o que, h&aacute; muito, vozes do catolicismo exigiam&rdquo;.<\/p>\n<p>De acordo com Tiago Apolin&aacute;rio Baltazar, por outro lado, a quest&atilde;o religiosa assume &ldquo;uma import&acirc;ncia fundamental para a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia do regime&rdquo;.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4109\/5015251910_d226f413c0_b_d.jpg\" alt=\"Capa da publica&ccedil;&atilde;o\" width=\"217\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p>&ldquo;Para &laquo;republicanizar&raquo; o pa&iacute;s era preciso, pois, atacar a Igreja e, em casos extremos, o pr&oacute;prio catolicismo, vistos como eram como um entrave &agrave; estabiliza&ccedil;&atilde;o e propaga&ccedil;&atilde;o do regime, como origem do todos os atrasos e mis&eacute;rias&rdquo;, indica o historiador.<\/p>\n<p>Ao longo desta edi&ccedil;&atilde;o especial &eacute; sublinhada a import&acirc;ncia da entrada de Portugal na I Guerra Mundial, a qual permitiu, segundo Guilherme Sampaio, &ldquo;um redimensionamento do papel do catolicismo na sociedade portuguesa&rdquo;.<\/p>\n<p>A isso somam-se os acontecimentos da Cova da Iria, em 1917, analisados por Tiago Apolin&aacute;rio Baltazar: &ldquo;De certa forma, &eacute; atrav&eacute;s de F&aacute;tima que o catolicismo portugu&ecirc;s se reencontrar&aacute; consigo pr&oacute;prio&rdquo;.<\/p>\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o estrutura-se em torno de tr&ecirc;s &aacute;reas tem&aacute;ticas: &ldquo;Sociedade e Religi&atilde;o&rdquo;, &ldquo;Rela&ccedil;&atilde;o Igrejas, Estado e Sociedade&rdquo; e &ldquo;Universos Espirituais e experi&ecirc;ncias religiosas&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;O car&aacute;cter messi&acirc;nico da Rep&uacute;blica, enquanto projecto de regenera&ccedil;&atilde;o nacional, acabaria por degenerar num sentimento de desilus&atilde;o e frustra&ccedil;&atilde;o partilhado pelos universos pol&iacute;tico e religioso&rdquo;, observa Rita Mendon&ccedil;a Leite.<\/p>\n<p>No editorial da edi&ccedil;&atilde;o especial para o 5 de Outubro, o c&oacute;nego Ant&oacute;nio Rego, director do Secretariado Nacional das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais da Igreja, assinala que &ldquo;a Rep&uacute;blica n&atilde;o &eacute; uma data &uacute;nica. &Eacute; um rasto de tempo num pequeno espa&ccedil;o chamado Portugal&rdquo;.<\/p>\n<p>Contando com a investiga&ccedil;&atilde;o de 8 historiadores do CEHR, esta edi&ccedil;&atilde;o torna-se poss&iacute;vel devido a uma nova parceria da Ag&ecirc;ncia ECCLESIA na &aacute;rea da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos.<\/p>\n<p>A estrutura da revista, a selec&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos documentais, a constru&ccedil;&atilde;o progressiva do projecto gr&aacute;fico (a partir da proposta seleccionada da empresa &ldquo;dupladesign&rdquo;) e a selec&ccedil;&atilde;o e coloca&ccedil;&atilde;o das imagens resulta de um trabalho conjunto entre o CEHR e a Ag&ecirc;ncia ECCLESIA realizado ao longo deste ano 2010.<\/p>\n<p>Esta <a href=\"http:\/\/www.ecclesia.pt\/centenariodarepublica\/digital\/\" target=\"_blank\">edi&ccedil;&atilde;o especial do Seman&aacute;rio Ag&ecirc;ncia ECCLESIA<\/a> tem uma tiragem de 10 mil exemplares que, para al&eacute;m dos assinantes deste Seman&aacute;rio, ser&atilde;o enviados a respons&aacute;veis pelas comunidades (paroquiais e outras) da Igreja Cat&oacute;lica, professores de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica, investigadores de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, centros de Hist&oacute;ria e Departamentos de Hist&oacute;ria das diferentes universidades de Portugal. Pode tamb&eacute;m ser pedida para <a href=\"mailto:agencia@ecclesia.pt\">agencia@ecclesia.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edi\u00e7\u00e3o especial do seman\u00e1rio Ag\u00eancia ECCLESIA assinala centen\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-47333","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47333"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47333\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}